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Miguel Vieira. Miguel, ainda decorre e já vai longa a intervenção do presidente dos Estados Unidos durante a sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque.
Sim, precisamente. Donald Trump ainda faz uso da palavra, é o terceiro orador nesta sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, sessão número 81, que começou com a declaração do secretário-geral da ONU, António Guterres. Já vamos ouvir. Antes, Donald Trump, que como referias, Nelson, ainda se dirige à plateia a esta hora, aos representantes dos diferentes países com assento na Assembleia Geral das Nações Unidas. É uma intervenção que tem estado a ser acompanhada pelo jornalista do Observador, Martim Madeira. Martim, desde logo uma referência ao Irão. O que diz o presidente norte-americano relativamente ao Irão e este conflito em curso?
A ideia principal é mesmo a decisão que Donald Trump vai ter que tomar relativamente a este conflito. Donald Trump diz mesmo que tem uma grande decisão em mãos. Ou fará um acordo com o Irão, ou terá de, e é esta a expressão que Donald Trump utiliza, aniquilar o regime iraniano. Diz que é essa a decisão que tem em mãos, depois de ter passado a maior parte do discurso no início a fazer uma espécie de estado da nação, onde se gabou de todos os feitos que fez na política norte-americana interna. Também relativamente ao Irão, diz que os iranianos fabricaram mísseis capazes de atingir a Europa, mas que a intervenção dos Estados Unidos impediu que esses mísseis fossem finalizados, conseguiu destruí-los e, portanto, disse para a Europa ter cuidado e que a Europa deveria agradecer aos Estados Unidos por ter feito esta intervenção. Também anunciou que estão a ser feitas 18 fábricas de munições para abastecer os aliados mais rapidamente, isto em conjunto com outras empresas, por exemplo, a Lockheed Martin e a Northrop Grumman, para fabricar mísseis ou drones. Depois desta intervenção sobre o Irão, tornou a falar de Gaza, para dar o exemplo de que conseguiu no ano passado, quando falou na altura nas Nações Unidas, que a situação em Gaza ainda não estava bem concluída e que depois dessa intervenção criou o comitê para a paz em Gaza e resolveu essa parte do conflito que ainda perdura um pouco e conseguiu criar aquele ponto de 20 planos que também foi apoiado pelas Nações Unidas. Relativamente também a Cuba, falou sobre Cuba, diz que o comunismo não vai entrar nos Estados Unidos, mas que a liberdade vai entrar em Cuba.
Uma primeira síntese desta intervenção de Donald Trump, que como aqui referíamos, ainda faz uso da palavra a esta hora e fala da inteligência artificial. Apanhei ali parte do discurso com o presidente norte-americano a dizer que os Estados Unidos lideram esta corrida pelo desenvolvimento da inteligência artificial. Estão, por exemplo, à frente da China. Haveremos de dar conta desta intervenção de Donald Trump com mais detalhe em futuros espaços informativos aqui na antena do Observador.
A sessão começou com a última intervenção de António Guterres como secretário-geral da ONU. Na hora da despedida, partilhou uma convicção: as superpotências não são assim tão super.
Não conseguem sozinhas resolver os vários problemas com que o mundo se depara. António Guterres diz que esta é a lição a retirar dos conflitos que eclodiram na última década.
A construção de um futuro em rede começa com o reconhecimento, especialmente por parte das superpotências, de que o poder não é assim tão super, de que o poder tem limites. E os acontecimentos dos últimos anos tornaram isso inequivocamente claro. O poder militar por si só não pode garantir a paz, o poder económico por si só não pode assegurar a estabilidade e o poder tecnológico por si só não pode garantir a segurança.
Desafios que devem ser enfrentados, defende António Guterres, através da cooperação entre os diferentes países e não em blocos. Sobre os conflitos em curso, voltou a criticar a atuação de Israel nos territórios palestinianos, mas também a atuação da comunidade internacional. Diz que a solução de dois Estados está a esfumar-se diante dos olhos de todos.
Num parecer consultivo do ano passado, o tribunal deixou claro que as Nações Unidas devem poder cumprir os mandatos em Gaza e que o nosso pessoal e os trabalhadores humanitários devem ser protegidos. Todas as partes devem respeitar o direito internacional e as ordens do tribunal. Entretanto, a violência, as deslocações e a expansão dos colonatos por parte de Israel na Cisjordânia ocupada estão a destruir o caminho para a paz e a suscitar o espectro da limpeza étnica. Não podemos permitir que a solução de dois Estados desapareça diante dos nossos olhos.
A preocupação manifestada por António Guterres.
Também Lula da Silva falou nesta sessão das Nações Unidas.
Sim, com este mesmo tema e não poupou nas palavras, acusa Israel de genocídio.
Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixado pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas.
O presidente do Brasil lamenta que as Nações Unidas não consigam, no Médio Oriente, como em outros pontos do globo, impor o calar das armas.
Este é o momento mais crítico das Nações Unidas. O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas, a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército nem arsenais, nunca foi tão pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel.
O diagnóstico em tons de negro do papel das Nações Unidas traçado por Lula da Silva, o presidente brasileiro, que interveio antes de Donald Trump, que terminou precisamente agora a intervenção. O presidente dos Estados Unidos, que para além dos temas que já aqui elencamos, falou também sobre as alterações climáticas para negar que essas alterações estejam a ocorrer.
A ministra da Saúde revela que o governo vai avançar com urgências regionais na área metropolitana de Lisboa e Vale do Tejo para as áreas de ortopedia e traumatologia.
Isso mesmo foi anunciado por Ana Paula Martins, que está a ser ouvida a esta hora, uma audição regimental na Comissão de Saúde, na Assembleia da República. Anuncia então esta urgência regional nestas áreas de especialidade.
Não podemos continuar a organizar urgências com base na dispersão de recursos que não existem. É precisamente esta aprendizagem que vamos levar agora para a restante Rede Nacional de Urgência e Emergência. Em junho, o governo criou um grupo de trabalho para a atualização desta rede. E digo-vos com toda a clareza: vamos avançar para a concentração de urgências metropolitanas e regionais de ortopedia e traumatologia e noutras áreas em que a evidência técnica demonstre que essa concentração é necessária, com prioridade em Lisboa e Vale do Tejo.
Num primeiro momento, nas áreas de ortopedia e traumatologia, mas a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que continua a ser ouvida a esta hora, admite alargar estas urgências metropolitanas e regionais a outras áreas de especialidade.
O velório de Jorge Palma vai decorrer a partir de amanhã à tarde na Voz do Operário.
Disso mesmo dá conta a família através das redes sociais. O velório vai decorrer entre as 15h e as 22h. O funeral está agendado para a próxima quinta-feira e vai ser restrito a família e amigos próximos. O cortejo fúnebre sai da Voz do Operário às 15h em direção ao Cemitério do Alto de São João.
Marcelo Rebelo de Sousa relembrou aqui na rádio o observador Jorge Palma como um músico rebelde e doce.
Marcelo Rebelo de Sousa conheceu Jorge Palma em 1971, na edição do Festival Vilar de Mouros. Marcelo Rebelo de Sousa afirma que o espírito rebelde do músico esteve presente desde o início. Já aí estava bem vincado, mas um espírito rebelde acompanhado por uma doçura.
Encontrámo-nos, eu fui cumprimentá-lo, felicitá-lo. Estava muito entusiasmado com aquele ambiente, que era um ambiente muito peculiar. Não se esqueça que era um regime em que se vivia e aquilo era uma manifestação heterodoxa, rebelde, e ele era naturalmente um rebelde. Foi sempre um rebelde doce, mas um rebelde.
Um doce rebelde. Jorge Palma assim recordado pelo antigo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que em 2020 atribuiu ao cantautor a Ordem do Infante Dom Henrique.
Vamos a outras notícias em destaque a esta hora, Miguel.
A dívida das famílias, empresas e do Estado diminuiu quase € 6 bilhões no mês de julho. Dados do Banco de Portugal, o endividamento do setor financeiro caiu para cerca de € 900 milhões. Depois das televisões norte-americanas terem decidido boicotar a cobertura das iniciativas de Donald Trump, a Casa Branca lançou uma televisão estatal, chama-se Trump TV, começou a transmitir esta madrugada. O canal com o nome do presidente dos Estados Unidos está disponível no site da Casa Branca. A primeira emissão arrancou com o vídeo "Kill the Radio Star", da banda Buggles, curiosamente, a mesma música com que arrancaram as emissões da MTV. O novo canal surge como retaliação à decisão dos principais canais de televisão norte-americanos de suspenderem a cobertura de eventos presidenciais, depois de alguns órgãos de informação terem sido proibidos de entrar na Casa Branca.