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Esta é a tarde política da Rádio Observador. É quinta-feira, 18 de junho, e por isso vamos ter "Onde Para o Caso". Hoje sobre a agressão ao ator Adérito Lopes, da Barraca, em Lisboa, por um elemento suspeito de pertencer a um grupo de extrema-direita. Mas também temos nesta hora das 17h00, um explicador. Boa tarde, Judite França, vamos falar sobre?

Sobre a reforma laboral, a discussão que teve lugar hoje no Parlamento, e vamos ter um frente a frente entre trabalhadores e patronato.

Será tudo depois do jornal das 17h00, que nos é trazido pelo jornalista Luís Soares. Boa tarde, Luís. Quais são os temas em destaque agora às 17h00?

Boa tarde, Ricardo. Boa tarde, Judite. Naturalmente, o debate sobre a reforma laboral. Nenhum partido se comprometeu com sentido de voto na votação de amanhã, mas Hugo Soares garante que as alterações à lei laboral vão ser aprovadas. A Ministra do Trabalho defende que o governo quer acabar com a ideologia do empobrecimento. O Ministério da Educação admite uma falha no exame de português do 12º ano e pediu uma averiguação ao que se passou no processo. Mais à frente, a morte de uma árvore que vinha do tempo do Robin dos Bosques.

Depois, na Floresta do Sherwood. Já vamos saber mais sobre essa história neste jornal das 17h00. Mais logo, depois das 18h53 temos "Vicia e Soares", o programa da equipe de política do Observador. O convidado da segunda parte será o social-democrata Miguel Relvas. E em relação ao Mundial de Futebol, ainda esta tarde, vamos ter minuto 90 para acompanhar, ali por volta das 18h50, o fim do jogo entre a Chéquia e a África do Sul, jogo que está quase a começar. Jornal das 17h00, com Luís Soares. O debate sobre o Código Laboral terminou há pouco no Parlamento. O Chega poderá viabilizar a proposta da reforma laboral do governo para avançar com a discussão em sede de especialidade.

Foi isso que deixou nas entrelinhas André Ventura, o líder do Chega, já na fase final do debate. A proposta vai ser votada amanhã na Assembleia da República, depois de uma tarde de discussão com trocas de acusações entre esquerda e direita e com o líder do PSD confiante de que a proposta vai receber luz verde para ser discutida na especialidade. Miguel Vitor Dias.

Por muito que vos custe, amanhã esta proposta vai ser aprovada.

É um Hugo Soares confiante perante um Chega que quis deixar o resultado em aberto.

Ainda não sabemos, a esta hora, o que acontecerá com a reforma laboral que o governo aqui apresenta.

Mas que logo de seguida teve um André Ventura a dizer que a vitória será do partido.

Quem conseguiu corrigir um erro na amamentação e nos direitos das mães? Foi o Livre, o PCP, o PS? Não, foi o Chega. Foi o Chega que conseguiu esta vitória.

Nas entrelinhas, a vontade do Chega em levar a proposta para a especialidade, perante um PS que se mantém contra e a atirar a Ventura.

Escolhe a agenda dos seus financiadores, é ela que prevalece sempre. Amanhã, este governo aprovará a reforma laboral. É, acima de tudo, a sua traição aos trabalhadores de mão dada com Luís Montenegro.

Hugo Soares garante que as distâncias não são assim tantas.

Está mais perto desta nossa proposta do que aquilo que eles dizem. A questão é meramente tática. Para o Partido Socialista, queria mesmo era demonstrar que o governo não tinha condições de governar.

E se uns falam em tática, a ministra do Trabalho, que defendeu a reforma de Passos Coelho, falou em saudades.

O PS pede ao governo que deite a sua reforma fora e comece de novo. O PCP, por seu turno, pede que a rasgue. É um dueto nostálgico, senhoras e senhores deputados, que tem consigo, evidentemente, o histórico da geringonça.

O PCP garante que esta reforma é um ataque a quem trabalha num lapsus linguae de Alfredo Maia.

A luta de classes existe mesmo e este pacote laboral, que também é liberal, é uma violenta expressão deste fato.

Se à esquerda a oposição é total, à direita há aplausos tímidos.

A verdade é que esta proposta da AD não se pode propriamente considerar uma reforma estrutural, mas já vai no caminho certo.

Mariana Leitão, da Iniciativa Liberal, no debate sobre a Lei do Trabalho, que vai ser votada amanhã. Miguel Vitor Dias e as ideias principais do debate desta tarde sobre a reforma laboral. A proposta vai ser votada amanhã. Ao final da manhã, precisa, pelo menos, da abstenção do Chega para ser viabilizada na generalidade e depois ser discutida na Comissão Parlamentar de Trabalho.

No Parlamento, esteve a Ministra do Trabalho, não o primeiro-ministro, não conseguiu acompanhar a discussão. Estava a viajar para Bruxelas, onde é esperado na reunião do Conselho Europeu. Luís Montenegro insiste que o governo tem disponibilidade para aprofundar a reforma laboral em sede de especialidade.

Nomeadamente junto dos partidos que amanhã viabilizem a proposta, como tem acontecido em vários processos legislativos, diz Luís Montenegro.

Uma disponibilidade absoluta para podermos aprofundar os termos desta reforma com os contributos dos partidos políticos, nomeadamente daqueles que estiverem disponíveis para viabilizar a nossa proposta na Assembleia da República. As negociações do PSD com os restantes partidos da oposição têm estado sempre aberta e, portanto, não é exclusivo deste processo legislativo, tem acontecido noutros processos legislativos, como de resto também tem havido disponibilidade para o Chega negociar com o Partido Socialista, também já tem acontecido.

Luís Montenegro, em resposta aos jornalistas na chegada a Bruxelas para a reunião do Conselho Europeu.

O ministro da Presidência reitera que o governo não tem parceiros preferenciais para fazer aprovar reformas, mas pede ao Partido Socialista que ultrapasse a fase do que chama "a fase do contra".

António Leitão Amaro garante que o Executivo vai continuar a seguir a estratégia que tem levado a cabo até aqui, discutir os diplomas com os partidos da oposição, mostrando disponibilidade para eventuais ajustes em certas matérias. Lamenta, no entanto, que nos últimos meses a AD tenha encontrado no PS um obstáculo e espera que a mentalidade do partido de José Luís Carneiro ainda possa mudar.

Esperamos que seja uma fase

Esta fase do contra e a fase do empate, nós esperemos que não dure muito para ninguém, e não é só no campo de futebol que não queremos empates. Esta fase do Partido Socialista estar do contra e estar num empate, esperemos que passe e que volte à disponibilidade, porque senão os portugueses começam a olhar e dizer: "Para que serve? Se não contribui, se não quer sair do mesmo sítio, se não está disponível para aproximar".

Como aviso do ministro da Presidência, Antônio Leitão Amaro, no briefing do Conselho de Ministros desta tarde, reunião em que foi aprovado um decreto que autoriza a contratação de até 31 mil efetivos das Forças Armadas para os próximos três anos, com uma despesa que pode ultrapassar os 150 milhões de euros.

O Ministério da Educação decidiu abrir um inquérito à polêmica em torno do exame de português. A prova tinha uma pergunta idêntica à de um manual de preparação dos exames. É isso, Luís?

É isso mesmo. O Ministério da Educação ordenou à Inspeção-Geral da Educação e Ciência a realização de uma auditoria aos procedimentos internos do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação. Em causa, a questão do grupo 3 do Exame Nacional de Português do 12º ano, que se realizou na terça-feira. A imagem que se via nessa questão foi utilizada num manual deste ano com a legenda: "E se o teu lápis fosse uma ferramenta contra o trabalho forçado?" O exame não indicava essa legenda exata, mas pedia também um comentário crítico à imagem. Uma coincidência que gerou críticas de professores que se queixam da desigualdade entre os alunos que compraram o referido livro e os restantes. No comunicado emitido esta tarde, o ministério reconhece que existiu uma falha objetiva da equipa responsável pela elaboração do exame e, por isso, promete tirar as devidas consequências depois de conhecidas as conclusões do relatório.

E já há gols no primeiro jogo da tarde, mas já lá vamos. Vamos primeiro a outras notícias que estão a marcar a tarde desta quinta-feira, Luís Soares.

A Polícia Judiciária está a investigar o caso de uma menina de oito anos que foi encontrada morta na quarta-feira, no Conselho de Valpaços, depois de um alerta de que estava desaparecida. A madrasta da menina foi identificada e detida, sendo fortemente indiciada pela morte da menor. A criança vivia com o pai e com a madrasta em Celeirós, uma aldeia do Conselho de Valpaços, onde esteve o jornalista do Observador Miguel Pinheiro Correia, e lá ouviu os vizinhos solidários perante o momento que vive o pai da criança.

O pai da vítima é um velho conhecido de todos. Ele cresceu nesta aldeia e por isso os vizinhos mostram-se bastante solidários, comovidos com o que ele está a passar. Podem dizer menos sobre esta madrasta. Eles dizem que ele vivia aqui há alguns anos, primeiro com os pais e depois veio viver para esta casa com esta madrasta, com esta mulher, depois de se ter divorciado da mãe da menina agora encontrada morta. A família, os vizinhos, aliás, falam, viam pouco a família junta. O pai trabalha nas obras e por isso passava muito tempo a trabalhar, viam-no pouco. Viam mais até a criança de nove anos que foi encontrada morta. Ela passeava aqui ou apanhava aqui o autocarro para ir para a escola e por isso era esse o único momento em que a viam. Mas de resto falam uma família perfeitamente normal ou aparentemente normal, pelo que a notícia desta morte chocou bastante a aldeia.

Miguel Pinheiro Correia, o relato em Celeirós, onde vivia esta menina de oito anos. Vamos ao Mundial de Futebol. A segunda jornada da fase de grupos arranca a esta hora com República Checa-África do Sul, jogo em Atlanta, entre as duas equipes que perderam na primeira jornada e nesta altura, Diogo Varela, já há uma equipe em vantagem.

É a Chéquia que está na frente do marcador, a passe de Aleksandr Sókhya, acabou por finalizar bem Michal Sadílek à passagem do minuto seis. Estamos agora com oito minutos. São duas seleções, Luís, que entraram a perder neste campeonato do mundo, no grupo A, ou seja, já têm aqui também uma espécie de xeque-mate, caso uma delas volte a somar nova derrota. Ainda assim, deixa-me destacar, além dos dois países, há aqui também um ponto. A árbitra Tori Penso, que se torna a primeira mulher nesta edição do Campeonato do Mundo a arbitrar um jogo. Não é pioneira, não é a primeira árbitra de sempre que apita num campeonato do mundo feminino. Isso aconteceu com a francesa Stéphanie Frappart no Campeonato do Mundo do Qatar, mas é nesta edição 2026 a primeira mulher neste reforço da FIFA a incluir mulheres a apitar nas competições de topo do futebol masculino. Além de Tori Penso, que está a arbitrar este Chéquia-África do Sul, há também uma mexicana, Katia Garcia. Ainda não foi chamada a jogo, mas pode haver essa possibilidade.

E o Diogo Varela vai continuar atento a este jogo, para já a República Checa vai vencendo por 1x0 a África do Sul. E Ricardo, morreu a árvore, digamos assim, mais famosa do mundo, ou pelo menos estava ligada ao maior herói da floresta, ou melhor, ao maior herói dos bosques, digamos assim.

Robin dos Bosques?

Exatamente.

Em Sherwood.

Exatamente. Trata-se do carvalho milenar da floresta de Sherwood, que está associado à lenda do Robin dos Bosques. Era considerada uma das árvores mais emblemáticas da Europa. Foi dado como morto porque deixou de produzir folhas este ano. Além da idade impressionante, diz-se que o carvalho servia de refúgio para o herói quando ele fugia do xerife de Nottingham.

E há alguma causa para a morte desta árvore, deste carvalho milenar?

Não há causas para a morte, mas os especialistas apontam vários fatores, como as alterações climáticas, o calor, a seca, os milhões de visitantes também ao longo do tempo ou até as estruturas instaladas para sustentar os enormes ramos. O certo é que não deixa de ser uma grande perda, uma das árvores mais famosas do mundo.

Exatamente. E nós por cá também temos algumas árvores milenares, com mais de mil anos, algumas com mais de dois mil anos, nomeadamente oliveiras, e são muito impressionantes.