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Jornal das cinco, com Vasco Maldonado Correia. Começamos pelas jornadas parlamentares da AD, que junta PSD e CDS. Nuno Melo alerta para uma possível crise política no horizonte, mas diz que o PS e o Chega vão acabar desiludidos.
Luís Montenegro está nos Estados Unidos, onde vai assistir ao Portugal-Espanha de mais logo a contar para o Mundial de Futebol e, por isso, coube ao líder do parceiro de coligação, o presidente do CDS, fazer o discurso de abertura nas jornadas parlamentares que decorrem em Cascais. Mas antes, Ricardo Lopes, houve tempo para uma curta mensagem do primeiro-ministro.
Luís Montenegro está nos Estados Unidos para assistir ao jogo da Seleção Nacional e, por isso, escreveu um pequeno texto onde destaca a serenidade e o sentido de Estado das bancadas do PSD e do CDS ao longo destes dois anos de governação. Com o líder do Executivo ausente, coube a Nuno Melo, líder do CDS e também ministro da Defesa, a missão de abrir as jornadas parlamentares da AD e começou por refletir sobre as mudanças do panorama político português.
Nós sabemos que o mapa político-partidário se reconfigurou, essa é uma evidência. Isso traz uns desafios que são muito exigentes.
Nuno Melo diz que, nestas circunstâncias, a AD é um ativo sem preço.
Nesta era de excesso e de polarizações, eu acho que a grande vantagem da AD é de que mantém-se uma opção assumidamente moderada, serena e institucional.
O ministro da Defesa garante que o Governo quer estabilidade e deixa um aviso a quem quer criar uma crise política e já só pensa em eleições.
Bem sabemos que os socialismos e os populismos se podem aliar outra vez para que venha aí outra crise política. Agora, de uma coisa podem estar certos: se as oposições não quiserem respeitar a vontade dos eleitores outra vez, se não nos quiserem deixar governar, pode ser bem que tenham uma ou outra grande desilusão.
Nuno Melo parece confiante numa eventual ida às urnas e explica por quê.
São mesmos resultados que nós temos para avaliar e comparar com quem queira e com quem seja, e seguramente com os socialistas que nos governaram oito anos seguidos. Nós fizemos em dois anos o que os socialistas não fizeram em oito anos. E isto não é conversa.
O ministro da Defesa, a antecipar uma eventual crise política, num discurso de balanço feito aqui no primeiro dia das jornadas parlamentares da AD, Nuno Melo desafia a oposição e lembra que esta coligação PSD/CDS nunca perdeu eleições legislativas.
Ricardo Lopes, que está em Cascais a acompanhar as jornadas parlamentares da AD, vai contar esta tarde com uma intervenção do antigo líder social-democrata José Manuel Durão Barroso. Na mensagem enviada por Luís Montenegro aos deputados da AD, o presidente do PSD diz que o primeiro-ministro tem o dever de assegurar a representação do Governo e do povo português, não só na Cimeira da NATO, mas também nos jogos da Seleção Nacional de Futebol.
E numa outra notícia em destaque nesta segunda-feira, o ministro da Educação assegura que os exames do ensino secundário em atraso devem chegar aos professores até o final do dia de hoje.
Meta traçada por Fernando Alexandre, sendo que uma grande maioria das provas já está nas mãos dos docentes.
Eu penso que todos os professores terão provas para classificar de uma maneira geral, essa é a informação que temos, e esperamos que hoje praticamente a totalidade das provas, 100%, estejam distribuídas a todos os classificadores.
O ministro da Educação aos jornalistas em Mae Martins, no centro de operações onde estão a ser processados os exames nacionais do ensino secundário. Fernando Alexandre explicou também que a suspensão temporária do acesso à plataforma que gere a correção dos exames ficou a dever-se a uma questão de segurança detectada ontem à noite, que entretanto já foi resolvida.
E depois do adiamento da publicação dos resultados dos exames e do calendário da segunda fase, a Iniciativa Liberal defende que também os prazos de acesso ao ensino superior deviam ser revistos.
Uma solução defendida pela deputada da Iniciativa Liberal, Angélique da Teresa.
Não só estão a acumular as tarefas de classificação da segunda fase, como o trabalho todo de secretariado antes e depois dessa fase, bem como, porque terão que estar envolvidos nas revisões de provas e de recursos. Portanto, devido a tudo isto, como é que é possível exigir aos professores que, mantendo este calendário, consigam fazer isto tudo ao mesmo tempo? Não é viável. E portanto, mais vale que o ministro assuma: este processo correu mal, está a ser tudo feito para que seja corrigido e nós assumimos, desde já, um atraso neste calendário.
A liberal Angélique da Teresa, dizendo que a Iniciativa Liberal vai analisar a proposta do Bloco de Esquerda para criar uma comissão de inquérito sobre o caso.
E no Mundial de Futebol, estamos em contagem decrescente para o Portugal-Espanha.
Tudo ou nada para a equipe treinada por Roberto Martinez. Pela frente, um adversário temível, o campeão europeu, que ainda assim foi derrotado pela equipe das Quinas na final da Liga das Nações há pouco mais de um ano. Faltam menos de três horas para o apito inicial nesse jogo dos oitavos de final do Mundial e, por isso, vamos já em direto até Dallas, Texas, ao encontro do enviado especial d'O Observador, Miguel Cordeiro. Miguel, boa tarde. Já estás perto do estádio. Há algum sinal de que Portugal possa ter maioria nas bancadas?
Sim, há esses sinais, mas tudo indica que vamos ter, principalmente, um equilíbrio. É óbvio que há muitos adeptos da seleção portuguesa, sim, há muitos adeptos que apoiam Portugal, mas principalmente por causa de Cristiano Ronaldo. Vimos isto acontecer em Houston, também no Texas. Há uma Ronaldomania e tivemos que fazer aqui um esforço para encontrar portugueses nas filas que dão acesso a este estádio. Ora, são longas as filas, está tudo muito organizado, sim, mas as filas são gigantescas. Estamos a quase 800 metros da porta de entrada número dois e estamos junto à fila que dá acesso a essa porta e a fila continua por mais uns 400 metros. Portanto, há pessoas aqui que vão ter que esperar ainda algum tempo, sob forte calor, para poder entrar neste estádio. E foi assim, depois de percorrer toda esta fila, que encontrei aqui um grupo que tinha um português, Luís Carvalho. Olá, bem-vindo à Rádio Observador. Estava a dizer-me há pouco que é um homem muito experiente nisto de grandes competições a apoiar Portugal.
Ya, já fui a vários torneios que Portugal participou, como o Campeonato da Europa de 2016. Estive lá os jogos todos.
Incluindo a final?
Incluindo a final, sim.
E onde é que esteve mais?
Estive no Brasil em 2014, estive na Alemanha há dois anos e agora aqui.
E Toronto, o que achou dessa demonstração de força da seleção e dos adeptos em Toronto?
Foi uma demonstração muito grande. Não sei, mas deve ter tido talvez 10 mil pessoas na marcha para o estádio. Foi uma coisa impressionante. Aqui talvez não houve, porque também o calor não ajuda.
Aqui é mais complicado. Mas de uma pessoa tão experiente, que já esteve em tantos mundiais, pode certamente ajudar-nos a fazer uma avaliação de como está a organização também desta competição. Muitos têm dito sobre o mundial na América do Norte, o que está a achar até agora daquilo que já viu?
Eu penso que está bem organizado, só que eu penso que os preços deviam ser mais equilibrados. De jogo para jogo, o preço é diferente e não devia de ser.
É complicado vir aos jogos todos com os preços que se registam. Em Toronto, por exemplo, foi caríssimo o bilhete.
Até não foi assim muito caro em Toronto.
Para si?
Para mim. Mas para ver Portugal, às vezes a gente paga o que for preciso só para ver Portugal.
Está confiante para o jogo de hoje?
Estou confiante. Espero que Portugal faça um bom jogo. Vamos ver. Eu já tenho bilhetes para os próximos jogos.
Já está comprado.
Tenho o bilhete Follow My Team, que segue a equipa. E estou à espera que eles vençam que é para ir para Los Angeles.
Luís, diga-me uma coisa. Cristiano Ronaldo ontem falou em feeling, disse que tinha um feeling que Portugal vai passar. Como é que estão os seus feelings?
Eu penso que Portugal vai passar, vai fazer o melhor jogo do torneio. Os primeiros três jogos não correram assim muito bem. O último jogo estava a correr bem, mas depois no fim a Croácia também cresceu. Mas eu penso que Portugal vai vencer.
Luís, muito obrigado. Vou permitir que volte à fila, que avançou uns 10 metros desde que estávamos à conversa. Vai andando muito devagar, também sob forte calor. Um português emigrou da Madeira há 40 anos para Toronto, está a acompanhar a equipa na fase a eliminar. Já tem bilhete para os próximos jogos. Agora depende de Portugal.
Reportagem do Miguel Cordeiro, enviado especial observador ao Mundial de Futebol, já junto ao estádio AT&T, na cidade de Arlington, estado do Texas.
800 metros de fila para entrar no estádio. Acho que o melhor é apanhar um táxi.
Mas não importava.
E ficar no táxi na fila. Bom, vamos continuar pelo mundial, porque Donald Trump admite, sem grandes problemas.
Sem grandes reservas.
Que pressionou a FIFA para levantar a suspensão de um jogador da seleção norte-americana que viu um cartão vermelho no último jogo dos Estados Unidos.
Em causa, Folarin Balogun, expulso no jogo dos 16 avos de final frente à seleção da Bósnia. Essa decisão em campo foi contrariada depois pela FIFA, que decidiu levantar a suspensão desse cartão vermelho, fazendo com que o avançado esteja agora disponível para a partida desta madrugada frente à seleção belga. Ora, numa conferência de imprensa na Casa Branca esta tarde, o presidente dos Estados Unidos reclamou os louros por essa decisão.
Sim, eu pedi uma revisão da FIFA. Falei com um homem que é muito respeitado e agora o nível de respeito dele aumentou 10 vezes. Ele era bom antes de começar, mas realmente empurrou o país. E eu quem fiz isso acontecer, não foi o Biden.
Trump dá ainda um exemplo a envolver Cristiano Ronaldo e Lionel Messi.
Como é que se sentiriam se expulsassem o Messi do mundial? Supondo que ele tinha ido contra alguém, ou se tivessem expulsado o Ronaldo. Ronaldo, foste contra alguém, mas vamos expulsar-te. Ele é ótimo. Ou o Harry Kane. Harry, vamos expulsar-te porque acabaste de ir contra alguém com um pouco mais de força. Não podem fazer isso. Se o expulsassem, acho que não teríamos um campeonato tão incrível.
Exemplo dado por Donald Trump aqui em conferência de imprensa na Sala Oval.
E o professor de Direito do Desporto, Lúcio Correia, perante esta situação, pela forma desabrida como Donald Trump admite que pressionou a FIFA a tirar o castigo a um jogador dos Estados Unidos, diz que este caso abre um precedente muito grave.
É o que diz, ouvido pela Rádio Observador, o professor na Universidade Lusíada de Lisboa, afirma que a FIFA está a agir contra um valor que defendeu durante muitos anos a separação entre a política e o desporto.
Quer se queira, quer não, o desporto não anda a reboque da política, mas já se viu que as instâncias políticas têm uma fortíssima influência no âmbito desportivo. Para mim, isto é precedente gravíssimo, no qual, a meu ver, fica manchada a própria integridade da competição.
Diz o professor de Direito do Desporto da Universidade Lusíada de Lisboa, Lúcio Correia, ouvido pela Rádio Observador.
Fica a dúvida o que fará Donald Trump se à 01:00 o jogo dos Estados Unidos com a Bélgica não correr bem para os norte-americanos. Não sabemos se fará um novo golfinho para um segundo jogo. E Vasco, com este calor que está a abrandar agora um pouco, que notícias temos sobre os incêndios?
O cenário mais calmo a esta hora nos incêndios rurais, como dizias. Numa nota enviada esta tarde às redações, a Proteção Civil indica que a situação operacional se encontra mais estável, sem ocorrências relevantes a assinalar, sendo que o incêndio de Vouzela, que foi dado como dominado esta manhã, é o que envolve nesta altura mais meios de combate. No terreno estão cinco meios aéreos e também perto de 700 operacionais apoiados por cerca de 240 viaturas.
O Vasco Maldonado Correia regressa às 17h30 para atualizar as notícias.