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Vamos às notícias . Jornal das 5, com a edição do José Rafael Lopes. José, o líder da CGTP insiste nas críticas ao governo, diz que as medidas do executivo só servem a grandes empresas.
Tiago Oliveira liderou a manifestação contra o aumento do custo de vida convocada pela CGTP. Foi do Cais do Sodré ao Rossio, acompanhado por milhares de pessoas. A partir desta hora, está previsto que comece uma acampada na Praça do Rossio. Tiago Oliveira, antes, quando falou aos jornalistas, voltou a apontar ao governo, o líder da Intersindical diz que esta manifestação mostra a verdadeira realidade dos portugueses.
Esta é uma manifestação que tem como objetivo trazer para a rua as denúncias concretas daquilo que vivemos e exigir uma política diferente e um rumo diferente para o país. Se este governo não é capaz de dar resposta, o próprio governo tem que encontrar o caminho para se decidir relativamente ao futuro, porque está mais que provado que a política que tem sido seguida, essa nunca encontra respaldo, nem resposta às dificuldades que os trabalhadores vivem.
Tiago Oliveira, que liderou a manifestação da CGTP, que está neste momento no Rossio.
As críticas ao governo têm sido repetidas pelos líderes dos partidos que se juntaram à manifestação da CGTP.
Uma marcha lenta, que partiu do Cais do Sodré e já chegou ao Rossio, local onde está planeada agora essa acampada a partir das 17h. Durante a manifestação da marcha lenta, o líder do PCP, Paulo Raimundo, foi questionado sobre a declaração do primeiro-ministro, que desvalorizou os protestos contra a crise da habitação. Paulo Raimundo diz que não ficou surpreendido com o que disse Luís Montenegro.
Não, não fiquei com surpresa nenhuma. O senhor primeiro-ministro tem responsabilidades acrescidas pela situação em que o país está e pela situação de vida de cada uma das pessoas que aqui estão. E, portanto, o primeiro-ministro talvez tenha que refletir melhor cada vez que fala.
O secretário-geral do PCP, em declarações aos jornalistas durante a marcha lenta até ao Rossio, antes de arrancar, falou a co-porta-voz do Livre, ainda no Cais do Sodré. Isabel Mendes Lopes diz que a mobilização do dia de hoje significa uma coisa simples.
E há aqui uma indignação muito forte, mas também há aqui uma grande força para abrir um novo-
Não era este o som que queríamos escutar. É, sim, a co-porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, que deixa essa garantia de que o custo de vida em Portugal está demasiado alto.
É a mensagem óbvia de que o custo de vida está em-
Não estamos em condições de escutar neste momento Isabel Mendes Lopes, a co-porta-voz do Livre. São declarações que vamos recuperar noutros blocos informativos aqui na Rádio Observador. Quem também falou foi o coordenador do Bloco de Esquerda, que discordou do primeiro-ministro, que acusou os manifestantes de egoísmo. José Manuel Pureza diz que os manifestantes não são egoístas, mas estão na rua a lutar por melhores condições de vida.
Estamos aqui onde temos que estar. Estamos com tanta gente que vem para a rua. Já hoje de manhã veio em Coimbra, no Porto, vai acontecer um pouco por todo o país, grandes manifestações, grandes mobilizações, gente que não é egoísta e que vem para a rua lutar por seus direitos e pelos direitos dos outros. Gente que sabe que a vida com o preço da habitação como está, é um exercício de aflição. E por isso, estamos aqui justamente para nos juntarmos às vozes de indignação e às vozes de proposta por uma vida melhor.
José Manuel Pureza, coordenador do Bloco de Esquerda. A manifestação da CGTP está já no Rossio. Para esta hora está marcado o início de uma acampada nessa mesma praça. Vamos até lá ao encontro do repórter Miguel Pina Andrade, que tem estado a acompanhar esta manifestação, está agora no Rossio. Miguel, há já sinais deste segundo protesto? Já se veem tendas montadas no Rossio?
Ainda não, José. Como disseste, essa acampada devia começar por volta das 17h. No entanto, na última hora, os dirigentes da Intersindical, da CGTP, têm gritado palavras de ordem a partir de um palco que está colocado mesmo em frente ao Teatro Nacional Dona Maria II. Terminou há pouco o discurso do líder da CGTP, Tiago Oliveira, que reiterou as críticas às medidas do governo, que não conseguem responder ao aumento do custo de vida. Sempre que os nomes da oposição, de André Ventura, do CHEGA e da Iniciativa Liberal foram referidos, ouviram-se apupos da multidão que se estende por toda a Praça do Rossio. É muita gente, são milhares de manifestantes que estão aqui a esta hora. E tenho aqui comigo, é o Luís Ferreira, tem 53 anos, está aqui para reivindicar melhores condições de vida, também lutar contra o aumento do custo de vida, mas também é importante vir para a rua lutar pelas gerações mais jovens. É também este que está na sua mente aqui no Rossio?
Sim, lutar pelos nossos filhos, mas penso que atualmente isso não é só uma luta pelos jovens, o clichê que costumamos ouvir. É mesmo a sociedade toda. Portanto, seja a geração dos anos 70, 80, 90, penso que hoje em dia, por diferentes motivos, às vezes separações, outras vezes questões familiares, pessoas que de repente têm uma vida normal e veem-se com uma dificuldade enorme que é: "E agora, o que eu faço à vida?" Preço da habitação pornográfico nas capitais. Falamos de Lisboa porque é onde moramos, mas podemos falar de Madrid, como vemos na televisão, Paris, Porto, que estamos a ver também acontecer no dia a dia. E basicamente, eu, no meu caso, e se calhar a maioria das pessoas que estão aqui, é cada vez mais colocarmos nas botas dos outros, nos sapatos dos outros. O que está a acontecer aos outros hoje pode me acontecer a mim, eu não sei. E a sociedade hoje tem cada vez mais falta de empatia e estando num momento de necessidade ou não, acho que devíamos estar a pensar cada vez mais, não só em nós próprios, mas nos outros. Basicamente é isso.
Cresceu no Portugal já pós-25 de abril. Acha que estas medidas do governo, tendo em conta estas últimas da habitação, transmitem e espelham aquilo que foram os valores do 25 de abril?
Os valores de 25 de Abril continuam enraizados na sociedade, mais no pensamento das pessoas, porque no dia a dia o que vemos, a economia, saúde e educação, vemos esses valores a serem, não digo esquecidos ou desatualizados, mas é um pouco como no outro dia ouvi alguém falar em relação a uma coisa da moda, que é a inteligência artificial. É imparável. Ou seja, nós estamos a ver uma sociedade em transformação e penso que vai acabar por ter que acontecer um turning point em que vamos ter que passar por uma fase para voltar à outra.
Aqui as palavras de Luís Ferreira, um dos milhares de manifestantes que se encontram neste momento no Rossio e que, de certa forma, adiam a acampada marcada para às 17h. Às 19h está marcada a assembleia popular deste movimento contra a crise da habitação. A destacar ainda, José, o forte contingente policial. Há aqui muitas equipes da Polícia Municipal, mas também equipes de intervenção rápida da PSP. Também esta expectativa para saber como é que vai decorrer esta acampada aqui no Rossio.
A reportagem do Miguel Pina Andrade a partir do Rossio. Vamos também em direto até ao Porto, onde há centenas de pessoas à espera para participar numa assembleia marcada pelo movimento Acampada. Muitos deles estão na Praça Portista desde o final da marcha da CGTP, que aconteceu de manhã. Miguel Pinheiro Correia, há alguma indicação sobre o que está planeado para esta tarde, noite?
O mais importante, José Rafael, era o que davas conta, essa assembleia que terá lugar às 19h. Mas até lá há muitos eventos programados, como nos deu conta há pouco Cristiana Leite, ela que é a nova porta-voz deste movimento da Acampada.
Nós, neste momento, estamos a ter um workshop de dança. A seguir vamos ter música e às 19h vamos ter a nossa assembleia. Temos também a nossa cantina popular, com comida, as pessoas têm estado a comer. O que está a acontecer aqui é, no fundo, uma ocupação do espaço público, que é um direito de todos nós, usufruir do nosso espaço público.
Esta mensagem de Cristiana Leite é dar conta de que também é uma reivindicação deste movimento, esta ocupação do espaço público, lembrando que é uma praça que habitualmente, em dias normais, e ao contrário do que tem acontecido nos últimos dias, costuma estar vazia. Hoje e agora não está. A manifestação da CGTP já acabou há algum tempo, mas por aqui têm continuado, já não os milhares que participaram nessa marcha, mas centenas de pessoas que vão convivendo, vão aplaudindo. Ouvimos também há pouco, quando passam carros que buzinam, tem sido nessa nota que tem continuado esta concentração. Ora, Cristiana Leite dava-nos conta de que nessa assembleia se votará a questão mais importante, que é se voltarão ou não a dormir aqui na praça. É uma decisão que ainda não está tomada, naturalmente, e que caberá a essa assembleia votar e decidir se assim o farão. Cristiana Leite, que também deixa aqui uma mensagem de que esta manifestação, este movimento, é de todos, independentemente do partido político.
Todos aqueles que sentem na pele, todos os dias, a questão da habitação, o custo de vida, o aumento do custo de vida, a questão dos combustíveis, os salários de miséria que temos, todas essas pessoas se devem juntar a nós, seja de que coletivo for, de que partido for, todos os que lutam por um mundo melhor são aqui muito bem-vindos.
A porta-voz acredita que isso se tem notado. Ela refere que não consegue saber de que partido é que são as pessoas, mas que tem notado pela forte mobilização, de certeza, diz a porta-voz, que estão aqui pessoas de diferentes partidos, da esquerda à direita. Ora, por aqui continuam muitas pessoas à espera desse momento, dessa grande assembleia que decidirá, repito, o mais importante: será que vão acampar ou não novamente, sendo que neste momento há cinco, quatro tendas aqui montadas, há essa expectativa de saber se vão montar mais e vão voltar a pernoitar na Praça D. João I.
A reportagem do Miguel Pinheiro Correia a dar conta desse evento que está marcado, essa acampada na zona do Porto para mais logo a essa assembleia. Estes protestos contra os custos de vida e também a habitação são o tema do dia de hoje. De manhã, o líder do PS acusou a AD, o Chega e a Iniciativa Liberal de estarem a contribuir para um rastilho social. José Luís Carneiro recomendou também ao governo que ponha a lei do arrendamento na gaveta. Diz mesmo José Luís Carneiro que o melhor que o governo tem a fazer é desistir dessa nova lei que desceu à especialidade no Parlamento.