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Atualizamos toda a informação, Miguel Vieira.

E vamos começar com a Operação Marquês. Já terminou o primeiro dia, a primeira audiência de julgamento, que leva pela primeira vez em Portugal um primeiro-ministro a sentar-se no banco dos réus. À saída, José Sócrates reitera que todo este processo e este julgamento não passa de uma humilhação.

A sessão é retomada na próxima terça-feira, com o depoimento de José Sócrates. Vamos em direto até ao Campus de Justiça, em Lisboa. Por lá está a jornalista do Observador, Nadine Soares. Nadine, declarações de José Sócrates há minutos, o que destacas desse momento?

José Sócrates saiu há pouco tempo do Campus de Justiça, depois deste primeiro dia de julgamento da Operação Marquês, e foram vários os golos de críticas deixados pelo antigo primeiro-ministro. Traz o nome de António Costa ao de cima. Isto para desafiar António Costa a dizer quem apresentou Manuel Pinho a José Sócrates. Desafio de viva voz aqui deixado à porta do Campus de Justiça por parte de José Sócrates.

Eu convoco António Costa para que esta verdade seja clara. Foi ele que me apresentou Manuel Pinho, não foi Ricardo Salgado nenhum. E o que eu lamento, isso sim, daí vai alguma coisa de profundamente lamentável, é que o doutor António Costa tenha estado calado durante todos estes anos sobre essa verdade.

Esta declaração por parte de José Sócrates aqui diretamente a António Costa também deixou críticas ao Procurador-Geral da República, que disse que José Sócrates tinha agora uma oportunidade para provar a inocência. Ora o antigo primeiro-ministro volta a reforçar a ideia de que já está inocente e não precisa de oportunidade nenhuma. Também duras críticas deixadas às juízas que fazem parte do coletivo de juízes que presidem esta operação e também à juíza presidente Susana Seca, diz que insiste num embuste deste julgamento. Diz que não é mais do que uma humilhação. José Sócrates utiliza a mesma expressão, que é um déjà vu que está a viver, que já provou que é inocente e que não passa de uma humilhação esta tortura de voltar aqui mais uma vez para falar da mesma situação. Outra proposta que surgiu durante esta tarde aqui no Campus de Justiça foi uma proposta por parte do canal de televisão CMTV Now, que pediu para a sessão destas audiências serem transmitidas ao público. Não sabemos se isso vai ser possível ou não, mas José Sócrates também quis comentar este pedido e apenas para dizer que se querem espetáculo, podem ter à vontade. Isto mais uma crítica aqui de José Sócrates àquilo que considera ser um circo e uma humilhação esta Operação Marquês, palavras utilizadas por parte do antigo primeiro-ministro. O essencial aqui deste primeiro dia de julgamento da Operação Marquês, como dizia, a próxima sessão está marcada para terça-feira. José Sócrates deverá prestar declarações logo no início dessa sessão. Os outros arguidos pediram dispensa, provavelmente não vão estar presentes, mas José Sócrates sim, e para falar logo no início, no âmbito deste caso.

Nadine Soares, repórter do Observador, em direto do Campus de Justiça, em Lisboa, onde também foi reforçado o dispositivo policial para este julgamento, um dos mais midiáticos de sempre em Portugal.

E esta primeira audiência fica marcada pela apresentação de incidentes de recusa pela defesa de José Sócrates, um contra a juíza presidente, o outro contra os procuradores que lideram a acusação do Ministério Público. Houve outro momento, o momento em que o antigo primeiro-ministro se levantou para ir à casa de banho e pela intenção de, no regresso, fazer uso da palavra sem que tivesse sido autorizado para tal. Foi chamado a atenção pela juíza presidente, Susana Seca, juíza presidente deste julgamento. José Sócrates não gostou e disso mesmo deu conta no intervalo para almoço.

As senhoras juízas têm tantos problemas com a sua autoridade.

Mais para trás, vão ter mais espaço. Vamos para trás.

Tem esse complexo de autoridade que imediatamente achou que devia fazer advertências.

Na última hora aqui na Rádio Observador escutámos o advogado Pedro Marinho Falcão, que ia explicar que os arguidos não podem levantar-se quando querem.

O que é normal é que quando os arguidos querem sair da sala de audiências, pedirem autorização ao tribunal, que naturalmente autorizará. Não é uma sala de espera de uma estação de comboios, onde as pessoas entram e saem quando querem. A presença do arguido é obrigatória e, portanto, para que o arguido se afaste da sala de audiências, tem que pedir autorização ao juiz e o juiz autoriza. Porque quando o arguido regressa à sala de audiências, o juiz é obrigado a comunicar-lhe o que é que se passou durante a sua ausência naquele julgamento.

Ora, esta sessão fica também marcada pelo pedido de defesa de José Sócrates para que o julgamento seja transmitido pela televisão na íntegra. Ora, o advogado Pedro Marinho Falcão considera que o pedido não tem pernas para andar.

A lei não prevê sobre esta matéria nenhuma regulamentação especial, a não ser a questão da reserva. Eu julgo que não tem pernas para andar por uma razão: é que o José Sócrates não está a ser julgado sozinho. Aquilo que o José Sócrates pediu, que já se percebeu que ele quer fazer disto um circo mediático, aquilo que o José Sócrates pediu não só não tem acolhimento imediato e objetivo na lei, como vai ser indeferido.

José Sócrates e mais 20 arguidos, entre pessoas singulares e empresas, respondem por quase 120 crimes. O antigo primeiro-ministro é acusado de corrupção passiva de titular de cargo político, também acusado de branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada.

A Câmara Municipal de Gondomar decretou um dia de luto municipal a ser cumprido amanhã pela morte de Diogo Jota, jogador de futebol internacional que morreu hoje aos 28 anos no acidente de viação. Seguia ao lado do irmão, André Silva, de 25 anos.

Há instantes, aos jornalistas, o autarca de Gondomar relembrou a relação próxima que mantinha com Diogo Jota. Adianta até que falou com o jogador Antes do acidente.

Luís Filipe Araújo recorda que o jogador continuava a usar as instalações do Gondomar Sport Clube sempre que vinha a Portugal.

Falava muitas vezes com ele. No caso de ontem, que lhe liguei e ele em viagem. Todas as vezes que vinha cá ligava para vir fazer treinos e ligava-me sempre, tinha como pedir a mim e dizia: "Posso usar a relva para fazer treino?" E chegavam a vir mesmo treinadores de lá com ele, para ele treinar. Teve o problema do ano passado, mais umas lesõezitas que teve. Mas sabíamos que ele era bom, era diferente dos outros e que marcava gols quando tinha que marcar.

Jota começou a jogar no Gondomar aos nove anos. Fez grande parte da formação no clube antes de rumar para o Paços de Ferreira. Na sequência da morte do jogador, várias reações. O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, fala numa perda trágica.

É um choque, porque morre um jovem de 28 anos. É um choque que morre com ele o seu irmão André. É um choque, porque estava a viver um momento muito feliz da sua vida pessoal e familiar. É um choque, porque estava a viver um momento muito feliz da sua progressão como jogador excepcional, quer a nível internacional, quer ao serviço da seleção. É um choque pelas condições em que ocorreu, em si mesmo horrorosas. Portanto, este choque é partilhado por muita gente, mas é sobretudo partilhado pelos portugueses.

É uma ideia também expressa pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.

O país está hoje de luto. O desporto português e internacional vive um dia de profundíssima tristeza.

Um sentimento manifestado por diversas personalidades que conviveram de forma mais próxima com Diogo Jota. Na Rádio Observador, escutamos Fernando Santos. É uma entrevista para ouvir na íntegra já a seguir esta edição das 18h. Recorda o antigo selecionador, um jogador que foi um exemplo dentro e fora de campo. Confessa também que manteve contato com Diogo Jota.

Fernando Santos pede que o jogador seja homenageado por muitos anos e considera que há um sentimento de choque entre os portugueses.

Neste momento, o país, e bem, está dorido por aquilo que aconteceu, até pela forma trágica, algo que é inesperado, uma coisa que dói muito. Infelizmente, na vida, estas coisas acontecem todos os dias, se calhar estaria a acontecer em qualquer lado neste momento. Mas nós estamos a falar de alguém que considero querido, que jogou na nossa seleção, com quem trabalhei e, portanto, é natural que o sentimento seja diferente. E eu acho que será bom, e com certeza que o país sempre fará isso, principalmente a nível da federação e da seleção, que seja sempre recordado.

Excerto de uma entrevista a Fernando Santos, antigo selecionador nacional, aqui na Rádio Observador, vai poder ouvir essa entrevista na íntegra já a seguir a este jornal.

Falamos ainda do Parlamento, o que se passa no Parlamento, porque a Iniciativa Liberal anunciou voto a favor das propostas de alteração do governo à Lei da Nacionalidade e à Lei dos Estrangeiros. O anúncio foi feito pela líder parlamentar, Mariana Leitão, sublinha que, apesar do partido não concordar na íntegra com tudo o que o governo propõe, concorda com o essencial.

Sobre este tema, o novo secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, diz que a reunião dos deputados do Partido Socialista, Pedro Delgado Alves e Eurico Brilhante Dias, com membros do governo, esta quinta-feira, foi inconclusiva.

O PS tem dúvidas em relação a algumas propostas do governo, por exemplo, no que diz respeito à perda de nacionalidade. Sugeriu também o PS que os diplomas que amanhã vão estar em discussão na Assembleia não sejam votados, que desçam à especialidade. O PSD não aceita.