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Jornal das 6, com a Vanessa Cruz.

Começamos com o presidente da Câmara Municipal de Leiria. Gonçalo Lopes diz que se tivesse existido uma melhor comunicação da complexidade dos problemas relacionados com o mau tempo, haveria menos revolta na cidade. Numa altura em que ainda há 27 mil pessoas sem luz só em Leiria, balanço até às 16h, divulgado há minutos, e este que é o distrito onde a dimensão dos estragos do mau tempo é maior, o autarca Gonçalo Lopes explica que as pessoas estão revoltadas e que apenas quem vive em Leiria tem noção das soluções que podem ser apresentadas.

É tudo tão complexo que quando eu digo que só alguém que viva cá é que podia ter noção de que tipo de soluções é que podem ser apresentadas e o timing que podem ser apresentadas. Quando as pessoas ainda estão preocupadas em tapar os seus telhados com lonas, vai ser um drama atender essas pessoas, que foi o que eu hoje reparei. Temos hoje um problema, que é o nível de ansiedade, de revolta. Se isto fosse explicado, se tivesse existido a explicação da complexidade técnica, eu acredito que muito do nível de ansiedade, de revolta, tinha sido controlado.

No explicador da tarde política da Rádio Observador, o presidente da Câmara de Leiria queixa-se que a reposição de energia elétrica está a ser demasiado lenta. A Rádio Observador esteve precisamente em Leiria, numa das maiores freguesias que duas semanas depois continua sem luz e sem respostas. O jornalista Luís Soares constatou as dificuldades para tentar contornar o problema.

Monte Redondo, a 20 km de Leiria, ainda é quase uma vila fantasma. Ao longo da Nacional 109, há muitas empresas e lojas de portas fechadas. Nas bombas de combustível, só se aceita dinheiro, não há comunicações e pouca eletricidade. Um supermercado à beira da estrada está a meia luz. Susana Marques, explique que gerador não aguentou.

Infelizmente, o nosso gerador não suportou e agora temos ali um pequenino que dá o computador e meia dúzia de luzes.

Isso causa-lhe prejuízo aqui na sua loja?

Sim, não temos qualquer tipo de frio, não temos clientes, porque realmente as pessoas vão onde há luz e todas as outras condições.

E ainda está para durar? Susana não tem resposta. Ainda tem esperança que isto se resolva rapidamente?

A gente não vê assim grande avanço.

A senhora é a responsável aqui por esta loja?

Sim, sou.

Como é que se chama?

Fernando Coelho.

Fernando Coelho, dono de uma drogaria no centro da vila, também não tem perspectiva e só tem eletricidade com recurso a meios alternativos.

Com baterias, com lanternas e com gerador quando é preciso.

Como é que conseguiu esses materiais para poder fazer esta instalação?

Nestes primeiros dias, a loja foi muito procurada, com clientes em busca de tudo o que desse luz. Lanternas, tudo o que desse luz, vendia-se tudo. Elume, para fazer comer.

Mais sorte teve Carlos Tomaz. É responsável por um café e pastelaria que esteve cinco dias sem eletricidade, mas agora está a trabalhar graças a um gerador montado pela freguesia para alimentar o centro escolar e desta forma o café que fica logo ao lado.

Um primeiro gerador aqui só para nós. Até que depois esse gerador fazia mais falta no outro sítio, então levaram-no. Foi quando reforçaram este gerador maior.

Carlos Tomaz teve apenas prejuízos de alguma matéria-prima que se perdeu e também ele não sabe quando o abastecimento de eletricidade vai voltar ao normal.

Sinceramente, não tenho informação disso. Já perguntei, mas não nos sabem dizer. Andamos aqui um bocadinho à deriva.

De resto, a folha afixada na porta da Junta de Freguesia de Monte Redondo é clara: eletricidade não há previsão.

Penso que vai demorar ainda algum tempo, sem dúvida.

Muito obrigado.

No explicador da tarde política, contámos com o autarca de Leiria. Aqui a reportagem do jornalista Luís Soares em Monte Redondo, uma das freguesias. Abriu hoje o gabinete Reerguer Leiria no Mercado de Santana. É um espaço que tem como objetivo apoiar particulares e empresas atingidos pela depressão, Cristina.

E apesar de terem passado 15 dias, ainda é cedo e difícil para fazer balanços mais definitivos em Leiria. O presidente da associação, que representa as empresas da região, diz que há zonas muito próximas da zona industrial e da cidade que não têm qualquer energia.

E que a dimensão dos estragos é brutal. É esta a expressão de Luís Febre. Recorda a reunião que teve com o ministro da Economia, dois dias depois da passagem da depressão, Cristina, para dizer que, de lá para cá, a falta de energia continua a ser uma das principais dificuldades.

E foi-nos dito, na altura, que tinham esperança que na semana seguinte já houvesse uma cobertura energética de 85% do território afetado. Já passaram hoje 13 dias, e ainda temos zonas que não têm energia. Temos empresas muito próximo do centro de Leiria que ainda não estão a laborar porque não têm energia.

O presidente da Associação Empresarial de Leiria, ouvido na última hora aqui na Rádio Observador, admite que é difícil saber quantas empresas e de que forma foram afetadas pelo mau tempo na região. Hoje que sete associações, representantes de vários setores da atividade econômica na região de Leiria, vêm defender que o governo deve adotar medidas de médio prazo para apoiar as empresas.

Quanto às comunicações móveis, grande parte do serviço está reposto, ainda que com remendos.

A Anacom está a disponibilizar nesta altura rede por satélite. Disso mesmo dá conta à Rádio Observador a presidente do Regulador das Comunicações, Sandra Maximiano.

A Anacom também disponibilizou acessos Starlink e ainda vai disponibilizar mais acessos De Starlink, também para ajuda nestas localidades, nos pontos que sejam essenciais. É uma solução de mitigação.

Uma solução de remendo. Starlink, a rede de comunicações por satélite de Elon Musk. A presidente da ANACOM esteve no Contracorrente da Rádio Observador.

A ANACOM tinha pedido também o roaming nacional para garantir que as comunicações não falham quando há tempestade. Essa ideia, Vanessa, vai avançar ou não?

O presidente da estrutura de missão criada pelo governo, Paulo Fernandes, diz que a solução está a ser analisada.

Ter uma figura do roaming que qualquer operadora, independentemente da operadora, possa haver dados a nível desse território, é uma questão que neste momento está a ser discutida com a ANACOM. Mas nós não podemos, obviamente, numa situação dessas, trabalhar operadora a operadora. Tem que haver, obviamente, um modelo geral de dados onde o primeiro que conseguir resolver a situação possa automaticamente com isso permitir que todo o território esteja conectado.

O líder da task force para a reconstrução das zonas afetadas pelo mau tempo esteve no Explicador, já disponível em podcast.

E no distrito de Coimbra, a notícia de novas inundações em Soure. A vila já tinha sido atingida pela primeira tempestade e o mau tempo continua sem dar tréguas.

O presidente da Câmara de Soure destaca que os rios Arunca e Anços estão a subir rapidamente. Há casas isoladas no meio da água, só é possível circular de botes. Rui Fernandes conta que, por exemplo, ainda hoje foram os fuzileiros a transportar as crianças que estão isoladas.

Tivemos que fazer regressar as pessoas e as crianças às casas com o apoio dos fuzileiros da Barra, que têm os botes. Mas continuamos em Soure com a situação de cheia a chegar às casas no centro histórico e continuamos com as nossas populações todas da corda do Mondego, nas freguesias de Alfarelos, da Granja do Lameiro e de Figueiró do Campo. Aí, sim, com a situação também cada vez mais difícil.

É o ponto de situação do autarca de Soure, também ouvido na última hora aqui na tarde política. Para se ter uma ideia, o caudal do rio Mondego na ponta sul de Coimbra registou hoje, por volta das 14h, um dos maiores valores da última semana, 1741 metros cúbicos por segundo.

Avançamos mais para norte, para o distrito do Porto, porque, Vanessa, também há notícia de inundações, desta vez no Conselho de Vila Nova de Gaia.

Por causa do transbordo do rio Febros, afluente do rio Douro, é o que informa a câmara liderada por Luís Filipe Menezes. Estas inundações decorrem em particular em Avintes, no Conselho de Gaia. Pelo menos uma família teve de ser retirada de casa e, de acordo com a Agência Lusa, os bombeiros voluntários de Avintes apontam para dificuldades em várias habitações, na sequência da água que galgou as margens do Douro.

E há outras notícias a marcar esta terça-feira.

O primeiro-ministro de Israel sabia desde 2018 do plano do Hamas para atacar o sul do país, cinco anos antes do ataque de 7 de outubro de 2023. É o que revelam vários jornais israelitas que tiveram acesso a documentos dos serviços de informação e depoimentos de altos funcionários. Documentos que concluem que Benjamin Netanyahu foi avisado mais do que uma vez. Revelações que podem deitar por terra o processo de paz, que volta a ser negociado já amanhã em Washington, na análise da diretora do Centro de Estudos Políticos da Universidade Católica, Mónica Dias.

O meu receio é que estas notícias que chegam hoje possam desestabilizar muito a população de Israel, que possam pôr em perigo este plano de paz, que pode parecer pouco e desequilibrado, como eu disse há pouco, mas é o melhor que temos neste momento.

A convidada do gabinete de guerra lembra que o processo de paz na Faixa de Gaza é muito frágil e que uma notícia como esta pode deitar tudo a perder. O Futebol Clube do Porto apresentou uma queixa contra o capitão do Sporting por alegada agressão, não no clássico de ontem, mas num jogo entre os Leões e o Aves na semana passada, jogo a contar para a Taça de Portugal, o Aves foi eliminado. Estamos a falar de um lance em que Hjulmand atinge na cabeça Tiago Galeto. O árbitro não assinalou qualquer falta. O Porto está a reunir vídeos como alegado elemento de prova para fazer chegar à Federação Portuguesa de Futebol. Os Dragões querem também ter acesso à bodycam que foi utilizada pelo árbitro André Narciso durante a partida. E ainda nesta edição, a história de como dezenas de mulheres portuguesas se tornaram seguidoras de uma seita controlada por um guru manipulador. O ponto de entrada era uma escola de yoga e tantra de Lisboa.

Estamos a falar do novo podcast Plus do Observador, os segredos da seita do yoga. O terceiro episódio já está disponível.

Já está, Ricardo. Do isolamento social ao controle, este terceiro episódio alerta para os vários passos que são dados na criação de uma seita.

Sem darem por isso, regra a regra, Nuno, Vera, Lara e todos os outros discípulos tornam-se cada vez mais submissos e dependentes. Tudo acontece de forma subtil.

A pessoa vai começar a acreditar que apenas aquele grupo tem o conhecimento que a pode ajudar a crescer enquanto indivíduo, que lhe pode trazer a salvação, por exemplo, do ponto de vista religioso, que pode levá-la a um conhecimento que a sociedade em geral não tem. E tudo isso vai fazer com que a pessoa se envolva cada vez mais com o grupo, ao ponto de se tornar, digamos assim, dependente do líder e do grupo.

O controle não passa apenas pelo controle, neste caso, psicológico, mas passa pelo controle até mesmo físico.

Ouvíamos aqui um excerto do terceiro episódio de Os Segredos da Seita do Yoga. É o novo podcast Plus do Observador.

Uma série narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. A investigação e os guiões são das jornalistas Tânia Pereirinha e Mariana Marques Tiago. Está disponível no site do Observador e nas habituais plataformas de podcast, Os Segredos da Seita do Yoga.