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Bom regresso a casa. Daqui a nada temos o Jornal das 7. Vanessa Cruz, temos um dia pródigo em notícias do setor da saúde. Quais são os destaques às 7?

Sim, investigações no SNS, pessoas detidas em operações diferentes por parte das autoridades e reações de André Ventura, por exemplo, que insiste que quem abusa do Serviço Nacional de Saúde tem de pagar e ser expulso. Isto a propósito da detenção de duas funcionárias de uma unidade local de saúde que inscreveram 10 mil imigrantes ilegais no SNS durante ano e meio. É, pelo menos, essa a suspeita. Nesta edição, Ricardo, vamos olhar ainda para o Orçamento do Estado, véspera do arranque da votação na especialidade. O secretário-geral do PS diz que o partido não vai servir de desculpa para o falhanço do governo.

São temas para desenvolver já daqui a pouco, no Jornal das 19h. Depois do jornal, aqui na Rádio Observador, temos novo episódio de Realpolitik com Miguel Pinheiro e Sérgio Sousa Pinto, que hoje vão conversar sobre debates presidenciais, aqueles que temos agora e os do passado. Na hora das 8 da noite, temos convidado extra. João Paulo Secadura conversa com Teresa Andressen, engenheira-agrónoma, mestre em arquitetura paisagística, há oito anos presidente da Associação Portuguesa dos Jardins Históricos, patrimônio cultural e natural que inclui 800 jardins no nosso país, 800 jardins históricos, e alguns estão muito mal cuidados. Amanhã, já se sabe, vai estar um dia de sol, mas fresco. As temperaturas estão a cair. A noite vai trazer temperaturas muito frias, por exemplo, 0° em Bragança e Guarda. O Porto vai ter 6° de mínima nesta madrugada, Lisboa e Faro, 9°. Eu sou Ricardo Conceição e esta é a tarde política da Rádio Observador. E começa o Jornal das 6, com Vanessa Cruz. André Ventura a insistir que quem abusa do SNS tem de pagar e ser expulso. Esta é a reação do candidato presidencial à detenção de duas funcionárias da Unidade Local de Saúde de Ovar, que terão alegadamente inscrito 10 mil imigrantes ilegais no SNS em ano e meio.

Na pele do candidato presidencial, o também líder do Chega, André Ventura condena o acesso fraudulento à saúde.

Se nós temos pessoas que vieram para cá para abusar do nosso sistema de saúde e do nosso SNS, nós não os podemos premiar deixando-os cá. Temos que os dar de volta ao país deles e mais. Temos que fazer duas coisas: devolvê-los ao país deles, porque defraudaram o nosso Serviço Nacional de Saúde, e temos que cobrar, porque não é só vir cá, tratarem-se, obter medicamentos, irem-se embora para o país deles. Não, têm que pagar. Se eles não pagarem, têm que pagar os países deles.

André Ventura a focar-se nos imigrantes e não nas funcionárias que terão praticado os crimes de auxílio à imigração ilegal na ULS de Ovar.

E perante tantos casos que hoje tivemos conhecimento, a ministra da Saúde diz que o governo vai atuar em conformidade quando houver resultados destas investigações e sempre que envolvam o Serviço Nacional de Saúde.

É que além dessa notícia das funcionárias suspeitas de terem inscrito 10 mil imigrantes ilegais no Serviço Nacional de Saúde, é também hoje notícia o caso de uma médica detida com a suspeita de ter lesado o SNS em € 3 milhões por alegada prescrição indevida de medicamentos para diabetes a pessoas que queriam perder peso. A endocrinologista Graça Vargas terá registrado prescrições no valor de quase € 10 milhões. Vai ser submetida a interrogatório judicial amanhã no Porto.

A ministra da Saúde lembra que o governo anunciou no mês passado a Unidade de Combate à Fraude no SNS, que há de ajudar a prevenir casos deste tipo.

E por isso a ministra vai aguardar pelo resultado das investigações.

Essa pergunta, eu acho que é uma pergunta que não deve ser feita ao Ministério da Saúde. Essa pergunta é uma pergunta que tem que ser feita a quem terá identificado uma situação que eu creio, sinceramente, e espero que não aconteça, mas acima de tudo, me parece que não é uma situação que se possa compaginar como plausível.

Ana Paula Martins, em Almada. O Presidente da República também se pronunciou hoje sobre estes casos na Saúde, casos em investigação. Marcelo Rebelo de Sousa insiste num pacto de regime para este setor, também para prevenir mais polêmicas.

Estamos na véspera do arranque da maratona de votações do Orçamento do Estado na especialidade, ponto a ponto. José Luís Carneiro diz que o PS não vai servir de desculpa para o que chama de falhanço do governo.

Com a decisão de se abster na votação final global do Orçamento do Estado, o secretário-geral socialista avisa que Luís Montenegro não terá no PS essa desculpa para eventuais falhas nas políticas que o governo quer implementar. Numa conferência de imprensa no Largo do Rato, depois de um périplo pela área metropolitana de Lisboa e pelo Distrito de Setúbal, o secretário-geral do PS vinca que colocou o país à frente dos interesses do partido.

Não será no Partido Socialista que o governo vai encontrar desculpa, por um lado, para não cumprir e, em segundo lugar, também não vai encontrar no PS a desculpa para se as contas públicas não baterem certo no final do exercício orçamental. E significa isto que nós estamos a cumprir com aquilo que dissemos. Para nós, em primeiro lugar, estaria o interesse do país E para servir o interesse do país, neste momento, a abstenção entendemos que era a votação adequada.

José Luís Carneiro, em resposta aos jornalistas, não adiantou muito sobre as expectativas para a votação na especialidade. O líder do PS também não abriu o jogo sobre o que espera quanto à greve geral de dia 11 de dezembro. José Luís Carneiro lembra apenas que foi o primeiro a alertar para a amplitude do pacote laboral do governo.

E vamos regressar a André Ventura, porque também falou sobre a questão da reforma laboral e quis associar a UGT aos socialistas.

O Chega reuniu-se hoje no Parlamento com a UGT. André Ventura não esteve presente, mas mesmo assim conclui que a central sindical só está a fazer as vontades ao PS.

Eu fico com a sensação, só me vincula a mim, não vincula mais ninguém que está aqui. Fico com a sensação clara que a UGT está a ser fortemente manipulada pelo Partido Socialista. Francamente, lamento dizer isto assim, mas fico com a sensação que não está preocupada com a defesa dos trabalhadores, não está preocupada com a defesa das mães, não está preocupada com os despedimentos, está preocupada com fazer a vontade ao Partido Socialista. E isso custa.

André Ventura a criticar a UGT.

E aqui na Rádio Observador entrevistamos esta tarde o secretário-geral adjunto da Central Sindical, Sérgio Monte, no Explicador da Rádio Observador. Sérgio Monte que aponta para avanços nas negociações com o governo.

Apesar de pequenos, dão para ver uma luz ao fundo do túnel.

Alguma evolução em algumas matérias, mas como já o meu secretário-geral disse publicamente, é uma evolução ainda muito residual, que não me permite, de maneira nenhuma, estabelecer um acordo, porque as matérias mais controversas deste acordo, o governo não fez qualquer evolução.

Sérgio Monte, no Explicador, assegura ainda que há muita margem para negociar. A UGT vai entregar amanhã, numa reunião com a ministra do Trabalho, o pré-aviso de greve geral para dia 11 de dezembro, a primeira em que se junta à CGTP em mais de uma década.

E os trabalhadores do município de Lisboa, entretanto, anunciam que vão aderir a esta greve geral.

O Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa anuncia em comunicado essa adesão. Sublinha que o pacote laboral defendido pelo governo representa um gravíssimo retrocesso nos direitos, são estas as palavras. Explica que, além de subscrever os objetivos gerais da greve geral, inclui reivindicações específicas dos trabalhadores da Câmara de Lisboa.

Carlos Moedas conseguiu hoje ver aprovado o regime da Câmara Municipal de Lisboa com o apoio do Chega.

E com o voto contra dos partidos de esquerda, que falam num retrocesso democrático. O PS considera que há uma concentração excessiva de poder no presidente da Câmara, neste novo regimento, que retira competências fundamentais aos vereadores da oposição. Os socialistas admitem até partir para a impugnação judicial.

Mudamos de página, vamos para o desporto. Amanhã o governo vai apresentar um plano para os próximos 12 anos, com cálculo com valor de 130 milhões de euros.

Vão ser mais de 40 medidas que passam pelo esporte escolar, pelas equipes e escalões mais profissionais do esporte português. Plano que vai ser discutido amanhã em Conselho de Ministros, hoje apresentado no Conselho Nacional do Desporto em Sintra pela ministra da Cultura e do Desporto, Margarida Balseiro Lopes. A reunião durou praticamente toda a tarde, foi acompanhada pelo jornalista João Lourenço, agora em direto. João, boa noite. As reações a este plano, ainda por revelar na totalidade, foram reações, podemos dizer, mistas.

Precisamente, Vanessa, muito boa noite. É um plano que vai, para alguns, responder às necessidades reivindicadas pelas federações esportivas, mas para outros, nem por isso. Já lá vamos. O governo vai, como já referiste, amanhã apresentar um plano para o desporto nos próximos 12 anos com o valor de 130 milhões de euros. A informação foi revelada pelo presidente da Confederação do Desporto Português, Daniel Monteiro, em entrevista há momentos à Rádio Observador.

Foi apresentado um valor para o plano de desenvolvimento desportivo na ordem dos 130 milhões de euros, sem especificar de que forma é que iriam ser.

130 milhões para 12 anos, sendo assim.

130 milhões de euros, o custo do plano de desenvolvimento desportivo.

O responsável indica ainda que este plano pode ter mais de 40 medidas, desde o desporto escolar até às competências e atletas de alto rendimento. E o presidente da Confederação do Desporto Português realça ainda que muitas das medidas vão responder às necessidades reivindicadas pelas federações. Apesar do investimento que amanhã vai ser anunciado, depois do Conselho de Ministros, Daniel Monteiro refere que as federações tinham mais dinheiro real na década de 90 para apostar no desporto.

Vamos esperar, mas há uma coisa importante, é que na década de 90, as federações desportivas tinham mais dinheiro real, se contabilizarmos o efeito da inflação, do que têm hoje. E isso é um dado muito importante se queremos olhar para o futuro do desporto numa lógica de sustentabilidade e numa lógica de desenvolvimento, ou então numa lógica de apenas manter a porta aberta.

Ficam aqui as explicações de Daniel Monteiro, já de um lado das críticas e à saída desta reunião do Palácio de Valenças, aqui no centro da cidade de Sintra, esteve Joaquim Evangelista, do Sindicato dos Jogadores. O dirigente esportivo indica também que o agente desportivo, o jogador, o atleta, deve estar no centro das atenções desta iniciativa governamental. Joaquim Evangelista diz também, e até porque estamos em véspera da discussão na especialidade do Orçamento Estado, acrescenta que o tema do desporto não voltou a estar no debate do próximo orçamento.

Reportagem do João Lourenço, a antever essas medidas que vão ser apresentadas amanhã em Conselho de Ministros sobre o desporto.

E há outras notícias a marcar a tarde desta quarta-feira, 19 de novembro

Voltamos à política. O ex-deputado do Chega, Henrique de Freitas, pediu a desfiliação do partido por considerar que a dignidade da função presidencial está a ser espezinhada. Pedido feito numa carta enviada ao presidente da Mesa Nacional do Chega. De acordo com a Agência Lusa, Henrique de Freitas critica a direção do partido também sobre os cartazes para as eleições presidenciais. Já há músicas de Natal e não, não é a de Mariah Carey.

Não é "All I Want for Christmas", não é essa a única música admissível, a única canção admissível de Natal.

Não é, Ricardo.

Há outras?

Quero falar-te de outra: "Dá Cá Um Bacalhau" da, nada mais, nada menos, do que a cantora portuguesa Ana Bacalhau.

Ana Bacalhau tem uma música chamada "Dá Cá Um Bacalhau", é isso?

Tem, porque o apelido de Ana Bacalhau é sempre alvo de piada todos os Natais e ela resolveu criar uma música para brincar com isso.

Isso parece-me uma atitude muito inteligente da parte da Ana Bacalhau.

É, escreveu uma espécie de hino natalício, uma canção alegre para dançar.

Dançar para gastar as calorias. O problema nem está no bacalhau.

Não está tanto no bacalhau.

O problema está no que está à volta do bacalhau.

Sendo que em bom português, dá cá um bacalhau também significa dar um aperto de mão.

Um aperto de mão, exatamente.

E Ana Bacalhau brinca um pouco com estas palavras.

Venho dizer-vos por esta via que estamos quase na época de Natal e sou de todos o mensageiro que melhor se enquadra no espírito em Portugal. E se a Mariah fosse Maria, seria isto que a canção ia dizer: "No passado vem Dárcio, fiel amigo, então ora pois, meu caro, muito prazer." Dá cá, dá cá um bacalhau, dá cá. Dá cá, dá cá um bacalhau. No aperto de uma mão, na cozinha nacional, é amiga, enche a barriga nesta ceia de Natal. Dá cá, dá cá um bacalhau, dá cá. Dá cá, dá cá um bacalhau. No aperto de uma mão, na cozinha nacional, é amiga, enche a barriga nesta ceia de Natal.

Ana Bacalhau, a fechar este jornal das 19:00, na Rádio Observador.