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Boa noite, Vanessa Cruz com o Jornal das 7 e arrancamos este jornal por Pedro Passos Coelho, que critica a escolha de Luís Neves para Ministro da Administração Interna e pede pulso firme ao governo na reforma laboral.

Já vamos ouvir as críticas ao novo ministro. Primeiro, esse apelo que o antigo primeiro-ministro social-democrata deixa ao governo de Luís Montenegro, numa conferência da sede em Leça da Palmeira, sobre reformas para o país. Passos Coelho defende que há uma urgência na reforma laboral, que precisa de firmeza por parte do executivo.

A reforma estrutural é urgente. Já houve muito tempo para pensar, para trabalhar os cenários, mas agora esse tempo acabou. Dir-se-á: "Vejam o que se passou ou o que se está a passar com a reforma laboral". O governo avançou, teve coragem e tudo parece, há a impressão que há uma certa dificuldade no próprio governo de reconhecer isso, mas tudo parece que aquilo não vai dar em nada.

As negociações ainda estão em curso. Passos Coelho deixa este apelo e no discurso que fez critica o fato de Luís Neves ser o novo ministro da Administração Interna. Diz que está aberto um precedente grave.

Eu bem sei que, seguramente, a intenção que o primeiro-ministro teve ao convidar o ex-diretor da Polícia Judiciária para ministro da Administração Interna, se baseou na melhor das intenções. Não tenho dúvida disso, mas o precedente é grave. Não se pode passar, penso eu, de diretor da Polícia Judiciária para ministro da Administração Interna. Eu acho que não se pode.

Não se pode, diz Passos Coelho, por causa da separação de poderes.

E o presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho concorda, em parte, com a presidente da Câmara de Coimbra, que quem está à frente dos municípios merece respeito, diz o autarca. Isto depois de um bate-boca entre Ana Abrunhosa e o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes.

Que durou quatro minutos. O ministro da Agricultura foi visitar a obra do troço da A1, começou a responder a perguntas dos jornalistas, aparentemente sem ouvir primeiro os autarcas da região que ali estavam. Ana Abrunhosa não gostou, perguntou até a José Manuel Fernandes se quer aparecer na televisão. O ministro acabou a pedir desculpa à autarca, mas descreveu a reação de Ana Abrunhosa como exagerada. O presidente da Câmara de Montemor-o-Velho também lá estava, ouvido na última hora pela Rádio Observador, diz que em situações como estas ninguém tem razão, mas compreende o lado de Ana Abrunhosa. Diz que os autarcas merecem mais respeito. Contamos agora com o presidente do município de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo. Bem-vindo nesta edição. Pergunto-lhe se também assistiu a este momento e como é que avalia este desentendimento entre a autarca de Coimbra e o ministro da Agricultura.

Boa tarde, eu não estava presente propriamente no momento. Tive conhecimento pelas redes sociais e interpelaram-me no sentido de manifestar uma opinião. Ora, factos. Eu conheço o senhor ministro José Manuel Fernandes, já quando dos incêndios e da visita aqui a Oliveira do Hospital, e conheço a senhora presidente Ana Abrunhosa. Curiosamente, na sequência desta sucessão de tempestades, os autarcas de freguesia, os autarcas de Câmara Municipal, os presidentes de Câmara Municipal, vereadores, os serviços municipais de proteção civil, foram todos elogiados pela prontidão, pela presença com que socorreram as pessoas. Ora, naturalmente, isto deu aqui relevância ao papel dos autarcas. Também sei um argumento óbvio. Eu se for a uma freguesia, contacto o senhor presidente de junta e para marcar a presença no local. E também sei que é prática, e particularmente o senhor ministro José Manuel Fernandes, quando visitou Oliveira do Hospital, também o seu gabinete ou ele próprio contactou o presidente da Câmara para estar presente ou acompanhar na visita aos incêndios. Relativamente àquilo que se passou. De facto, é boa prática que o ministro se faça anunciar e que ouça os autarcas. Até porque foi por todos louvado, pelos órgãos de comunicação social, pela Assembleia da República, pelos analistas e cronistas políticos, todos demonstraram, todos de alguma forma tomaram como relevante o papel que os autarcas têm.

Foi então o ministro que esteve mal neste momento.

Eu acho que há uma regra a cumprir, e acho que sempre a cumprir num ambiente democrático e de relação institucional, que é anunciar as visitas ao território. Isso é uma boa prática que sempre existiu. E ouvir os autarcas antes de uma tomada de posição. Eu percebo perfeitamente a reação da senhora presidente da Câmara Municipal de Coimbra, que ela própria já foi ministra e acompanhou aqui Oliveira do Hospital e toda a região Centro. E ela sempre que vinha, na altura dos incêndios de 2017, anunciava a sua presença junto dos autarcas e fazia-se acompanhar dos autarcas quando ia ao terreno falar com as pessoas, inteirar-se dos problemas e dos danos e prejuízos.

E agradecemos também o exemplo que nos deixa dessa altura e a comparação que faz com o momento de agora. Agradecemos.

É factual, e também dizer uma coisa. Nós vivemos um momento de extrema calamidade. Há pessoas a sofrer, há graves prejuízos no terreno. Precisamos que autarcas, o governo, deem as mãos, as Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional. Trabalhemos todos em conjunto para encontrar soluções concretas para as pessoas. O diálogo e o consenso é produtivo e resulta A favor das populações. É esse o meu apelo: diálogo e cooperação.

E fica aqui esse apelo. José Francisco Rolo, muito obrigada, o autarca do município de Oliveira do Hospital.

E durou mais de duas horas e meia o primeiro encontro entre o primeiro-ministro e o presidente da República eleito.

António José Seguro recebeu Luís Montenegro no Palácio de Queluz, sem declarações no final. Laura Figueiredo.

Terminou o encontro cerca de duas horas e 40 minutos depois, Luís Montenegro e António José Seguro vieram os dois até a porta aqui do Palácio de Queluz. O primeiro-ministro saiu, entrou diretamente no carro, sem falar com os jornalistas, tal como estava previsto. Já o presidente eleito regressou ao interior do palácio, onde se tem instalado o gabinete de transição até tomar posse. No início da reunião foram recolhidas algumas imagens onde os dois estavam sorridentes. O primeiro-ministro tinha um dossiê na mão, onde se acredita que estava o PTRR, o programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, que foi apresentado na última sexta-feira e que hoje veio aqui ser também apresentado a António José Seguro. Um plano que já integra algumas das ideias manifestadas em público pelo presidente eleito, mas o governo também já demonstrou que está aberto a novas sugestões. Na noite eleitoral, António José Seguro tinha já deixado um aviso ao governo sobre este tema, prometeu que vai estar vigilante, que fará as perguntas difíceis e que também vai exigir as respostas que o país precisa. Já ontem este mesmo plano foi apresentado por Luís Montenegro ao presidente ainda em funções, Marcelo Rebelo de Sousa. O dia de hoje fica marcado pelo primeiro encontro entre Luís Montenegro e António José Seguro. Um encontro que, além da apresentação deste programa, serviu também para a apresentação de cumprimentos formais. António José Seguro e Luís Montenegro, que têm já trocado indiretamente algumas ideias de espírito, de convergência e de estabilidade, sempre num tom cordial e institucional.

O primeiro encontro de muitos, depois de 9 de março, dia em que toma posse António José Seguro.

Vanessa Cruz vai regressar às 19h30 para atualizar as notícias.