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Jornal da Cheta na Rádio Observador. Milhares de pessoas estão a manifestar-se nas ruas do Porto e de Lisboa. Já lá vamos com reportagem em direto. Para já, começamos com o apelo de André Ventura para que as pessoas não transfiram a indignação para a polícia. O presidente do Chega diz que os manifestantes não podem culpar as forças de segurança por um problema que, no entender de André Ventura, foi criado pelo PS e pelo PSD.

Não transfiram a vossa indignação para os polícias. A incompetência do que temos tido na habitação é do PS e do PSD. Não é dos polícias que ali estão, nem da Justiça, nem de outros. É do PS e do PSD. Ver alguns a fingir que não tiveram nada a ver com isto e agora a dizer que só querem deixar tudo igual é uma grande hipocrisia.

André Ventura culpa ainda o PS pela crise da habitação, mas vai mais longe, diz mesmo que o PS destrói o país cada vez que está no governo.

Se na habitação o PS também não quer resolver o problema que ele próprio deixou e criou e quer que seja o Chega também a resolver, eu só acho isto um pouco injusto. Eu disse no Parlamento, tudo indica, segundo todos os números que conhecemos, que as próximas eleições serão entre o Chega e o Partido Socialista. E eu respeito isso, mas eu não quero deixar de mostrar a minha estupefação perante um partido que destrói sempre o país e deixa o pior sempre que governa, mas nunca assume as responsabilidades daquilo que fez.

André Ventura, em declarações aos jornalistas na sede do partido, aqui um registo da CNN Portugal, no dia em que o Chega elege o novo presidente. André Ventura é candidato único nestas eleições diretas que decorrem até esta hora, até às 19h. Ontem o presidente do Chega divulgou a moção estratégica para um novo mandato de três anos, onde traçou um objetivo fundamental: chegar a primeiro-ministro. Numa altura também em que as eleições para os delegados à sétima convenção do Chega estão a decorrer por todo o país. Em Lisboa, há uma decisão polêmica. A lista encabeçada por Bruno Mascarenhas, que tinha sido rejeitada pela Mesa Distrital de Lisboa com o conhecimento de alegadas irregularidades, foi aceita à última hora, a menos de 24 horas das eleições, numa decisão do Conselho de Jurisdição que deu entrada no final desta sexta-feira. Vamos às manifestações pelo direito à habitação, a marcar a atualidade nacional. Neste sábado, milhares de pessoas saíram às ruas na capital e também na cidade Invicta, Porto e Lisboa. Em Lisboa, o protesto convocado pelo movimento Acampada começou no Largo de Camões, tem estado a ser acompanhado pelo repórter do Observador, Martim Madeira, agora em direto. Martim, a marcha já chegou ao Rossio e entre os manifestantes estão elementos da Provedoria de Justiça.

Elementos esses, José, que estão aqui porque vários cidadãos pediram ontem a intervenção urgente de um mecanismo nacional da prevenção da tortura antes da concentração de hoje. Isto porque, tendo em conta a atuação da polícia na última manifestação, os cidadãos sentiram necessidade de pedir esta intervenção do Mecanismo Nacional de Prevenção. Nós tivemos a oportunidade de falar com o coordenador deste mecanismo, Miguel Feldman, que nos explica o que é que estão aqui a fazer realmente.

Estamos aqui numa ação de monitorização que cabe na função do Mecanismo Nacional de Prevenção. A Provedoria de Justiça já anteriormente efetuou monitorizações deste gênero, portanto, estamos aqui no âmbito de uma monitorização dentro das nossas competências. Até agora tem corrido tudo bem.

Aqui a mensagem de Miguel Feldman, coordenador deste mecanismo de prevenção, diz que tudo correu bem nesta manifestação e que acompanharam desde o Largo de Camões até à chegada aqui no Rossio, onde já se encontra toda a gente. A Praça do Rossio está mesmo cheia, numa altura também em que agora se ouve Grândola Vila Morena, com vários membros da direção desta organização da Acampada num palco a cantar e a bater os pés. Também numa altura onde foi montada uma cabeça de burro em cima de uma das estátuas aqui na Praça do Rossio.

A reportagem do jornalista Martim Madeira, que está a acompanhar este protesto convocado pelo movimento Acampada de Lisboa, que diz que o objetivo é voltar a montar tendas na praça. A PSP já avisou que a tolerância para novos acampamentos na praça vai ser zero. Ao Observador, o Comando Metropolitano da PSP em Lisboa diz que as tendas têm de sair até à 00:30. De Lisboa, seguimos para as ruas da cidade Invicta, no Porto, depois da marcha que começou na Praça da Batalha, a multidão concentra-se agora na Praça Dom João I. É lá que está o repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia. Miguel, agora em direto neste Jornal da Cheta, depois de vários concertos, estará para breve o início de mais uma assembleia popular.

Estará José Rafael prestes a começar essa assembleia popular. De momento, começou o coro que tem cantado aqui na assembleia popular, antes dessas assembleias populares. Ainda está muita gente na praça, tem saído algumas desde que chegaram aqui nessa marcha que começou na Praça da Batalha. Entretanto, decorreram aqui vários concertos, continuam muitas pessoas à conversa, à fila também na estrutura que serve a cantina popular, que tem distribuído muitas refeições e que hoje ainda não distribui jantar, mas estava até há pouco a distribuir sandes e vão se juntando muitas pessoas, sendo que, e muitas delas que também têm falado com o Observador, dizem que não têm intenção de dormir aqui, que vieram só apoiar este movimento e que, entretanto, com o anoitecer, também irão para casa. A dar conta também, e como mencionava o Martim, em Lisboa, aqui não estão presentes esses membros do Mecanismo Nacional de Prevenção. Confirmamos há pouco com a polícia se teria sido informada da presença desse órgão da Provedoria da Justiça. Confirmaram-nos que não, a subcomissária Eduarda Fã, que nas últimas noites tem liderado essas negociações, quando aconteceram essas negociações com os manifestantes, mas deu conta disso mesmo. Nessa queixa que falava o Martim, apesar ter sido mencionado violência policial aqui no Porto, não se verificou hoje a presença desse órgão da Provedoria da Justiça, numa noite que continuará com essa assembleia popular e depois, eventualmente, com essa decisão de dormir ou não. E depois, a partir daí, entrará, se for caso disso, em ação a polícia. É isso que continuaremos a acompanhar, a perceber se haverá essa mobilização para mais uma pernoita na Praça Dom João I.

A reportagem do jornalista do Observador, Miguel Pinheiro Correia, em direto da Praça Dom João I, no Porto, onde há milhares de pessoas concentradas a esta hora em mais um protesto pelo custo da habitação. Ainda sobre as manifestações de hoje, o ministro da Administração Interna reforça o apelo para que se cumpra a lei. Luís Neves reconhece a legitimidade destes protestos, mas reforça o apelo feito ontem. Espera, o ministro da Administração Interna, que as manifestações corram dentro da normalidade.

O que se espera é que, de facto, as manifestações decorram como normalmente acontecem, quase a 100%, com toda a ordem, com toda a civilidade. É isso que se espera e que, de facto, cada um faça o seu trabalho e cada um cumpra a sua missão e, sobretudo, que se cumpra a lei.

Luís Neves, ministro da Administração Interna, aqui num registo captado pela Sic Notícias à margem de uma cerimónia dos 100 anos dos Bombeiros de Ponte de Sor. Já o secretário-geral do PS diz que o governo já devia ter destacado uma delegação para falar com estes manifestantes. José Luís Carneiro apela o diálogo do Executivo com os que querem continuar a acampar, quer na Praça do Rossio, quer na Praça Dom João I, e acusa o líder do PS, o governo, de ter utilizado a força da PSP para calar os que se preocupam com a habitação.

Noutros tempos, também se recorreu à força. A força nunca é a solução para esse tipo de manifestações. Eu, se estivesse neste momento como primeiro-ministro do meu país, procuraria precisamente enviar uma delegação do governo para falar com aqueles que estão nas manifestações e procurar estabelecer um canal de diálogo institucional para poder responder às necessidades que os manifestantes estão a colocar.

José Luís Carneiro acusa ainda o governo de ter tiques de autoritarismo nas negociações com os partidos na Assembleia da República. Na atualidade internacional, em França, clima de tensão. Houve já confrontos entre os manifestantes e a polícia. Em Paris e em Marselha, a polícia teve mesmo de recorrer a gás lacrimogéneo. Na capital, há registo de manifestantes a atirarem pedras e coquetel molotov aos agentes da segurança, numa altura em que o governo francês aponta para 320 mil os participantes nas manifestações de hoje, 70 mil em Paris. Destaque também para a Alemanha, onde a polícia alemã cancelou a marcha em Colónia devido à presença de manifestantes mascarados e devido ao lançamento de bombas de fumo. A Alemanha está também com protestos devido ao aumento de custo de vida. A dar conta também dos protestos na capital da Albânia, em que pessoas encapuzadas atiraram pedras contra a polícia. Notícia de fecho no Jornal das 7. A informação volta a ser atualizada às 19h30.