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Na Rádio Observador. Começa agora o Jornal das 8, edição do jornalista Vasco Maldonado Correia. Vasco, o diretor nacional da Polícia Judiciária está a ser investigado pelo Ministério Público por abuso de poder e falsas declarações em tribunal no caso de Rui Pinto.

A notícia é avançada pelo "Expresso", que cita a Procuradoria-Geral da República, o gabinete de Amadeu Guerra confirma a instauração de um inquérito depois de uma denúncia apresentada por um coordenador da PJ contra o atual diretor, Carlos Cabreiro. Em causa, a alegada prática dos crimes de falsas declarações, por ter referido no julgamento de Rui Pinto que não foram feitas escutas nessa investigação, e do crime de abuso de poder, que estará relacionada com o fato de Carlos Cabreiro ter ordenado uma escuta que tinha sido proibida pelo Ministério Público. Na análise, o relator principal do Observador, Luís Rosa, explica que esta notícia é retrato de uma grave crise interna na Polícia Judiciária.

Este caso é mais um exemplo de como a Polícia Judiciária, neste momento, está a atravessar uma crise interna nunca vista. Esta notícia e este caso é um excelente exemplo disso mesmo, de como há uma guerra interna dentro da PJ e que está a ter repercussões públicas. Obviamente que isso também coloca em causa o funcionamento da Polícia Judiciária. Portanto, acho que não só este caso, como outros casos, vão continuar a dar muito o que falar, porque a Polícia Judiciária precisa de paz para fazer o seu trabalho e neste momento essa paz não existe. Vamos ver, quando os matos zangam, saem as verdade, vamos lá ver que mais verdades é que se vão descobrir no decorrer das próximas semanas.

Análise do jornalista Luís Rosa, depois da abertura deste inquérito por parte do Ministério Público ao atual diretor da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro.

E o líder parlamentar da Iniciativa Liberal diz que o governo tem de ter coragem para seguir com as reformas que prometeu aos eleitores.

A Iniciativa Liberal tem acusado o Executivo de Montenegro de hipocrisia e de um atraso nas reformas prometidas no início do mandato. Em entrevista à Rádio Observador, Mário Amorim Lopes admite que as reformas do governo até podem ser boas. Considera, no entanto, que o Executivo tem falhado na coragem e na comunicação.

O que às vezes acontece com as reformas é, numa primeira instância, no imediato e no curto prazo, enquanto as pessoas ainda não percebem bem o que está em causa, o que está a ser discutido, pode haver uma postura de alguma reação a qualquer alteração. Nós temos de ter a coragem, é isso que nos diferencia dos outros partidos. Sinceramente, é ter essa coragem para dizer: "Não, este caminho é importante fazê-lo". Temos de ser capazes também de explicar bem. Muitas vezes as reformas falham, não porque não sejam boas, mas porque foram mal explicadas e foram mal conduzidas. Eu acho que, aliás, a reforma do mercado laboral é um bom exemplo disso. Era uma reforma importante, mas o processo foi mal conduzido e levou ao desfecho que levou.

Exemplo dado por Mário Amorim Lopes, que destaca ainda que a falta de vontade para reformar não vem só do governo.

A diferença, mais do que esquerda ou direita, está entre os partidos que querem deixar tudo como está, o Partido Socialista, porque é da sua natureza, acha que o país está bem, não é preciso fazer nada e até porque mudar seria reconhecer que fez muita coisa errada, dado que foi o partido que mais governou. O Chega, porque não ganha que o país melhore. O Chega cresce mais quando há mais problemas, quando o país está pior. E o PSD, que disse que tinha uma vontade transformadora e reformista, mas até à data ainda não concretizou.

Mário Amorim Lopes, líder parlamentar da Iniciativa Liberal, que deixou ainda elogios ao ímpeto reformista de Pedro Passos Coelho, diz que qualquer partido político deve querer ter a coragem da Iniciativa Liberal para reformar o sistema.

Ainda na política, o Partido Socialista continua sem descartar uma comissão parlamentar de inquérito ao ministro da Educação. Com o arranque do ano letivo, os socialistas acreditam que a ação de Fernando Alexandre continua insatisfatória desde a altura dos exames nacionais.

O secretário-geral do PS anunciou já que o ministro da Educação chegou a dar satisfações ao PS sobre estes problemas e numa primeira análise a essas satisfações, o deputado socialista, Porfírio Silva, diz que foram insuficientes.

Numa primeira, numa segunda, numa terceira leitura, as respostas são claramente insatisfatórias. São pouco mais do que as traduções de repetição propagandística que o senhor ministro tem feito publicamente. Eu acho que as comissões parlamentares de inquérito não devem ser para gerir escândalos, devem ser para apurar o funcionamento do Estado naquilo que são as suas próprias responsabilidades.

Porfírio Silva, deputado do PS, ouvido no Explicador, sublinha a posição do partido, prefere esclarecimentos a demissões. Já para o deputado social-democrata Pedro Alves, uma comissão parlamentar de inquérito faria sentido, sim, mas se fosse direcionada aos governos do PS.

Se calhar, a primeira comissão parlamentar de inquérito que devíamos fazer era mesmo às políticas educativas do Partido Socialista e ao estado em que deixaram o país, nomeadamente, desde logo, alunos sem aula, sem conseguirmos identificar quantos eram, sem conseguirmos também ter professores motivados e alunos sem informação para poderem substituir os professores que estão em falta no sistema. Isso sim, é preocupante. Não há qualquer receio da nossa parte relativamente a qualquer tipo de comissão de inquérito. Não há razão, no nosso entender, para esse facto, mas sabemos que a oposição também vive de fazer esse tipo de números.

Deputado do PSD, Pedro Alves, ouvido no Explicador esta tarde. Já a deputada do Chega, Maria José Aguiar, fala numa guerra de desculpas perante os problemas atuais do setor da educação, que continuam, diz a deputada, a prejudicar os alunos.

Temos, por um lado, um PS que criaram o problema sem planeamento e temos, neste momento, um governo que receberam esse problema, mas, lá está, lamentavelmente, estão-se a revelar mais uma vez incapazes de o resolver. E no meio desta guerra de desculpas, no fundo, são as crianças e são as famílias que estão em casa sem ter aulas, sem ter escola, porque neste momento ainda continua a aparecer na plataforma como não colocado, portanto, sem escola atribuída.

Críticas da deputada do Chega, Maria José Aguiar, que fala numa incapacidade do Governo para corrigir os problemas que se estão a estender desde o fim do último ano letivo.

Seguimos com as notícias. O ator Rui de Carvalho recebeu a Medalha de Honra da Cidade de Lisboa esta tarde.

Homenagem ao ator de 99 anos decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa. No espaço do conselho está o jornalista João Lourenço, que esteve a acompanhar este evento. Boa noite, João. O presidente da Câmara, Carlos Moedas, elogia o legado de Rui de Carvalho e diz que a cultura da cidade é mesmo mais importante do que qualquer outra coisa.

Mais importante que um edifício, mais importante do que qualquer monumento ou até mesmo mais importante do que qualquer riqueza. Foi assim que Carlos Moedas frisou a importância do legado de Rui de Carvalho, parabenizou pelo seu caminho no teatro e também em outras plataformas, no cinema, na televisão, entre outros. Referiu, e neste caso recordou Carlos Moedas, algumas palavras que Rui de Carvalho elencou na última homenagem que teve no Parlamento, há mais ou menos um ano, referiu que uma cidade sem cultura é uma cidade sem memória.

Há poucos meses, na Assembleia da República, o Rui Carvalho deixou uma frase que merece ficar: "A cultura é a arca do tesouro dos povos." Que frase extraordinária, porque uma cidade pode ter grandes avenidas, pode ter belos edifícios, pode ter investimento, pode ter riqueza, mas sem cultura falta-lhe memória.

Já nos discursos da parte de Rui de Carvalho, falou a filha, Paula de Carvalho. Já vemos também essas declarações do homenageado. No entanto, a filha de Rui de Carvalho, Paula de Carvalho, falou que, e homenageou a cidade de Lisboa, disse que a capital portuguesa é um vício, mas é um vício bom de quem, neste caso, Rui de Carvalho, aproveitou ao longo de uma vida.

Lisboa é um vício, mas é um bom vício. E esse vício tem que se alimentar com qualidade, para os lisboetas em primeiro lugar, e depois para quem nos visita, para que se saiba que há uma cidade que está a par de todas as grandes cidades, em todas as áreas.

Paula de Carvalho aqui a deixar uma mensagem aos responsáveis da autarquia. Já Rui de Carvalho, em declarações aos jornalistas depois desta cerimônia, destaca que é um alfacinha de gema.

Um trabalho honrado e feito com amor. Foi o que eu deixei ao teatro.

E como alfacinha de gema, numa palavra, como descreve a cidade de Lisboa, a sua casa?

Amo loucamente. Nasci cá, nasci por baixo do Castelo de São Jorge. Portanto, sou lisboeta legítimo.

Nasceria em Lisboa a 1 de março de 1927. Rui de Carvalho, que foi então agraciado pelo Estado português diversas vezes. Em 2012, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante do Henrique, já mais recentemente, em 2022, com a Grã-Cruz de Ordem Militar de Santo Lago da Espada. Foi hoje homenageado com a Medalha da Cidade, uma atribuição que foi aprovada por unanimidade em reunião pública sob proposta do presidente da autarquia, Carlos Moedas. Fica então tudo dito desta homenagem, da atribuição da Medalha da Cidade de Lisboa a Rui de Carvalho.

Reportagem do jornalista João Lourenço, que esteve a acompanhar essa homenagem a Rui de Carvalho, o ator que cumpriu 99 anos no passado mês de março.

E Vasco Maldonado Correia, antes do Explicador, há outras notícias a marcar a atualidade?

Donald Trump anuncia que a Ucrânia e a Rússia concordaram em não atingir infraestruturas energéticas. Foi um anúncio do presidente dos Estados Unidos esta tarde na rede Truth Social. Zelensky diz no Telegram que a Ucrânia não está convencida de que a Rússia vá cumprir qualquer acordo. Diz o presidente ucraniano que o país está pronto para suspender os ataques contra a Rússia, isso se os parceiros garantirem que Moscou se vai abster de atingir instalações de energia, infraestruturas e rotas de abastecimento de alimentos. O antigo primeiro-ministro José Sócrates perdeu a segunda batalha para anular a nomeação do advogado oficioso Luís Carlos Esteves pela segunda vez consecutiva, depois do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa ter recusado a providência cautelar para anular essa nomeação. Agora é a vez da juíza Susana Seca rejeitar o requerimento de José Sócrates, que pretendia a retirada de todos os atos praticados pelo defensor oficioso. O Tribunal Constitucional esclarece que não tem pendente qualquer pedido de ilegalização de partidos. Isto depois da juíza conselheira Maria Benedita Urbano ter confirmado que o Palácio Ratton recebeu um requerimento para a extinção do Chega. Numa curta nota enviada à Agência Lusa, o Tribunal Constitucional garante que não está pendente nenhum pedido de ilegalização de qualquer partido político, que contradiz, por isso, as informações divulgadas esta manhã.

E ao ponto final no Jornal das Oito, edição de Vasco Maldonado Correia.