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Do Observador. Edição das 9, com a Laura Figueiredo. E Laura, começamos, claro, com o debate do Estado da Nação. O governo anunciou a atribuição de um novo bônus para os reformados.
Foi um dos vários anúncios feitos pelo primeiro-ministro no debate desta tarde na Assembleia da República, depois de no ano passado ter anunciado o bônus extraordinário para os pensionistas na festa de Pontal. Desta vez, Luís Montenegro deixou o anúncio no Parlamento.
Amanhã mesmo, o Conselho de Ministros vai aprovar a atribuição de um suplemento extraordinário a todas as pensões até € 1.567,50. Terá o valor de € 150 para as pensões entre € 522,50 e os € 1.045. E terá o valor de € 100 para todas as pensões entre € 1.045 e € 1.567,50.
Luís Montenegro a remeter esse bônus para setembro, a poucas semanas das eleições autárquicas. A par deste bônus, o primeiro-ministro deu também conta de que já amanhã o governo vai aprovar uma nova lei para descer o IRC.
O Conselho de Ministros aprovará a proposta de lei de redução do IRC a submeter a esta Assembleia da República. Assim, o IRC descerá para 19% em 2026, 18% em 2027 e 17% em 2028.
A proposta terá, depois, que ser discutida na Assembleia da República, mas ainda sobre impostos, o chefe do governo adiantou que as tabelas de retenção na fonte do IRS vão ser publicadas já na segunda-feira e com esta publicação, a descida do IRS vai sentir-se já em agosto, dando esse sinal de incentivo ao consumo no verão. Também os professores tiveram novidades, com o anúncio do alargamento do subsídio de mobilidade para todos os docentes da escola pública.
E na fase de debate, Luís Montenegro negou a existência do princípio de acordo que tinha sido anunciado por André Ventura.
Acordo para mudar a lei da nacionalidade, anunciado na última semana. Montenegro diz que não sabe do que se trata. Ventura vai mais longe e diz que há princípio de entendimento em várias outras matérias. Mas Vasco Maldonado Correia, o debate fica marcado por um outro caso. Envolveu o presidente da Assembleia da República e o secretário-geral do PS.
O debate do Estado da Nação ainda ia nas primeiras intervenções, quando José Luís Carneiro atirou a André Ventura.
Do meu ponto de vista, até hoje nunca encontrei um deputado tão fanfarrão como aquele deputado que está a liderar aquela bancada.
O presidente da Assembleia da República não gostou, deixou a reprimenda.
A verdade é que nós podemos e devemos atacar as ideias. Agora, fazer referência a que um colega aqui é fanfarrão, não me parece que seja o tratamento urbano.
Reação que mereceu o protesto da bancada socialista, que acusou Aguiar Branco de diferença de critérios por não ter tido a mesma atitude com o líder do Chega, que chamou frouxo ao secretário-geral do PS.
Eu sei que estava habituado à oposição frouxa do PS, mas isso acabou e esse país morreu no dia 18 de maio. Bom, a do José Luís Carneiro ainda é mais frouxa que a outra que era antes.
Antes, já tinha falado o primeiro-ministro para avisar a oposição que é altura de mudar de estratégia.
O tempo da tática estéril, do ruído constante e da obstrução sistemática já não serve a Portugal.
Do lado do Chega, André Ventura não gostou do tempo que Luís Montenegro dedicou a um setor em específico.
16 segundos a falar de saúde, senhor primeiro-ministro, quando há portugueses que passam anos à espera de ter uma consulta.
Esta semana, o presidente do Chega anunciou ter um princípio de acordo com a AD para mudar a lei da nacionalidade. Luís Montenegro nega.
O senhor deputado referiu um princípio de acordo que eu não sei o que é. Eu não sei mesmo o que é. Portanto, não sei o que é.
Apesar do esclarecimento, Ventura garante que o princípio de acordo existe e até para vários temas. Já pela Iniciativa Liberal, Mariana Leitão acusa o executivo de falta de coragem na privatização da TAP.
A privatização de menos de metade da TAP é uma oportunidade completamente perdida. O governo mantém o controle estatal.
E Rui Tavares, do Livre, garante que o governo está mais próximo do Chega do que diz.
O governo sombra já está aqui. É este governo, na sombra do Chega.
Uma proximidade que também é reconhecida por Paulo Raimundo, do PCP.
A extrema-direita abre o caminho e o seu governo concretiza.
Já a deputada única do Bloco de Esquerda lembra o mote da campanha da AD nas últimas legislativas, olha para os resultados da governação e diz que o Luís tem de deixar de trabalhar. O PAN critica a maneira imoral como o governo tem gerido os hospitais. O Juntos pelo Povo acredita na vontade de Luís Montenegro para resolver problemas, mas lamenta a pouca atenção dada às ilhas.
Vasco Maldonado Correia, a acompanhar o debate do Estado da Nação. E com o aviso de Aguiar Branco a José Luís Carneiro, o deputado do PS, Pedro Delgado Alves, indignou-se com o presidente da Assembleia da República, pediu a palavra para criticar Aguiar Branco, diz fazê-lo a título pessoal. Pedro Delgado Alves, que é um dos deputados mais experientes, era um dos mais indignados com o puxão de orelhas de Aguiar Branco a José Luís Carneiro e acusou o presidente do Parlamento de cobardia.
E Laura, no final do debate do Estado da Nação, que terminou perto das 8:00 da noite, André Ventura voltou a afirmar que não existe nenhum acordo de governo entre PSD e Chega.
O líder do Chega diz que existem apenas entendimentos em algumas matérias.
Eu sempre disse, e o primeiro-ministro também, que nós não teríamos um acordo de governo entre Chega e PSD, porque o Chega lidera a oposição. E acho que esse foi clarificado, o próprio disse, sem contraditório, e que o PSD assumiu isso também. Acho que ficou tudo bem. Estranho seria que o governo negasse agora uma coisa que ficou pública e, aliás, que decorreu À vista de todos, por trabalho e exigência do próprio Chega, que disse que queria que a reunião fosse aberta, no sentido de ser conhecido o seu momento, a sua hora, e de saber os seus resultados. Acho que terminou tudo como devia ter terminado, as duas partes a assumirem que se pode trabalhar em algumas matérias, como foi o caso da imigração, como foi o caso da nacionalidade, sem que isso ponha em causa o trabalho da oposição e a liderança da oposição. Acho que foi isso que aconteceu.
Também no final do debate, José Luís Carneiro apontou lacunas em vários setores, como o da educação, habitação e economia, mas aponta como principal problema a saúde. Ainda assim, o líder do Partido Socialista diz estar satisfeito por Luís Montenegro aceitar a proposta da criação de unidade de coordenação para emergências hospitalares.
É bom que o primeiro-ministro tenha dito que aceitava a proposta que tínhamos feito, nomeadamente para criarmos uma estrutura permanente de coordenação da emergência hospitalar, porque essa estrutura de coordenação permanente permitirá evitar este espetáculo lamentável de várias entidades desresponsabilizarem-se e ninguém assumir as responsabilidades, nomeadamente da parte do Ministério da Saúde e do próprio primeiro-ministro.
Sobre o pedido de clarificação em relação a um parceiro estratégico, José Luís Carneiro diz estar satisfeito com a resposta do primeiro-ministro, que disse que não havia acordo com o Chega e que confirma que sem o PS não há bloco central.
Nove e sete, Laura Figueiredo. Tempo ainda para atualizar a informação de âmbito local.
Em Leiria, a Polícia Judiciária apreendeu mais de 200 kg de cocaína que estavam em areia para gatos. A investigação surge na sequência de suspeitas relativamente à atividade de uma empresa sediada em Gondomar. Foram importadas mais de 25 toneladas de areia sanitária para gatos a partir do Brasil. Um dos sacos testados continha droga. Foram detidos dois suspeitos por serem os destinatários da carga e por pertencerem a uma rede internacional de tráfico de estupefacientes. Em Santarém, sete pessoas foram detidas por tráfico de droga. Mais de 60 mil doses de haxixe foram apreendidas. Os detidos esperam agora o primeiro interrogatório judicial e a aplicação de medidas de equação. Em Lisboa, a circulação entre o itinerário complementar 17 e a CRIL vai estar condicionada a partir de amanhã, entre as 11 da noite e as 5 da manhã. Sexta-feira a domingo, o trânsito vai estar condicionado por causa de trabalhos de manutenção no separador central. A Infraestruturas Portugal informa que os constrangimentos acontecem entre o nó do itinerário complementar 22 e o nó da A1, no sentido Algés-Sacavém, com a supressão da via esquerda. Em Aveiro, está concluído o projeto para proteger e reforçar as comunicações militares contra ameaças. Trata-se de um projeto europeu. Foi desenvolvida uma rede aplicada à gestão e controle de rádios táticos em ambientes de elevada exigência para assegurar comunicações seguras. Coimbra vai contar com mais uma sessão da Feira do Livro. A Praça da Califórnia recebe a iniciativa de 18 de julho até 17 de agosto. A Feira do Livro está aberta entre as 15h30 e a meia-noite. O Maia Blues Fest está de regresso ao município para a sétima edição. A iniciativa tem como objetivo divulgar e valorizar o gênero musical blues. Conta com a presença de artistas portugueses, norte-americanos, também polacos e belgas. O festival acontece no auditório exterior do Farol da Maia, de 5 a 7 de setembro.
Fica por aqui o Jornal das Nove, com edição da Laura Figueiredo.