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Observador. São as notícias das 9, com edição do jornalista João Gama. João, começamos com uma notícia de última hora. O presidente da República deu entrada ao final da tarde no Hospital Universitário de São João, no Porto.

É o que confirma uma nota na página da presidência. Marcelo Rebelo de Sousa sentiu-se indisposto na sequência de uma paragem de distensão enquanto regressava de Amarante das cerimónias fúnebres do engenheiro António Mota. Os médicos da Presidência da República entenderam assim que antes de fazer a viagem de regresso a Lisboa, seria melhor proceder a exames médicos, que estão neste momento em curso pela equipa médica deste hospital do Serviço Nacional de Saúde, o Hospital de São João, na cidade do Porto. Depois de serem conhecidos os resultados destas mesmas análises, será dada uma nova informação. É uma notícia que vamos continuar a acompanhar aqui na Rádio Observador.

E mudamos agora de tema. O governo diz que, para já, não há razões para avançar com uma requisição civil para assegurar os serviços mínimos da greve geral.

Luís Marques Mendes continua confiante num acordo entre o governo e os sindicatos, mesmo que seja conseguido depois dessa greve geral. O candidato presidencial, apoiado quer pelo PSD, quer pelo CDS, diz que cada coisa vem a seu tempo. Espera que depois da greve geral, o governo volte a sentar patrões e trabalhadores à mesa. Defende que sendo alcançado um acordo, todos saem a ganhar.

Nesta altura, o ambiente está desanuviado. Há duas ou três semanas, não, estava crispado. Parecia que estavam de costas voltadas. Neste momento, não. Neste momento, nós devemos deixar correr os acontecimentos com naturalidade. Devemos deixar correr a greve. A seguir, as partes voltarão às negociações. E embora este vá ser um parto difícil, eu acho que vai terminar num acordo.

Declarações de Luís Marques Mendes esta noite no mercado de Natal, em Sintra.

Já Henrique Gouveia e Melo acredita que o cumprimento dos serviços mínimos protege o direito à greve dos trabalhadores.

O almirante esteve hoje no Wonderland Lisboa, no Parque Eduardo VII, e insistiu que o presidente da República deve ser exigente com o governo, mas sem retirar estabilidade para governar. E quanto à polêmica do dia, sobre a requisição civil na greve geral, Gouveia e Melo lembra que o direito à greve é um direito dos trabalhadores, mas também o são os serviços mínimos.

Há coisas que não devemos condicionar em termos do que são o direito dos trabalhadores. Mas também é preciso ter em consideração que há outros direitos, os direitos dos cidadãos todos, direitos aos tais serviços mínimos, que podem comprometer coisas graves em termos do funcionamento do Estado. Por isso, a figura de serviços mínimos serve precisamente para prevenir isso, e prevenindo isso, também protege o direito à greve.

Declarações de Henrique Gouveia e Melo, o candidato presidencial, em visita ao mercado natal de Lisboa.

E Catarina Martins critica o governo por levantar suspeições sobre os trabalhadores que vão aderir à greve geral. Fala num absurdo.

Para a candidata presidencial apoiada pelo Bloco de Esquerda, a solução é outra: fazer cair a reforma laboral.

As greves gerais são excepcionais e em momentos de uma enorme preocupação sobre os direitos de quem trabalha. E o governo não tem nada que criar nenhuma suspeição sobre os trabalhadores que planeiam fazer greve e que sempre cumpriram os serviços mínimos para que as funções fundamentais do Estado não estivessem em causa. Sempre foi assim. E, portanto, o governo estar a criar suspeições sobre os sindicatos, sobre quem trabalha, é um absurdo. O governo precisa, sim, de compreender que tem de recuar.

Catarina Martins, depois do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, dizer que não ficaria surpreendida se o governo avançasse com uma requisição civil, rompendo com os serviços mínimos que estão a ser negociados. A ministra do Trabalho respondeu hoje em Bruxelas, Maria do Rosário Palma Ramalho espera que os serviços mínimos sejam cumpridos de forma criteriosa para tornar desnecessária qualquer requisição civil.

Seguimos na política nacional. José Manuel Pureza admite que o Bloco de Esquerda não fez tudo bem durante a liderança de Mariana Mortágua. Ainda assim, acredita que a antiga líder do partido vai ficar para a história.

E pelas melhores razões. José Manuel Pureza deu hoje a primeira entrevista, um dia depois de ter sido eleito coordenador do Bloco de Esquerda. Ontem, no final da Convenção Nacional do partido, acabou por fazer um pedido de desculpa aos eleitores, um pedido de desculpas que agora reafirma. Em entrevista à SIC Notícias, José Manuel Pureza explica como o Bloco acabou por falhar.

Não conseguiu ler com a atenção devida e com o rigor devido aquilo que é uma ofensiva de força inédita por parte das direitas em Portugal, e não só em Portugal. E, portanto, não soubemos preparar-nos para uma resposta que fosse uma resposta eficiente, que fosse uma resposta capaz no plano político e no plano cultural a essa ofensiva. E, por outro lado, há uma segunda fragilidade, que já havia sido assumida anteriormente, mas que eu quero trazer também para esta nossa conversa, que é uma centralização demasiada de funções.

José Manuel Pureza, a assumir que o Bloco de Esquerda não deu uma resposta suficiente ao crescimento de direita e de extrema-direita em Portugal, diz que não se tratou apenas de um problema de comunicação e que o futuro do partido passa por um maior contacto com os estudantes, a começar nas redes sociais.

Não assumo esse erro. Não houve nenhum erro do ponto de vista da política de comunicação do Bloco de Esquerda. Eu acho que esse, aliás, seria um refúgio fácil. Dizer: "Não, foi só uma questão de comunicação". Não foi. Mas na verdade, o que nós temos é que ter uma política de comunicação, incluindo também redes sociais, onde nós possamos testemunhar de uma maneira mais eficaz, mais forte, tendo em conta todas as boas práticas desse ponto de vista, que internacionalmente existem, para que possamos justamente fazer essa disputa, que dizia há pouco, malta mais nova e malta mais velha.

José Manuel Pureza, em entrevista esta noite à SIC Notícias, afirma que neste mandato vai introduzir mudanças necessárias da organização do partido, promete uma grande articulação com a representação do bloco na Assembleia da República, um lugar de Mariana Mortágua, que será ocupado agora por Fabián Figueiredo.

E falamos agora da atualidade internacional. Depois de ser recebido por Emmanuel Macron, Volodymyr Zelensky assume que a guerra da Ucrânia deve terminar o mais rapidamente possível.

Declaração feita na conferência de imprensa conjunta com o presidente francês, no final do encontro entre os dois chefes de Estado, no Palácio do Eliseu, em Paris. Zelensky sublinha que os esforços de conversações de paz não podem recompensar a Rússia pela invasão da Ucrânia. O presidente ucraniano pede, por isso, um fim digno da guerra e garantias sólidas de segurança a longo prazo.

Precisamos garantir que a Rússia não saia a ganhar e que não recebe uma recompensa pela guerra. A guerra não deve ser uma questão de lucro para que os outros não repitam esses passos. O agressor deve pagar pela agressão.

Ao lado de Volodymyr Zelensky, Emmanuel Macron afirmou que a Europa tem papel a desempenhar nas negociações que estão a ser mediadas pelos Estados Unidos.

Quando se fala de garantias de segurança, é um assunto que não pode ser discutido ou negociado sem que a Ucrânia, a quem pertence o território ucraniano, esteja ao redor da mesa e sem que os europeus e todos os aliados da coligação da boa vontade estejam ao redor da mesa. A Ucrânia é o único país com legitimidade para falar do seu território. Quando se fala de ativos russos, os países europeus e a União Europeia devem estar ao redor da mesa.

Durante o encontro desta manhã no Palácio do Eliseu, os dois chefes de Estado conversaram com líderes europeus e também com os negociadores americanos e ucranianos. Amanhã está previsto um encontro entre o enviado especial dos Estados Unidos ao conflito da Ucrânia, Steve Witkoff, e Vladimir Putin, em Moscou.

E Donald Trump vai reunir o Conselho de Segurança Nacional para discutir a relação com a Venezuela.

Quem o confirma é a porta-voz da Casa Branca. A reunião vai ter no centro de discussão os mais recentes ataques norte-americanos contra embarcações suspeitas de transportar droga na costa da Venezuela. Os Estados Unidos mantêm desde o verão um destacamento naval e aéreo no Mar das Caraíbas, em águas muito próximas da Venezuela. Desde setembro, as tropas norte-americanas mataram mais de 80 pessoas, destruíram 20 embarcações ligadas alegadamente ao narcotráfico. Já na semana passada, o presidente norte-americano avisou que as Forças Armadas vão começar muito em breve a deter os traficantes de droga da Venezuela por terra, depois destas operações no mar. E no sábado, Trump avisou que o espaço aéreo venezuelano deve ser considerado totalmente encerrado.

Nove minutos para lá das 21h. Agora vamos ao habitual espaço de informação local. João Gama.

Esta noite o estádio do Futebol Clube do Porto vai receber a 38ª edição de Gala dos Dragões de Ouro, que premeia as instituições e as personalidades que mais se destacaram ao serviço do clube na época de 2024/2025. Começa agora mesmo, às 21h. No Pavilhão Municipal da Costa da Caparica termina hoje o Campeonato Português de Speedcubing 2025. Este campeonato contou com provas oficiais, mas também atividades abertas ao público para aqueles que tenham vontade de experimentar esta modalidade, que testa a rapidez e a precisão na resolução do cubo mágico. O campeonato terminou com a cerimônia de entrega de prêmios. Em Leiria, decorreu hoje a primeira edição do Omnilab+, um laboratório musical criativo. O evento é destinado a idosos, pretende que estes trabalhem num tema original, que vai ser gravado, editado e eventualmente sair em plataformas de música. O Natal começou a ser celebrado em Sintra com o início da programação Sintra Mágica: Era Uma Vez um Natal Mágico. Foram inauguradas as luzes de Natal no Palácio da Pena, na Quinta da Regaleira e também no Palácio Nacional de Queluz. Ao longo do mês de dezembro, a Câmara Municipal vai organizar vários concertos, exposições e também espetáculos de teatro. Mais a norte do país, a abertura de boas festas em Aveiro condicionou o trânsito automóvel e pedonal durante a tarde de hoje. O comunicado da Câmara Municipal especifica que o condicionamento ocorreu apenas na zona do Cais da Fonte Nova, onde as luzes de Natal foram inauguradas pelas 17h30. E a fechar, o Reino de Natal de Santarém decorre no centro histórico da cidade. Vai ter atividades para toda a família durante o último mês do ano. Jogos tradicionais hoje até às 17h, no Parque da Liberdade e até às 19h de música no Largo Visconde Serra do Pilar.

E é o ponto final no Jornal das Nove, edição do jornalista João Gama.