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Jornal das nove com a Laura Figueiredo. Laura, na próxima semana o governo vai aumentar o desconto no ISP para o gasóleo e vai reduzi-lo para a gasolina. O desconto no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos vai aumentar cerca de €0,01 por litro para o gasóleo. Já no caso da gasolina, vai ser reduzido também perto de €0,01. É o que dá conta uma portaria publicada hoje em Diário da República. A decisão é justificada com a perspectiva de se registar na próxima semana uma subida do preço do gasóleo e uma descida do preço da gasolina. O preço por litro do gasóleo deverá aumentar €0,04, o da gasolina baixar €0,06. É pelo menos a estimativa do Automóvel Clube de Portugal, caso a tendência atual se mantenha. E a ANAREC, a Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis, acusa o governo de ganhar dinheiro com os impostos sobre os combustíveis. Acusa também o executivo de estar a mentir aos portugueses ao dizer que não tem tido qualquer lucro com a crise energética. O presidente da associação, João Durão, considera que o governo tem de baixar a carga fiscal sobre os combustíveis. Diz que as empresas estão a perder competitividade exagerada face a Espanha. Apesar de esta semana o governo ter anunciado uma descida do ISP, João Durão considera que não chega.

Reduzir o quê? Mas o que é que reduziu até agora o governo? Quando eles dizem que vão reduzir, a única coisa que diz é: "Não vamos ganhar mais do que o que estamos a ganhar, porque já estamos a ganhar muito". É o que eles têm dito, se nós entendermos a comunicação deles. Mas mesmo assim, continuam a ganhar mais do que ganhavam. A oposição tem razão quando diz: "Desde que a crise começou, o governo já arrecadou milhões". Eu não tenho aqui as contas deles, espero que um dia, se quiserem, eles nos enviem para provar o contrário.

João Durão, presidente da ANAREC, em declarações à Rádio Observador, acusa ainda o Ministério da Energia de lucrar com o gás de garrafa e de atacar diretamente o mercado nacional.

Têm incorporado numa garrafa pequena doméstica, três euros e tal de ISP. Pedimos ao governo: "Então acabe lá com o ISP na garrafa doméstica, que isto é uma necessidade". E até hoje, já passou muito tempo e continua tudo igual. Quando o governo diz: "Não ganhamos mais", olha, que façam as contas. O governo pensa que estamos todos desatentos. E depois vem a senhora ministra, que mete muita pressão e ainda por cima atacou-nos forte, tentando acabar com o gás de garrafa. Tudo isto não é ser verdadeiro, não é ser correto. Quando se fala que tem que haver um mix de energia, não é depois tirar dinheiro das garrafas de gás e dizer: "Agora vamos acabar. Nem que a senhora tenha lá um fogão novo em sua casa, um esquentador novo, não interessa, desde que seja a gás, deite-o fora, que nós pomos lá um novo a eletricidade". Isto não é correto.

Declarações do presidente da ANAREC, João Durão, à Rádio Observador. A ANAREC que exige a baixa fiscal imediata nos combustíveis e de forma transparente e também o controle fiscal nas fronteiras. A CGTP vai convocar uma grande manifestação nacional para o dia 17 de outubro. Vai acontecer em Lisboa, Porto e Coimbra. O anúncio foi feito esta tarde pelo secretário-geral da Central Sindical. Tiago Oliveira adianta que entre 17 de setembro e 17 de outubro, a CGTP vai realizar várias ações em empresas e em locais de trabalho. Explica que o objetivo é envolver os trabalhadores na discussão política e alertá-los para os direitos do trabalho.

Um mês de ação, mobilização e luta, com o objetivo de realização de plenários, greves, mobilização para piquetes de greve, para ações concretas das empresas, para discutir com os trabalhadores a ação reivindicativa, empresa a empresa, local de trabalho a local de trabalho, envolver os trabalhadores na discussão política, porque é fundamental que os trabalhadores tenham conhecimento, como tiveram relativamente ao pacote laboral, dos ataques que estão em curso aos seus direitos.

Na mesma conferência de imprensa dada hoje, a CGTP defendeu também o aumento do salário mínimo nacional para 1100 euros, já no próximo ano. É o que explica Tiago Oliveira.

É que há todas as condições para valorizar os salários de forma séria, de forma justa, implicando aqui uma questão que é uma mudança de política que este governo tem que ter, nomeadamente nas exigências da CGTP, de valorização dos salários. E a CGTP vai continuar a insistir em 15% de aumento, com mínimo de 150 euros no aumento geral para todos os trabalhadores. E vamos exigir, a partir de 1 de janeiro de 2027, os 1100 euros de salário mínimo nacional. Do nosso ponto de vista, é possível.

Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP. Para além disso, a Intersindical Nacional exige também um aumento salarial de pelo menos 15%, no mínimo de 150 euros para todos os trabalhadores em 2027. Também os polícias vão sair à rua. Os profissionais da Guarda Nacional Republicana prometem não recuar com os protestos anunciados esta tarde. Os militares da GNR juntaram-se aos profissionais da PSP em ações de protesto a acontecer entre setembro e outubro, ações que vão culminar numa grande manifestação nacional prevista também para outubro. O presidente da Associação dos Profissionais da Guarda, César Nogueira, garante que só com medidas concretas do governo é que seria possível desconvocar os protestos. Ainda assim, sinaliza disponibilidade para negociar.

Nós, os protestos, não os vamos desconvocar, a não ser que o governo, em cima da mesa, nos apresente, de facto, propostas concretas a cumprir, a ter início em janeiro de 2027. Nós estamos sempre abertos à negociação e não deixaremos de estar, porque nós somos responsáveis. Agora, não vamos é aceitar que isto seja protelado no tempo, muito mais tempo.

César Nogueira, ouvido na Rádio Observador. As ações hoje anunciadas são motivadas pelo incumprimento das prometidas revisões dos salários e das carreiras, reivindicações comuns tanto aos militares da GNR como aos polícias da PSP. O presidente da Associação dos Profissionais da Guarda critica a falta de avanços nestas matérias e defende que as medidas sejam incluídas no orçamento do Estado. E o Chega apresentou um projeto de lei para reduzir o IVA dos combustíveis. André Ventura desafia José Luís Carneiro a votar a favor desta medida. Diz que se o PS não o fizer, estará a ser totalmente hipócrita. Um desafio lançado em declarações aos jornalistas esta tarde, em Cascais. O projeto apresentado pelo Chega para descer o IVA nos combustíveis vai ser debatido na Assembleia a 24 de setembro e, nesse dia, André Ventura espera que José Luís Carneiro seja um homem de palavra e acompanhe o sentido de voto do Chega.

O Partido Socialista andou o verão todo a dizer que a culpa era do Chega, de não termos aprovado a descida dos impostos sobre os combustíveis. Então nós, no dia 24 de setembro, temos no Parlamento uma ordem do dia toda para duas coisas: para o IVA do cabaz alimentar e para o IVA dos combustíveis. Se o PS decide também chumbar isto, não é só não ter palavra, é pura hipocrisia. Mais vale encerrarem a loja, irem para o outro lado fazer política, porque toda a gente perceberá que é mentira.

O líder do Chega falou também de Pedro Passos Coelho, ex-primeiro-ministro, que deixou um aviso ao governo. Diz que está a ficar sem tempo para fazer reformas estruturais. Aviso feito num prefácio de um livro, no qual deixa o aviso ao Executivo. André Ventura diz que o antigo primeiro-ministro quer alertar Luís Montenegro que está num caminho de desastre e afirma que, infelizmente, tem de concordar com Pedro Passos Coelho.

Pedro Passos Coelho tem razão. Nós não temos uma linha de reforma do governo que diga assim: "Estamos a fazer reformas e são reformas positivas para o país." Não as estão a fazer e quando as estão a fazer, estão a fazê-las erradamente e no sentido errado. Portanto, sim, infelizmente, Pedro Passos Coelho tem razão. Ainda bem que é do PSD, que assim não dizem que é uma questão do Chega. É mesmo o reconhecimento de uma ala do PSD de que este é um caminho de desastre.

Palavras de André Ventura, que sublinha que há vários dirigentes social-democratas a tentar alertar Luís Montenegro para a má gestão do país. Ora vamos agora às notícias de âmbito local. Em Espinho, está marcada para amanhã uma marcha lenta automóvel contra o aumento do custo de vida e dos combustíveis. Tem início previsto às 9h30 com ponto de partida no Largo da Feira de Espinho. O destino final é a casa de Luís Montenegro, por volta das 11h. O Metro de Lisboa anunciou hoje um novo serviço de assistência junto aos elevadores das estações. O objetivo é que os clientes possam contactar diretamente a equipa no local, se precisarem de apoio, que pode ser relacionado com a utilização do elevador ou também pode servir para obter informações sobre percursos alternativos. Numa nota, o Metro avança ainda que o serviço vai funcionar todos os dias, incluindo fins de semana e feriados. Em Santarém, a Unidade Local de Saúde de Alzeira instalou um novo sistema cirúrgico robótico. Foi adquirido no âmbito do PRR, num investimento de quase 2 milhões e 400 euros. Em comunicado, a ULS sublinha que se torna assim a primeira em Portugal a instalar o sistema robótico de última geração. A Associação para o Desenvolvimento da Região de Leiria alerta que o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável não assegura os fenómenos meteorológicos extremos. Numa nota de imprensa, a associação adianta que a versão final do plano deve ser adaptada à experiência recente da tempestade que atingiu a região. Propõe ainda a criação de uma comissão consultiva de acompanhamento do plano para reforçar a transparência, a participação e o escrutínio. O Cemitério de Alvarelhos, na Trofa, está a ser requalificado num investimento municipal superior a 60 mil euros. A Junta de Freguesia alerta nas redes sociais que os trabalhos podem condicionar o acesso e a circulação no espaço. A Câmara do Seixal vai atribuir refeições escolares gratuitas aos alunos do pré-escolar e do primeiro ciclo, que tenham o primeiro ou segundo escalões. A autarquia pretende garantir a igualdade de oportunidades. Foi aprovado também o alargamento do horário das escolas até às 19h, no âmbito do regulamento das atividades de apoio à família.