A Iniciativa Liberal propõe a audição do anterior Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do antigo primeiro-ministro António Costa e do bastonário da Ordem dos Advogados na comissão de inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária.
De acordo com o requerimento, ao qual a agência Lusa teve acesso, a IL quer chamar 45 pessoas a depor na comissão parlamentar de inquérito, desde logo o ministro da Administração Interna, Luís Neves, figura central do inquérito.
Além de Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, os liberais querem ouvir também o bastonário da Ordem dos Advogados, João Massano, Vítor Escária, que foi chefe de gabinete do antigo primeiro-ministro António Costa, Lucília Gago, antiga procuradora-geral da República, e Rita Alarcão Júdice, ministra da Justiça.
A IL pede também a audição de várias pessoas ligadas, atual ou anteriormente, à Polícia Judiciária, incluindo o diretor nacional, Carlos Cabreiro, Almeida Rodrigues, antigo diretor nacional, Álvaro Pires, diretor dos serviços de gestão financeira e patrimonial, e vários antigos e atuais diretores nacionais adjuntos.
Os liberais pedem, igualmente, a audição do ex-secretário-geral do Ministério da Administração Interna Ricardo Carrilho, do empreiteiro da Construbarcelos João dos Santos Carvalho e das jornalistas Sandra Felgueiras e Felícia Cabrita.
Quanto a documentos, a IL adianta, em comunicado, que requereu “o acesso aos extratos bancários pessoais de Luís Neves enquanto foi diretor nacional da Polícia Judiciária, às escrituras dos montes alentejanos por este adquiridos em 2024 e 2025, aos movimentos do cartão de crédito que utilizava na Polícia Judiciária e ao identificador Via Verde da viatura apreendida a Ruben Oliveira, conhecido como ‘Xuxas’, no âmbito da Operação Exotic Fruit”.
A comissão parlamentar de inquérito para “avaliação da intervenção de Luís Neves enquanto diretor da PJ durante todos os seus mandatos (2018-2026) e eventual responsabilidade de membros do Governo que o nomearam e tutelaram” tomou posse na semana passada.
As próximas reuniões estão agendadas para segunda-feira (de mesa e coordenadores) e para terça-feira (reunião ordinária), duas horas antes do arranque da discussão na generalidade do Orçamento do Estado para 2027. O líder do Chega, André Ventura, preside a este inquérito.
O inquérito foi forçado pelo Chega na sequência das polémicas que vieram a público nos últimos meses envolvendo Luís Neves, relacionadas com obras numa propriedade do agora ministro feitas por uma empresa que celebrou contratos com a PJ, ou o atrelado com químicos apreendidos numa operação que ficou guardado nas instalações dessa empresa.