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Neste caso. São 10 em ponto. Começa então este jornal das 10 com a edição do Miguel Cordeiro. Miguel, como dizias, já terminaram as buscas na Assembleia da República. A polícia esteve esta noite no Parlamento e fez apreensões no gabinete do ex-deputado do Chega, Miguel Arruda.

A operação que durou cerca de uma hora, as autoridades entraram no Parlamento pelas 8 da noite, saíram pouco depois das 9. O presidente da Assembleia da República foi informado que a diligência teria de ser realizada. Foi informado, José Pedro Aguiar-Branco, formalmente pelo juiz de instrução criminal, que liderou as buscas. No Parlamento, estiveram também elementos da divisão criminal da PSP e um procurador. Em causa estão as malas de viagem que foram detectadas no gabinete do então deputado do Chega e agora deputado não inscrito, malas que surgiram numa fotografia divulgada pela SIC na sexta-feira. No Parlamento está o repórter Carlos Pedro. Carlos, agora em direto, buscas de praticamente uma hora que terminaram com material apreendido.

É isso mesmo, Miguel. As diligências aqui na Assembleia da República duraram, como disseste, cerca de uma hora, com início às 8 da noite e terminaram por volta das 9 horas. "O Observador" apurou que foi levado material de prova, ainda que sem qualquer especificação em relação ao tipo de material. No entanto, as últimas informações divulgadas pela imprensa apontam para várias malas de viagem, isto de acordo com uma fotografia divulgada pela SIC na sexta-feira, como fizeste referência. Com ou sem certezas em relação ao material apreendido esta noite, a verdade é que as buscas aconteceram mesmo no gabinete do ex-deputado do Chega, agora independente, Miguel Arruda, um gabinete partilhado com o deputado do Chega, Daniel Teixeira, que acompanhou estas buscas, juntamente com vários elementos da divisão de investigação criminal da PSP, um procurador e ainda um juiz de instrução criminal. Diligências estas que aconteceram com a aprovação do presidente da Assembleia da República, Aguiar Branco, e também do Chega, apesar de, neste caso, não ser necessário, tendo em conta este tipo de diligência judicial. Em causa está, recordo, o facto de Miguel Arruda ter sido constituído arguido na semana passada por suspeitas de furto qualificado de malas de viagem, tanto no aeroporto de Ponta Delgada como no aeroporto de Lisboa. Uma polêmica que levou precisamente à saída de Miguel Arruda do partido, mas não do Parlamento, onde agora está como deputado não inscrito. A polêmica não ficou por aí, agora com as autoridades a realizarem buscas no gabinete do deputado açoriano aqui na Assembleia da República. E destas buscas, recordo, foi recolhido o material de prova, uma informação apurada pelo Observador já depois da conclusão destas diligências que marcaram o início de noite aqui no Parlamento.

Buscas na Assembleia da República. José Pedro Aguiar-Branco regressa esta terça-feira, amanhã a Portugal, deverá prestar declarações sobre este tema.

Passamos para os impactos da tempestade Hermínia. Só hoje o mau tempo causou mais de 600 ocorrências em todo o país.

Antes desses impactos, seguimos com a análise a este caso. Rui Pedro Antunes, o editor político do Observador, fala num caso altamente nocivo para a imagem do Chega, diz que é como um tiro no porta-aviões e o editor político do Observador fala numa situação de buscas no Parlamento que é praticamente inédita.

Acabou por ser o Chega a levar a polícia para o Parlamento atrás de um deputado, de um político da nação. O Chega não teve culpa enquanto partido, mas foi um deputado do Chega que acabou por levar a isso. Isso do ponto de vista daquela que é a imagem do partido, e por todas as razões e mais algumas, qualquer um é chamado de ladrão, aldrebão e por aí fora, isso cria um impacto muito negativo no partido. E vamos ver. Neste caso, o próprio gabinete do Chega, portanto, espaço do partido, grupo parlamentar, foi utilizado para cometer um ilícito, caso se prove que aquelas malas são roubadas. Atenção, o assunto está em investigação, nós não sabemos, mas se aquela fotografia for verdadeira, parece que é. Se aquelas malas não forem de Miguel Arruda, o espaço do partido da bancada parlamentar terá sido utilizado para esse ilícito, uma vez que foi para guardar material roubado. Ora, isto é um tiro no porta-aviões daquilo que é a imagem pública do Chega e aquilo que defende.

Análise de Rui Pedro Antunes, editor político do Observador, nesta noite de buscas na Assembleia da República por causa de Miguel Arruda, é arguido num caso que investiga o roubo de malas em aeroportos.

Agora sim, Miguel, seguimos com os impactos da tempestade Hermínia. Seiscentas ocorrências em todo o país só hoje.

Balanço feito à Rádio Observador por José Rodrigues, oficial de operações da Proteção Civil, que dá conta de todos os casos registados entre a meia-noite e às 19h desta segunda-feira.

O total de ocorrências são 670 ocorrências, que tiveram um empenhamento de 2474 operacionais, apoiados por 955 meios terrestres. Destas 670 ocorrências, as principais tipologias de ocorrência são as quedas de árvore, limpezas de via, quedas de estrutura, movimento de massa, inundações e limpeza de via.

A área metropolitana do Porto, as regiões de Coimbra e Viseu foram as mais afetadas pelo mau tempo, com a presença de chuva e também ventos fortes. Perante o risco de queda de estruturas, inundações e agitação marítima, a Proteção Civil deixa também uma recomendação à população.

Solicitamos que tenham todo o cuidado nas deslocações que tiverem que efetuar, uma vez que existem lençóis d'água, poderão existir alguns alargamentos em termos de ondulação também, que está com alerta vermelho da parte do IPMA

E o reforço de todo o cuidado nas deslocações que tiverem que efetuar.

Por causa do mau tempo, em Torres Vedras, houve derrocada de um edifício em ruínas sobre um estabelecimento comercial. Não houve vítimas mortais, mas quatro pessoas tiveram de ser assistidas no local e ao início da noite a central elétrica de Pedome, em Famalicão, entrou em curto-circuito, situação reportada pelos habitantes nas imediações e também pelas populações das freguesias próximas, dado que a luz refletida foi visível a vários quilómetros de distância.

Miguel, seguimos com uma auditoria da Inspeção Geral das Finanças à rede SIRESP. Foram detetados pagamentos em excesso a administradores.

Notícia Observador, em causa está a não aplicação do corte de 5%, que está previsto na lei, aos gestores públicos. Corte que estava previsto para os anos entre 2022 e 2024 e que resultou numa remuneração em mais de €7000 do que era suposto. A situação foi uma das várias irregularidades detetadas na rede SIRESP. Durante a investigação, entretanto, foi devolvido uma parte do montante, de acordo com uma fonte dos resultados que foi consultada pelo Observador. Ainda assim, é apenas uma das várias irregularidades detetadas no âmbito da auditoria da Inspeção-Geral de Finanças. Está tudo detalhado em observador.pt.

E já que falamos em auditorias, devemos destacar o INEM, que também vai ser alvo de uma análise à gestão dos últimos quatro anos.

Decisão do governo comunicada esta tarde pelo Ministério das Finanças e pelo Ministério da Saúde. Vai recuar esta auditoria até 2021. São esperados resultados em março.

Pedro Nuno Santos acusa o governo de querer cortar direitos adquiridos nas reformas antecipadas.

O secretário-geral do Partido Socialista criticou a intenção do governo de Montenegro de preparar um travão às reformas antecipadas. Diz isto numa publicação na rede social BlueSky. Pedro Nuno Santos garante que o Partido Socialista não vai compactuar com cortes nos direitos dos trabalhadores e sugere também que o governo da AD quer fragilizar a Segurança Social para que possa privatizar a reavaliação do regime de reforma antecipada e o estudo de mecanismos de reforma parcial. Surgem numa altura em que o governo criou um grupo de trabalho para estudar medidas para a sustentabilidade da Segurança Social.

O antigo vice-presidente do Instituto da Segurança Social está contra a criação de mais uma equipa por parte do governo para estudar a reforma do setor.

Miguel Coelho diz mesmo que o sistema político vive com um excesso de grupos de trabalho, ainda para mais quando os problemas já estão identificados.

Não é uma questão de esquerda ou de direita, é uma questão técnica e importante para a sustentabilidade do sistema. E não só. Muitas vezes mistura-se aquilo que são a espuma dos dias políticos com aquilo que é estrutural e central para o desenvolvimento do sistema. Se nós retirarmos aqui alguma da politicazinha que é feita em torno desta matéria, nós poderíamos encontrar aqui soluções relativamente consensuais.

Posição de Miguel Coelho, antigo vice-presidente do Instituto de Segurança Social, esta tarde aqui na Rádio Observador, no programa Direto Assuntos, já disponível também em podcast.

Está a ouvir a Rádio Observador e Miguel, ainda temos tempo para outras notícias neste jornal.

Desporto. Futebol. 19ª jornada, encerramento desta jornada. Está em andamento o AVS Gil Vicente. Está mesmo a chegar ao fim. O AVS está a vencer por 1 x 0. Gol já na segunda parte, aos 55 minutos, de Jorge Mercado. Vai valendo esse golo, esta vantagem do AVS frente ao Gil Vicente. Para fechar, assinalam-se hoje os 80 anos da libertação de Auschwitz. A esse propósito, falamos de uma das figuras do Holocausto, neste caso, como vítima, Anne Frank, um dos símbolos da Segunda Guerra Mundial. Já leste o diário de Anne Frank?

Li quando era muito miúda e sinto que devia ler outra vez, porque acho que agora a interpretação e a sensibilidade é outra.

É sempre bom voltar a ler, é um grande livro. E alguma vez foste à casa de Anne Frank?

Isso é que não.

Em Amesterdão. Há a casa de Anne Frank em Amesterdão, mas é possível visitá-la agora também, uma recriação à escala real desse esconderijo, mas em Nova York. Chama-se Anne Frank: The Exhibition, foi inaugurada hoje.

Hoje, em Nova York.

Sim, em Nova York.

E quanto é que custa os bilhetes, sabes?

Os preços variam consoante a idade. Há também alguns packs que acabam por ter descontos. Ainda assim, para um adulto, o preço é de $21, pouco mais de €20. Isto durante a semana, em dias úteis. Ao sábado está fechado, aos domingos o preço é ligeiramente superior, $27. Mas é uma recriação da casa de Anne Frank em Nova York, também para assinalar os 80 anos da libertação de Auschwitz e para recordar, claro, o Holocausto, que é importante nunca esquecer.

Sim, claro. Eu estava aqui a pensar no preço dos bilhetes que estavas a falar. Ok, é um pouco mais caro que o livro, mas ainda assim eu acho que quem for a Nova York ou Amesterdão, como estavas a dizer, é obrigatória uma visita, não é?

Sim, e para quem for à casa, não dispensa a leitura do livro.

Exatamente. Uma coisa não invalida a outra. Miguel, muito obrigada. Terminamos assim o jornal das 10 na Rádio Observador, uma edição do Miguel Cordeiro.