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Portugal. São 23h, começamos este jornal numa edição da jornalista Laura Figueiredo. Começamos com o frente a frente entre Chega e Livre. Laura, André Ventura diz que Rui Tavares quer um Serviço Nacional de Saúde tipo bar aberto.

A acusação foi feita esta noite num debate entre o líder do Chega e do Livre na RTP3. André Ventura diz que o Chega considera que só deve beneficiar do SNS quem tem cinco anos de descontos.

O caso das gêmeas é um exemplo de quem se torna português, vem pra Portugal, saca €4 milhões em tratamento que hoje muitos portugueses não têm. Aliás, a maior parte não tem. Só que o Rui Tavares, o António Costa, que agora está na Europa, a Mariana Mortágua e o Paulo Raimundo defendem um sistema. O Rui Tavares, a diferença é esta: quer um Serviço Nacional de Saúde que seja bar aberto, independentemente se tenham contribuído ou não. Nós exigimos que quem venha pra cá tratar-se tenha que ter pago alguma coisa ao serviço de saúde português. O Livre não concorda com isso.

Em resposta a André Ventura, Rui Tavares diz que seria uma enorme injustiça vedar o acesso dos imigrantes ao SNS. O líder do Livre alerta ainda pra concorrência desleal entre o setor público e privado no setor da saúde.

Nesta situação de concorrência, na prática que exista, o Serviço Nacional de Saúde está a lutar com uma venda nos olhos e a mão atada atrás das costas. Por quê? Os privados sabem tudo sobre o Serviço Nacional de Saúde, porque há transparência e assim deve ser. Sabem quantos procedimentos, quantas camas, vimos isso durante a pandemia. Os privados muitas vezes escondem os custos, as folhas salariais, o que significa quando dizemos que se deve investir mais em saúde, que se deve pagar mais a médicos, a enfermeiros, a outros profissionais de saúde, nós não sabemos até quando é o limite, porque é fácil a um ator privado, que sabe tudo sobre o SNS, arrebentar com o sistema e depois, quando já tiver arrebentado com ele, reprimir os salários depois daqueles que tiver contratado.

Rui Tavares esta noite na RTP3, num frente a frente com André Ventura.

E Laura, no outro frente a frente desta noite, entre Pedro Nuno Santos e Mariana Mortágua, o Bloco de Esquerda acusou o PS de abdicar de um princípio de esquerda no tema da imigração. E o PS admite um consenso com a AD sobre este tema.

É um dos muitos pontos em que Mariana Mortágua e Pedro Nuno Santos divergem. A coordenadora do Bloco de Esquerda defende que quem chega a Portugal deve conseguir regularizar-se e atira as culpas ao PS pelos atuais atrasos nos processos da AIMA.

Porque não cedemos a um princípio básico. Quem está em Portugal deve poder regularizar-se e é assim que integramos as pessoas. E não cedemos a esse princípio. Nós falamos muito sobre princípios neste debate, sobre o princípio da esquerda, a forma como a esquerda resolve a crise da habitação, a forma como a esquerda redistribui riqueza, taxa as grandes fortunas. E este também é um princípio do qual não abdicamos.

E o PS está a trair a esquerda?

O PS está a abdicar desse princípio. Está a abdicar desse princípio em nome de um outro. A manifestação de interesse, que foi uma lei que o PS fez, está correta, que é dizer: quem está em Portugal tem que encontrar um mecanismo de regularização. Perguntam-me: funcionou bem? Não. A AIMA funcionou bem? Foi um desastre.

Ainda sobre a imigração, o líder socialista reforça que defende a imigração regulada. Pedro Nuno Santos deixa críticas à conferência de imprensa desta tarde dada por Leitão Amaro sobre os dados do relatório da AIMA e acusa o governo de propaganda política. Ainda assim, o PS não descarta um consenso com a AD sobre esta matéria.

Antes de mais, fazer um parêntese a propósito deste tema, porque hoje assistimos mais uma vez o governo a ultrapassar a linha daquilo que é aceitável na República, a um governo de gestão. Portanto, hoje assistimos a uma ação de propaganda despudorada, a mais uma, que serviu não só de propaganda e de ataque ao governo anterior do Partido Socialista, numa matéria onde é possível construir-se consensos. Até porque, no plano de ação do atual governo, muitas das linhas deste plano de ação são de continuidade com aquilo que o governo anterior vinha fazendo. Eu próprio, mais recentemente, assumi posições e apresentamos propostas que vão também em linha com algumas das preocupações do governo da AD.

Declarações de Pedro Nuno Santos no debate desta noite transmitido pela SIC Notícias. Quanto à habitação, o líder do PS diz ser contra colocar tetos às rendas e defende que a proposta do Bloco de Esquerda soa bem no papel, mas que apresenta problemas quando for colocada em prática. Já Mariana Mortágua defende o controle das rendas e acusa Pedro Nuno Santos de dizer que os princípios da esquerda são impossíveis. Imigração e habitação entre os temas mais aceses deste debate entre Bloco e PS.

Na análise ao debate entre Pedro Nuno Santos e Mariana Mortágua, a jornalista de política do Observador, Mariana Lima Cunha, diz que ambos os candidatos foram eficazes nas intervenções.

Ainda assim, a jornalista de política do Observador destaca a apostação de Pedro Nuno Santos e diz, Mariana Lima Cunha, que o secretário-geral do PS assumiu um papel moderado durante o debate.

Estarão sido relativamente eficazes, talvez Pedro Nuno Santos um bocadinho mais, porque ele assumiu claramente um papel moderado neste debate, que sabia que era contra um partido, o Bloco de Esquerda, com o qual até pode querer aliar-se caso vença as eleições e caso consiga formar um governo. Mas neste caso, o que interessava mesmo era ir buscar votos ao centro, não propriamente competir diretamente com Mariana Mortágua, mas apenas chamar os eleitores de esquerda um bocadinho mais pro centro e pra soluções práticas com o governo do PS, e foi isso que fez. E Mariana Mortágua falou mais àquele que será tendencialmente o seu eleitorado base.

As tarifas impostas por Donald Trump foi outro dos temas abordados no debate. A líder do Bloco de Esquerda diz que tanto o Bloco como o PS têm mais a dizer do que o primeiro-ministro Luís Montenegro. Ora Mariana Lima Cunha, jornalista de política do Observador, afirma que apesar de os partidos concordarem nesta matéria, os dois já estiveram mais unidos.

Já houve momentos em que acho que essa aproximação até era mais visível ainda, quando ambos estavam a trabalhar de forma mais clara para que houvesse uma maioria à esquerda e, portanto, para que houvesse pelo menos uma noção de relativa sintonia entre os partidos, para que os seus pensares eleitores soubessem que eles se entenderiam no futuro. No caso deste debate, penso que isso não foi tão óbvio, porque fora esses momentos, houve sobretudo momentos em que tentaram distanciar-se e distinguir-se um do outro, um bocadinho para que o eleitorado faça a distinção entre o que é votar no Bloco de Esquerda e o que é votar no Pedro Nuno Santos, algo que era tão associado a políticas mais à esquerda até dentro do PS.

Mariana Lima Cunha, jornalista de política do Observador, a destacar a necessidade que ambos os partidos tiveram durante o debate de se distanciarem um do outro.

E na conferência de imprensa desta tarde, criticada por Pedro Nuno Santos, o governo responsabilizou o PS pelo aumento descontrolado de imigrantes e avisa que acabou o facilitismo na imigração em Portugal.

É a garantia deixada por Leitão Amaro na conferência de imprensa, na sequência da divulgação do relatório da Agência para a Integração, Migrações e Asilo. Este relatório revela que em Portugal o número de imigrantes quadriplicou em sete anos. Atualmente são mais de 1,5 milhões. Ora o ministro da Presidência atira culpas ao governo socialista e garante que com a AD acabaram as portas escancaradas.

Nós herdamos, resultou dos serviços públicos não responderem. Primeira resposta. Segunda parte da resposta: é verdade, as regras mudaram, a política de imigração mudou. Hoje as regras são mais apertadas e o controle é mais efetivo. E, portanto, nós herdamos um grande estrangulamento na capacidade de resposta do Estado, que não está ultrapassada, mas termos conseguido multiplicar por sete o atendimento do Estado já foi um grande resultado. É verdade que herdamos esse estrangulamento e algumas dessas pessoas se podem manifestar por causa disso e nós compreendemos e estamos a fazer tudo para dar respostas mais rápidas. Mas algumas dessas outras pessoas estão a reclamar porque queriam regras mais facilitistas. Este governo não é facilitista. Acabou o facilitismo na imigração em Portugal.

Mesmo com o governo em gestão, o ministro da Presidência avança com medidas como a criação de uma polícia de fronteiras com a PSP e ainda a construção de dois centros de detenção temporária para imigrantes ilegais. O governo acredita que a atual Lei da Nacionalidade tem efeito chamada e que há abusos dos atestados de residência.

Mudamos agora de tema neste jornal. Os Estados Unidos vão mesmo avançar com uma tarifa adicional de 50% contra a China. Uma tarifa que entra em vigor, Laura, já amanhã.

Às taxas iniciais de 20% e às adicionais de 34%, soma-se uma nova tarifa de 50% e assim as importações de produtos chineses passam a estar sujeitos a tarifas de 104%. A informação foi avançada pela porta-voz da Casa Branca, Caroline Leavitt. A decisão surge como resposta ao fato de Pequim não ter suspendido, dentro do prazo estabelecido por Donald Trump, as tarifas de retaliação sobre produtos norte-americanos. Este anúncio da tarifa adicional foi conhecido já depois do encerramento das praças europeias, que fecharam hoje com sinais de recuperação. Por exemplo, a Bolsa de Lisboa subiu 2,8%. É mesmo o melhor desempenho desde abril do ano passado. Já a construtora Mota-Engil recuperou 8%. EDP Renováveis valorizou perto de 5% e o BCP perto de 4%.

Laura, tempo ainda para atualizar a informação de âmbito local.

Começamos em Sintra. O Parque Nacional da Pena reabriu hoje, depois de ter estado encerrado por causa da Depressão Martinho. Apesar da reabertura, ainda algumas áreas que permanecem interditas. De acordo com a empresa Parques de Sintra, a passagem da Depressão Martinho derrubou mais de 300 árvores. Em Alcobaça, a primeira edição do Alcobaça Inspira: Arte, Literatura e Paixão atraiu 11 mil espectadores. O festival decorreu de 24 de março a 6 de abril. Foi dedicado ao tema dos 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões. Em Almada, o projeto Cardal Eco Living Lab venceu um concurso de ideias sobre ação climática. O projeto tem como objetivo criar soluções para adaptar a cidade às alterações climáticas e ainda melhorar o Parque Urbano do Furões, na Caparica. A Câmara Municipal de Santa Maria da Feira aprovou a abertura do concurso público para a requalificação urbana do Largo do Eleito Local, em Escapães. Um investimento superior a 945 mil euros. Prevê-se a redefinição do jardim, a criação de zonas de estar e também de percursos pedonais. O Porto vai ter mais três ruas pedonais no centro histórico. Vão fazer parte da intervenção as ruas de Santa Teresa, a Rua da Fábrica e também a Rua Cândido dos Reis. As obras de requalificação estendem-se até ao final de maio. Leiria vai receber no próximo dia 14 de abril uma iniciativa para debater o futuro econômico do Conselho. O debate "Quem lidera hoje, transforma amanhã" vai acontecer no Teatro José Lúcio da Silva pelas 14h. No evento vai participar o Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, e também Paulo Portas. A entrada é gratuita, mediante inscrição.

Ficamos por aqui neste Jornal das 11, na sua Rádio Observador. Um jornal com edição da jornalista Laura Figueiredo.