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Duas horas. As notícias com Beatriz Félix. Boa noite. Duas da manhã, é tempo de atualizar a informação. O antigo ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, reconhece que o governo podia ter comunicado melhor com os portugueses, mas recusa a ideia de uma crise mal gerida por parte do Executivo. Depois de Pedro Nuno Santos ter acusado o governo da AD de voltar a não conseguir lidar com o momento de crise, o antigo ministro socialista não concorda. Ouvido pela Rádio Observador, Adalberto Campos Fernandes refere ainda que o contexto político que se vive no país prejudica a forma como os partidos olham para o apagão desta segunda-feira.

O pior que pode acontecer a uma crise é acontecer em ambiente de pré-campanha eleitoral, porque os dirigentes políticos perdem um bocadinho aquilo a que deveriam estar mais obrigados, que são os nervos de aço. Aqui e ali, o governo podia ter feito uma comunicação mais regular, mais tranquilizadora, que podia ter pedido às operadoras que não suspendessem as comunicações aos dados móveis. Outra coisa é chegarmos ao extremo de dizer que foi tudo malfeito. Não foi, e felizmente.

Do outro lado, o deputado do PSD, Duarte Pacheco, reconhece que falta uma mensagem de tranquilidade para os portugueses. Ainda assim, levanta dúvidas quanto à capacidade de os cidadãos receberem a mensagem numa altura em que as operadoras estavam embaixo.

Todos nós estávamos numa situação de escuridão, precisamente uma das crises mais amplas da palavra, com receio, sem saber o que estava a passar e precisávamos de uma mensagem de segurança, que nos acalmasse, que tranquilizasse. Mas eu agora já vou ser muito franco. Eu não sei se essa mensagem acontecesse. Uma coisa é aquilo que a pessoa sente como cidadão, mas essa mensagem acontecesse, se ela chegava ao destinatário.

Adalberto Campos Fernandes e Duarte Pacheco em debate no Explicador da tarde desta terça-feira, na Rádio Observador. Os dois concordam que o Presidente da República esteve bem na forma como se colocou um pouco à parte da situação. E o governo nega as acusações de má gestão da crise energética. Miguel Pinto Luz, o ministro das Infraestruturas, considera que o governo comunicou com o país no tempo certo. Defende que o governo foi eficaz a restabelecer a energia e salienta ainda que Portugal recuperou mais rapidamente do que Espanha.

Nós fizemos a reposição em 12 horas. Repito, Espanha não o conseguiu. Eu quero dizer aqui aos portugueses que Espanha não conseguiu, tendo apoio de França, que nós não tivemos, naturalmente, e apoio de Marrocos. Espanha teve o apoio de duas redes que serviram de redundância e Portugal não o teve. De forma autónoma, em menos de 12 horas, garantiu que o país estava novamente a funcionar. Respondemos melhor do que todos os outros e portanto, houve um comando, um comando claro do seu primeiro-ministro, e portanto, as coisas aconteceram. E é isso que eu quero dizer aos portugueses hoje, em nome do governo, um profundo agradecimento por essa serenidade e por esse enorme espírito de cidadania que demonstraram.

Declarações de Miguel Pinto Luz esta noite em entrevista à TVI. O ministro deixou ainda críticas ao SIRESP, que diz que objetivamente não funciona. Já o ministro da Presidência reconhece que a comunicação do governo em momentos de crise tem de ser reavaliada para situações futuras, mas garante que nunca houve silêncio. Esta noite, em entrevista à SIC, António Leitão Amaro admite falhas na rapidez e eficácia da comunicação com o país durante o apagão desta segunda-feira. E aponta que existem aspetos a melhorar no futuro, nomeadamente no que diz respeito ao funcionamento do SIRESP. Ainda assim, o ministro assegura que o governo não ficou em silêncio.

Começámos pela rádio, as televisões, as redes sociais e a Autoridade Nacional de Proteção Civil utilizou o SMS. Dir-me-á: nós temos que, para o futuro, avaliar a rapidez e a eficácia de todos estes meios? Sim. Agora, há uma coisa que eu também lhe digo. Se nós hoje, enquanto país, estamos sobretudo focados a discutir a dimensão da comunicação, é porque a dimensão da resposta operacional e da continuidade dos serviços foi assegurada. Isso, devo lhe dizer, eu acho que é uma resposta espantosa da parte do país, dos trabalhadores, do civismo da população, das forças de segurança, que nós tínhamos conseguido. Os hospitais continuassem a funcionar, todos os serviços críticos continuassem a funcionar.

O ministro António Leitão Amaro classificou ainda como espantosa a resposta do país ao apagão que atingiu Portugal e Espanha. E para esta quarta-feira está marcado o debate de urgência no Parlamento, a pedido do PCP, sobre as causas da quebra do fornecimento de eletricidade. PSD e CDS opuseram-se ao debate, que vai acontecer a partir das 15h na Assembleia da República. É uma decisão saída da conferência de líderes que decorreu esta terça-feira. Nos Passos Perdidos, no Parlamento, os partidos reagiram à reunião da tarde desta terça-feira. O PCP, pela voz de Paulo Santos, contraria o secretário-geral do PS, que considera não ser essencial que o Estado detenha a REN ou a EDP e cola o PS à direita. O Chega, pela deputada Rita Matias, critica a dependência energética face à União Europeia e pede mais autonomia. Um pedido que também é feito à esquerda. Fabian Figueiredo, do Bloco, diz que este é um assunto de Estado que deve merecer reflexão. Já a Iniciativa Liberal, pela voz de Mariana Leitão, deixa críticas à comunicação do governo. O Livre, que de manhã defendeu a criação de uma comissão parlamentar de inquérito, quer também rapidez na criação da comissão técnica independente. A Proteção Civil só validou a adoção de medidas extraordinárias ao fim de quase nove horas. De acordo com o documento interno do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Grande Lisboa, a que o Observador teve acesso, o nível de alerta da Proteção Civil só subiu para a categoria laranja às 20h de segunda-feira, quase nove horas depois de ter começado o apagão. Na mesma nota, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil salienta que o apagão poderia comprometer o funcionamento de vários serviços absolutamente essenciais. No entanto, a informação apenas começou a ser transmitida internamente às 21h, quando a eletricidade já tinha regressado em alguns pontos do país. A nota interna destacava igualmente que os cidadãos tinham o dever de colaborar ativamente perante quaisquer ordens. Está parada a troca comercial de energia entre Portugal e Espanha. A REN diz que o intercâmbio comercial de energia da Península Ibérica não está a funcionar por precaução após o apagão desta segunda-feira. O administrador executivo da REN diz que é necessário garantir a estabilização completa do sistema para conseguir o normal funcionamento dos mercados grossistas. Para isso, as interligações entre os sistemas português e espanhol estão operacionais, mas para já deixa de haver troca comercial de energia. João Faria Conceição acrescenta ainda que o apagão que ocorreu esta segunda-feira foi absolutamente extraordinário, mas acredita que não há risco zero de a situação se voltar a repetir. E olhamos para as causas do apagão que afetou a Península Ibérica esta segunda-feira. Um choque de frequência elétrica fez a rede colapsar e arrastou o sistema da Península Ibérica em poucos minutos. O Observador falou com especialistas para tentar compreender as origens do corte de energia, a responsabilidade da dependência portuguesa à eletricidade de Espanha e o que fazer se o incidente se repetir. O ex-secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, afirma não ter dúvidas de que na origem do apagão está um problema na rede. Em cinco minutos afetou todo o sistema ibérico devido à instabilidade entre o nível de tensão, que se manteve igual, e de frequência, que destabilizou, arrastando a energia. Todos garantem que as centrais de carvão não teriam feito diferença durante o apagão. Este é um artigo assinado pela jornalista Ana Suspiro e que a esta hora faz manchete e pode ler com mais detalhe no site do Observador. A associação ambientalista Zero considera que não faz sentido pensar no regresso às centrais de carvão. Depois do apagão ter deixado Portugal e Espanha sem eletricidade durante várias horas, o presidente da Zero, Francisco Ferreira, defende que a solução são as energias renováveis e as interligações. Em entrevista à Rádio Observador, Francisco Ferreira indica que as centrais de carvão não dão capacidade de resposta e que há alternativas.

No que respeita à resposta a uma crise destas, uma central a carvão não é nada fácil de gerir em comparação com outra central a gás natural, como é o caso da Tapada do Ateiro, ou então como seja a barragem de Castelo do Bode. Nós temos várias barragens disponíveis para fazer essa disponibilização imediata de energia.

Declarações de Francisco Ferreira, que recorda também que Portugal já esteve dias seguidos abastecido por 100% de energias renováveis e sem qualquer transtorno. O presidente da Zero diz que a resposta do governo foi adequada, mas sublinha que é urgente definir medidas a implementar para aumentar a resiliência energética do país.

Do ponto de vista da reativação da rede, foram seguidos os procedimentos que estavam estabelecidos em planos de contingência, mas concluímos claramente que é preciso uma atualização de centrais que terão capacidade para lançarem o reinício da rede.

Francisco Ferreira salienta ainda que tem que ser delineado de forma transparente o custo das melhorias na rede de energia para os consumidores. E na atualidade internacional, Volodymyr Zelensky acredita que o apagão vivido em Portugal deve ter uma resposta conjunta. Numa reunião de países da Europa de Leste, o presidente ucraniano revela que falou com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, sobre uma possível assistência. Zelensky acrescenta ainda que os especialistas ucranianos têm uma experiência única na proteção e restauração de fontes de energia, devido à situação de guerra no país. E fechamos com o regresso do mau tempo. Esta quarta-feira, 13 distritos de Portugal continental vão estar sob aviso amarelo. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera decidiu colocar 13 distritos sob aviso amarelo face às previsões de chuva forte, com a possibilidade de trovoada. O alerta entre as 06:00 e o 12:00 é válido para os distritos de Évora, Beja e Portalegre. Já Viseu, Guarda, Castelo Branco, Aveiro e Coimbra vão estar sob aviso entre as 09:00 e as 15:00. O alerta de chuva do IPMA para Bragança, Porto, Vila Real, Viana do Castelo e Braga deverá estar em vigor entre o 12:00 e as 18:00 desta quarta-feira. A informação fica por aqui, mas regressa daqui a pouco, às 14:30, com a síntese.