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Duas horas. As notícias com João Lourenço.
Muito boa noite. Atenções centradas nas próximas horas para a baixa de Coimbra. Nove mil pessoas podem ser retiradas ainda durante esta madrugada devido às cheias. Toda esta zona da cidade conimbricense está sob alerta, o que adiantou a autarca Ana Abrunhosa, que fez esta noite um ponto de situação. O risco de novas cheias, Luís Soares, está iminente.
Temos uma cheia centenária para Coimbra. O alerta foi deixado pela presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa. Isto porque a barragem da Aguieira está no limite, vai passar a debitar toda a água que recebe. Para além disso, está a chover muito nessa zona e também já foi atingido e ultrapassado, em muito, o limite no açude de Ponte. Por isso mesmo, também a baixa de Coimbra vai poder ter problemas, se tudo isso se confirmar, porque as ribeiras também começam a subir. Ana Abrunhosa deu conta das zonas mais complicadas, se isso se confirmar.
A zona ribeirinha de Torres do Mondego, a zona ribeirinha do Ceira, Conraria e Vendas de Ceira, a zona da Portela do Mondego, a Quinta da Portela, o Parque Verde, Rebolinhos, que já estão, o Rossio, Santa Clara, a baixa, também já disse, de direita e esquerda, a ribeira de Cuselas e a ribeira de Eiras, a ribeira de Fornos, a ribeira dos Covões, a ribeira dos Casais.
O pico das cheias está previsto para esta sexta-feira às 15h, mas logo a partir das 08h, 09h, pode haver esse apelo para que mais pessoas sejam retiradas de casa, cerca de 9 mil pessoas, para além das cerca de 3 mil que já foram retiradas nos últimos dias e, por isso, Ana Abrunhosa deixa o apelo.
O que pedimos às pessoas é que hoje ponham a salvo animais, os seus bens. A probabilidade de amanhã, às 08h, 09h, nós termos os nossos presidentes de junta, que têm feito um trabalho extraordinário, estarem a avisar as pessoas que devem sair de casa, a GNR, a PSP. Portanto, o que pedimos às pessoas é que estejam atentas às comunicações que nós vamos enviar da Proteção Civil e das autoridades, vão receber nos telemóveis, mas, por favor, aceitem e sigam as orientações das autoridades.
Para já, este é apenas um cenário, o pior cenário possível, que vai continuar a ser avaliado ao longo das próximas horas. Logo pela manhã haverá essa comunicação, se haverá ou não necessidade de retirar mais pessoas de casa.
É um trabalho do jornalista Luís Soares, que se encontra a acompanhar estes novos desenvolvimentos devido às possíveis cheias, ou, neste caso, o alargamento das cheias do rio Mondego, mais zonas, neste caso, da cidade de Coimbra. Essa atenção e essa alerta, que ao início das primeiras horas da manhã pode haver essa necessidade de evacuar a baixa da cidade de Coimbra. As escolas desta cidade conimbricense vão estar encerradas esta sexta-feira. As instalações da Universidade de Coimbra vão estar também encerradas e, há momentos, a Associação Académica de Coimbra também já adiantou que o edifício sede da AC vai estar totalmente encerrado. Também a Grande Lisboa e a Península de Setúbal estão sob aviso durante as próximas horas. Prevê-se essa chuva intensa, que já se faz sentir, e também nevoeiro. O risco de cheias é elevado, é o alerta que deixa Mário Silvestre, comandante nacional da Proteção Civil.
Os efeitos expectáveis são cheias em cursos d'água. Neste momento, com o fenómeno previsto para a zona da Grande Lisboa e Península de Setúbal, o impacto será, sobretudo, de cheias rápidas e, portanto, a precipitação poderá causar cheias rápidas e o comportamento, todos nós já sabemos, com inundação, por exemplo, de garagens e outros espaços que fiquem abaixo da conta.
Atenções centradas para as bacias do rio Sado e do rio Tejo. Ainda assim, há outros locais que estão a preocupar a Proteção Civil.
Com risco de inundação: o rio Minho, o Cora, o Lima, o Cávado, o Ave, o Douro, o Tâmega, o Sousa, o Lis, o Nabão e o Guadiana. Estes rios normalmente têm subidas bastante rápidas e, portanto, é preciso estarmos alerta, evitando com isto o risco de podermos ter problemas referentes a estas inundações.
Recomendações de Mário Silvestre a alertar ainda para a possibilidade de deslizamentos de terra. É um apelo à população que mantém-se e a Proteção Civil pede que sejam evitados comportamentos de risco. Também o vereador da Proteção Civil de Lisboa, Rodrigo Melo Gonçalves, deixa recomendações à população. As pessoas devem restringir-se às tarefas básicas nas próximas horas.
Evitar deslocações desnecessárias, evitar também zonas em que tradicionalmente ocorrem esses episódios de cheias rápidas. Convidar também aqueles que circulam nas vias a circular com precaução redobrada, devido à chuva e ao vento.
A Câmara Municipal de Lisboa garante que o sistema de monitorização está totalmente operacional. O vereador da Proteção Civil explica o trabalho de prevenção que tem sido feito.
Tem, sobretudo, a ver com a limpeza de sarjetas e sumidouros. Aqui também com as equipas das diferentes juntas de freguesia, que são essenciais para que a água possa ir escoando e evitar essa situação de cheias rápidas, quando as sarjetas estão entupidas com folhas ou com lixo e, portanto, havendo esse trabalho todo de prevenção que tem sido feito desde que estas intempéries começaram, o risco de cheias rápidas reduz substancialmente.
O vereador da Proteção Civil, Rodrigo Melo Gonçalves, entrevista à tarde política da Rádio Observador. E o Presidente da República teme que o país volte ao déficit, alerta para custos elevados de recuperação do país, na sequência das sucessivas tempestades. Uma recuperação que vai ser longa e difícil para as autarquias e para o governo, é o que acredita Marcelo Rebelo de Sousa.
As tais infraestruturas importantes para a circulação, as pontes que caíram. Tudo isso somado exige não só mais dinheiro, mas mais tempo. Vai ser, como eu dizia ontem, praticamente a vida de muitos autarcas e uma parte importante da vida do governo, nos próximos três anos ou quatro.
O Presidente da República mostra-se satisfeito com a decisão do Primeiro-Ministro. Vem aí um plano de recuperação e resiliência, especialmente dedicado à reconstrução do país. Luís Montenegro ordenou que todos os ministérios comecem a desenvolver propostas para este plano. Marcelo Rebelo de Sousa já tinha alertado várias vezes para a dimensão do problema e para a necessidade de muito dinheiro para a reconstrução. Agora deixou elogio dado pelo governo e realça que os ministérios vão ter de trabalhar em conjunto.
E bem que foi pedido, porque isto é uma questão interministerial, quer dizer, cobre todos os setores. Não é só administração interna, é economia, é finanças, é assuntos sociais, é a participação da defesa nacional, é consequências no domínio educativo. Tudo isso passa por vários ministérios e o primeiro-ministro, permanentemente, em presença do Conselho de Ministros, a fazer uma coordenação e a pedir aos vários ministérios elementos para um programa que possa cobrir tudo.
O elogio do Presidente da República. Este plano para a reconstrução do país já tem o nome. Quem o anuncia é o primeiro-ministro Luís Montenegro.
Nós teremos um PTRR, um Programa de Recuperação e Resiliência português, exclusivamente português, para podermos sair desta sucessão de intempéries mais fortes, mais resilientes, recuperados socialmente, recuperados do ponto de vista da dinâmica económica.
Também em Conselho de Ministros foi aprovado o aumento do montante global da linha de crédito para as empresas. Passa de 500 a 1000 milhões de euros. E afinal, os trabalhadores afetados pelo mau tempo que estejam em lay-off vão receber menos do que se pensava. Vão apenas receber dois terços do salário, em vez de 100%. No esclarecimento, o governo explica que o pagamento pelo Estado vai ser de 80% e apenas dura dois meses. Depois disso, aplica-se o que está na lei, ou seja, 70% pagos pelo Estado e 20% pela entidade empregadora. E ainda nas consequências do abatimento do piso na ponte da A1 sobre o Rio Mondego, a TAP está a reforçar os voos entre Lisboa e Porto. De acordo com a Agência Lusa, mais sete voos da transportadora aérea por semana e o aumento da capacidade em alguns horários. Quanto aos autocarros, a Rede Expressos esclarece que as viagens entre Lisboa e Porto estão garantidas por vias alternativas. Apesar do corte da A1, a Brisa ainda não tem um prazo para reabrir a Autoestrada do Norte. Portugal é o segundo Estado-membro da União Europeia com mais confiança na capacidade do bloco para proteger os cidadãos. Este dado consta de um eurobarómetro divulgado nesta quinta-feira, que visa perceber os cidadãos europeus quanto à ação da União Europeia nos setores da defesa e do espaço. Segundo o relatório, cerca de 74% dos inquiridos portugueses dizem confiar na capacidade da União Europeia reforçar a segurança e a defesa do espaço europeu. Tudo dito neste noticiário das 14h. Informação na Rádio Observador regressa às 14h30.