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São duas horas. Boa noite, meu nome é Rita Lourenço, vamos às notícias. O governo deu o dito por não dito, o Ministério da Justiça contradiz mesmo Luís Neves. Os € 144 mil apontados como custo pra destruir os bidões com químicos não diziam respeito apenas às operações Pacoba, incluíam também produtos apreendidos no âmbito de outros processos. Em resposta ao partido Chega, o ministério de Rita Alarcão Judice afirmou que o valor pedido à Polícia Judiciária para destruir os bidões era de cerca de € 150 mil, precisamente o montante apresentado pelo atual ministro da Administração Interna e antigo diretor nacional da PJ em conferência de imprensa. Agora, ao Observador, fonte do gabinete da Ministra da Justiça esclarece que esse valor orçamentado pela imprensa Ambimed, na verdade, engloba vários processos e não apenas os 62 bidões apreendidos na Operação Pacoba. O Observador questionou ainda o Ministério da Justiça sobre quantos bidões estavam, afinal, incluídos na proposta e a quantos processos correspondia o valor apresentado. No entanto, a tutela não conseguiu clarificar essas informações. E é já na próxima terça-feira que a moção de censura sobre o governo é discutida no Parlamento, uma decisão dos partidos para resolverem o caso o mais rapidamente possível. O presidente da Assembleia da República tinha proposto inicialmente os dias 10 ou 17 de setembro pra esta votação, mas o dia 8 de setembro acabou por ser a data decidida esta quinta-feira em conferência de líderes. No final da reunião, o deputado do PSD, Francisco Figueira, o porta-voz desta conferência de líderes, falou aos jornalistas e afirma que a escolha da data foi consensual.
Foi também consensual que deveria resolver-se esta questão o mais rápido possível, razão pela qual consensualizou-se antecipar até e de alguma forma encurtar os prazos para o limite que o regimento e a Constituição permite, de forma que o país não possa estar durante demasiado tempo à espera do debate da moção de censura.
O porta-voz da conferência de líderes, Francisco Figueira, do PSD, no final da reunião que definiu a data em que vai ser discutida e votada a moção de censura ao governo. Moção essa à qual a Iniciativa Liberal já confirmou que vai votar contra. É o que adianta a presidente do partido, Mariana Leitão, em entrevista à CNN Portugal. A líder dos liberais acusa o Chega de pretender criar uma nova crise política no país e sublinha que a resolução do caso Luís Neves é da responsabilidade do primeiro-ministro.
Nós não vamos, de todo, viabilizar esta moção de censura, vamos votar contra. Este problema, que é um problema concreto, real, para o qual nós andamos a alertar há bastante tempo, que é a permanência de Luís Neves como ministro da Administração Interna, só tem uma resolução, e essa resolução é o senhor primeiro-ministro, Luís Montenegro, demitir Luís Neves ou Luís Neves ter a hombridade dele próprio se demitir, sabendo perfeitamente que cada dia que passa que está no governo, está a contaminar o governo e está a contribuir para o degradar das instituições.
Mariana Leitão adianta também que há oposição interna dentro do Conselho de Ministros e também do PSD sobre a permanência de Luís Neves no cargo de Ministro da Administração Interna.
Tenho a certeza que inclusivamente, dentro do Conselho de Ministros, dentro do próprio PSD, há muitas pessoas que não compreendem não só como é que Luís Montenegro tomou a decisão de pôr Luís Neves como ministro, como também não compreendem como é que Luís Montenegro mantém, por teimosia ou por razões que só ele saberá, esta insistência em manter Luís Neves como ministro.
As declarações de Mariana Leitão, presidente da Iniciativa Liberal, em entrevista esta quinta-feira à CNN Portugal. Já André Ventura pede uma intervenção pública de António José Seguro no caso de Luís Neves. De férias em Porto Covo, o presidente da República disse esta quinta-feira que não enviava recados ao governo através de ninguém e considerou que ainda não era a altura de intervir sobre o tema. Ora, o líder do Chega discorda, afirma que o presidente da República é um dos mais interessados em resolver estas polémicas.
A melhor forma de não se dar recados por ninguém é intervir diretamente, é dizer o que se pensa, sem nenhum freio, sem nenhuma limitação, obviamente, com a ponderação do cargo que tem, pra que foi eleito. Certamente António José Seguro o fará, talvez até nos próximos dias. Não estou a dizer porque me tenha dito, mas não tenho dúvidas do que li, do que vi e da forma como interpreto as palavras de António José Seguro, não tenho dúvidas que neste momento António José Seguro era dos políticos em Portugal mais interessados em resolver este problema ou esta situação.
Em declarações nos Passos Perdidos do Parlamento, André Ventura exigiu ainda imparcialidade ao presidente da Assembleia da República sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão do Luís Neves enquanto diretor da Polícia Judiciária. Isto depois de Aguiar Branco ter identificado insuficiências e exigido uma reformulação do requerimento e dos fundamentos da comissão de inquérito. André Ventura considera que o presidente do Parlamento está apenas a criar obstáculos.
O presidente da Assembleia da República deve ter a equidistância e a capacidade de imparcialidade de compreender que não deve obstaculizar a uma comissão parlamentar de inquérito, mesmo que isso possa, eventualmente, chocar com interesses de natureza partidária que existem. O que eu espero é que o presidente da Assembleia da República não se arvore em bloqueio à transparência e à exigência de escrutínio que nós temos que exigir.
O líder do Chega pede, portanto, uma uniformização dos critérios de Aguiar Branco. Ainda assim, André Ventura mostra-se disponível para reformular o requerimento da Comissão Parlamentar de Inquérito a Luís Neves. No panorama internacional, o vice-presidente dos Estados Unidos da América, J. D. Vance, responsabiliza o Irão e a Europa pela subida dos preços dos combustíveis. Vance aponta culpas a Teerão por atacar navios comerciais no estreito de Ormuz, mas também à incapacidade dos aliados europeus.
A razão pela qual os preços dos combustíveis estão tão altos neste momento é porque os iranianos estão a atacar navios comerciais. Sim, os preços estão mais elevados nos Estados Unidos, mas estão muito piores em todo o resto do mundo. Isto deixa bem claro o ridículo enfraquecimento que temos visto entre os nossos aliados europeus e a incapacidade de fazerem realmente alguma coisa para ajudar a manter os mercados energéticos mundiais abastecidos.
O vice-presidente dos Estados Unidos da América, em conferência de imprensa na Casa Branca. J.D. Vance recusa voltar à mesa das negociações com Teerão até que os iranianos parem de atacar navios comerciais. O número dois de Donald Trump falou também sobre o acordo petrolífero com a Venezuela, diz que é um exemplo incrível de uma política externa inteligente e garante que o acordo é benéfico tanto para Washington como para Caracas. Já do outro lado da guerra, o ministro do Petróleo iraniano afirmou à agência de notícias dos estudantes iranianos que a indústria petrolífera do país continua a contornar o bloqueio imposto pelas forças norte-americanas. O ministro iraniano referiu ainda que as forças norte-americanas atacaram a ilha de Kharg mais de 550 vezes, esta ilha de onde o Irão exportava cerca de 90% do petróleo bruto do país antes da guerra. Estes ataques ocorreram durante os primeiros 40 dias do conflito. Afirma que, ainda assim, conseguiram dar a volta e que as exportações de petróleo do país nunca foram interrompidas. Apesar destas afirmações do ministro, três altos funcionários iranianos afirmaram à agência Reuters que as reservas de petróleo estavam em baixa e que a pressão económica está cada vez mais difícil de resistir. Esta foi a notícia de fecho neste jornal das 02h. O essencial da informação será atualizado às 14h30.