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Três horas. As notícias com Ana Cláudia Silva.
Boa noite. Começamos o Jornal das três da manhã. Na política, há novidades para a fase de especialidade do Orçamento do Estado. O Partido Socialista vai votar contra todas as autorizações legislativas. Uma posição assumida por Pedro Nuno Santos, em entrevista ao jornal "Negócios". O secretário-geral do Partido Socialista afirma que vai votar contra, por exemplo, as autorizações que alteram o regime de doença, mobilidade, greve e férias na função pública. Pedro Nuno Santos diz que este é um voto por uma questão de princípio e recusa passar um cheque em branco ao governo numa matéria que diz ser da competência do Parlamento, onde os partidos do Executivo estão em minoria. Sublinha que a matéria, que é da competência da Assembleia da República, tem que passar e ser decidida nesse mesmo local. A discussão do Orçamento do Estado, na especialidade, continua a ser debatida a partir desta terça-feira. O Bloco de Esquerda está dividido quanto à participação na sessão solene do 25 de novembro. A oposição interna do partido critica a participação nas comemorações. É uma farsa, pode ler-se num documento a que o Observador teve acesso, assinado pelos membros da Moção E, cujo porta-voz é Pedro Soares. Vários militantes do Bloco de Esquerda contestam a participação na sessão solene do 25 de novembro, apesar de o partido ter anunciado que vai enviar apenas um deputado. Em declarações à Rádio Observador, Pedro Soares considera que o partido está a ser alvo de uma ofensiva ideológica.
Aliás, nós temos manifestado isso internamente, que há, de facto, uma tentativa de adaptação do programa e da linha política do Bloco a esta ofensiva que está a ser feita. Como alguém já dizia, quanto mais nos encostarmos à direita, quanto mais nos encostarmos ao centro, mais vamos perdendo aquelas que são as nossas referências fundamentais e que estiveram na origem, na gênese do Bloco. Quando nos diluímos, quando fazemos perder as fronteiras dessas referências, eu acho que estamos a pôr em causa, de facto, a própria existência do Bloco.
São as críticas de Pedro Soares à Rádio Observador, ex-deputado do Bloco de Esquerda, que está contra a participação do partido nas comemorações do 25 de novembro. O Observador tentou contactar a direção do Bloco de Esquerda, que recusa comentar as críticas da oposição interna. Na atualidade nacional, a cerca de um mês de terminar o mandato, Gouveia e Melo não quer ser reconduzido como chefe do Estado-Maior da Armada e pode ter assim o caminho livre para Belém. Terá sido Luís Montenegro que pediu a Nuno Melo para aferir a disponibilidade do almirante para continuar à frente da Marinha. No entanto, de acordo com o que o Observador apurou junto de fonte conhecedora do processo, Gouveia e Melo já comunicou em definitivo ao ministro da Defesa a indisponibilidade para continuar no cargo. Informação que Nuno Melo já terá passado ao primeiro-ministro. Em declarações ao Observador, Gouveia e Melo não quis comentar e remeteu qualquer resposta oficial para o governo. Diz mesmo que o assunto já foi tratado com o Executivo há algum tempo. O Observador tentou também confirmar a informação junto do Ministério da Defesa, mas não obteve qualquer resposta. Gouveia e Melo está a terminar o mandato de dois anos como chefe do Estado-Maior da Armada. Quando deixar o cargo, o que acontece a 27 de dezembro, fica assim com todas as condições para, se o entender, entrar na corrida à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa. O facto de ter mostrado indisponibilidade para continuar por mais dois anos no cargo pode indiciar que está mesmo decidido a avançar para Belém em 2026. Numa manifestação contra os imigrantes no Porto, André Ventura afirma que a imigração cresceu 95% nos últimos dois anos. Foi um protesto convocado pelo Chega contra o que consideram ser a imigração descontrolada e insegurança. Mobilizou centenas de pessoas e no final, o líder do Chega discursou perante os manifestantes, mas para além da imigração, André Ventura também tocou em mais temas. Maria Rego.
Portugal! É nosso! Portugal! É nosso! Portugal!
Foi um discurso de mais de meia hora perante centenas de pessoas que, nos Aliados, no Porto, erguiam as bandeiras do Chega com orgulho. Mas antes das palavras sobre a imigração, houve primeiro um esclarecimento.
Isto não tem nada a ver com qualquer xenofobia. Isto é o puro amor ao país que os patriotas têm.
País de imigrantes, segundo o líder do Chega, mas imigrantes diferentes dos que vêm para Portugal.
Os nossos imigrantes foram construir outros mundos e hoje são os primeiros a dizer: "Já não há maneira, controlem a fronteira". Eles sabem que se cometerem crimes nesses países, são expulsos e afastados. Nós não. Nós deixamos toda a gente andar à solta por todo lado.
Ainda no tema da imigração, houve espaço no discurso de André Ventura para citar Donald Trump. O agora presidente dos Estados Unidos tinha indiciado, na altura da campanha para as presidenciais, que os imigrantes estariam a comer cães e gatos. Ora, o líder do Chega parece ter gostado da expressão.
Não podem nem comer gatos, nem cães, nem lagartos. Este país é nosso, aqui vive-se como nós dizemos, como nós queremos e como nós decidimos!
Sobre o Orçamento do Estado, também houve coisas a apontar por André Ventura. Explica que as prioridades do governo estão desalinhadas.
O Parlamento, que finge estar a discutir o Orçamento do Estado, que devia estar a controlar a imigração, está a preocupar-se com o aumento dos salários dos políticos. Está preocupado com o aumento dos salários dos políticos.
A manifestação do Chega contra a imigração descontrolada e insegurança nas ruas começou na Praça do Marquês de Pombal e terminou nos Aliados, num caminho marcado por vários cânticos, muitas bandeiras e muita escolta policial. Também no Porto aconteceu um outro protesto anti-imigração com o lema "Contra o fascismo, somos mais", convocado por quase 30 associações. Ainda que perto, as duas manifestações não se cruzaram.
A jornalista Maria Rego esteve a acompanhar a manifestação convocada pelo Chega este sábado no Porto. Centenas de pessoas aplaudiram André Ventura. Depois da polémica em volta no INEM, a ministra da Saúde afirma que, apesar de ter retirado a tutela da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde às secretárias de Estado, garante que mantém a confiança nas profissionais. Ana Paula Martins diz que a decisão de passar a ser responsável pela IGAS foi por considerar que a importância do organismo justifica essa posição.
Não houve nenhuma razão para chamar a IGAS a mim, a não ser o reconhecimento de que a IGAS tem uma tarefa absolutamente transversal a todo o sistema de saúde e o Serviço Nacional de Saúde, em particular, e nesse contexto, faz sentido que dependa da ministra da Saúde.
As declarações da ministra da Saúde, num registo captado pela SIC. A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde está a investigar a falta de respostas do INEM, que alegadamente poderá estar relacionada com as 11 mortes que aconteceram durante as greves na saúde. Ainda a ministra da Saúde promete que no próximo ano o concurso para médicos de família vai ter outros incentivos. Ana Paula Martins afirma que na primeira fase do último concurso foram ocupadas 28% das vagas e reconhece a dificuldade em contratar médicos para a especialidade de medicina geral e familiar, mas garante que o governo está a trabalhar noutro tipo de incentivos para esta especialidade.
No próximo ano, temos que pensar o que podemos fazer para, além daquilo que é a legislação aplicável, naturalmente, concursos públicos, o que podemos fazer para que estes jovens especialistas sintam que no SNS podem ter o seu projeto de vida e isso inclui matérias como ter um programa de formação destinado para os primeiros cinco anos, dar possibilidades de formação dentro do país e fora do país, obviamente, também possibilidades de remuneração associada ao desempenho.
No início do mês, Ana Paula Martins anunciou que o concurso para a contratação de médicos de medicina geral e familiar para o SNS ia voltar a ser nacional, ou seja, cada unidade local de saúde realiza os próprios concursos. Foram declarações da ministra da Saúde depois do Congresso da Ordem dos Médicos, onde também prometeu rever os estatutos da Ordem. Ana Paula Martins disse que a carreira médica deve ser revista e tornada mais flexível e moderna. A revisão do estatuto da Ordem era uma exigência dos médicos que não concordaram com a revisão que foi feita no ano passado. Na atualidade nacional, foi encontrado um segundo corpo na pensão que ardeu na passada quarta-feira no Porto. É uma informação confirmada pelos bombeiros sapadores do Porto. Os restos mortais foram encontrados nos escombros do edifício de três andares que ardeu esta semana e onde estavam instalados uma pensão e um restaurante. De acordo com as informações avançadas pelos bombeiros, ainda não foi possível determinar a identidade ou o sexo da vítima. Os trabalhos de busca e de remoção dos escombros vão continuar a decorrer com a ajuda de uma equipa sinotécnica. Recordo que esta sexta-feira já tinha sido encontrado um corpo de uma mulher nas ruínas da pensão. Ainda na atualidade nacional, morreu o realizador português José Barahona, aos 55 anos. O realizador e produtor tinha estreado em outubro o filme de ficção "Sobreviventes", que coescreveu com José Eduardo Agualusa. José Barahona morreu este sábado na casa onde vivia em Lisboa, uma informação avançada pela Agência Lusa. Vamos ainda à atualidade internacional. A COP29 terminou com acordo de financiamento climático de, pelo menos, 300 mil milhões de dólares para os países em desenvolvimento. Ao fim de duas noites de horas extraordinárias na Conferência das Nações Unidas sobre o clima, os países considerados pobres aceitaram o compromisso financeiro anual dos países desenvolvidos até 2035. Os países representados na conferência aprovaram este sábado em Baku, no Azerbaijão, o acordo que triplica o financiamento anual de 100 para 300 mil milhões de dólares. Em reação, a Associação Ambientalista Portuguesa Zero considera o acordo insuficiente e pouco ambicioso, tendo em conta as necessidades dos países em desenvolvimento. Em comunicado, a Zero lamenta ainda que as negociações tenham terminado num infeliz clima de controvérsia e apreensão. Pode ler-se ainda que pede aumento dos valores disponibilizados por Portugal para o clima. E terminamos este jornal às 03h no desporto. O Benfica goleou o Estrela da Amadora por 7x0, um hat-trick de Di María na primeira parte que deixou os encarnados com vantagem. Já na segunda metade do jogo, marcaram Amdouni, Arthur Coglu e Artur Cabral, que marcou dois gols frente ao Estrela da Amadora, que fica assim eliminado da próxima fase da Taça de Portugal. O treinador adjunto da Estrela da Amadora, Luís Silva, afirma que apesar da derrota, a equipa continua focada.
Não estivemos tão bem, não soubemos reagir a essa adversidade. O Benfica, por outro lado, motivado pelo público e tudo, conseguiu embalar para uma exibição destas. Se nós tivéssemos ganho, provavelmente estaríamos aqui a falar de demérito do Benfica, porque o Estrela não tinha capacidade e hoje também acho que não houve assim tanto mérito do Benfica. Houve mérito, seguramente, mas nós também cometemos muitos erros e olhámos muito para dentro, mas não é isso que nos vai desviar daquilo que é o nosso caminho e de continuar a crescer enquanto equipa. E é esta a avaliação que nós tiramos desta partida.
Já do lado do Benfica, Bruno Lage fala num jogo forte para a equipa das Águias.
Mais um jogo, mais uma boa exibição e era muito importante dar continuidade ao último jogo do campeonato e acho que este foi o desafio, foi desafio aceito pela equipa, dar continuidade ao jogo do campeonato e entrarmos melhor neste ciclo do que propriamente entrámos no outro.
Satisfeito com aquilo que fizemos. Acho que fizemos uma entrada muito forte, quer na primeira parte, quer na segunda. Tivemos sempre o controle do jogo, criamos imensas oportunidades e depois chegamos ao número sete, que até fica bem, que é a melhor homenagem que podíamos ter feito ao Mister Nené.
Aqui os técnicos do Estrela da Amadora e do Benfica, em riscos captados pela RTP. O Benfica fica assim apurado para a quinta eliminatória da Taça de Portugal. Este domingo é a vez do Futebol Clube do Porto entrar em campo. Vai até a Moreira de Cónegos defrontar o Moreirense. Na conferência de antevisão da partida, o técnico dos Dragões foi confrontado com a derrota frente ao Benfica por 4 x 1, no passado dia 10 de novembro. Vítor Bruno garante que, apesar da derrota ter tido impacto, diz estar seguro do caminho que a equipa deve seguir.
Obviamente que tem um impacto forte. Deixa sempre a mossa. É aquilo que eu digo da agonia, de resolvê-la no dia seguinte, no dia imediato. Neste caso, ela prolonga-se, obviamente, por mais tempo, mas é uma agonia enquanto sentimento, porque depois aquilo que é levado para a treino, a energia, as convicções, as crenças estão lá a partir do primeiro dia em que atacamos o treino após uma derrota que nos doeu. Aquilo que fizemos foi muito simples: identificar problemas do jogo do Benfica, procurar e buscar muitas soluções, sempre assentes naquilo que são as grandes e profundas convicções que temos aqui. E eu disso não vou desviar um milímetro daquilo que eu acredito ser o melhor para a equipa.
As declarações do treinador do Futebol Clube do Porto, Vítor Bruno, na antevisão do jogo frente ao Moreirense para a Taça de Portugal. A partida está marcada para as 17h deste domingo, no Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, e conta com relato e análise na Rádio Observador. É a notícia de fecho neste jornal da Rádio Observador. Voltamos a atualizar as notícias às 15h30. Até já.