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Quatro horas. As notícias com Carlos Pedro. Boa noite, Jornal das Quatro, na Rádio Observador. O PS vai aprovar o suplemento extraordinário das pensões, mas não garante o mesmo com a baixa do IRC. No final da apresentação da candidatura de João Paulo Correia à Câmara de Vila Nova de Gaia, José Luís Carneiro assegurou que vai votar favoravelmente a atribuição da pensão extraordinária aos pensionistas. Durante o debate do Estado da Nação, o secretário-geral socialista tinha dito que era uma medida utilitária, mas com caráter eleitoralista. No entanto, reforçou que o PS não podia ser contra uma medida que tem um relativo benefício para os pensionistas. Já sobre a redução do IRC, José Luís Carneiro diz que vai esperar que a proposta chegue ao Parlamento para decidir o voto. Ainda no tema das pensões, André Ventura acusa o governo de eleitoralismo rasca por deixar para setembro o pagamento do suplemento extraordinário. Com eleições autárquicas em outubro, o líder do Chega considera que o governo está a dar migalhas aos pensionistas para ganhar votos. Apesar das críticas, André Ventura garante que o Chega não vai apresentar obstáculos à viabilização da medida.

O Chega não vai inviabilizar nenhum aumento de pensões em Portugal, nem nenhum suplemento. Não vamos inviabilizar. Agora, nós temos que dizer a verdade. Um: é muito estranho um governo que tem eleições em outubro atribuir um suplemento extraordinário em setembro. Francamente, dá um ar de eleitoralismo rasca. Honestamente, nem sequer é de bom eleitoralismo, é um eleitoralismo rasca. Há umas eleições em outubro, dá-se umas migalhas em setembro. Parece aqueles países à moda da América do Sul, em que se dá qualquer coisa para as pessoas votarem neles. Não é positivo, não é uma boa lógica de fazermos. Segundo: nós temos um problema sério com pensões em Portugal. Nós temos mais de um milhão de pensões abaixo de € 500. Isto é um problema sério que não se resolve com aumentar €16 ou €12 por mês as pensões.

O Chega pediu esta sexta-feira uma audiência urgente a Belém, com o intuito de sensibilizar o Presidente da República para a importância de alterar a lei dos estrangeiros. André Ventura quer impedir que Marcelo Rebelo de Sousa seja um obstáculo ao controle da imigração em Portugal.

Nós queremos é sensibilizar o Presidente da República. Esta não foi a nossa lei, não seria a nossa lei, se calhar, também não seria a do PSD, foi a negociação possível no Parlamento, que tem esta configuração de maioria. Era importante que o Presidente da República não fosse um obstáculo ao controle de imigração e à segurança do país.

André Ventura, na Charneca da Caparica, em Almada, à margem da apresentação dos candidatos do Chega à Câmara Municipal de Setúbal. O Expresso avança que é provável que Marcelo Rebelo de Sousa envie as alterações à Lei dos Estrangeiros para o Tribunal Constitucional. O chefe de Estado vai receber uma comitiva do Chega no Palácio de Belém, na próxima terça-feira, dia 22. Afinal, houve acordo de princípio entre o governo e o Chega para alterar as leis da nacionalidade, uma confirmação dada pelo Ministro dos Assuntos Parlamentares no Explicador da Rádio Observador. Apesar de confirmar o entendimento com o Chega, Carlos Abreu Amorim explica que o Executivo dialogou com todas as forças políticas.

Houve um acordo de princípio sobre o chamado pacote da imigração, mas falamos com todos os partidos, designadamente com o Partido Socialista, que é aquele que tem feito, se me permite, uma série mais sonora de lamentos e queixumes sobre o fato de ter sido posto lado. Houve uma reação de princípio do Partido Socialista que foi desfavorável. O Partido Socialista não se decidiu.

O primeiro a falar sobre um princípio de acordo para alterar as leis da nacionalidade foi André Ventura. Na quinta-feira, Luís Montenegro garantiu, no debate do Estado da Nação, não saber ao que o líder do Chega se estava a referir. De qualquer maneira, Carlos Abreu Amorim rejeita que a AD esteja a ceder à agenda do partido de André Ventura, mas avisa que já não se pode ignorar o Chega.

Temos que dialogar com o Chega. Não o fazer, isso sim, é que seria, eventualmente, não respeitar as regras do jogo democrático. Agora, uma coisa é existirem conversações, outra coisa é existirem concessões, e nós não vamos fazer concessões no que respeita ao Estado de Direito.

E a AD não está a fazer concessões ao Chega no que toca à imigração?

Não.

Carlos Abreu Amorim, em entrevista ao Explicador da Rádio Observador, recusa que haja qualquer tipo de aliança no horizonte com André Ventura. O governo vai alargar o prazo para as empresas entregarem a declaração mensal de IVA do mês de maio. A submissão da declaração pode ser feita até terça-feira, dia 22 de julho. O prazo regular termina a 20 de julho, no domingo. O alargamento deve-se a problemas nos programas de contabilidade, confirmados pela Ordem dos Contabilistas. De acordo com o despacho assinado esta sexta-feira pela Secretária de Estado dos Assuntos Fiscais, Cláudia Reis Duarte, não há acréscimos ou penalidades. O Ministro da Defesa não consegue quantificar o retorno que o investimento no setor vai ter na economia portuguesa. O governo tem garantido que Portugal vai cumprir a meta do investimento na defesa de 2% do PIB já este ano, o que corresponde a mais de € 1 mil milhões. Recordo o que Nuno Melo disse anteriormente, que o objetivo traçado para este ano tem como pressuposto dar retorno e fazer crescer a economia. Ainda assim, questionado esta sexta-feira sobre o valor desse retorno, Nuno Melo não consegue quantificá-lo.

Nem o ministro das Finanças acertará em todas as previsões orçamentais, menos eu teria essa veleidade em relação ao impacto, que de todo modo, eu tenho a certeza, será muito grande.

Ou seja, porque ao país está a ser exigido este enorme esforço de investimento na defesa. Os portugueses não merecem saber, no cômputo geral, quanto é que isso significará de retorno para a economia?

Os portugueses não só merecem, como sabem exatamente e como irão ser aquele que será o investimento até o final de 2025, sendo que, numa relação de causa e efeito, o que nós sabemos é que, tendo em conta os projetos aquisitivos e a necessidade de envolvimento de micro, pequenas e médias empresas Portuguesas em todo o processo, sabemos que estamos a assegurar a criação de muitos postos de trabalho.

Já sobre a carta enviada por José Luís Carneiro a desafiar Luís Montenegro para um acordo estratégico com o PS na área da defesa, Nuno Melo recorda a posição do chefe do governo sobre a mesma matéria.

O primeiro-ministro sobre isso já respondeu no sentido de dizer que em matéria de defesa dialoga com todos. É isso que é suposto, procurando grandes consensos.

Não irá privilegiar o PS?

Estamos a falar de uma área de soberania e essa liderança no processo compete ao primeiro-ministro e, nessa medida, também a dimensão da resposta.

Portanto, não irá privilegiar o PS nesta matéria?

O diálogo tem de acontecer com todos.

O Ministro da Defesa, Nuno Melo, esta sexta-feira em entrevista na CNN Portugal. A candidata à Câmara de Lisboa, Alexandra Leitão, teme que as barracas possam regressar em grande número à capital. Líder da Frente Esquerda, que junta PS, Livre, Bloco e PAN, Alexandra Leitão elege como prioridades a questão da higiene urbana, a segurança e a habitação. Sem querer comentar o caso do bairro do Talude Militar, em Loures, a anterior líder parlamentar do PS diz que há um princípio que tem de imperar nestes casos: o humanismo. Ainda assim, assegura que naquela posição cumpriria sempre a lei.

Significa que aplicaria a lei se tivesse uma situação dessas e a lei que determina é que se deve repor a legalidade, ou seja, se as casas são ilegais, deve haver despejos depois de as pessoas terem outras soluções e era o que eu faria de acordo com a lei, nem mais nem menos.

Alexandra Leitão, convidada do Explicador, da Tarde Política, no dia em que foi assinado o acordo de coligação que junta PS, Livre, Bloco de Esquerda e PAN na corrida à Câmara de Lisboa. Voltando ao Chega, o partido liderado por André Ventura foi o que mais espalhou desinformação nas últimas eleições legislativas. É a conclusão de um estudo da Universidade da Beira Interior e da Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Entre abril e maio, o Chega foi responsável por 81% dos conteúdos desinformativos publicados pelos partidos nas redes sociais. Os restantes 19% têm origem no PS, PSD e CDS. António José Soares.

O estudo feito pela Universidade da Beira Interior, em parceria com a ERC, analisou mais de 4500 publicações de todos os partidos com assento parlamentar. A desinformação cresceu 160% em relação às europeias do ano passado. O principal palco foram o Instagram, Facebook, X, TikTok e YouTube. No total, foram detectados 16 casos ligados diretamente a páginas oficiais de partidos. Nove desses já deram origem a processos de averiguação na Entidade Reguladora para a Comunicação Social. Enquanto o Chega concentrou a maioria dos casos de desinformação, 81%, PS, PSD e CDS juntos somaram 19, com apenas uma ocorrência cada. Destes conteúdos desinformativos analisados, 44% eram fáceis de desmentir, 37,5% tinham manipulação mais subtil e 18,8% eram considerados de alto potencial de desinformar. O formato preferido foram os vídeos, seja com montagens, cortes ou edições de peças. O relatório aponta sondagens falsas como o tipo de desinformação mais comum, 31%. Depois aparecem conteúdos oriundos de órgãos de comunicação social falsos, 25%. E por fim, vídeos manipulados ou publicações que descredibilizam os media, ambos com perto de 19%. Apesar do aumento deste tipo de conteúdos, o coordenador do estudo, João Canavilhas, considera que o nível de desinformação ainda não é alarmante.

O jornalista António José Soares, com o resumo de um estudo agora divulgado e que revela que o Chega foi o partido que mais espalhou desinformação nas últimas eleições legislativas. Ainda na atualidade nacional, um movimento cívico está a contestar a reativação da pedreira do Lajedo, em Monte Córdoba, em Santo Tirso. Os moradores solicitam às entidades responsáveis pelo licenciamento que indefiram os pedidos de exploração e ampliação da unidade, que foi agora adquirida pela empresa Edilag. Depois de enviada uma carta à Câmara de Santo Tirso no início de abril, os moradores do Vale da Leça criaram um movimento para contestar a reativação e ampliação da pedreira e britadeira do Lajedo. O movimento já resultou numa petição pública para exigir um encerramento definitivo daquela unidade. A missiva é dirigida à Câmara, à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, à Agência Portuguesa do Ambiente e ainda à Assembleia da República. Denuncia uma devastação que já começou com as operações de terraplanagem e construções em betão no local. Fechamos este jornal pela atualidade internacional. Donald Trump processou o The Wall Street Journal, a News Corp e Rupert Murdoch por divulgar uma carta que o presidente norte-americano teria enviado ao falecido Jeffrey Epstein, acusado de tráfico sexual. Na quinta-feira, Trump ameaçou levar a publicação a tribunal. Um dia mais tarde, esta sexta-feira, deu mesmo seguimento à advertência, incluindo os dois redatores que escreveram o artigo. Recordo que o The Wall Street Journal noticiou na quinta-feira que entre as cartas que Epstein recebeu em 2003, havia uma com o nome de Trump e um desenho de uma mulher nua. O presidente dos Estados Unidos, entretanto, já negou ser o autor da carta. Fica por aqui este jornal. A informação regressa à Rádio Observador com a síntese das cinco da manhã. Até lá, fique com a repetição da primeira parte do Contracorrente desta sexta-feira, agora em 92.8 FM na Grande Lisboa.