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Quatro horas. As notícias com João Costa Campos.

Boa noite. A Câmara de Coimbra está a estudar um plano de evacuação perante a previsão de agravamento do mau tempo. É com chuva forte e vento, a Câmara está preocupada com as descargas da barragem da Aguieira. A presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, garante que está empenhado um dispositivo a acompanhar, em permanência, a situação da barragem da Aguieira.

Vamos ter que imaginar que para a semana, onde vamos ter muita chuva, pode acontecer o pior cenário, não sabemos onde, e portanto é acompanhar, monitorizar. Os nossos bombeiros vão estar permanentemente a vigiar toda a estrutura para perceber se há sinais ou não há. E depois também perceber que aquela estrutura aguenta no máximo 2000 metros cúbicos por segundo e acompanhar a quantidade que está, de facto, a ser injetada.

Ana Abrunhosa, presidente da Câmara de Coimbra, avisa que se o agravamento do tempo obrigar a barragem da Aguieira a fazer descargas, isso vai significar um aumento considerável do caudal do rio Mondego. A acontecer, existe risco de cheias e para o evitar, a Câmara já está a estudar um plano de evacuação.

Vamos já trabalhar com os presidentes de junta o cenário de avisar famílias, avisar empresas, para, no caso de alerta, estarem preparados na próxima semana. Portanto, vamos trabalhar num plano de risco máximo, de perceber se tivermos que evacuar IPSS, onde é que as pessoas vão ficar, se tivermos que evacuar as populações, e vamos fazê-lo com a máxima cautela.

Ana Abrunhosa, a presidente da Câmara de Coimbra, pede que a população não estacione veículos no parque verde, junto ao rio Mondego, ou em garagens abaixo do nível do rio e pede que a população deve também retirar as alfaias agrícolas. Coimbra, onde foi normalizado o abastecimento de água, também foi estabilizado em grande medida o fornecimento de eletricidade, passou de 10 mil para 2400 pessoas sem energia em Coimbra. Em Pombal, a ajuda tem dificuldade em chegar às aldeias mais isoladas. É o alerta da vice-presidente da Câmara, que diz que a situação está estagnada. O grande desafio é chegar às pessoas fora dos centros urbanos, como explica Isabel Marto.

A maior parte da nossa população vive em aldeias, cerca de 40 mil pessoas. Temos 2000 quilômetros de vias por desobstruir e temos muita gente no terreno, cerca de 500 pessoas no terreno. Ainda assim, parece que se vê pouca evolução. Ainda há muitas aldeias, muitas casas às quais ainda não conseguimos chegar. Isso é um problema, porque depois não conseguimos prestar auxílio.

Isabel Marto, a vice-presidente da Câmara Municipal de Pombal, entrevistada pela Rádio Observador, deixa aqui um retrato da situação que se vive no Conselho, em particular em torno das dificuldades de comunicação para chegar às aldeias mais isoladas no Conselho. A Proteção Civil registou mais de 1200 ocorrências relacionadas com o mau tempo esta sexta-feira, a maioria delas relacionadas com a queda de árvores e de estruturas pelo vento forte. A região Centro, em Lisboa e Vale do Tejo são as áreas mais afetadas. São, nesta altura, mais de 10 mil as ocorrências registadas desde terça-feira, relacionadas com a depressão Christine. Cerca de 235 mil pessoas continuam sem energia. Foi o que avançou esta noite a empresa E-Redes, a maioria dos clientes sem luz está no distrito de Leiria. São 180 mil pessoas. Seguem-se depois as regiões de Santarém, Portalegre, Castelo Branco e Coimbra. A E-Redes, empresa responsável pela distribuição de eletricidade, ressalva que os impactos da depressão Christine não têm paralelo com outros fenômenos recentes em Portugal. O presidente da E-Redes admitiu que só na quarta-feira é que 80% dos clientes vão ter estabelecida a energia. É a previsão deixada ao Observador por José Creto.

Aquilo que nós estamos a prever, caso não haja um agravamento significativo das condições meteorológicas, e a senhora ministra da Energia hoje já o referiu, é podermos ter 80% das nossas ligações, portanto, dos clientes ligados à rede, no prazo de cinco dias, o que quer dizer que acabará no domingo próximo. Depois, os restantes 20% serão mais difíceis de recuperar. Estamos a falar de situações já muito distribuídas para esta zona.

O presidente da E-Redes, em entrevista à SIC Notícias, aliás, não ao Observador, à SIC Notícias, José Creto diz que foram destruídos cerca de 50 postos de alta tensão e 700 quilômetros de rede. Marcelo Rebelo de Sousa admite um problema nas estruturas portuguesas, que têm falta de capacidade para resistir a fenômenos extremos. O presidente da República esteve esta noite em Leiria, um dos pontos mais críticos, a acompanhar os trabalhos de recuperação dos danos. Esteve ele também acompanhado pela ministra da Administração Interna. Para Marcelo Rebelo de Sousa, o grande desafio não é a antecipação dos fenômenos, mas sim as fracas condições das estruturas portuguesas para resistir a fenômenos extremos.

Não é um problema de prevenção, é um problema de estruturas, umas mais recentes, outras mais antigas, que se chegou à conclusão que não aguentam este tipo de-

Precisam ser prevenidas essas estruturas.

Não, quer dizer que essas estruturas, algumas delas históricas, pontes históricas caíram. Outras são mais recentes, estruturas como terminal rodoviário, fortemente recentes, telhados de escolas, instalações de fábricas que têm décadas, comunicações, que umas são antigas, outras são mais recentes. Está visto que há uma desatualização em termos de estrutura.

Ainda assim, na situação atual, Marcelo Rebelo de Sousa acredita que tudo está a ser feito para ajudar a população afetada. A Depressão Cristina continua também a marcar a campanha para a segunda volta das eleições presidenciais. António José Seguro abandonou o jantar com apoiantes em homenagem aos afetados pelo mau tempo. O candidato nem chegou a sentar-se à mesa, certificou-se também de que não havia música a tocar. Entrou por uma porta lateral em direção ao púlpito e Vasco Maldonado Correia explicou a centenas de apoiantes que não podia ficar no jantar.

Era para ser um momento de festa, mas a catástrofe provocada pelo mau tempo obrigou a mudar os planos. Seguro manteve o jantar que estava previsto para esta sexta-feira em Viseu, mas apareceu contido para transmitir uma mensagem logo à chegada.

Eu só não cancelei esta minha vinda aqui esta noite por respeito a cada uma e a cada um de vós. Mas compreendam que esse mesmo respeito é devido a todas e a todos os portugueses que estão a passar neste momento uma situação de grande aflição.

E logo ficou claro, apesar das centenas de apoiantes na sala, que este não seria um comício tradicional.

Quero vos pedir do fundo do coração que compreendam que eu não vos dirija hoje nenhuma mensagem política, nem nenhuma mensagem eleitoral.

Seguro pede desculpa e explica que vai abandonar o evento.

E quero também pedir a vossa compreensão. Quero vos pedir vivamente. Compreendam que eu não fique mais neste jantar. Tenho vindo aqui para vos dar este abraço, para vos agradecer do fundo do coração a vossa confiança.

O resto da noite e os próximos dias são para arranjar soluções, garante o candidato.

Este é um momento daqueles em que é preciso fazermos aquilo que temos que fazer. E neste momento o meu dever é continuar em contacto com os autarcas, com as pessoas e, sobretudo, fazer tudo, em termos de propostas e de ideias, para ajudarmos, quer o Estado português e os organismos do Estado português, quer os privados, a poder minorar a vida aflitiva destas pessoas.

Os apoiantes ficaram, o candidato não. Tão rápido como chegou, Seguro saiu da sala, de ar cabisbaixo, mas debaixo de aplausos, em homenagem a todos os afetados pela Depressão Cristina.

O jornalista Vasco Maldonado Correia, que está a acompanhar o candidato apoiado pelo Partido Socialista, António José Seguro, que abandonou esta noite um jantar com apoiantes em homenagem aos afetados pelo mau tempo. António José Seguro, que aproveitou a ocasião para apresentar uma nova proposta, a criação de uma linha de apoio à tesouraria das empresas que não conseguem funcionar por causa do mau tempo.

Aquilo que de pior podia acontecer é que as pessoas que estão em casa, aflitas ou que tiveram danos nas suas casas, agora também pudessem ficar privadas dos seus salários. Eu falei com vários empresários esta tarde e essa é uma das preocupações, que haja linhas de apoio à tesouraria das nossas empresas, que estão nessas dificuldades. E simultaneamente também, apoiar com essas linhas investimentos de recuperação dessas empresas.

É a proposta deixada por António José Seguro. A Comissão Nacional de Eleições garante que o voto antecipado para as presidenciais não está comprometido, mesmo nas zonas afetadas pela Depressão Cristina. À Rádio Observador, o porta-voz André Wiemans diz que as estruturas estão adaptadas para que no domingo, os eleitores inscritos para votar antecipadamente, o possam fazer com normalidade.

Logísticamente, está tudo pronto para o voto antecipado em mobilidade que se desenrola este domingo, dia 11 de fevereiro. Com a situação atual, a informação que temos é que em alguns pontos poderá haver alterações de onde será o voto antecipado em mobilidade, devido ao sítio onde estava previsto ter sido danificado e por isso não poder abrigar o voto antecipado. Mas até agora a informação que tenho, com a situação verificada até o momento, é que será possível ter o voto antecipado em mobilidade em todos os conselhos onde há eleitores registados para o fazerem neste domingo.

Declarações de André Wiemans, o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições garante que o voto antecipado para as eleições presidenciais não está comprometido, mesmo nas zonas afetadas pela Depressão Cristina. Garante que os conselhos vão alertar os eleitores para o caso de alguma das mesas de voto seja alterada devido ao mau tempo. Fica por aqui este Jornal das Quatro. A informação está de regresso às 17h.