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Quatro horas.

Boa noite, eu sou o Martim Madeira, são quatro da manhã. Vamos atualizar toda a informação na Rádio Observador. Começamos com os desenvolvimentos mais recentes da situação no Irão. Donald Trump diz que a diplomacia está agora mais fácil depois de ter atacado o Irão. Numa entrevista à CBS News, Trump considera que os Estados Unidos estão melhor posicionados para chegar a uma solução diplomática com os iranianos. Diz ser mais fácil porque, de acordo com o próprio, o Irão está a levar uma grande tareia. Na entrevista, o presidente norte-americano diz que já tem uma ideia de quem quer que lidere o Irão, mas não pode revelar. Diz que há muitos bons candidatos. Afirma ainda que esperava mais retaliação por parte do Irão. Por falar na retaliação iraniana, o Irão diz que promete lançar o maior ataque da história contra as bases israelitas e norte-americanas. Um aviso que surge depois de ter sido confirmada a morte do líder supremo iraniano, Aiatolá Ali Khamenei, a filha e o neto de Ali Khamenei também morreram na sequência dos ataques israelitas. Imediatamente depois da morte do líder supremo, o Irão abriu fogo através das defesas aéreas. A Guarda Revolucionária Iraniana diz que vai dar um castigo severo sobre Israel e os Estados Unidos. A base americana aérea de Erbil, no Iraque, já foi atingida. Com a morte de Khamenei, o Irão decreta assim 40 dias de luto nacional e a suspensão dos serviços públicos por sete dias. Agora, 88 clérigos seniores escolherão o sucessor para a liderança do Irão. A eventual queda do regime iraniano com a morte do líder supremo Ali Khamenei pode ter o efeito inverso ao pretendido pelos Estados Unidos e Israel, até porque o sucessor pode trazer uma linha ainda mais endurecida ao regime iraniano. Quem o diz é o professor catedrático Luís Tomé, coordenador do Observatório de Relações Exteriores, entrevistado pela Rádio Observador. Luís Tomé avisa que o Irão já estava preparado para a morte do líder supremo e que o futuro pode não ser tão risonho quanto Donald Trump e Benjamin Netanyahu pretendem.

O regime está há muito tempo preparado para a eventualidade de quer Khamenei, quer outros altos dirigentes políticos, militares e do corpo da Guarda Revolucionária serem mortos em situações como esta. Portanto, não me parece que a morte de Khamenei, a confirmar-se, por si só signifique o fim do regime ou uma mudança dentro do regime no sentido daquilo que Donald Trump e Netanyahu pretendem. Eu não acredito que a queda de Khamenei torne o regime mais dócil, o torne mais predisposto a uma solução diplomática. Pelo contrário, podemos ter uma linha dura ou um regime mais endurecido nos próximos tempos, porque é a existência do regime que também está em causa. E, portanto, isso torna mais perigoso, pode até ser mais imprevisível naquilo que se possa antever do controle de escalada.

A análise do professor catedrático Luís Tomé à situação no Irão. Estão apontados vários sucessores na liderança, inclusivamente entre os possíveis sucessores, de acordo com o plano do Aiatolá, estão o líder do departamento jurídico iraniano, Gholamhossein Mohseni Ejei, chefe do Judiciário, é conhecido pela linha dura que tem e pelo profundo conhecimento do aparelho de segurança e inteligência. Também o chefe do gabinete do Aiatolá, Ali Asgar Ejeaz, um homem de bastidores, é assim que o definem, com enorme poder sobre as forças militares. E também um dos netos de Ali Khamenei, Hassan Khomeini, o neto do fundador da República Islâmica, possui uma forte carga simbólica por ser um dos netos de Ali Khamenei, mas tem uma inclinação mais reformista, o que não vai ao encontro das políticas do regime iraniano. Há quem indique que possa também ser o filho de Khamenei, mas de acordo com fontes, o líder supremo não queria que o cargo fosse hereditário. O representante de Khamenei, Ali Larijani, é um dos grandes favoritos para a sucessão, mas não consta no plano do agora falecido líder iraniano. Outro dos possíveis candidatos para liderar o Irão reagiu ao anúncio da morte de Ali Khamenei nas redes sociais, Reza Pahlavi, filho do último xá do Irão, escreve que o assassino de dezenas de milhares de iranianos foi apagado das páginas da história. Segundo o autoproclamado príncipe herdeiro, com a morte de Khamenei, a República Islâmica chegou efetivamente ao fim e rapidamente vai fazer parte do caixote do livro de História. Reza Pahlavi apelou ao exército e às forças de segurança para que se juntem à população iraniana nesta fase política, que considera ser decisiva para o futuro do país. Durante anos em exílio, o príncipe herdeiro do Irão nunca negou a possibilidade de poder assumir uma monarquia iraniana. Aliás, a restauração da monarquia no país foi inclusivamente pedida por alguns manifestantes nos últimos protestos do Irão. A capital iraniana, Teerão, está a ser novamente bombardeada e continuamente a ser bombardeada. De acordo com os media iranianos, foram ouvidas algumas explosões na cidade. As forças militares israelitas confirmaram à Reuters que Israel lançou uma nova vaga de ataques aos sistemas de mísseis e defesa iranianos. Até agora, pelo menos 130 civis foram mortos pelos ataques israelitas e americanos no Irão. Já em Israel confirma-se um morto e mais de 120 feridos na sequência da retaliação iraniana. Os ataques continuam fora do Irão. O Aeroporto Internacional do Dubai foi atingido por ataques iranianos. As imagens mostram muito fumo no interior de um dos terminais e partes de peças partidas no chão. Fala-se em danos elevados. Segundo a agência Reuters, pelo menos uma pessoa morreu e sete ficaram feridas no ataque ao Aeroporto Internacional do Dubai. Também o hotel Burj Al Arab foi atingido. O estabelecimento de luxo mais conhecido do Emirado tem 321 metros e fica à entrada da ilha artificial da Palmeira. Também dar conta de que estão mísseis a atingir a capital de Tel Aviv, que foi atingida também durante esta madrugada. O secretário-geral das Nações Unidas considera que o mundo está a testemunhar uma grande ameaça à paz e à segurança internacional. António Guterres condena severamente os Estados Unidos e Israel pelos ataques contra o Irão, mas também condena as retaliações iranianas contra vários territórios vizinhos. Numa reunião de urgência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o secretário-geral deixou vários reparos à situação atual no Médio Oriente.

A lei internacional e a lei humanitária internacional devem ser sempre respeitadas. E é por isso que desde manhã eu condeno os ataques massivos de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão e também condeno as subsequentes retaliações do Irão ao violar os territórios do Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Estamos a testemunhar uma grande ameaça à paz e à segurança internacional. As ações militares têm o risco de desencadear eventos que ninguém consegue controlar nesta que é a região mais instável do mundo.

Na reunião de urgência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o secretário-geral aconselha também todas as partes a regressarem à mesa das negociações. E o secretário também leu durante este discurso vários princípios da Carta da ONU. Saímos do conflito internacional e passamos agora o foco para a política nacional. Pedro Passos Coelho diz que caso seja necessário, o regresso à política é porque o governo do PSD fez um mau trabalho. Uma posição assumida numa conferência do Museu do Oriente, em Lisboa, onde o antigo primeiro-ministro deixou ainda críticas à estratégia do Executivo para reformar o Estado. Passos Coelho recorda que nunca disse que se tinha retirado da vida política ativa para sempre, após a saída da liderança do PSD. Reforça que os sociais-democratas estão no poder e por isso acredita que apenas vai ser necessário ao país, caso a governação corra mal.

Não há de ser seguramente pelas melhores das razões, porque se tudo correr bem e as coisas correrem de modo a que o país esteja satisfeito e o PSD, que está no governo, está satisfeito com o seu desempenho, por que razão é que agora hão de ir ao baú da história apanhar um tipo? Não percebo porquê. Não sei se algum dia voltarei a ser preciso ou não.

Pedro Passos Coelho terminou a palestra a dizer que gostaria de ouvir as ideias que apresentou a serem debatidas, ao invés de ouvir a conversa sobre um possível regresso. Deixa ainda alertas sobre a sustentabilidade do sistema da Segurança Social. Ainda numa outra notícia da política nacional, Carlos Eduardo Reis é o novo presidente da Distrital de Braga do PSD. O vereador na Câmara de Barcelos e antigo deputado venceu as eleições para a liderança da Distrital de Braga do PSD e apresentou-se numa outra lista encabeçada pelo eurodeputado Paulo Cunha, que era o presidente. Portanto, Carlos Eduardo Reis é agora o novo presidente da Distrital de Braga do PSD. Notícia de fecho deste jornal das 4:00 a.m. A informação regressa às 4:30 a.m. Até já.