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Horas. As notícias com Hugo Fortunato de Oliveira.

Muito boa noite. Há contradições nos documentos internos da Polícia Judiciária entregues por Aníbal Pinto ao Ministério Público na queixa contra o diretor nacional da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro. O Observador teve acesso à queixa e à documentação que a acompanha. Um dos documentos datado de 09/10/2015, pede à Unidade de Prevenção e Apoio Tecnológico da PJ uma operação de vigilância ao então advogado de Rui Pinto, Aníbal Pinto, com o objetivo de seguimento do suspeito. Acontece que a vigilância é pedida para o Porto e não para Oeiras, onde aconteceu o encontro de 21 de outubro entre o advogado e os representantes da DOEN. Mas há mais. O próprio documento estabelece 15 de outubro como prazo para o fim da intervenção, seis dias antes do encontro. Há depois um relato de diligência externa sobre uma operação realizada a 4 de novembro na A5, que refere a colocação de dispositivos na pessoa ofendida e na pessoa colaborante, além da obtenção de ficheiros áudio. Mas o relatório não está assinado e a diligência aconteceu a 4 de novembro e não a 21 de outubro. Soma-se uma informação de serviço assinada por três elementos da Polícia Judiciária, datada de 13 de novembro, nove dias depois dessa diligência e 24 dias depois do encontro entre Aníbal Pinto e os responsáveis da DOEN. Este é o artigo que faz esta hora manchete no site do Observador. É assinado pelo redator principal Luís Rosa e pelo jornalista João Paulo Godinho. Na atualidade internacional, a presidente interina da Venezuela compromete-se com eleições no país, mas não diz para quando. Perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, Delcy Rodríguez quis fazer a promessa e garante que as instituições venezuelanas estão preparadas para assegurar um processo inclusivo e transparente.

"Quero dizer muito claro nesta assembleia geral: na Venezuela haverá eleições e nessa direção iniciamos um diálogo político com setores da oposição que conduza a um processo em igualdade de condições para todos. O povo venezuelano, com sua sabedoria ancestral, determinará o momento correto e suas instituições estarão preparadas para garantir esse processo inclusivo e transparente."

A promessa de eleições na Venezuela de Delcy Rodríguez, a presidente interina, esteve também reunida com Donald Trump pela primeira vez desde a captura de Maduro. Segundo fontes citadas pelo portal Axios, o presidente dos Estados Unidos não exigiu uma data para a realização das eleições, mas sublinhou a importância do ato eleitoral como uma etapa fundamental para a transição da Venezuela para uma democracia plena. No encontro, Trump terá ainda frisado a importância de manter o fluxo de petróleo venezuelano e de preservar as relações entre os dois países. Estados Unidos e China concordaram em prolongar as tréguas comerciais até 10 de janeiro. O anúncio foi feito pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, numa entrevista à Fox News. O acordo deveria terminar já no mês de novembro, no dia 10. Ao abrigo das tréguas, os dois países comprometem-se a reduzir as tarifas aplicadas mutuamente e a não impor novas medidas comerciais restritivas. Tréguas anunciadas numa altura em que o presidente da China já está nos Estados Unidos para a primeira visita ao país em mais de uma década. À chegada, Xi Jinping foi recebido por Donald Trump e pela primeira-dama na base aérea de Andrews, nos arredores de Washington. Entretanto, numa declaração divulgada à chegada a território norte-americano, o presidente chinês defendeu que a China e os Estados Unidos devem ser parceiros e não rivais. Xi Jinping afirma que os dois países podem trabalhar em conjunto e contribuir para o sucesso um do outro. O líder chinês apela ainda a uma relação mais estável entre Washington e Pequim, baseada na cooperação, na concorrência saudável e na gestão das diferenças entre os dois países. O presidente chinês sublinha que os dois lados devem aproximar-se e trabalhar em conjunto para garantir a paz e a estabilidade. E Volodymyr Zelensky pede a intervenção da China pra ajudar a pôr fim à guerra na Ucrânia. O presidente ucraniano discursou esta quarta-feira na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Zelensky recordou as dificuldades que os ucranianos enfrentam no inverno devido aos ataques russos à energia e lamenta não ter tido a oportunidade de falar com o presidente da China, alguém que considera ter poder para influenciar a Rússia.

"Os ucranianos entendem que este inverno pode ser muito perigoso para nós, mas em resposta, não teremos escolha senão fazer com que seja doloroso também para a Rússia. Infelizmente, não tivemos a oportunidade de falar diretamente com o líder da China, que está na América hoje e não aqui. E ele é alguém que pode influenciar a Rússia também, mais do que muitos outros podem."

Volodymyr Zelensky disse ainda que a Rússia está humilhada por ter perdido o controle da indústria petrolífera.

"É difícil imaginar uma perda mais humilhante para um país que tem lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU e que tem tanto orgulho nas suas exportações de petróleo. Eu cito: 'Um grande número de refinarias de petróleo', dizem russas, 'foram destruídas e estão, pelo menos temporariamente, fora de comissão'. E isto é verdade. A Rússia enganou-se. E a conclusão desta publicação do Trump também está certa. Esta guerra ridícula com a Ucrânia tem de acabar. E eu não conheço um líder mundial que diga o contrário. Eu não conheço ninguém que esteja abertamente a favor desta guerra."

Ainda assim, o presidente ucraniano garante que o alvo de Kiev não é a indústria petrolífera russa, mas sim a capacidade de Moscovo de financiamento da guerra. Antes do discurso do presidente ucraniano, o chefe da diplomacia russa falou no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Sergey Lavrov rejeitou a possibilidade de parar os ataques à Ucrânia durante eventuais negociações. Argumenta que isso seria uma oportunidade para a Europa encher o regime de Kiev com armas. O enviado especial de Vladimir Putin, Kirill Dmitriev, deverá viajar para os Estados Unidos para se reunir com representantes da administração Trump. A informação é avançada pela agência Reuters, que cita duas fontes próximas do assunto. Dmitriev deverá encontrar-se em Nova Iorque, à margem da Assembleia das Nações Unidas, com os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, além de outros representantes da Casa Branca. Segundo as fontes ouvidas pela Reuters, as conversações deverão abordar os esforços de paz para a Ucrânia, a cooperação económica entre Moscovo e Washington e ainda questões relacionadas com a energia. De regresso a Portugal, a marcar esta quarta-feira o último adeus a Jorge Palma. O artista morreu na madrugada de segunda-feira, aos 76 anos. O velório aconteceu esta quarta-feira na Voz do Operário. Muitos foram os que por lá passaram para uma última homenagem ao cantor. Beatriz Félix.

Palmas para Jorge na Voz do Operário e também é o operário de tantos poemas e canções da língua portuguesa. No último adeus, um mar de outras vozes que juntas compõem o bairro do amor por Jorge Palma. À porta, muitos esperavam para homenagear e agradecer de forma silenciosa ao compositor que acompanhou tantas gerações em muitos momentos. Tiago Melo é exemplo disso.

Tudo aquilo que implica o crescimento, conhecer pessoas, dormires com pessoas e ter desilusões, ter amores. Jorge Palma consegue efetivamente nas suas letras traduzir isso.

Nós já vivemos cem mil anos, encosta-te a mim. Talvez estejas a chegar, encosta-te a mim. Dar cabo dos teus desenganos.

Da porta ao último andar da Voz do Operário, o caminho faz-se em silêncio até chegar à sala onde o corpo do cantor descansa, mas sempre rodeado de amigos e até daqueles com quem nunca se chegou a cruzar. As caras conhecidas acabam por chegar e da música à política, muitos vieram recordar Jorge Palma. Marcelo Rebelo de Sousa fala no artista singular, um cantor como não há muitos.

Ele juntava originalidade nas letras e nas músicas com poucos. À doçura.

Carlos Moedas, também de passagem, lembra Jorge Palma com uma capacidade única de ler a emoção humana. Já Margarida Balseiro Lopes fala de um homem livre. E das bancadas do Parlamento para a Voz do Operário, Paulo Raimundo, do PCP, deixa ponto assente: a partida de Jorge Palma não faz com que o legado se perca.

Jorge foi embora, mas a sua obra, mesmo que ele quisesse, vai ficar sempre entre nós.

Fica entre todas as gerações que cresceram ao ouvir músicas de Jorge Palma, o criador da "Terra dos Sonhos". Jorge Palma foi embora juntamente com o verão, mas João Gil, cantor e amigo, garante: Palma era amado e sabia.

Foi amado em vida, soube quantos portugueses gostavam dele e amavam-no. Ele amava os portugueses.

O legado deste nome maior da música feita em português fica em boas mãos, porque enquanto houver estrada para andar, o nome de Jorge Palma não vai ser apagado. As palavras que deixa serão eternas.

Enquanto houver vento e mar, a gente não vai parar. Enquanto houver vento e mar.

A jornalista Beatriz Félix, que acompanhou o velório do cantor Jorge Palma. Esta quinta-feira, o cortejo fúnebre parte às 15h da Voz do Operário em direção ao Cemitério do Alto de São João, em Lisboa. O funeral é reservado apenas à família.