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Seis horas. As notícias com Beatriz Félix. Sábado de manhã, tempo de atualizar a informação. E começamos na atualidade internacional. Em Bruxelas, os ministros das Finanças da zona euro vão discutir hoje o plano de €800.000 milhões para a defesa na União Europeia. Em causa está o plano Rearmar a Europa, que assenta em cinco vertentes, entre as quais um novo instrumento europeu para circunstâncias extraordinárias. Em cima da mesa estão empréstimos num total de €150.000 milhões, mecanismo semelhante ao de empréstimos a condições favoráveis criado durante a pandemia de Covid-19 para evitar o desemprego. Há ainda outras medidas em vista, como a ativação da cláusula de salvaguarda nacional das regras orçamentais para evitar procedimentos por déficit excessivo. O ministro português das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, não vai estar presente no encontro devido à crise política nacional e também ao debate da moção de confiança do governo, que deverá decorrer esta terça-feira. Donald Trump espera bons resultados nas negociações com a Ucrânia, que vão decorrer na Arábia Saudita. O presidente norte-americano acredita que deste encontro vão resultar vários progressos.

Temos grandes reuniões a aproximarem-se, como sabem, na Arábia Saudita, que vão incluir a Rússia. Vamos ver se conseguimos fazer alguma coisa. Esta semana, muitas pessoas morreram na Ucrânia, não só ucranianos, mas também russos. Por isso, penso que toda a gente quer ver o assunto resolvido. Vamos fazer muitos progressos, creio eu, esta semana.

Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos, que destaca o elevado número de mortes registado na última semana do lado russo e também do lado ucraniano, e acredita que o acordo com a Ucrânia é possível. Agora em Portugal, depois de aprovado em Conselho de Ministros a criação de três novas entidades, o governo reúne-se hoje com os sindicatos da administração pública. Em causa está a reestruturação orgânica do Ministério das Finanças. Entidade Orçamental, Entidade do Tesouro e Finanças e também o Centro de Pessoas e Administração Pública são as três novas entidades criadas no projeto de reestruturação. A fusão destes organismos leva ainda à criação de uma carreira especial de técnico superior especialista em coordenação transversal de administração e políticas públicas. Em vista está também a atribuição de um suplemento até 25% da remuneração base a todos os trabalhadores das novas autoridades das finanças. E mudamos de tema. Crise política. Em vésperas de debate da moção de confiança apresentada pelo primeiro-ministro, governo, PS e Chega têm agenda preenchida de reuniões internas esta segunda-feira. Para as 10h está marcado o Conselho de Ministros em São Bento, aquela que pode ser a última reunião do Executivo de Montenegro antes da queda do governo. André Ventura tem uma declaração marcada para as 16h30, em que vai falar sobre a situação política nacional depois de reunir os órgãos internos do partido. Já o PS tem comissão política nacional às 21h, no Largo do Rato, convocada pelo líder partidário Pedro Nuno Santos. A moção de confiança é votada apenas na terça-feira, em plenário na Assembleia da República, mas o desfecho, esse já parece estar decidido. Ainda assim, o primeiro-ministro Luís Montenegro garante que não vai mudar de ideias e não retira a moção de confiança.

Eu já disse aquilo que tinha a dizer. Vamos falando, está bem?

Sobre a moção de confiança, alguma coisa que neste ponto ainda o faça desistir?

Nada.

Nada o faz desistir, é então a posição transmitida por Luís Montenegro ontem, num registo captado pela SIC, na sessão de encerramento da apresentação da Estratégia Nacional Água que Une, em Coimbra. E na análise, Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador, avisa que apesar de ser pouco provável, ainda há margem para uma reviravolta e para isso seria preciso uma cambalhota política. Rui Pedro Antunes olha para as peças do jogo e vê no PS formas de evitar um cenário de eleições.

Há sempre margem. Tinha que haver aqui alguém a dar uma cambalhota, mas também não seria a primeira vez. Pedro Nuno Santos disse que era praticamente impossível o PS vir a aprovar o Orçamento de Estado e acabou a aprová-lo depois de um longo silêncio. A única hipótese que eu estava a ver era precisamente após receber as dezenas de respostas por parte do primeiro-ministro, o PS chegar à conclusão que afinal tinha os esclarecimentos, não precisar de uma comissão parlamentar de inquérito e, de alguma forma, viabilizar a moção de confiança. E há aqui um ponto. Eu acho que na entrevista também à Rádio Observador, Paulo Rangel tinha dado um caminho que era ficar a meio da ponte, que era o PS viabilizava a moção de confiança e mantinha a comissão de inquérito. Ora, assim o governo continuava em funções e o PS tinha aquilo que queria, que era a comissão de inquérito.

Apesar destas hipóteses, o editor de política do Observador alerta para a baixa probabilidade de o Partido Socialista mudar a posição que já assumiu. Quanto ao governo, Rui Pedro Antunes considera que Montenegro já está a preparar o cenário eleitoral e quer colocar o PSD na posição de vítima.

Mais do que propriamente ter uma grande vontade de evitar eleições ou querer um caminho alternativo, o que me parece que o governo está a tentar neste momento é tentar deixar na opinião pública e nos eleitores a ideia que se o governo cair, a culpa é da oposição. Isto porque nas poucas vezes que isso aconteceu, ou pelo menos na única vez que isso aconteceu formalmente, de um governo ter sido derrubado na Assembleia e ter ido imediatamente para votos, aqueles que o derrubaram foram fortemente castigados. E, portanto, o governo quer provar neste momento que não está interessado em eleições e que não foi uma maquinação do próprio governo e colocar a culpa na oposição.

A análise é do editor de política do Observador. O comentário na íntegra de Rui Pedro Antunes à crise política nacional está disponível em podcast no site do Observador. E com o cenário de eleições antecipadas cada vez mais real, surge uma nova sondagem: AD e PS estão separados por cinco pontos percentuais. Segundo esta sondagem da Pitagórica para a TVI, CNN, TSF e Jornal de Notícias, a Aliança Democrática reúne 33,5% das intenções de voto dos portugueses e o PS soma 28,8%. A terceira força política continua a ser o Chega, partido liderado por André Ventura, que apesar de descer para os 13,5% das intenções de voto. A Iniciativa Liberal é colocada a seguir, com 6,7% da percentagem total. Os partidos de esquerda como a CDU, Bloco, Livre e PAN não vão além dos 3%. O governo anunciou hoje um investimento estimado de € 5000 milhões aplicados até 2030 para uma melhor gestão da água em Portugal. O projeto Água que Une foi apresentado este domingo em Coimbra e contou com a presença do primeiro-ministro. Luís Montenegro promete uma verdadeira transformação para o país.

É um convite a projetar uma verdadeira transformação estrutural em Portugal. Esta é uma transformação estratégica e estrutural do nosso país. O que nós queremos é que para as próximas décadas, o país tenha capacidade para lutar contra os efeitos negativos que as alterações climáticas comportam, para que o país possa aproveitar os seus recursos naturais, exponenciando a sua capacidade produtiva na indústria, na agricultura, no turismo.

Água que Une, o projeto composto por quase 300 medidas que o executivo de Luís Montenegro quer implementar. Os credores e cerca de 200 trabalhadores da fábrica da Tupperware, em Montalvo, têm até hoje para reclamar créditos junto do administrador de insolvência. A Tupperware, que já não produz desde 8 de janeiro, foi declarada insolvente no dia 10 de fevereiro e deixou 200 trabalhadores desempregados. No pedido de insolvência, foram identificados como credores, além dos vários trabalhadores, várias empresas do grupo Tupperware e ainda outras entidades e pequenos acionistas. Em declarações à Agência Lusa, o administrador de insolvência, Jorge Calvete, diz que os termos da liquidação dos bens da fábrica da Tupperware vão ser determinados em assembleia de credores no dia 13 de fevereiro. O noticiário fica por aqui, mas a informação regressa daqui a pouco, às 18h30 com a síntese. Até já!