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Bom dia, sou o Martim Madeira. São 6h da manhã, vamos atualizar toda a informação na Rádio Observador. Começamos com os desenvolvimentos mais recentes da situação no Irão, com uma notícia de última hora. Donald Trump deixa um aviso ao Irão: caso retaliem com força, os Estados Unidos vão atacar com uma força nunca antes vista. Numa publicação na rede social Truth Social, o presidente norte-americano diz que é bom que o Irão não ataque com força, como disse que ia fazer, e avisa que sofrerão ataques ainda mais fortes. Entretanto, o Irão já atacou 27 bases norte-americanas no Médio Oriente. E não fica por aí. O Irão prometeu lançar o maior ataque da história contra as bases militares israelitas e norte-americanas, e está a cumprir. Estão a soar neste momento as sirenes em Tel Aviv, em Israel, alertam outra retaliação por parte do Irão contra a capital de Israel. Foram ouvidas também, há poucos minutos, explosões no Dubai pelo segundo dia consecutivo, numa altura em que já tinham sido desligados os sistemas de defesa aéreos quando o sol nasceu. De acordo com a CNN Internacional, as explosões foram às 8h15 da manhã locais. Também o Qatar sofreu, a cidade de Doha foi alvo de mísseis iranianos, bem como a base americana aérea de Erbil, no Iraque, que foi também atingida. É uma das 27 a ser atingida pelo Irão. Ataques que acontecem depois de ter sido confirmada a morte do líder supremo iraniano, Aiatola Ali Khamenei, e ataques que surgem como uma retaliação dessa morte, um castigo, é o que dizem as forças iranianas, um castigo para Israel e para os Estados Unidos por terem morto o líder supremo iraniano. Também a filha e o neto de Ali Khamenei morreram na sequência dos ataques israelitas. Agora, 88 clérigos seniores escolherão o sucessor pra liderança do Irão. Até lá, até ao dia que se chega à decisão, o presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, e o chefe do Poder Judiciário lideram o conselho interino que vai governar o país. Continuando na linha de bombardeamentos, a capital iraniana, Teerão, foi novamente bombardeada durante esta madrugada, de acordo com os media iranianos. Foram ouvidas algumas explosões na cidade. As forças militares israelitas confirmaram à Reuters que Israel lançou uma nova vaga de ataques aos sistemas de mísseis e defesa iranianos. Até agora, pelo menos 130 civis foram mortos pelos ataques israelitas e americanos no Irão. Já em Israel, confirma-se um morto e mais de 120 feridos na sequência da retaliação iraniana. Donald Trump diz que a diplomacia está agora mais fácil depois de ter atacado o Irão. Numa entrevista à CBS, Trump considera que os Estados Unidos estão melhor posicionados para chegar a uma solução diplomática com os iranianos. Diz ser mais fácil porque, de acordo com o próprio, o Irão está a levar uma grande tareia. Na entrevista, o presidente norte-americano diz que já tem uma ideia de quem quer que lidere o Irão, mas não a pode revelar. Diz que há muitos bons candidatos, afirma ainda que esperava mais retaliação por parte do Irão. A eventual queda do regime iraniano, com a morte do líder supremo Ali Khamenei, pode ter o efeito inverso ao pretendido pelos Estados Unidos e Israel, até porque o sucessor pode trazer uma linha ainda mais endurecida ao regime iraniano. Quem o diz é o professor catedrático Luís Tomé, coordenador do Observatório de Relações Exteriores, entrevistado pela Rádio Observador. Luís Tomé avisa que o Irão já estava preparado pra morte do líder supremo e que o futuro pode não ser tão risonho quanto Donald Trump e Benjamin Netanyahu pretendem.
O regime está há muito tempo preparado para a eventualidade de, quer Khamenei, quer outros altos dirigentes políticos, militares e do Corpo da Guarda Revolucionária, serem mortos em situações como esta. Portanto, não me parece que a morte de Khamenei, a confirmar-se, por si só, signifique o fim do regime ou uma mudança dentro do regime no sentido daquilo que Donald Trump e Netanyahu pretendem. Eu não acredito que a queda de Khamenei torne o regime mais dócil, o torne mais predisposto a uma solução diplomática. Pelo contrário, podemos ter uma linha dura ou um regime mais endurecido nos próximos tempos, porque é a existência do regime que também está em causa. E, portanto, isso torna mais perigoso, pode até ser mais imprevisível naquilo que se possa prever do controle de escalada.
A análise do professor catedrático Luís Tomé à situação no Irão, numa altura em que durante esta madrugada já foi confirmada a morte do líder supremo do Irão pela televisão estatal. O Irão vai agora ficar 40 dias em luto nacional. Estão também apontados vários sucessores, de acordo com o plano do Aiatola, confirmado pelo New York Times. Estão o líder do departamento jurídico iraniano, Gholamhossein Mohseni Ejeai, também o chefe do gabinete do Aiatola, Ali Asghar Ejeazi, e um dos netos de Ali Khamenei, Hassan Khomeini, que seria uma aposta mais reformista por parte do Irão, mas uma política que vai contra o regime iraniano. Há quem indique também que possa ser o filho de Ali Khamenei, mas de acordo com fontes, o líder supremo não queria que o cargo fosse hereditário e fosse passado de geração em geração. O representante de Khamenei, Ali Larijani, é um dos grandes favoritos pra sucessão, mas não consta no plano do falecido líder iraniano. Ora, outro dos possíveis candidatos pra liderar o Irão já reagiu ao anúncio da morte de Ali Khamenei. Nas redes sociais, Reza Pahlavi, filho do último xá do Irão, escreve que o assassino de dezenas e milhares de iranianos foi apagado das páginas da história. Segundo o autoproclamado príncipe herdeiro, com a morte de Khamenei, a República Islâmica chegou efetivamente ao fim e rapidamente vai fazer parte do caixote do livro da história. Reza Pahlavi apelou ao exército e às forças de segurança pra que se juntem à população iraniana nesta fase política que considera ser decisiva pra o futuro do país. Durante anos em exílio, o príncipe herdeiro do Irão nunca negou a possibilidade de poder assumir uma monarquia iraniana. A restauração da monarquia no país foi inclusivamente pedida pelos manifestantes nos últimos protestos no Irão. O secretário das Nações Unidas considera que o mundo está a testemunhar uma grande ameaça à paz e à segurança internacional. O António Guterres condena severamente os Estados Unidos e Israel pelos ataques contra o Irão, mas também condena as retaliações iranianas contra vários territórios vizinhos. Numa reunião de urgência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o secretário-geral deixou vários reparos à situação atual no Médio Oriente.
A lei internacional e a lei humanitária internacional devem ser sempre respeitadas, e é por isso que desde manhã eu condeno os ataques massivos de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão e também condeno as subsequentes retaliações do Irão ao violar os territórios do Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Estamos a testemunhar uma grande ameaça à paz e à segurança internacional. As ações militares têm o risco de desencadear eventos que ninguém consegue controlar nesta que é a região mais instável do mundo.
António Guterres aconselha também todas as partes a regressarem à mesa das negociações. O secretário-geral das Organizações Nações Unidas leu durante este discurso, na reunião de urgência do Conselho de Segurança, vários dos princípios da Carta da ONU. Saímos do conflito internacional e passamos agora o foco pra política nacional. Pedro Passos Coelho diz que caso seja necessário, o regresso à política é um sinal de que o governo do PSD fez um mau trabalho. Uma posição assumida numa conferência no Museu do Oriente, em Lisboa, onde o antigo primeiro-ministro deixou ainda críticas à estratégia do Executivo para reformar o Estado. Passos Coelho recorda que nunca disse que se tinha retirado da vida política ativa para sempre, após a saída da liderança do PSD. Reforça que os sociais-democratas estão no poder e, por isso, acredita que apenas vai ser necessário ao país caso a governação corra mal.
Não há de ser seguramente pelas melhores das razões, porque se tudo correr bem e as coisas correrem de modo que o país esteja satisfeito e o PSD, que está no governo, está satisfeito com o seu desempenho, por que razão é que agora hão de ir ao baú da história apanhar um tipo? Não percebo por quê. Não sei se algum dia voltarei a ser preciso ou não.
Pedro Passos Coelho terminou a palestra a dizer que gostaria de ouvir as ideias que apresentou a serem debatidas, ao invés de ouvir a conversa sobre um possível regresso. Deixa ainda alertas sobre a sustentabilidade do sistema da Segurança Social. Notícia de fecho deste jornal. A informação regressa às 18h30. Até já.