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Muito bom dia. Jornal das 7, uma edição da jornalista Carla Jorge Carvalho. Há 100 mil pessoas com problemas de jogo em Portugal. A maioria dos jogadores de raspadinha tem rendimentos abaixo dos € 1000. São conclusões de um estudo da Universidade do Minho que vai ser apresentado hoje. Mais de 400 mil pessoas jogam todas as semanas na lotaria instantânea e dessas, 60 mil fazem todos os dias. Além disso, cerca de 3% dos adultos estão em risco de desenvolver problemas de jogo, que já afetam cerca de 100 mil pessoas. Neste universo, cerca de 30 mil apresentam sinais de perturbação de jogo patológico. Este trabalho, intitulado "Quem paga a raspadinha", confirma a existência de uma relação inversa entre o nível de rendimento e a probabilidade de jogar. Um dos autores do estudo, Luís Aguiar-Conraria, explica que este jogo pode ser visto como um imposto regressivo, uma vez que a raspadinha é a principal fonte de receitas da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Os jogos da Santa Casa financiam a despesa pública. Parte das receitas são entregues ao Estado, a outra parte é usada pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, mas que é usado em ações de apoio público.

De apoio precisamente às populações mais vulneráveis, que, se calhar, também são aquelas que jogam.

Portanto, claramente, isto para mim é o financiamento público de uma determinada atividade. E claramente, quem está a financiar esta atividade são as classes mais pobres, excetuando aqueles mesmo muito pobres. E, portanto, sim, eu não tenho dúvidas em concluir que isso funciona como um imposto regressivo.

O estudo revela ainda que a principal motivação de quem joga é ganhar dinheiro, mas Luís Aguiar-Conraria explica que isso não passa de uma falsa esperança.

Uma coisa que nós perguntamos foi porque é que jogavam, e demos vários motivos para jogar. E a grande maioria das pessoas que joga, especialmente as que jogam com muita frequência, declara jogar para ganhar dinheiro. Portanto, claramente, estão enganadas. Claramente, estão a trabalhar mal com as probabilidades, porque, por definição, estes jogos, em média, uma pessoa perde dinheiro.

Luís Aguiar-Conraria, um dos autores deste estudo sobre a raspadinha, entrevistado pela jornalista Ana Suspiro. E este é um artigo que faz manchete a esta hora no site do Observador. O Parlamento discute hoje a terceira moção de censura ao governo de maioria absoluta. É a segunda proposta pelo Chega. O partido liderado por André Ventura já tinha anunciado que ia apresentar uma nova moção contra o governo, que além de já ter o chumbo garantido, também está a gerar críticas à direita. Miguel Vítor Dias. Luís Montenegro chama-lhe uma infantilidade e uma criancice, e a Iniciativa Liberal diz que é uma manobra de distração. Os liberais até vão votar a favor e os sociais-democratas vão abster-se, mas toda a esquerda vai votar contra a moção de censura apresentada pelo Chega, que só com os votos da maioria absoluta socialista já tinha esse chumbo garantido. O texto de 12 páginas pede um país decente e justo e o fim daquele que diz ser o pior governo de sempre. Para o partido de André Ventura, há cinco grandes motivos que justificam a censura ao governo, a começar pela falta de cuidados de saúde e o falhanço do SNS, logo seguido pelas promessas que ficam por cumprir no setor da habitação. Também o aumento da pobreza é apontado pelo Chega como uma justificação para o falhanço do governo de António Costa e as falhas na justiça merecem ainda uma crítica devido ao atraso no andamento dos processos. O quinto e último motivo é o caso TAP, que não teve, para o Chega, quaisquer consequências políticas para o governo. António Costa vai assim voltar ao Parlamento no arranque desta segunda sessão legislativa para defender a continuidade da maioria absoluta, confortado pelos votos dos 120 deputados socialistas. Miguel Vítor Dias, com a antecipação deste debate da moção de censura, que está marcado para às 15h. São mais de três horas de discussão, com o resultado já conhecido, a rejeição da moção apresentada pelo Chega. O politólogo Jorge Fernandes estranha o momento escolhido por André Ventura para apresentar esta moção. No programa A História do Dia, diz que apesar do desgaste do governo, não existe um motivo imediato para fazer cair o executivo.

Neste momento, não temos grandes motivos políticos relativamente ao governo. Não é visível de imediato. Há claramente um desgaste do governo. Sabemos bem os problemas que António Costa tem tido nos últimos meses. Os últimos meses têm sido complicados, a questão da inflação, a questão das dificuldades com o custo de vida, etc. Mas não há, digamos, um motivo imediato para a utilização da moção de censura. E para mim é um bocadinho estranho e bizarro porque é que André Ventura decide utilizar esta carta neste momento. Vamos imaginar, daqui a um mês, ou dois, ou três, temos um cenário tipo crise galamba, ou uma crise aguda no governo com um ministro ou com uma determinada área, na saúde, na educação. Nesse momento, se o Chega quiser utilizar esse mecanismo, já não pode.

A antevisão do politólogo Jorge Fernandes à moção de censura ao governo apresentada pelo Chega. Debate marcado para as 15h, que vamos transmitir em direto aqui na Rádio Observador. O debate da Assembleia Geral das Nações Unidas começa hoje em Nova York. Volodymyr Zelensky vai ser o protagonista, mas, Carla, há quatro ausências de peso. Quatro líderes mundiais e membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas que vão faltar à Assembleia Geral. O presidente francês e o primeiro-ministro britânico justificaram a ausência com questões de agenda. Já os presidentes da China e da Rússia não apontaram sequer razões, mas o escalar de tensão entre os dois países e os Estados Unidos, país sede da ONU, faz com que as ausências sejam recebidas sem grande surpresa. E de resto, esses vão ser temas dominantes ao longo de toda a semana da Assembleia Geral. Temas como a tensão permanente entre Pequim e Washington e a guerra na Ucrânia, mas também a exigência de um maior protagonismo por parte dos países do sul global e os efeitos das alterações climáticas. A Assembleia Geral da ONU vai ter um protagonista claro, Volodymyr Zelensky, que participa na sessão presencialmente pela primeira vez desde o início da guerra. Espera-se que use o palco principal das Nações Unidas para reiterar a importância do apoio à causa ucraniana. O presidente ucraniano discursa em Nova Iorque depois do presidente da República Portuguesa. Marcelo Rebelo de Sousa não tem dúvidas de que a presença de Zelensky vai fazer da guerra um tema inadiável. Mas não vai ser o único. O chefe de Estado português lembra que há outras guerras a marcar o mundo, que também merecem a atenção da comunidade internacional.

A guerra da Ucrânia é particularmente importante porque envolve economias fortes, potências políticas, mas há guerras noutros pontos do mundo Aqui nas Nações Unidas é possível conciliar as duas coisas. Não só é possível, como é mesmo o mais provável, que é tratar da guerra da Ucrânia. Há um Conselho de Segurança aberto para tratar desse tema, mas há outros problemas globais que não param. A degradação do clima não para. Se possível, piora com as guerras. O que se passa com os problemas do futuro, na ciência e tecnologia, não deixa de ser um problema. Quando muito, torna-se um problema maior por causa da guerra.

Declarações do chefe de Estado português em Nova York, aqui num registo da CNN Portugal. Marcelo Rebelo de Sousa já chegou. Esteve ontem reunido com o secretário-geral das Nações Unidas. No final do encontro, deixou elogios à consistência demonstrada por António Guterres, desde que assumiu o cargo de secretário-geral da ONU, no início de 2017.

O secretário-geral é uma figura central. Não desiste das metas, não desiste dos objetivos. Ao mesmo tempo, vai mantendo o diálogo com aqueles que entre si não dialogam, mas consegue fazê-lo, com o secretário-geral dialogam e, portanto, vai dando pequenos passos mesmo em domínios difíceis.

Pequenos passos. Declarações de Marcelo Rebelo de Sousa em Nova Iorque, onde está até sexta-feira para participar na Assembleia Geral da ONU. O Presidente da República vai intervir hoje, no primeiro dia do debate geral entre os chefes de Estado e Governo dos 193 países membros das Nações Unidas. E ontem, na véspera do debate geral, António Guterres alertou para o que diz serem divisões sem precedentes no Conselho de Segurança da ONU. Em entrevista à CNN Internacional, o secretário-geral das Nações Unidas defendeu que nem no tempo da Guerra Fria a tensão entre as maiores potências era tão imprevisível.

Temos um nível de divisão entre superpotências que não tem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial. Mesmo durante a Guerra Fria, a situação era mais previsível do que hoje. O drama é que as divisões geopolíticas, e concordo que a guerra na Ucrânia dramatizou as divisões geopolíticas, mas essas divisões estão a paralisar decisões que seriam essenciais para enfrentar os grandes desafios do nosso tempo.

António Guterres, em entrevista ao canal CNN Internacional. O líder da ONU alerta que, apesar da posição que ocupa, não tem qualquer poder de decisão nos conflitos internacionais. Tem sim, diz Guterres, uma voz ativa nas Nações Unidas. A abertura do debate geral está marcada para às 9h, em Nova Iorque. Serão 14h, em Lisboa. E arranca hoje a fase de grupos da Liga dos Campeões. O Futebol Clube do Porto é a primeira das três equipas portuguesas na prova a entrar em campo. A estreia é frente aos ucranianos do Shakhtar Donetsk. O jogo está marcado para Hamburgo, na Alemanha, por causa da guerra no país. O treinador do Porto, Sérgio Conceição, espera um adversário motivado.

Eles tentam, com certeza, naquilo que é esse espírito e essa frente mais emocional no jogo, tentam honrar aquilo que é essa luta que eles estão a ter no seu país. E nesse sentido, vamos ter uma equipa super motivada. Em termos de qualidade, eu acho que têm sempre qualidade.

Declarações do técnico dos Dragões na conferência de imprensa de antevisão do encontro com o Shakhtar Donetsk para a Liga dos Campeões. O jogo está marcado para às 20h, em Hamburgo, na Alemanha. E é uma partida que, como sempre, vai poder acompanhar com relato aqui numa emissão especial da Rádio Observador. Pode contar com os comentários do Gabriel Alves, Pedro Henriques e do Luís Pinto Coelho. São 07h10, Carla, que outras notícias merecem destaque? Morreu o antigo treinador brasileiro Marinho Peres. Treinou equipas portuguesas como o Vitória de Guimarães, o Sporting, Marítimo e Belenenses. Marinho Peres tinha 76 anos. Enquanto jogador, representou clubes brasileiros como a Portuguesa, Santos, Internacional ou Palmeiras. Na Europa, Marinho Peres representou o Barcelona. Entre 1995 e 2018, a rede rodoviária em Portugal aumentou 346%. A ferrovia diminuiu 18%. São dados de um estudo divulgado pela organização não governamental Greenpeace. Neste período, Portugal apresentou o terceiro maior crescimento, em termos absolutos, da extensão de autoestradas na Europa, logo a seguir a Espanha e França. Quanto à rede ferroviária, Portugal teve a terceira maior redução, depois da Letônia e da Polônia. As autoridades norte-americanas encontraram os destroços de um caça que caiu domingo, na Carolina do Sul, e que estava desaparecido. O que resta do avião F-35 estava a cerca de duas horas a nordeste da base. As causas do incidente ainda estão a ser investigadas. Desde domingo que as autoridades norte-americanas estavam a realizar buscas para encontrar este caça. As autoridades chegaram a apelar à ajuda dos cidadãos. Um pedido fora do comum, que levantou dúvidas sobre como foi possível perder um caça que custa, pelo menos, 74 milhões de euros. O músico Noiserv vai editar dois discos de coletâneas, resultado de colaborações que fez para o cinema, teatro, dança, televisão e também para a rádio. Pois. Pois, porque inclui temas que conhecemos muito bem. A banda sonora do Podcast Plus da Rádio Observador, o Sargento na Cela Sete. Começa devagarinho. Começa devagarinho. Quase nem está por ela. O Sargento na Cela Sete, Carla, se bem te recordas, conta a história de António Lobato, o militar português que esteve mais tempo a incativar durante a guerra de África. Esta música ficou mesmo. Ficou. Já tinha saudades. Já tinha a narração também. Também já tenho saudades do ator Pepé Rapazote. E claro, esta música de Noiserv, a banda sonora do podcast, é apenas parte das 76 canções que vai reunir nestes dois discos. E há referências do mundo do cinema à poesia, há de tudo. Sim, no cinema, por exemplo, Noiserv apresenta a banda sonora que fez para o filme "Dispersos pelo Centro", de António Aleixo. No teatro e na dança, destaca-se a música dos espetáculos Pela Ponta do Nariz e O Deus das Moscas. E ainda, para terminar, a música 100 Anos, de Mário Cesariny, composta a propósito do centenário do poeta e pintor português. Carla Jorge Carvalho, Jornal das 7, na Rádio Observador. Quando forem 07h30, voltamos a atualizar toda a informação.