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Na cidade de Faro.
As notícias das 19:00 na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. Já estão em vigor as tarifas alfandegárias aplicadas pelos Estados Unidos a dezenas de países em todo o mundo. Donald Trump passa hoje a taxar os produtos fabricados na União Europeia em 20%, mas o destaque vai pra China, com tarifas de 104%.
Fica assim oficialmente aberta a guerra comercial de Donald Trump. Os efeitos já se fazem sentir. Depois de ontem ter havido uma estabilização dos mercados, as bolsas asiáticas começam o dia em queda. Os índices de referência nas bolsas chinesas de Xangai caem 2,31% e Shenzhen 2,58. Há também perdas significativas no Japão. As bolsas de Tóquio abrem hoje no vermelho, estão em queda mais de 5%. As bolsas europeias ainda não abriram, mas é esperado que as ações também caiam, depois de ontem terem recuperado parte das perdas dos últimos dias.
E apesar das taxas de 104% aplicadas à China, Donald Trump acredita que Pequim quer negociar.
O presidente dos Estados Unidos entende que as negociações são o único caminho para reverter as tarifas alfandegárias aplicadas à China, apesar de também fazer acusações.
Hoje foi anunciado que a China vai desvalorizar a sua própria moeda. Viram isto? Temos de lhes dar crédito. Eles sabem todos os truques, manipularam a moeda para responder às nossas tarifas, mas até fazerem um acordo conosco vai ser assim. Eu acho que eles querem chegar a um acordo. Eles só não sabem como começar as negociações. São pessoas orgulhosas.
Donald Trump, num discurso ontem à noite, adiantou também que pode vir a taxar produtos farmacêuticos. O governo chinês ainda não respondeu às tarifas de 104% que foram aplicadas, mas nos últimos dias, Pequim tem dito que não tem medo de uma guerra comercial e acusa a administração Trump de estar a ter uma atitude de bullying comercial.
O analista de assuntos chineses, Jorge Tavares da Silva, explica que as duas economias vão acabar por ser prejudicadas por esta guerra comercial.
O professor universitário lembra a interdependência entre os dois países e avisa também que a China vai continuar a responder a estas tarifas.
É muito interessante este paralelismo entre as duas potências. Elas, na verdade, são interdependentes uma e outra e, portanto, elas precisam, de alguma forma, cooperar do ponto de vista comercial. Agora, se tivermos uma grande política de travar as exportações chinesas, eu acho que a China, até porque tem alguns indicadores econômicos internos, que são, nomeadamente, a falta de confiança e outros, pode vir a perder do ponto de vista comercial, se essa barreira continuar elevadas como estão. Eu acho que acabam por perder os dois neste processo, sinceramente, acaba por ser assim. Agora, como eu já disse anteriormente, o que a China vai tentar fazer é encontrar alternativas, sobretudo no sul global, para minimizar este efeito das tarifas americanas.
Jorge Tavares da Silva, analista de assuntos chineses, professor na Universidade da Beira Interior, ouvido na História do Dia. O especialista considera também que a Europa está na expectativa e lamenta a falta de unanimidade entre os Estados-membros na resposta aos efeitos das tarifas.
A História do Dia já está disponível no site do Observador e, claro, nas várias plataformas de podcast. Pedro Nuno Santos pede que não se dispersem votos à esquerda. Mariana Mortágua fala numa bala de prata.
São os destaques do debate entre o secretário-geral do PS e a coordenadora do Bloco de Esquerda. Pedro Nuno Santos afirma que só a vitória do PS permite uma alternativa à AD.
Há um ano, o Partido Socialista perdeu por apenas 50 mil votos. O Bloco de Esquerda teve 280 mil votos. Nós precisamos de vencer as eleições e eu quero pedir ao povo português e aos eleitores que votam à esquerda para não dispersarem votos.
Já Mariana Mortágua critica que a bala de prata de Pedro Nuno Santos seja Luís Montenegro.
Aquilo que o Pedro Nuno Santos está a dizer quando diz quer ser o mais votado e que espera uma viabilização do PSD, é que tem uma bala de prata, e que a bala de prata de Pedro Nuno Santos é Luís Montenegro. Portanto, está à espera de governar com o apoio ou, pelo menos, a viabilização de Luís Montenegro.
São os destaques do debate de ontem à noite, na SIC. Pedro Nuno Santos e Mariana Mortágua discordaram ainda da necessidade de investimento na defesa e também nas medidas para baixar os preços das rendas.
Já o debate entre Chega e LIVRE ficou marcado pelo tema da imigração.
André Ventura acusa Rui Tavares de querer um Serviço Nacional de Saúde estilo bar aberto para imigrantes e afirma que essa não é a solução.
O Rui Tavares, a diferença é esta: quer um Serviço Nacional de Saúde que seja bar aberto, independentemente, tenham contribuído ou não. Nós exigimos que quem venha para cá tratar-se, tenha que ter pago alguma coisa ao Serviço de Saúde português. O LIVRE não concorda com isso.
Em resposta a André Ventura, Rui Tavares diz que seria uma enorme injustiça vedar o acesso dos imigrantes ao SNS.
O SNS, neste momento, funciona com imigrantes, muitas vezes. Seria a maior injustiça dizer: „Vens para cá, ajudas o Serviço Nacional de Saúde, pagas impostos para o Serviço Nacional de Saúde, trabalhas no Serviço Nacional de Saúde, mas não és atendido cá“.
Rui Tavares e André Ventura estiveram frente a frente na RTP3. As tarifas de Donald Trump também foram tema. André Ventura concorda com as taxas. Já Rui Tavares diz que são um imposto que prejudica os mais pobres.
E vamos analisar estes debates num primeiro explicador, às 19:45 e depois, na hora da campanha, logo a seguir à síntese das 20:30. Se a AD vencer as eleições, Margarida Blasco e Dalila Rodrigues não devem continuar no governo.
Nem a Ministra da Administração Interna, nem a Ministra da Cultura foram aposta como cabeças de lista para as eleições legislativas, ao contrário da maioria dos colegas do governo. E o Observador sabe que ambas podem estar de saída, mas, Vasco Maldonado Correia, por motivos diferentes, até porque o eventual afastamento de Margarida Blasco não se prende por razões políticas.
Era uma das ministras mais vezes apontada a uma saída numa eventual remodelação, sobretudo no arranque da legislatura, mas foi sendo segurada pelo Primeiro-Ministro e ao que o Observador apurou, deve sair de cena por motivos pessoais e familiares, certo que essas mesmas questões já a levaram a aceitar com reservas o convite para assumir a pasta da Administração Interna. Como dizias, Margarida Blasco não foi aposta nas listas para as eleições em maio, mas essa decisão foi sendo explicada pelo facto de a ministra não ter disponibilidade para garantir a campanha de proximidade em que os outros membros do governo vão estar inseridos. De qualquer maneira, e mesmo que a justificação da saída não seja política, dentro do núcleo mais duro do Executivo, já existia a convicção de que levar a antiga juíza conselheira ia representar um erro dispensável, especialmente pelas fragilidades na comunicação que foi evidenciando ao longo do tempo.
Mas Blasco não é a única. A Ministra da Cultura também deve sair das escolhas de Luís Montenegro, se AD vencer as eleições em maio. Mas neste caso, Vasco, sabemos que Dalila Rodrigues até quer continuar.
Foi a própria que o admitiu em entrevista ao Jornal de Notícias este fim de semana. Admitiu que quer continuar no governo e contribuir para o legado que tem contribuído, foi o que disse Dalila Rodrigues, sem sublinhar, como é costume, que essa decisão cabe ao Primeiro-Ministro. Ora, o Observador sabe que as declarações não caíram bem junto do círculo mais próximo de Montenegro e se a continuidade de Dalila Rodrigues já era imprevisível, até porque também ela ficou de fora das listas para as eleições, mais difícil se tornou depois desta entrevista. A ainda ministra da Cultura é descrita como irascível, inconstante e imprevisível e depois de vários puxões de orelhas a nível interno, nunca tomou precauções para apresentar um perfil mais discreto e agora a tolerância deve mesmo ter-se esgotado.
Vasco Maldonado Correia, com os motivos que levam à provável saída do Executivo por parte de Margarida Blasco e Dalila Rodrigues. Já e se a AD vencer as eleições, Ana Paula Martins deve manter-se. É muitas vezes apontada como um dos elementos do governo que poderia ser substituído em caso de remodelação, mas continua a ser segurada por Luís Montenegro, em público e em privado. Foi escolhida como cabeça de lista pelo círculo de Vila Real, sinal de que é mesmo vista como um ativo eleitoral.
E este é um artigo que faz manchete a esta hora no nosso site, tem a assinatura do editor adjunto de Política do Observador, Miguel Santos Carrapatoso. O governo afirma que a campanha de sensibilização para o acolhimento familiar está a ter resultados positivos. Foram certificadas até agora mais de cinquenta famílias e acolhidas trinta e quatro crianças.
Desde o início da ação, no final do ano passado, mais de seiscentas famílias mostraram interesse em aderir e estão a ser avaliadas cerca de outras cem candidaturas. O acolhimento familiar é uma medida temporária e transitória de acolhimento de crianças ou jovens. O jornalista do Observador, António José Soares, foi conhecer um casal que está a viver esta experiência pela segunda vez.
Estamos a acolher um bebê que fomos buscar ao hospital, tinha dois meses, neste momento tem sete. Tem sido fantástico a relação que temos criado com o nosso bebê.
João está a viver pela segunda vez com a mulher, a Maria João, a aventura de acolher uma criança. Dos três filhos biológicos do casal, apenas a mais nova está ainda em casa dos pais. E também para ela a experiência está a ser enriquecedora.
Para ela, tem sido uma descoberta do que é a vivência de estar com um bebê e de cuidar de um bebê.
Antes deste bebê, o casal acolheu dois irmãos, uma menina e um menino, com sete e três anos. Viveram com eles mais de quatro meses e ainda hoje recordam o momento da separação, quando as crianças regressaram à sua própria família.
Foi algo difícil. Por outro lado, tivemos alguns aspetos que nos aliviaram a tarefa, que foi sentir que eles iam para melhor, no sentido em que iria haver uma reunião com membros da família.
Obviamente, ficam imensas saudades dos miúdos, mas perceber que fomos importantes numa altura muito complicada da vida deles, fomos uma âncora que eles precisavam.
João sublinha ainda o papel das famílias de acolhimento no apoio a crianças e jovens que vêm muitas vezes de situações familiares bastante complicadas.
O que nós podemos fazer é tentar apoiá-los, tentar criar um ambiente familiar, tentar criar um conjunto de rotinas e de regras, mas também de muito carinho e muito apoio para que eles se possam sentir bem numa casa estranha, com uma família estranha.
Já Maria João deixou uma mensagem a todos os que estão a pensar se devem ou não avançar para o acolhimento familiar.
Avançar pra formação, pôr essas dúvidas e esses receios iniciais de parte e depois perceber se, de facto, se reúnem as condições e se a vontade se fortalece, e se esse bichinho cresce.
Fica então aqui o desafio da Maria João, que juntamente com o marido, faz um balanço positivo da experiência que têm vivido enquanto família de acolhimento.
António José Soares com uma destas famílias. Neste momento existem cerca de seis mil crianças institucionalizadas em Portugal. A Secretária de Estado da Ação Social e Inclusão, Clara Marques Mendes, reforça que a campanha está a ter um impacto positivo junto destas famílias.
É o sensibilizar, o informar e desmistificar algumas situações que ainda ocorrem no âmbito do acolhimento familiar. E depois temos também personalidades que estamos a convidar e que têm aceite ser, de certa forma, apadrinhar esta situação e serem embaixadores desta medida, famílias de acolhimento. E estamos nas redes sociais e também queremos chegar através da comunicação social para sensibilizar. Eu vou lhe dar um exemplo de algo que muitas vezes afastava as famílias De serem famílias de acolhimento. Dizia muitas vezes às famílias que tinham receio de acolher uma criança, criavam laços com a criança e depois a criança voltava à sua família biológica. E nós temos que desmistificar isto, porque o pressuposto de uma família de acolhimento é precisamente esse.
Clara Marques Mendes, ouvida pela Rádio Observador. Esta campanha arrancou em novembro do ano passado. O acolhimento decorre durante um determinado período em que a família biológica está num processo de reestruturação para que depois possa voltar a receber as crianças.
São 07h13, Carla, que outras notícias estão em destaque a esta hora?
O governo continua a ouvir as associações empresariais para avaliar o impacto das tarifas alfandegárias impostas pelos Estados Unidos. O ministro da Economia começou ontem a ronda de encontros com empresários. Tem estado a ouvir propostas para minimizar o impacto das exportações. A Associação Empresarial de Portugal já vai defender linhas de apoio e redução de impostos. As alegações finais do caso das golas antifumo vão decorrer hoje no Juízo Criminal de Lisboa. Em causa estão alegados crimes de fraude na obtenção de subsídio, participação económica em negócio e abuso de poder, relacionados com a contratação pública e compra de golas de autoproteção no âmbito do programa Aldeia Segura. Sentam-se no banco dos réus 18 arguidos, incluindo o ex-secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves. Daqui por uma hora são retomadas as operações de busca para encontrar o jovem de 16 anos que desapareceu na Praia do Dragão Vermelho, na Costa da Caparica, ontem ao final da tarde. A Autoridade Marítima Nacional conta que o jovem entrou em dificuldades na água. No local têm estado meios marítimos, terrestres e aéreos que vão ser reforçados esta manhã. Depois de garantir a liderança do campeonato, o Benfica visita hoje a casa do Tirsense, na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal. O Tirsense está em oitavo lugar na Série A do Campeonato de Portugal. Bruno Lage já avisou que vai fazer mudanças na equipa, como a ausência do capitão Otamendi. Já vos aconteceu, de certeza que sim, esquecerem-se de alguma coisa no Uber, uma mala, um casaco, um chapéu-de-chuva?
Certeza que sim, fala por ti.
Certeza que sim.
Olha agora.
Não. Sim.
Quem diz Uber, diz táxi. Obrigado, Paulo.
Sim, mas está bem. For the sake of the argument.
Assumam isso. Simba, tu és forte em esquecer coisas.
Ainda ontem, que nem sequer andei de Uber.
Ainda esta manhã, que vim no meu carro.
Tal e qual.
Que má vontade logo de manhã.
Que má vontade. Paulo, vou falar para ti.
Qual foi a última coisa que te esqueceste, Paulo? Tu que andas sempre de Uber.
Das charutadas.
Não. A Uber divulgou uma lista de perdidos e achados. E há coisas banais, como as charutadas.
Vocês não o ouvem dizer.
Mas há também coisas...
Um filho.
O Bruno foi o massageador facial. O Bruno esquece sempre isso no Uber. É uma coisa impressionante.
Há muitas coisas insólitas.
Diz, Carla.
Esta a Uber não divulgou, mas uma tartaruga.
Viva?
Ninja.
Viva?
Não sei dizer.
Como não sei se está viva.
É uma tartaruga. Também morta.
Eu vou explicar. Quando estas plataformas divulgam, também não podem dizer tudo, senão alguém pode se aproveitar. Claro. Com a tartaruga, de facto.
E se for morta, também se calhar foi de propósito, que é para tratar a pessoa de maneira diferente.
Pois é, se calhar inspirava-se outra vez. Ora, outras coisas mais.
Uma tartaruga, um balde de feijões, uma motosserra.
Um balde de feijões? Uma motosserra. Era um feijão preto?
Feijão preto.
Ainda não estava demolhado. Vocês vão ao detalhe. Papéis de divórcio de um passageiro. Se calhar não se esqueceu.
Não queria mesmo divorciar.
Um psicólogo ia ter muito a dizer sobre isso.
Será que era uma motosserra?
Uma motosserra também. Quem nunca? Foi a Miley.
Um par de orelhas do Shrek, também.
Isso é muito bom. É bom. Um ramo com 100 rosas vermelhas.
Olha a sorte do turista.
Como é que alguém esquece 100 rosas?
A sorte do turista fez uma figuraça quando chegou a casa.
Mais. A Uber diz que a cidade do mundo onde mais objetos se deixam ficar ou perder. É Nova Iorque. É Nova Iorque, claro que sim. Mas agora uma aplicação em que é possível recuperar os objetos perdidos.
Olha, Bruno, é lá que está o teu massageador facial.
É lá o meu massageador.