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Na cidade de Faro. As notícias das 19:00 na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. O caso Spin off Viva volta a marcar a campanha eleitoral. A fuga de informação antes do debate entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos pode constituir um crime. PS e PSD têm visões antagônicas sobre o processo e trocam acusações.

E eis que a empresa familiar do primeiro-ministro volta com força ao debate político. Em causa, a fuga de informação sobre a declaração de Luís Montenegro, enviada à Entidade para a Transparência, precisamente antes do debate televisivo de quarta-feira. O Observador avançou que o deputado do PS, Pedro Delgado Alves, tinha consultado informação sobre as declarações do chefe de governo. O próprio acabou por admiti-lo numa reunião da Comissão da Transparência e Estatuto dos Deputados. No entanto, Miguel Gato, o deputado socialista garante que não violou nenhuma norma.

É uma ideia repetida por Pedro Delgado Alves, que foi questionado sobre o tema ao longo de todo o dia de ontem. O deputado do PS, que também é membro do grupo de trabalho da Entidade para a Transparência no Parlamento, reitera que as informações prestadas agora por Luís Montenegro não estavam abrangidas por sigilo profissional e que as mesmas já deveriam ter sido objeto de divulgação por parte do primeiro-ministro, além de negar também Pedro Delgado Alves ter sido o autor da divulgação das informações presentes na notícia do jornal Expresso, onde foram precisamente avançados estes novos dados sobre a empresa de Montenegro.

Ora, quem não concorda, Miguel, é o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares.

Sim, que levantou na manhã de ontem a hipótese de estar em causa um crime com a divulgação destas informações. Poucas horas depois, também o deputado social-democrata Hugo Carneiro, que à semelhança de Pedro Delgado Alves, faz parte deste grupo de trabalho no Parlamento, considera que a informação sobre os novos clientes nunca poderia ter sido tornada pública. E à margem do que Hugo Soares disse ontem também no Explicador, aqui na Rádio Observador, reforça também Hugo Carneiro que podem estar em causa consequências criminais. Diz o deputado social-democrata que se trata de um caso muito grave. O deputado do PSD chegou mesmo a sugerir, durante o dia de ontem, que as autoridades investigassem e revelassem as fontes que acabaram por divulgar estas informações ao jornal Expresso, algo que o Sindicato dos Jornalistas já vem em comunicado classificar como uma tentativa clara de pressão que ameaça a liberdade de imprensa.

E este, Miguel, é um caso que levanta dúvidas, até porque não se sabe se esta fuga de informação veio ou não de um deputado da Assembleia da República. Ainda assim, se for esse o caso, pode mesmo estar em causa a prática de um crime.

A questão é levantada pelo PSD e ao Observador, o penalista Paulo Saragoça da Mata reconhece que pode mesmo estar em causa o crime de violação de segredo, por divulgação de informação sigilosa. O advogado entende que se um deputado acede a dados por força de uma credenciação especial, que não está disponível ao público, não pode divulgá-la e, portanto, Paulo Saragoça da Mata aponta para uma pena de prisão de três anos ou uma multa entre 100 a 200 dias, se for provado, Carla, que um deputado esteve envolvido nesta fuga de informação.

Miguel Gato, aqui a olhar para os mais recentes desenvolvimentos do caso Spin off Viva e que promete reacender o debate político. A campanha eleitoral começa oficialmente no domingo.

E este vai ser o tema do Explicador para ouvir aqui depois do jornal das 21:00. E a poucos dias dessa campanha, Carla, começar, Luís Montenegro recupera o tema da imigração. O presidente do PSD foi ao Algarve para reforçar a importância de haver regras de entradas no país.

Para garantir que quem entra de forma legal em Portugal tem condições de trabalho e vida dignas. O presidente do PSD dá o exemplo da região do Algarve para recuperar o mote: nem portas fechadas, nem escancaradas.

O Algarve sabe muito bem que a porta aberta criou uma imagem que foi prejudicial ao Algarve. Mas o Algarve também não quer a porta encerrada, fechada à chave, com trancas. Porque se o Algarve não tiver uma imigração regulada, com a possibilidade de integrar cidadãos que vêm de outros países para ajudar a força de trabalho do Algarve, o Algarve não tem capacidade de resposta para poder ter a sua economia ativa, competitiva, a exponenciar todo o seu potencial.

Luís Montenegro, ontem à noite, numa ação no Algarve, o presidente do PSD acusou também o Partido Socialista e o CHEGA de estarem nos antípodas em matéria de imigração.

E ainda sobre o dia do apagão, uma mulher que estava ventilada morreu por falta de oxigênio. O Ministério da Saúde pediu uma auditoria para apurar as circunstâncias da morte.

A mulher, de 77 anos, estava ventilada em casa, no Cacém, Conselho de Sintra. A RTP conta que a máquina que lhe fornecia oxigênio ficou sem bateria na segunda-feira, dia em que o apagão deixou o país sem eletricidade, nem comunicações. A família ligou para o 112, quando a bateria do ventilador estava a 50%. O INEM chegou ao local 36 minutos depois. Já a mulher tinha morrido de paragem cardiorrespiratória. O INEM justificou o atraso à RTP com o trânsito muito condicionado. Depois da emissão desta reportagem, o Ministério da Saúde pediu uma auditoria à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde para esclarecimento do caso. Num primeiro balanço depois do apagão, o ministério de Ana Paula Martins tinha dito inicialmente não ter conhecimento de nenhuma situação grave de saúde ou fatal por falta de socorro médico.

E o apagão volta a lançar o debate sobre as falhas do sistema SIRESP.

A ministra da Administração Interna reconheceu em público que o SIRESP falhou na segunda-feira. Proteção Civil, Bombeiros e INEM também dão conta de dificuldades nas comunicações com o sistema. Luís Correia, professor no Instituto Superior Técnico na área de comunicações móveis, explica que têm de ser encontradas alternativas à forma do sistema funcionar para evitar novas falhas

Aquilo que eu acho é que sendo o SIRESP uma rede de emergência e segurança, a tal diversidade, a tal redundância que eu falei, que tem que existir nas ligações da estação base, tem que existir outros níveis também, e o da energia é outro. Portanto, se não é pensável, aceitável, que os operadores comerciais instalem geradores em todas as estações base, por exemplo, por várias razões. Eu diria que na rede SIRESP, isso já seria algo a ter em consideração para dizer o mínimo.

A análise de Luís Correia, professor no Instituto Superior Técnico na área de comunicações móveis, convidado da história do dia, considera que esta falha deve servir como um alerta para resolver as limitações do sistema SIRESP.

E aproxima-se mais um fim de semana de urgências fechadas, sendo que a partir de agora os hospitais só podem fechar os serviços com aval da direção executiva do SNS.

A medida entrou ontem em vigor, faz parte do plano para a resposta sazonal em saúde para o verão. O objetivo é reforçar a resposta do SNS numa época caracterizada por um aumento da procura dos serviços de saúde. Mas, Rui Casanova, à semelhança dos últimos fins de semana prolongados, também este vai ter muitos constrangimentos.

E os problemas começam já hoje. Há cinco urgências fechadas, são elas: as urgências de ginecologia e obstetrícia dos hospitais Garcia de Orta, Amadora-Sintra, Barreiro e Santarém. Também a urgência de obstetrícia do Hospital de Vila Franca de Xira está hoje encerrada. Ou seja, mais uma vez, os problemas são sobretudo ao nível da ginecologia e obstetrícia para as grávidas, com os hospitais da Grande Lisboa, uma vez mais, a serem os mais afetados.

E Rui, o cenário agrava-se amanhã. Aumenta para nove o número de urgências fechadas.

Sim, além destas que falámos agora, juntam-se as urgências de ginecologia e obstetrícia dos hospitais das Caldas da Rainha, Leiria e Faro. Os problemas estendem-se também à pediatria. Amanhã estão encerrados os serviços de urgência dos hospitais de Vila Franca de Xira e do Beatriz Ângelo, em Loures. O cenário vai ser semelhante no domingo, sendo que nesse dia também o Hospital de Abrantes vai ter a urgência de ginecologia e obstetrícia encerrada. São dados disponíveis a esta hora no portal do SNS.

Rui Casanova, com os constrangimentos nas urgências neste fim de semana, em que muitos portugueses fazem ponte por causa do feriado de ontem, depois dos fins de semana prolongados da Páscoa e do 25 de Abril, vem aí mais um fim de semana com muitos serviços hospitalares encerrados.

São agora 07h09. Carla, que outras notícias estão em destaque nesta manhã de sexta-feira?

Um fim de semana de chuva que vem aí. Todos os distritos do continente estão hoje sob aviso amarelo. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera prevê também trovoada, sobretudo no norte, centro e litoral. Os enfermeiros da Unidade Local de Saúde do Algarve começam hoje uma greve. Reivindicam o pagamento de retroativos desde 2018, feriados e dias de descanso semanal. A greve convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses começa às 08h e repete-se nos dias 08 e 09 de maio. O Instituto Nacional de Estatística divulgou hoje a estimativa rápida do crescimento da economia portuguesa no primeiro trimestre de 2025. É esperada uma desaceleração face ao final do ano passado. Esta estimativa já devia ter sido divulgada, mas foi adiada por causa do apagão de segunda-feira. Reta final do campeonato. O Futebol Clube do Porto recebe hoje o Moreirense, na antepenúltima jornada da Liga. Os Dragões vão tentar voltar às vitórias. Já o Moreirense segue em décimo lugar na tabela. O jogo no Estádio do Dragão começa às 20h15 e vai ter relato e comentários aqui na Rádio Observador. E agora uma pergunta: quando já pensávamos que a inteligência artificial tinha entrado em todos os domínios, agora se calhar mais um. Sabiam que pode, por exemplo, destruir casamentos?

Tudo pode destruir casamentos.

Depois daquela história do Brad Pitt. Pode tudo.

Destruiu uma vida e um coração.

Pois foi, mas aqui entramos noutro domínio. Uma mulher no Reino Unido vai divorciar-se porque se apaixonou pelo parceiro que ela própria criou com recurso à inteligência artificial.

Eu pensei que tinha pedido conselhos.

O homem perfeito.

Ela desenhou o homem perfeito.

É o único que existe, não é, Maria João? O perfeito.

Fala por ti.

O meu é.

Sim, o meu é.

Esta mulher também acho que já pode ter pensado nisso. Pois, mas já estava casada há 20 anos e começou a falar com a inteligência artificial. Criou um parceiro só para se distrair, mas a coisa foi ficando cada vez mais séria.

Mas também pouca exigência, não é?

Por que dizes que é pouca exigência?

Digo que não cumpre todos os requisitos.

Não?

Ela diz que nunca esteve tão feliz como agora. E vai casar.

Vai casar.

Vai casar em Itália. Criou um casamento virtual também. Por que não?

E como é que será a noite de núpcias?

João, a imaginação permite tudo.

É pilhas.

Olha, vocês estão aqui a brincar, mas ela diz que prefere-

Literalmente é pilhas

...prefere que haja pessoas como vocês que desdenham.

Claro, quem desdenha quer comprar, se me permite dizer.

Pilhas agora faz muita falta.

Por isso é que eu preferia as pilhas.

O que diz, Carla? A senhora quer o quê?

Ela diz que prefere sentir-se amada. E agora sente-se amada.

Então claro! Isso, olha, isso é o mais importante.

É o mais importante.

Olhe, pilhas para as duas.

Não desdenhem.