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Muito bom dia. Notícias às 7, na Rádio Observador, com Carla Jorge de Carvalho. A Proteção Civil garante que não houve ocorrências significativas durante a madrugada. As autoridades continuam ainda assim atentas, sobretudo à situação em Coimbra e na Grande Lisboa.

Começamos em Coimbra. A presidente da Câmara Municipal alerta para a possibilidade de cheias centenárias. Avisa que podem ter de ser retiradas de casa 9000 pessoas, caso se confirmem as piores previsões. Ontem à noite, Ana Abrunhosa alertou para o risco de inundações na baixa da cidade, que continua sob alerta. As escolas e a universidade estão hoje fechadas. Contactada pela Rádio Observador, fonte oficial da Proteção Civil garante que esta madrugada não houve ocorrências de destaque a nível nacional e com particular atenção para Coimbra. É para lá que vamos agora, em direto, ao encontro do repórter Luís Soares. Bom dia, Luís. Apesar de continuar a chover, para já está tudo normal na baixa da cidade.

Bom dia, Carla. Continua a chover e neste momento cai um enorme aguaceiro aqui sobre a cidade de Coimbra. De resto, tem sido assim ao longo de toda a noite. Alguma chuva que vai caindo, depois para, depois volta a cair, mas sempre aqui num regime de aguaceiros, aqueles pingos grossos que molham muito e que de facto se sente muito quando cai este aguaceiro. O certo é que o Mondego continua, pelo menos aqui na baixa, dentro das margens. Continua a correr robusto, mas está dentro das margens e aqui na baixa de Coimbra, junto à estação velha, que é uma das zonas possivelmente inundáveis, para já está tudo normal. O trânsito circula com normalidade junto ao Mondego. O receio é que por volta das 15h, que será a hora do pico, estas zonas mais junto ao rio e também zonas junto a ribeiras, possam ser inundadas, sobretudo porque também continua a chover junto da Barragem da Aguieira. Pode eventualmente acontecer que a barragem possa ter que continuar a debitar muita água e assim, dessa forma, o Mondego tenha que receber mais água da barragem e juntamente com a água da chuva, possa depois aumentar a cota na ponte Sudo e a água depois bater na ponte e voltar para trás e acabar por causar essa cheia aqui na baixa de Coimbra. Por isso mesmo, ontem à noite, Ana Abrunhosa, a presidente da Câmara de Coimbra, deixava um apelo às pessoas, sobretudo em zonas junto a ribeiras, para que recolhessem alguns pertences, porque só depois das 08h é que haverá essa avaliação sobre se é ou não necessário retirar pessoas.

O que pedimos às pessoas é que hoje ponham a salvo animais e os seus bens. A probabilidade de amanhã, às 08h, 09h, nós termos os nossos presidentes de junta, que têm feito um trabalho extraordinário, estarem a avisar as pessoas que devem sair de casa, a GNR, a PSP. Portanto, o que pedimos às pessoas é que estejam atentas às comunicações que nós vamos enviar da Proteção Civil e das autoridades. Vão receber nos telemóveis, mas, por favor, aceitem e sigam as orientações das autoridades.

O apelo deixado por Ana Abrunhosa ontem à noite, na conferência de imprensa em que foi feito o ponto de situação relativamente àquilo que se vai passando em Coimbra, com essa garantia de que a situação está em constante monitorização, nomeadamente também no que diz respeito ao dique de Coimbra. O certo é que ao longo da manhã vão continuar a existir reuniões e pontos de situação para perceber se, de facto, é ou não necessário retirar pessoas, sobretudo de zonas junto a ribeiras. E essa avaliação será feita apenas durante a manhã. Vamos ter que aguardar para perceber exatamente se as autoridades decidem ou não retirar essas cerca de 9000 pessoas de casa.

Luís Soares, não faltará muito para que essa decisão seja ou não tomada. Vamos continuar a contar contigo também para nos ires dando conta do que se passa em Coimbra. É uma das zonas mais afetadas pelo mau tempo nesta altura. As cheias já obrigaram à retirada de cerca de 3500 pessoas no distrito. A Câmara Municipal de Coimbra garante que está preparada para retirar mais 9000.

Atenções viradas também para a Grande Lisboa. Como já dissemos, a Proteção Civil alerta para a possibilidade de cheias urbanas por causa da chuva intensa.

Foi assim a madrugada, em Lisboa e em Setúbal, as zonas que mais preocupam as autoridades por causa da possibilidade da subida dos caudais dos rios Tejo e Sado. Nas próximas horas vai continuar a chover e por isso há o risco de inundações, como alerta o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre.

Os efeitos expectáveis são cheias em cursos d'água. Neste momento, com o fenômeno previsto para a zona da Grande Lisboa e Península de Setúbal, o impacto será sobretudo de cheias rápidas e, portanto, a precipitação poderá causar cheias rápidas e o comportamento, todos nós já sabemos, com inundação, por exemplo, de garagens e outros espaços que fiquem abaixo da cota.

Mário Silvestre alerta ainda para a possibilidade da ocorrência de deslizamentos de terras. Pede à população para que se mantenha vigilante. Todos os distritos do continente estão hoje sob aviso amarelo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera para chuva, vento e queda de neve. A situação deve melhorar amanhã. A chuva vai dar tréguas. O IPMA prevê o regresso do sol.

E Carla, há também muitas dificuldades nos transportes. Os comboios de longo curso na linha ferroviária do Norte, entre o Porto e Lisboa, foram suspensos por razões de segurança e não há previsões para a retoma da circulação.

Também por causa do agravamento do estado do tempo, é o que informa a CP numa publicação nas redes sociais. Ontem à noite, a CP disse que previa retomar hoje parcialmente oito comboios de longo curso. Entretanto, por causa do agravamento das condições, suspendeu completamente a circulação. A ligação fluvial da Transtejo entre as estações do Seixal e do Cais do Sodré também está interrompida esta manhã, pelas mesmas razões. A nível nacional, há muitas dificuldades nos transportes, sobretudo devido ao corte da A1, depois do abatimento de um troço em Coimbra, na zona do rio Mondego.

E por isso há empresas a anunciar medidas. Por exemplo, a TAP está a reforçar voos Lisboa-Porto Por causa precisamente do corte da Autoestrada do Norte.

Sim, estão previstos mais sete voos da transportadora aérea portuguesa por semana e o aumento da capacidade em alguns horários. Já nos autocarros, a Rede Expressos esclarece que as viagens entre Lisboa e o Porto estão garantidas por vias alternativas, ou seja, apesar do corte da A1.

O Presidente da República avisa que a reconstrução do país depois das sucessivas tempestades vai demorar muito tempo e pode voltar a colocar Portugal no vermelho.

Com a possibilidade do regresso aos défices, Marcelo Rebelo de Sousa alerta para os custos elevados da recuperação do país. Diz que vai ser longa e difícil para as autarquias.

As tais infraestruturas importantes para a circulação, as pontes que caíram. Tudo isso somado exige não só mais dinheiro, mas mais tempo. Vai ser, como eu dizia ontem, praticamente a vida de muitos autarcas e uma parte importante da vida do governo nos próximos três anos ou quatro.

Marcelo Rebelo de Sousa está satisfeito com o anúncio do Primeiro-Ministro de elaborar um plano de recuperação e resiliência exclusivamente para esta situação. Diz que todos os dias estão a ser conhecidas novas dificuldades, por isso elogia a iniciativa, mas deixa também um aviso aos ministérios.

E bem, foi pedido, porque esta é uma questão interministerial, ou seja, cobre todos os setores. Não é só administração interna, é economia, é finanças, é assuntos sociais, é a participação da defesa nacional, é consequências no domínio educativo. Tudo isso passa por vários ministérios e o Primeiro-Ministro permanentemente e a presença do Conselho de Ministros a fazer uma coordenação e a pedir aos vários ministérios: "Deem-me elementos para um programa que possa cobrir tudo".

Declarações do Presidente da República aos jornalistas ontem em Lisboa. Marcelo Rebelo de Sousa confirma também que pretende regressar ao terreno este fim de semana. Está a aguardar pelas próximas horas para decidir a que localidades se vai deslocar.

Pedro Passos Coelho critica a resposta do Estado às tempestades, mas recusa dar conselhos a quem não os pede. É a segunda intervenção pública do antigo Primeiro-Ministro esta semana.

Pedro Passos Coelho volta a falar, desta vez sobre as tempestades e da resposta do governo. Considera que depois da fase crítica, vai haver um momento em que a organização do Estado deve ser avaliada.

Terá de haver, claro, um tempo em que outras considerações se possam fazer sobre a maneira como o Estado está organizado. Mesmo quando tem funções regulatórias, é patente que o Estado não exerce essa função regulatória adequadamente. Há reguladores que talvez não estejam a impor as obrigações de serviço público que são necessárias. Eu sou daqueles que defende que o Estado não deve fazer tudo. A produção pode estar por conta de terceiros, mas tem que ter uma função forte, reguladora, fiscalizadora e tem que impor que as obrigações de serviço público estejam garantidas. Nós hoje em dia vemos que às vezes isso não acontece.

Pedro Passos Coelho à margem da apresentação de um livro. O antigo primeiro-ministro considera que algumas vezes os privados não cumprem as funções que lhes são confiadas pelo Estado em momentos importantes e decisivos para a vida das pessoas.

Este é o tema do Explicador desta manhã. É o nosso convidado Rui Moreira, ex-presidente da Câmara do Porto e signatário de um manifesto que defende a descentralização. É por ouvir, como sempre, depois do jornal das 9h. O Ministério Público abriu um novo inquérito sobre a casa de Luís Montenegro, em Espinho. As autoridades suspeitam de fraude fiscal.

Em causa está uma possível discrepância entre os custos da construção e o que foi declarado. De acordo com o semanário Expresso, o Departamento de Investigação e Ação Penal abriu um novo inquérito-crime à moradia de Montenegro. Em janeiro deste ano, já ouviu dois dos empreiteiros envolvidos na obra. Recorde-se que já tinha havido um primeiro inquérito sobre a casa do Primeiro-Ministro. Havia suspeitas de que Montenegro tinha obtido benefícios fiscais indevidos, mas o processo foi arquivado em dezembro de 2024. De acordo com o Expresso, o novo inquérito agora aberto está a partir de outro ângulo, que tem a ver com a própria construção do imóvel.

E depois dos pedidos de demissão nos principais conselhos de administração hospitalar no país, o governo nomeou uma gestora sem experiência para o Amadora-Sintra e um militante do PSD para o Hospital São José.

Nomeou Miguel Paiva para presidir à Unidade Local de Saúde São José. Antes, estava à frente da Unidade Local de Saúde de Entre Douro e Vouga. Miguel Paiva tem fortes ligações ao PSD, foi presidente da concelhia social-democrata de Vila do Conde e liderou nas últimas eleições autárquicas a candidatura da AD à Assembleia Municipal da mesma autarquia do distrito do Porto. De acordo com o que o Observador apurou, a nomeação de Miguel Paiva terá sido uma escolha conjunta do Primeiro-Ministro e do diretor executivo do SNS, ambos com uma estreita ligação às estruturas do PSD na região Norte. Já a escolha do governo para a liderança do Conselho de Administração do Amadora-Sintra é Sandra Cavaca, até agora presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde. Tem uma carreira ligada à área administrativa da saúde, mas não tem qualquer experiência operacional em contextos hospitalares. Ao que apurou o Observador, Sandra Cavaca foi uma escolha de recurso do governo, mas é uma mulher que tem a confiança da ministra da Saúde. As duas nomeações foram decididas ontem em Conselho de Ministros.

São agora 7h12, Carla, que outras notícias estão em destaque nesta sexta-feira?

A Conferência de Segurança de Munique arranca hoje com a presença confirmada de mais de 60 chefes de Estado e de governo, uma centena de ministros e cerca de mil participantes de 120 países. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, vai estar presente também nesta conferência, em que Portugal é representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. O Benfica joga hoje nos Açores frente ao Santa Clara, no jogo que abre a jornada 22 do campeonato. Os encarnados tentam aproximar-se dos rivais. Estão a sete pontos do líder, o Futebol Clube do Porto, e a três do bicampeão, o Sporting. O jogo está marcado para às 18h30. Vai ter relato e comentários em direto aqui na Rádio Observador. O artista Vhils vai fazer o retrato oficial de Marcelo Rebelo de Sousa na presidência. O chefe de Estado está a terminar o mandato, já sabemos. Como é habitual, vai deixar uma obra no Museu da Presidência e Marcelo decidiu romper com a tradição mais clássica dos retratos institucionais e escolhe Vhils.

Que faz coisas espetaculares.

Espetaculares.

Estou muito ansiosa para ver.

Vamos ter um retrato com latas de Coca-Cola.

Ou uma mão na parede.

Muito curiosa. E quando é que podemos ver o resultado?

A apresentação vai estar marcada para 3 de março. É muito pouco antes. A tomada de posse é 9 de março, são uns dias antes. O resultado está em sigilo absoluto. Aliás, há declarações de Marcelo ao Expresso, que diz apenas isto: "A obra está pronta, não é um retrato, é uma coisa assim". Portanto, estou ansiosa.

Sim, reticências, muitas reticências. Talvez venha, portanto, um retrato diferente, com certeza, não é? Também não será o primeiro.

Não será o primeiro. Quem se recorda sabe que Mário Soares escolheu Júlio Pomar e o retrato criou imensa polémica. A seguir, Sampaio com Paulo Rego. E agora Vhils, são diferentes.

Muito curiosa, sim.