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As notícias com Laura Figueiredo.
Bom dia, vamos actualizar a informação e numa altura em que o Irão continua a retaliação pela morte do líder supremo, Donald Trump deixa um aviso. Diz que é melhor que parem os ataques ou ameaça que os Estados Unidos vão atacar com uma força nunca antes vista. Numa publicação na rede social Truth Social, o presidente norte-americano diz que o Irão declarou que hoje vai atacar com mais força do que alguma vez atacou. Donald Trump avisa que é melhor que não façam isso ou vão sofrer as consequências. Ao início da manhã, o Irão lançou uma nova vaga de ataques sobre vários países do Medio Oriente. É já a sexta vaga. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irão já confirmou, entretanto, estes novos ataques, que de acordo com a CNN Internacional, atingiram pelo menos Israel, Dubai, Doha, no Qatar, também o Bahrain e o Iraque. Tudo isto faz parte da retaliação em curso do Irão, que já atacou até agora 27 bases militares norte-americanas. São ataques que se seguem à confirmação da morte do líder supremo do Irão, o Aiatolá Ali Khamenei. Há pouco, o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, confirmou que o líder iraniano morreu logo no primeiro ataque norte-americano-israelita, que aconteceu há cerca de 24 horas. Ali Khamenei foi morto no gabinete enquanto trabalhava durante as primeiras horas da manhã de sábado, logo depois dos ataques terem começado. Estaria reunido com a equipa mais próxima, alguns dos quais também terão sido mortos. A filha e o neto do líder supremo do Irão também morreram neste ataque. Agora, 88 clérigos seniores têm em mãos a tarefa de escolher o sucessor para a liderança do Irão. Até ser tomada uma decisão, o presidente do Irão e o chefe do Poder Judiciário estão a liderar temporariamente o conselho interino que vai governar o país. E para suceder a Ali Khamenei, há já vários nomes em cima da mesa, incluindo o nome do neto. De acordo com o plano do Aiatolá, entre os possíveis sucessores estão o líder do departamento jurídico iraniano ou também o chefe de gabinete, ainda o neto do líder supremo, que surge como uma hipótese, isto para além do próprio filho de Ali Khamenei, embora algumas fontes indiquem que o Aiatolá não queria que o cargo fosse hereditário. Outro dos possíveis candidatos para liderar o Irão já também reagiu ao anúncio da morte de Ali Khamenei. Nas redes sociais, Reza Pahlavi, o filho do último xá, diz que o assassino de dezenas de milhares dos filhos e filhas mais corajosos do Irão foi apagado das páginas da história. De acordo com o autoproclamado príncipe herdeiro, com a morte de Khamenei, a República Islâmica chegou efetivamente ao fim. Rapidamente vai fazer parte do caixote do livro da história. Reza Pahlavi apelou também ao exército e às forças de segurança para que se juntem à população iraniana nesta fase política, que considera decisiva para o futuro do país. Esteve durante anos em exílio, o príncipe herdeiro do Irão, e nunca negou a possibilidade de poder vir a assumir uma monarquia iraniana. A restauração da monarquia no país foi inclusivamente pedida pelos manifestantes nos últimos protestos no Irão. Donald Trump diz que agora a diplomacia está mais fácil depois de terem atacado o Irão. Numa entrevista à CBS, o presidente norte-americano afirma que os Estados Unidos estão agora melhor posicionados para chegar a uma solução diplomática com os iranianos. Isto porque, de acordo com Donald Trump, o Irão está a levar uma grande tareia. Nesta mesma entrevista, o presidente norte-americano disse que já tem uma ideia de quem quer que lidere o Irão. Considera que há muitos bons candidatos e afirma que esperava mais retaliação por parte do Irão. Na análise, o coordenador do Observatório de Relações Exteriores considera que uma eventual queda do regime iraniano pode vir a ter o efeito inverso ao pretendido pelos Estados Unidos e por Israel. Isto porque o sucessor pode até trazer uma linha ainda mais endurecida ao regime iraniano. Ouvido pela Rádio Observador, o professor catedrático Luís Tomé avisa que o Irão já estava preparado para a morte do líder supremo e que o futuro pode não ser tão risonho quanto Donald Trump e Benjamin Netanyahu queriam.
O regime está há muito tempo preparado para a eventualidade de, quer Khamenei, quer outros altos dirigentes políticos, militares e do corpo da Guarda Revolucionária serem mortos em situações como esta. Portanto, não me parece que a morte de Khamenei, a confirmar-se, por si só, signifique o fim do regime ou uma mudança dentro do regime no sentido daquilo que Donald Trump e Netanyahu pretendem. Eu não acredito que a queda de Khamenei torne o regime mais dócil, o torne mais predisposto a uma solução diplomática. Pelo contrário, podemos ter uma linha dura ou um regime mais endurecido nos próximos tempos, porque é a existência do regime que também está em causa. E, portanto, isso torna-o mais perigoso, pode até ser mais imprevisível naquilo que se possa antever do controle de escalada.
Análise do professor catedrático Luís Tomé à situação no Irão. Vamos ainda à política nacional. Pedro Passos Coelho diz que caso seja necessário voltar à política, é sinal de que o governo do PSD fez um mau trabalho. Uma posição assumida ontem à noite numa conferência no Museu do Oriente, em Lisboa, onde o antigo primeiro-ministro deixou também críticas à estratégia do Executivo para reformar o Estado. Passos Coelho diz que nunca afirmou que se tinha retirado da vida política ativa para sempre. Reforça que os sociais-democratas estão no poder e, por isso, acredita que só vai precisar de ajudar o país se a governação do PSD correr mal.
Não há de ser, seguramente, pelas melhores das razões, porque se tudo correr bem e as coisas correrem de modo a que o país esteja satisfeito, e o PSD, que está no governo, está satisfeito com o seu desempenho, por que razão é que agora hão de ir ao baú da história apanhar um tipo? Não percebo porquê. Portanto, não sei se algum dia voltarei a ser preciso ou não.
Pedro Passos Coelho, ontem à noite, numa conferência no Museu do Oriente, em Lisboa. É o ponto final neste noticiário. As notícias estão de regresso às 19h30.