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Bom dia, notícias às 7:00, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. Começamos com os primeiros impactos da greve geral: transportes parados, voos cancelados e recolha do lixo com constrangimentos. A paralisação já se faz sentir com a CGTP a falar na adesão de 100% em alguns serviços e a pedir mais humildade ao primeiro-ministro. Tal como era esperado, a greve começou a fazer sentir-se ontem à noite, sobretudo no setor dos transportes. O Metropolitano de Lisboa parou às 11:00 da noite e não há serviços mínimos. No Porto, o metro apenas circula em duas linhas. Há impactos também na aviação. De acordo com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil, 65% dos voos planeados para as últimas horas foram cancelados. O Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local afirma que a recolha do lixo também não avançou ontem à noite. Vamos ao encontro do repórter Carlos Pedro. Ele está a acompanhar a caravana da CGTP, que faz desde ontem à noite um circuito pelos principais serviços afetados. Carlos, o secretário-geral da Central Sindical já fala de uma adesão de 100% dos trabalhadores em alguns setores e também com recados diretos ao primeiro-ministro.
Sim, Carla, é mesmo um dia de greve geral, a 12.ª paralisação nacional desde o 25 de abril, que arranca com críticas ao governo e, em especial, dirigidas ao primeiro-ministro Luís Montenegro. Tiago Oliveira é perentório ao elencar o grande objetivo desta nova greve geral, tal como a do final do último ano, a 11 de dezembro. A CGTP assume o objetivo único de derrotar o pacote laboral proposto pelo governo, a quem diz faltar humildade, precisamente depois de ontem Luís Montenegro ter admitido que não espera uma adesão significativa a esta greve.
Para começar, acho que a CGTP e qualquer trabalhador espera é mais humildade por parte do primeiro-ministro. O governo, ao longo destes 10 meses, tem mostrado uma profunda arrogância e prepotência na condução deste processo. As palavras do primeiro-ministro ontem, em vez de se preocupar com o fato de, na sua legislatura, esta ser a segunda greve geral, em vez de se preocupar com as razões que trazem os trabalhadores para a rua, para a luta, para assumir mais um momento de luta, o primeiro-ministro sai-se com coisas que demonstram falta de humildade.
As críticas de Tiago Oliveira à Rádio Observador. A Central Sindical está na rua, como dizias, Carla, desde ontem à noite, passou pelo Centro de Reciclagem de Lisboa, por uma empresa de tecnologia e esteve também nas instalações do Metropolitano de Lisboa, que, à semelhança da Transtejo, não teve serviços mínimos decretados pelo tribunal. Também à Rádio Observador, Tiago Oliveira avançou com os primeiros números desta paralisação.
Neste momento, durante a noite, temos alguns dados que nos dão nota de hospitais e unidades locais de saúde que estão a funcionar apenas com serviços mínimos. Recolha de resíduos urbanos, na maioria dos distritos, está 100% de adesão à greve. Portos de Setúbal e Sines estão encerrados. Transportes com uma grande adesão, o metro de Lisboa, Transtejo Soflusa, a CP, setor rodoviário de passageiros, o setor aéreo com forte impacto na adesão à greve e no setor da indústria, aquelas empresas que trabalham à força dos turnos durante a noite, podemos dizer que estamos com adesões de 100% ou, em muitos casos, com a produção parada. Esta é a realidade daquilo que é a vontade dos trabalhadores de derrotar este pacote laboral.
E como testemunhamos às 06:00 da manhã, na estação ferroviária de Santa Apolónia, os impactos também já se notam significativamente. Várias pessoas entraram e saíram quase de imediato da estação. Quando olharam para os ecrãs gigantes, é que 10 dos 11 comboios previstos para o período entre as 05:50 e as 07:30 da manhã foram suprimidos. Tiago Oliveira respondeu-nos ainda sobre o fato de a UGT, desta vez, não aderir à greve. Diz que não está incomodado, salienta que é uma decisão da própria UGT e tem outra convicção. Diz que todo e qualquer trabalhador está contra este pacote laboral. De resto, Carla, estamos agora na fábrica de automóveis Auto Europe, o maior investimento estrangeiro no país, onde também se espera uma paralisação total. A caravana da CGTP foi recebida aqui por diversos trabalhadores. Trabalhadores desta empresa que aderiram à greve há cerca de uma semana e na moção assinada pelo sindicato do setor a reforçar uma luta contra o pacote laboral, dizem mesmo que os trabalhadores estão muito perto de derrotar esta proposta do governo.
Parece ser a convicção que mais se ouve esta manhã aqui com a reportagem do Carlos Pedro, é o repórter que vai, durante as próximas horas, acompanhar esta carrinha da CGTP. A caravana vai passar ainda esta manhã por uma escola, pelo Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e também pelo Aeroporto Humberto Delgado. E continuamos a dar destaque ao impacto da greve no setor dos transportes. É histórico, como dizia o Carlos Pedro, já são muitas as pessoas afetadas. Já falamos do metro, já falamos dos comboios. Destaque agora para os barcos que fazem a travessia do Rio Tejo. Está em direto neste jornal o presidente do Conselho de Administração da Transtejo Soflusa, Rui Rei. Bom dia, obrigada por estar conosco. A primeira pergunta vai precisamente no sentido de perceber qual é o impacto, se é que existe, nestas primeiras horas da manhã, à greve geral nos barcos.
Bom dia, muito obrigado pela vossa atenção e preocupação. Nós estamos a conseguir fazer operação e dar serviço de transporte público de passageiros, que é essa a razão da nossa existência. Infelizmente, o tribunal arbitral não decretou serviços mínimos. Vejam, pasme-se, que quem avaliou esta situação diz que a passagem fluvial não é alternativa. Deviam estar aqui hoje de manhã a olhar a passagem de milhares de pessoas em Cacilhas, porque estamos a fazer essa passagem em Cacilhas. Vamos oferecer também transporte no Seixal e no MontijoPortanto, nós estamos a fazer o nosso serviço, agradecemos aos nossos colegas, aos nossos trabalhadores que estão a fazer, e que não se deixam envolver por situações que não nos dizem respeito. A bem da verdade, o que nos diz respeito é o transporte público e o direito à liberdade que as pessoas têm de ir trabalhar, se assim entenderem que o devem fazer.
Mas está a dizer que não há serviços suspensos, não há ligações que estão suspensas. Há algumas.
Neste momento, há uma ligação no Barreiro que não está a ser feita. Estamos a avaliar em que circunstâncias podemos ou não ainda retomar esse serviço. Mas retirando essa ligação, em todas as outras estamos a dar oferta de serviço público, podem consultar no nosso site. A nossa segunda maior operação, que é Cacilhas, está a funcionar praticamente dentro da normalidade. E estamos a dar oferta. Basta ver os milhares de pessoas que já passaram hoje de manhã, que continuam a passar nesta ligação entre a Transtejo Soflusa e o Metro Sul do Tejo, que também está a funcionar. Portanto, nós recusamos que não se possa dar serviço público de transporte de passageiros e, obviamente, que desafiamos a que se faça a alteração deste modelo de conivência nas decisões, que não beneficiam ninguém. Muito pelo contrário, prejudicam a esmagadora maioria dos cidadãos portugueses. E portanto, do nosso ponto de vista, é inaceitável este sistema tal como está montado, e é preciso dizer: o rei vai nu. Quer dizer, este sistema não serve a esmagadora maioria dos cidadãos portugueses.
Rui Rei, está muito crítico da decisão do tribunal arbitral de não decretar os serviços mínimos nas ligações do Tejo. Isto significa que vai contestar a decisão?
Já contestámos ontem. É pena é que os portugueses não tenham conhecimento e não tenham assistido àquela reunião.
O que aconteceu na reunião que os portugueses precisavam de saber?
É uma reunião deplorável. O que ali se passou é absolutamente deplorável. O senhor que foi responsável por essa avaliação fez uma declaração, aliás, não fez uma declaração de interesses, devia ter feito uma declaração de interesses, porque o seu julgamento é o de uma pessoa que vive na estratosfera, vive noutro planeta. E portanto, havia lá também uma outra pessoa responsável e dos sindicatos, que teve a ousadia de dizer que nas embarcações do Tejo passavam três, quatro pessoas. Há aqui situações que os portugueses não sabem, a forma como este tipo de regras se fazem. Como é que é possível dizer que se dá serviços mínimos à Carris para que os cidadãos possam ir ao hospital e não se dá serviços mínimos à Transtejo Soflusa numa travessia absolutamente vital na esmagadora maioria das ligações que temos? Basta-se aqui a Cacilhas ou outros pontos para ver os milhares de pessoas que atravessam. E os milhares de pessoas que um conjunto de entidades em Portugal dizem defender. Pessoas que vão pôr a cidade a trabalhar, pessoas humildes, pessoas com dificuldades e que vêm aqui trabalhar. Portanto, isto do nosso ponto de vista é inaceitável. Nós temos que passar a outro nível. Nós estamos em 2026, no século XXI. Não estamos no século XIX.
E daí ter apresentado já a contestação ontem. Rui Rei, muito obrigada por ter estado conosco em direto. Foi importante ouvir também aqui a posição do presidente do Conselho de Administração da Transtejo Soflusa, dizendo que está a haver ligações de barcos esta manhã no rio Tejo. Destaque também para o impacto desta greve geral no setor da saúde. Pela primeira vez, há greve na linha SNS 24, o que pode fazer disparar os tempos de resposta. Os sindicatos dos médicos e dos enfermeiros garantem também uma forte adesão à greve de hoje. São esperados impactos noutros serviços, como repartições de finanças e tribunais.
E vamos dar conta desses impactos da greve geral convocada pela CGTP ao longo de toda a manhã aqui na Rádio Observador. É também um tema em destaque a esta hora no nosso site. Falamos agora da Operação Emergente. Alexandra Leitão defendeu que os políticos arguidos devem suspender o mandato, mas o PS Lisboa não concorda.
Os socialistas estiveram reunidos segunda-feira à noite para discutir os danos políticos da Operação Emergente, que investiga o poder autárquico do partido. Nesta reunião, ficou claro que a leitura de Alexandra Leitão sobre a conduta a exigir a um político arguido não colhe apoios na estrutura de Lisboa. No espaço de comentário da CNN Portugal, a vereadora do PS defendeu que se fosse arguida, suspenderia de imediato funções. Referia-se indiretamente a Sérgio Cintra e a Carla Madeira, vereadores do PS constituídos arguidos na Operação Emergente, mas que decidiram não suspender os mandatos. Ora, o Observador apurou que os socialistas de Lisboa mostraram-se pouco alinhados com esta posição pública de Alexandra Leitão. Muitos viram estas críticas como falta de solidariedade. Outros consideram que Alexandra Leitão está a aproveitar o caso para recompor a equipa de vereação com elementos de maior confiança.
Carla, esta reunião do PS serviu também para discutir o sucessor de Miguel Coelho na liderança da bancada municipal do partido.
Miguel Coelho, que foi presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, um dos locais visados nas buscas judiciais da Operação Emergente. Demitiu-se de funções como deputado e presidente da Assembleia Municipal de Santa Maria Maior, depois de ter sido constituído arguido. Ainda não há candidaturas formais, mas na reunião, o presidente da Junta de Freguesia de Benfica, Ricardo Marques, defendeu que a liderança da bancada deve caber a um presidente de junta. No entanto, o Observador apurou que a maior parte dos socialistas de Lisboa não concorda com esta ideia. Esta eleição está marcada para o dia 16 de junho.
Isto é um artigo em destaque a esta hora no site do Observador. A Ministra da Saúde atribui o aumento do número de utentes sem médico de família à imigração. Os valores voltaram a aumentar em abril.
Registou-se um acréscimo de 22 mil pessoas sem médico de família, de acordo comCom o portal da transparência do SNS, são no total mais de um milhão e 600 utentes nesta situação. Num artigo de opinião no jornal Público, a ministra Ana Paula Martins assume o problema, diz que está a trabalhar numa solução, mas não explica qual. Rui Casanova.
Diz apenas que o aumento dos utentes sem médico de família cresce muito rapidamente, muito devido à imigração. Garante que está a encontrar uma solução, embora não indique qual. No artigo, cujo título é "Respeitar os portugueses", Ana Paula Martins faz um balanço dos dois anos à frente do Ministério da Saúde para insistir na ideia de que há uma melhoria evidente do SNS. Garante que tem estado a trabalhar para deixar um Serviço Nacional de Saúde eficaz, sério na gestão e atrativo para reter profissionais de qualidade. Admite que gostaria de ter feito mais em dois anos, mas as ineficiências da máquina do Estado não permitiram. E lembra que a solução para males de muitos anos não podem ser encontradas num estalar de dedos. Admite que há uma ou outra urgência com problemas, mas já não há o caos que encontrou quando assumiu a pasta. Sobre os dirigentes dos conselhos executivos demitidos, diz que mandaria a decência e a dignidade individual que se demitissem e rejeita que tenham sido nomeados apenas pessoas dos partidos do governo. Neste artigo, a ministra da Saúde dedica ainda muito tempo a responder às críticas, sem concretizar nem apontar nomes. Avisa que não está no cargo para servir interesses e mordomias. Afirma que a mudança não é desejada porque tem enfrentado interesses poderosos que a seu tempo os portugueses irão conhecer. Lembra ainda Ana Paula Martins que está ministra da Saúde enquanto o primeiro-ministro Luís Montenegro assim o entender e enquanto sentir que está a mudar para algo melhor.
Rui Casanova, com o artigo de opinião da ministra da Saúde, Ana Paula Martins vai estar esta manhã no Parlamento a responder aos deputados.
E a falta de médicos de família vai ser também o tema do Explicador desta manhã, logo a seguir ao Jornal das Nove. Agora são 7h14, Carla, que outras notícias marcam esta manhã?
Uma nova troca de ataques entre Estados Unidos e Irão. Houve um lançamento de mísseis e drones esta madrugada no estreito de Ormuz, numa altura em que Donald Trump diz que o acordo pode surgir na próxima semana. O Kuwait também afirma que interceptou mísseis e drones inimigos esta madrugada. No Bahrain, também soaram as sirenes que alertam para ataques aéreos. Portugal concorre hoje a um quarto mandato do Conselho de Segurança da ONU. Trata-se de um dos órgãos mais importantes das Nações Unidas. Tem como objetivo zelar pela manutenção da paz e da segurança internacional, com decisões vinculativas. Portugal vai lutar com Alemanha e Áustria, uma das duas vagas atribuídas à Europa Ocidental.