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Muito bom dia. Notícias das 7, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. Portugal goleou o Uzbequistão por 5x0, mas continua no segundo lugar do grupo K do Mundial. Isto porque esta madrugada a Colômbia venceu o Congo por 1x0, na segunda jornada da fase de grupos. A Colômbia soma agora seis pontos. Com esta vitória, garantiu o apuramento para os 16 avos de final do Campeonato do Mundo. Com este resultado, Portugal tem de ganhar à Colômbia no próximo jogo para terminar a fase de grupos em primeiro lugar. Depois da vitória frente ao Uzbequistão, Cristiano Ronaldo admite que a semana foi difícil, mas diz também que sempre acreditou nele e na equipa.

Eu sabia, quem trabalha Deus ajuda. Sabia que os meus companheiros iam ajudar também. Foi uma semana difícil, uma semana escura. Parecia que eu já estava retirado do futebol, mas aguentei-me, como aguento sempre, porque acredito mais no trabalho do que noutra coisa. Foi difícil, tenho que confessar, mas estamos de volta.

Cristiano Ronaldo tornou-se no melhor marcador de Portugal em fases finais do Mundial. Soma 10 gols, ultrapassou Eusébio. CR7 passa também a ser o único jogador da história do futebol a marcar em seis campeonatos do mundo de seleções. Já o treinador nacional, Roberto Martínez, afirma que a equipa reagiu bem e jogou com responsabilidade numa semana marcada por críticas.

Foram dias muito importantes ao nível psicológico. Acho que o grupo ficou muito responsável, fechou do barulho de fora e acho que isso fez com que o balneário tornasse-se mais forte, mais unido, para poder controlar as emoções. Porque o aspecto tático, esta equipa, falei ontem, que é uma equipa que tem uma flexibilidade tática, que todos falamos disso, a qualidade individual, todos os aspectos positivos para poder ter um desempenho como hoje. Mas hoje também marcar o segundo gol ajuda.

A reação de Roberto Martínez depois da goleada frente ao Uzbequistão, 5x0. O primeiro-ministro assistiu ao jogo em Houston, diz estar muito orgulhoso da atitude e da mentalidade da equipa. Também o presidente da República saudou a seleção portuguesa por esta vitória.

Daqui a pouco temos o Diário do Mundial com o enviado especial aos Estados Unidos, o Miguel Cordaria. Ainda nesta hora, uma edição especial do "E o Campeão É". As Câmaras Municipais pedem ajuda urgente ao Governo para as obras do PRR que estão atrasadas. Todo o dinheiro dos projetos que não ficarem concluídos até o final de agosto vai ter de ser devolvido. A Associação Nacional de Municípios enviou uma carta a Luís Montenegro a pedir soluções.

Está a esgotar-se o prazo do Plano de Recuperação e Resiliência e os autarcas dizem-se muito preocupados. O jornal Público cita uma carta da associação que representa os municípios dirigida ao primeiro-ministro. Os autarcas avisam que há câmaras que já estão a ser pressionadas para devolverem verbas do PRR relativas a obras que não vão estar concluídas até o final de agosto. É o caso de escolas, centros de saúde, habitação pública ou lojas de cidadão. Sem clarificar a forma, a Associação Nacional de Municípios pede ao Governo um financiamento alternativo para terminar estes projetos. O gabinete do primeiro-ministro não confirma ao Público a recepção da carta e remete o assunto para o ministro da Economia e Coesão Territorial. Questionado pelo jornal, o gabinete de Castro Almeida limita-se a apelar aos autarcas para que executem o máximo possível dos projetos do PRR até ao dia 31 de agosto.

França teve ontem o dia mais quente de sempre desde que há registro. Foram batidos vários recordes absolutos de temperatura.

Os termômetros ultrapassaram os 40 graus, sobretudo na região ocidental de França. É o que indica o Serviço Meteorológico Francês. Quase todas as regiões do país estiveram sob aviso vermelho. Pelo menos 40 pessoas morreram afogadas em zonas não vigiadas. O número foi avançado ontem pelo primeiro-ministro, que fala num triste flagelo. Está conosco em direto neste jornal Carlos Pereira, é diretor do Lusa jornal em França. Carlos, bom dia, obrigada por estares aqui conosco. Antes de tudo, como é que foi a noite? As temperaturas também estão muito altas durante a noite, foi assim também agora?

Sim, ainda continua a ser. Muito bom dia. E esse é também o problema, é que aquece muito durante o dia. As temperaturas chegam a 40, 45 graus até, portanto, em certas cidades, mas não descem à noite. Não descem abaixo dos 25 e isso não ajuda a refrescar as casas de noite. E, portanto, as pessoas não conseguem ficar em casa, esse é também um problema, ou fecham, se é preciso fechar completamente, e vão recorrer durante o dia, às vezes, em bibliotecas.

Zonas mais condicionadas.

Portanto, alargaram os espaços onde é possível ficar durante o dia ou vão pro cinema, de forma a ter algum espaço mais fresco.

E ontem houve este número assustador, 40 mortes associadas indiretamente ao calor por afogamento. Que explicação é que as autoridades dão para um número tão elevado de vítimas?

As pessoas vão se refrescar em rios, muitas vezes, em barragens, e são zonas que não são vigiadas, e depois acontece isso. E, portanto, esta é muitas vezes a solução a ter, se se vive em zonas onde o calor é muito grande. Já não é a primeira vez que a França aquece assim. Houve já outros anos onde houve mortes, e nomeadamente de pessoas idosas, ainda vão ter ser contabilizadas aqui este ano, mas acontece que já aconteceu pelo passado, que períodos como este mataram pessoas que estavam em situação isolada. E daí também as câmaras municipais reagirem e terem equipas a visitarem pessoas que vivem isoladas Levando as pessoas a beber, levando-lhes água e motivando as pessoas a beber. Isso está um pouco por todo o país assim, porque de facto metade da França está num alerta vermelho e nunca houve uma situação assim tão grande, em que um território assim tão grande estivesse em situação de alerta vermelho. E o resto da França está no alerta laranja, portanto também não está muito melhor. E é esta dimensão que faz com que, de facto, a situação seja inédita.

E ontem o governo francês reuniu-se até de emergência. Que medidas concretas são essas? Há uma preocupação com os mais desprotegidos, como os idosos. A gestão política está a corresponder às expectativas perante uma situação que é tão estranha, tão nova?

Sim, isto implica domínios como a cultura. Existem festivais que estão a ser anulados ou então levados a horários mais noturnos, onde não esteja assim tão quente. Na economia, onde as empresas são motivadas a mandar os empregados em teletrabalho, ou os que não podem, a começar muito mais cedo e a acabarem muito mais tarde. E já se fala em cerca de 200.000 milhões de percas em empresas, no mundo empresarial, devido à falta da produtividade, absentismo, etc. E também há danos provocados. Os transportes, aqui há muitos atrasos atualmente em comboios, os carris deformam-se devido ao calor e isso leva a que haja estas implicações. E também as escolas. Durante muitos anos, o mês de junho não era assim tão quente e agora as escolas não estão adaptadas a este calor. Os miúdos são mandados para casa ou então juntam-se em sítios mais frescos e decorrem atualmente os exames do BAC. É o 12º ano, aqui têm uma importância muito grande estes exames e estão a decorrer nestas situações. Então são horários que são adaptados, etc. Isto leva a vários ministérios implicados aqui nesta reflexão. Uma coisa é resolver o assunto agora, a outra coisa é o resolver depois e mudar as instalações escolares, ficará num custo financeiro muito grande, mas é necessário fazê-lo, já que os meses de junho não eram muito quentes e agora estão a começar a ser cada vez mais quentes.

São desafios para o futuro. Agora é lidar, de facto, com estas altas temperaturas durante tantos dias. Será pelo menos assim até ao final desta semana. Carlos Pereira, muito obrigada pela descrição trazida aqui do que se vive em França. O Carlos Pereira é jornalista e diretor do LusoJornal, em França. Ora, outros exemplos do que está a acontecer no país. A Torre Eiffel e o Museu do Louvre, por exemplo, encurtaram as horas das visitas. Milhares de escolas fecharam. Há o conselho para o teletrabalho. Por cá, as temperaturas descem ligeiramente, a situação é incomparavelmente diferente. Vila Real, Bragança, Guarda estão sob aviso amarelo por causa do calor. Alguns distritos do Norte, Centro e Alentejo, espera-se chuva e trovoada.

No Porto, milhares de pessoas saíram à rua para a noite mais longa do ano. Os tradicionais festejos do São João na Invicta voltaram e o Presidente da República juntou-se à festa.

A festa, como é habitual, com martelos, sardinhas assadas, fogo de artifício e desta vez também com a seleção nacional a ajudar à festa com a vitória de ontem. A chuva deu tréguas. O Presidente da República juntou-se aos festejos, que foram acompanhados pelo Miguel Pinheiro Correia.

Vozes afinadas, martelo na mão e sardinhas na brasa. Está tudo a postos para a noite mais longa do ano na cidade do Porto. Se o São João é motivo suficiente para cantar, hoje houve motivos redobrados para esvaziar os pulmões. Também nas ruas, o metro quadrado passou a ser, mais do que caro, raro. Entre tripeiros e forasteiros, há sempre espaço e comida para todos.

Já tivemos a oportunidade, eu e o senhor Presidente da Câmara, de comer uma bela sardinha, muito bem assada, e beber um vinho tinto verde. Prová-lo.

Se o Presidente da República, no papel de convidado, não se queixou, o anfitrião olhou com orgulho para a cidade vestida de gala.

Sinto um orgulho diferente, eu diria, para ser muito honesto e genuíno, porque poder sentir que estou a liderar uma cidade como esta é, de facto, um privilégio enorme.

A chuva não estragou os planos e a seleção nacional acrescentou o último ingrediente para a receita de sucesso dos festejos perfeitos.

É a mistura perfeita, é assim, cheira a sardinha, Portugal ganhou cinco zero, Cristiano marcou dois gols e está toda a gente a dançar na rua, está toda a gente bem disposta, tudo a martelar na cabeça uns dos outros. Está um espetáculo.

Mas o espetáculo só ficou completo nos céus. Primeiro, e para quem sabe, com os balões.

É preciso deixar bem aquecer, encher de ar quente e só depois soltar.

Depois, o fogo de artifício.

Foi curtinho. Eu acho que já houve anos melhores. Acho que é giro dispersarem o fogo pelo rio Douro até à Ponte Arrábida e dispersar um bocadinho mais o fogo.

O brilho do fogo deixou as ruas em êxtase, mas mesmo com o cansaço nas pernas, o São João não terminou. Entre balaricos e concertos, a noite mais longa do ano tornou-se em manhã e agora, assim que as energias estiverem recuperadas, é tempo de começar a preparar a festa do próximo ano.

Miguel Pinheiro Correia, que acompanhou os festejos do São João no Porto, festas que levaram às restrições de trânsito, que se mantêm até daqui a pouco, até às 08:00.

São agora 07h12. Carla, antes do gabinete de guerra, que outras notícias estão em destaque?

Está dominado o incêndio em Loulé. O fogo entrou em fase de resolução esta madrugada. Continuam no terreno mais de 300 operacionais, 120 viaturas. As chamas chegaram a fazer três feridos ligeiros, bombeiros, dois deles tiveram de ser assistidos no hospital. As principais potências militares da Europa reúnem-se hoje na Alemanha para discutir a guerra na Ucrânia, os preparativos da próxima semana da NATO e a guerra no Médio Oriente também vão estar em cima da mesa. Em Espanha, o chefe de Governo vai hoje ao Parlamento falar sobre a situação política do país, numa governação marcada por vários casos e suspeitas de corrupção, que envolvem dirigentes socialistas e familiares do líder do Executivo. Pedro Sánchez vai dirigir-se aos deputados a pedido do próprio.