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Notícias às 19h, na Rádio Observador, uma edição da jornalista Carla Jorge Carvalho. Começamos na Alemanha e com a vitória histórica do partido de extrema-direita AFD, nas eleições regionais, no estado da Saxônia-Anhalt. O partido falha a maioria absoluta, mas consegue quase 44% dos votos.

Fica a apenas três assentos da maioria absoluta no Parlamento regional. Os democratas cristãos da CDU viram o resultado eleitoral reduzido para metade, 17%. Foi, ainda assim, o segundo partido mais votado. Os sociais-democratas do SPD conseguiram apenas 9,3% dos votos, muito próximo dos Verdes, que obtiveram 8,9. O Die Linke teve 8,6%. Foi um resultado histórico para a extrema-direita, visto por todos como um tremor de terra eleitoral. Carlos Pedro.

A noite terminou em euforia para a AFD, a Alternativa para a Alemanha. Os resultados mostram que o partido de extrema-direita está a normalizar-se na cena política alemã e que o cordão sanitário que lhe foi imposto pelas restantes forças partidárias se quebrou com este resultado. A precisar de três deputados para governar com maioria absoluta, o partido da esquerda nacionalista já admitiu viabilizar a governação da AFD. O líder do partido da direita radical, Ulrich Siegmund, diz estar disponível para uma coligação, mas avisa também que não abdica dos princípios do partido.

As pessoas demonstraram que querem, finalmente, uma mudança política e, acima de tudo, demonstraram que a querem conosco. Transformamos o resultado das eleições exatamente como queríamos. 45% é um resultado realista e um ótimo sinal. Estou curioso para ver quais as consequências no meio político de Berlim para os próximos dias. É claro que vamos assumir a nossa responsabilidade política. Vamos fazer o que prometemos durante toda a campanha. Estamos dispostos a estender a mão, caso surja aqui uma outra força política com as quais possamos resolver os problemas fundamentais deste país. Mas há uma coisa que nós não vamos fazer. Não vamos ceder, não vamos fazer compromissos de última hora. Vamos manter-nos fiéis à nossa linha de ação. É isso que o eleitor merece. E é precisamente o caminho que vamos transmitir. É uma sensação histórica. Fizemos história.

O líder da AFD na Saxônia-Anhalt, Ulrich Siegmund, numa primeira reação aos resultados das sondagens à boca das urnas, que já apontam para uma vitória e como linhas vermelhas para um entendimento, o partido coloca a imigração e as questões sociais.

E Carlos, esta vitória já está a ter leituras nacionais.

A AFD já está a pegar nos resultados de ontem à noite e a olhar para toda a Alemanha. A presidente do partido pediu já a convocação de eleições federais antecipadas e afirmou mesmo que o chanceler Friedrich Merz deverá ser substituído até ao Natal. Numa entrevista à CNN Internacional, prometeu controlar as fronteiras, deportar todos os criminosos e a abertura de um canal diplomático entre Berlim e Moscovo.

Carlos Pedro, com a vitória da AFD nas eleições de ontem no estado da Saxônia-Anhalt, o presidente do Chega já felicitou a Alternativa para a Alemanha numa nota no X. André Ventura escreve que se trata de uma vitória histórica e que os alemães estão a abrir os olhos contra a imigração ilegal e descontrolada, e a corrupção e a captura da liberdade e identidade.

Na análise, Helena Ferro Gouveia considera que estas eleições regionais refletem uma mudança tectônica na política nacional alemã.

A analista de assuntos internacionais explica que embora as eleições sejam regionais, vão ter impacto não só a nível nacional, mas também a nível europeu.

Esta é uma mudança tectônica na política nacional alemã, mas não só. É uma mudança que terá impacto também naquilo que é a política europeia. Nós vemos pela primeira vez um partido de extrema-direita. Às vezes as palavras não são usadas com propriedade, mas aqui podemos com propriedade falar em extrema-direita, assumir aquilo que será a governação de um dos 16 estados federados da Alemanha. Mesmo que não haja aqui a maioria absoluta, há aqui a possibilidade de se encontrarem coligações ou pelo menos se trabalhar individualmente com alguns dos deputados.

Análise da Helena Ferro Gouveia perante a vitória da extrema-direita ontem no estado da Saxônia-Anhalt.

E vamos voltar à análise a este tema no gabinete de guerra das manhãs 360 com o Miguel Baumgartner. Um homem de 70 anos passou 36 horas nas urgências do Hospital Amadora-Sintra. O utente sentiu-se mal no sábado, foi pro hospital e só voltou a casa na madrugada de segunda-feira.

Este caso aconteceu no final de agosto. O homem, um doente crônico, sentiu-se mal em casa, apresentava sintomas de AVC. A mulher ligou para a linha SNS 24 e o processo começou logo a correr mal, como conta o jornalista Tiago Caeiro.

Estamos a falar de um homem de 70 anos que se sentiu mal em casa, em Massamá, no dia 29 de agosto. Foi um sábado. Este homem tinha um quadro de falta de força numa das pernas, tinha tonturas, não se conseguia suster em pé, tinha também vômitos e, portanto, sinais que poderiam indicar que podia estar a ter um AVC. A mulher, Maria do Céu, com quem falámos, ligou pra linha SNS 24.

E como é que isso correu?

Começou logo a correr mal neste momento, porque ficou 40 minutos à espera.

Só para que lhe atendessem o telefone.

Só para que atendessem a chamada na linha SNS 24. Ela depois descreveu os sintomas e a chamada foi transferida pro INEM, o que indicava logo que seria uma situação de maior gravidade. O INEM acionou depois os bombeiros de Queluz, que transportaram este homem pro Hospital Amadora-Sintra.

O doente deu entrada então no Hospital Amadora-Sintra por volta das 15h de dia 29 de agosto. A hipótese de AVC foi, entretanto, descartada. Seguiu-se uma longa espera até ser observado pela primeira vez. O homem de 70 anos passou quase 23 horas sentado numa cadeira de rodas, à espera, até ter pulseira amarela. Nesse dia, haveria apenas dois médicos para atender os doentes urgentes na sala de espera do Amadora-Sintra. O jornalista Tiago Caeiro explica que depois a espera prolongou-se ainda mais devido a uma falha de comunicação.

Esperaram várias horas até à madrugada de segunda-feira. E foi já aí, por volta das 2h30 da manhã, que a mulher deste senhor decidiu ir ao gabinete onde estava o médico que o viu pela primeira vez para perceber o que se passava. E o que se passava? O que se passou, neste caso, foi que o médico se tinha esquecido de chamar este senhor para lhe dar alta e para lhe dar o diagnóstico. Nós sabemos o que aconteceu, qual foi o diagnóstico claro desse senhor, ficou claro o que é que ele teve? Ele teve uma infeção que não foi determinada a origem dessa infeção. Portanto, o diagnóstico foi esse. Foi para casa sem medicação, ao fim de 36 horas no hospital.

O jornalista Tiago Caeiro, na história do dia, com o caso deste homem de 70 anos, passou um dia e meio nas urgências do Amadora-Sintra. Nesse dia, haveria apenas dois médicos para atender os doentes urgentes na sala de espera do Amadora-Sintra. Ao Observador, a ULS explica que só entre 31 de agosto e 1 de setembro foram registadas 650 admissões nas urgências e que a grande maioria foi pulseiras amarelas ou laranja. De recordar que o Hospital Amadora-Sintra está sem diretor de urgência desde abril.

Esta é a notícia que faz manchete a esta hora no site do Observador e é também o tema da história do dia, já disponível em podcast. O secretário-geral do Partido Socialista não revela o sentido de voto na moção de censura do Chega, mas José Luís Carneiro avisa que Portugal não pode ser levado por uma crise política e, por isso, promete lutar pela estabilidade.

Explica que o partido vai reunir os órgãos para tomar uma decisão quanto ao sentido do voto na moção de censura, que vai ser votada amanhã. José Luís Carneiro sublinha, ainda assim, a importância de garantir que o país não entra numa nova crise política.

O nosso voto pode ser de duas formas: ou votar contra ou votar abstenção. Vamos ouvir os órgãos do Partido Socialista para votarmos de acordo com o entendimento dos órgãos do PS. Nós entendemos que o governo merece censura, mas também entendemos que o país não pode ser levado por uma crise política e para o caos político, porque é isso que alguns pretendem em relação à nossa democracia.

A decisão ainda não está tomada, se vão votar de uma maneira ou de outra.

As duas inviabilizarão a crise política, ou seja, quer nós votamos contra, quer votamos abstenção, impedirão que o país caia numa crise política. E é isso que nós procuraremos fazer. O país não precisa de uma crise política. O país precisa que o governo governe.

José Luís Carneiro, em declarações aos jornalistas em Viseu, durante uma visita à Feira de São Mateus. O secretário-geral do PS volta também a alertar para o aumento do preço dos combustíveis. Insiste que o Estado está a ganhar dinheiro à custa do sacrifício dos portugueses.

E este também vai ser o tema do Explicador para ouvir, como sempre, logo a seguir ao Jornal das Nove. Ainda na política, o secretário-geral do PCP avisa que se o PS viabilizar o próximo orçamento do Estado, vai estar a dar condições ao governo para elevar o ataque aos serviços públicos.

Paulo Raimundo fala em cumplicidade entre o PS e a política de direita e acredita que se os socialistas viabilizarem o orçamento do Estado, favorecem também o Chega.

Se o PS viabilizar o orçamento do Estado, mais uma vez liberta um Chega comprometido até ao pescoço com a política em curso ter de o fazer e dá-lhe ainda mais espaço para continuar a enganar o povo. Se o PS o fizer, terá que ainda assumir as responsabilidades, a responsabilidade pelo desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde, pelo ataque à escola pública, pela especulação imobiliária, o ataque aos salários, às reformas, à Segurança Social, às privatizações e o aumento dos preços. Se o fizer, o PS confirma a sua cumplicidade com a política de direita e oferece ao governo PSD/CDS, ao Chega e à Iniciativa Liberal, ainda mais espaço para elevar o ataque.

O secretário-geral do PCP, no encerramento da Festa do Avante, Paulo Raimundo, não referiu diretamente a moção de censura apresentada pelo Chega. Defende apenas que o problema do governo não é a incompetência ou as explicações insuficientes de ministros, mas sim as políticas de Luís Montenegro.

São agora 7h10, Carla, que outras notícias marcam esta manhã?

Este fim de semana, os enviados especiais de Donald Trump estiveram na Ucrânia e na Rússia para discutir o conflito. Os Estados Unidos asseguram que prometem uma paz duradoura e não apenas acabar com a guerra. Foi o que afirmou ontem em Kiev, o genro e enviado especial de Trump, Jared Kushner, que esteve acompanhado de Steve Witkoff na viagem à Ucrânia. Os dois estiveram reunidos com Vladimir Putin e com Volodymyr Zelensky. Entretanto, termina o cessar-fogo de três dias decretado por Kiev e Moscovo. Por cá, a taxa de conclusão do ensino secundário é mais baixa nas regiões de Lisboa, Setúbal e Algarve. É o que indica um estudo da PortData. Alerta que persistem fortes diferenças territoriais, mudanças na composição da população escolar e desafios na transição entre níveis de ensino. O governo de Cabo Verde anunciou uma investigação ao acidente com o autocarro na Ilha do Fogo, que matou 25 pessoas, incluindo várias crianças e jovens. O executivo cabo-verdiano quer uma análise às circunstâncias do acidente, incluindo as condições de construção, avaliação e fiscalização das estradas. A fechar, voltamos à política. Luís Neves vai ser o protagonista de uma moção de censura que vai ser debatida amanhã na Assembleia. A democracia portuguesa já discutiu 36 moções de censura, mas só uma teve sucesso, a de Cavaco Silva, em 1987, que foi apresentada pelo PRD.

Senhores deputados, a moção de censura fora aprovada por 134 votos a favor, 108 votos contra e uma abstenção.

Foi assim o anúncio dos resultados pelo presidente do Parlamento na altura, o social-democrata Vitor Crespo.

Mas Carla, esta moção de censura ficou também conhecida como uma das contas erradas, porque com a queda do governo, Cavaco Silva abriu caminho a duas maiorias absolutas, contas que a oposição não fez na altura.

Pois não, e à saída da votação, o antigo primeiro-ministro já antecipava que depois da censura vinha a confiança.

Quer maior voto de confiança do que aquilo que está acontecendo nesta Assembleia? Eu não esperava nada disso.

Cavaco Silva, numa primeira reação à votação da moção de censura. Na altura, votaram a favor o PRD, PS, PCP e MDP-CD.

E a discussão desta moção de censura durou perto de 20 horas, separada por dois dias.

Foram dois dias de debate. O primeiro começou pouco depois das 10h da manhã, terminou praticamente às 20h. O segundo começou perto das 23h, terminou às 21h. Ao todo, foram 20 horas de discussão. Dois anos depois, Cavaco Silva enfrentou outra moção de censura, com debate que num só dia se prolongou das 10h até depois da 00h30.

O debate da moção de censura e a audição ao ministro Luís Neves podem ser acompanhadas numa emissão especial da Rádio Observador, que arranca amanhã, a partir das 9h e que se vai prolongar durante todo o dia.