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São 8 horas. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Com o escalar do conflito entre Israel e o Líbano, vários países pedem um cessar-fogo de 21 dias.
O apelo foi divulgado pela Casa Branca em comunicado. Washington descreve o clima entre as duas forças como intolerável e inaceitável. A proposta foi apresentada pelo chefe de diplomacia de França na reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Neste comunicado é deixado um apelo a todas as partes, incluindo os governos de Israel e do Líbano, para que aprovem imediatamente este cessar-fogo temporário. Além dos Estados Unidos, também a União Europeia, o Reino Unido, Canadá, Japão ou Austrália subscrevem o comunicado. Entre os países do Medio Oriente estão Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e o Catar.
E o secretário-geral das Nações Unidas também pede um travão nas hostilidades.
Foi na reunião de emergência das Nações Unidas. António Guterres refere que a guerra no Líbano tem de ser evitada a todo o custo.
O inferno está solto no Líbano. Como disse ontem na Assembleia Geral da ONU, devemos todos estar alarmados com a escalada do conflito. O Líbano está à beira de um abismo. Para ambos os lados digo: parem com a morte e a destruição, recusem a retórica e as ameaças. Afastem-se do abismo. Uma guerra total deve ser evitada a todo o custo. Seria uma catástrofe total. Não podemos deixar que o Líbano se torne numa nova faixa de Gaza.
Israel diz estar a preparar-se para uma incursão terrestre no Líbano. O chefe do Estado-Maior do exército israelita disse mesmo aos soldados para se prepararem para uma possível entrada no país durante um exercício militar que foi realizado ontem.
E continuam as diligências na reunião anual dos Estados da ONU. Hoje, há nova reunião de alto nível sobre a situação no Medio Oriente.
Joseph Borel, o alto representante da União Europeia, vai estar reunido com os chefes da diplomacia de vários países, em que se incluem o Egito, a Jordânia, a Palestina, o Catar, a Arábia Saudita e a Turquia. Vão estar também presentes os secretários-gerais da Liga dos Estados Árabes e da Organização de Cooperação Islâmica. Neste terceiro dia de trabalhos, Luís Montenegro vai discursar pela primeira vez na Assembleia Geral da ONU. Vai ser o quinto a intervir na parte da tarde do debate geral, quando forem já 10 da noite em Portugal. Já o primeiro-ministro israelita discursa amanhã, mas é esperado ainda hoje em Nova York.
E parece que o acordo de cessar-fogo na fronteira do Líbano está cada vez mais perto de ser implementado.
É o que está a avançar a Sky News, que está a citar altos responsáveis norte-americanos. O acordo de paz temporário pode estar por horas entre Israel e o Hezbollah. De qualquer maneira, Vasco Maldonado Correia, a tensão mantém-se no norte de Israel.
Também de acordo com a Sky News, o país está a emitir alertas de mísseis de cinco em cinco minutos. No site do jornal britânico é possível ver a esta hora um mapa com uma mancha vermelha que detalha os pontos críticos no norte de Israel, junto à fronteira com o Líbano, onde estão iminentes ataques com rockets ou com drones. Os avisos justificam-se com a eventualidade da resposta do Hezbollah aos ataques aéreos israelitas no sul do país. Desde segunda-feira, Israel afirma ter atingido mais de 2000 alvos terroristas do grupo libanês.
Desde segunda-feira. Vasco, o centro do conflito está agora, de facto, na fronteira entre Israel e Líbano. Tel Aviv enfrenta um adversário com alta capacidade militar.
O grupo libanês tem mísseis balísticos que podem atingir alvos a 300 quilômetros, drones iranianos e uma estrutura descentralizada que o torna uma ameaça temível. Por trás do grupo libanês, existe um apoio fundamental que contribui para este poderio militar. É precisamente o Irão, que criou um eixo de resistência composto pelo Hezbollah, pelo Hamas e pelos Houthis do Iêmen, além de algumas forças xiitas espalhadas pela Síria e pelo Iraque. Sendo que o grupo libanês é mesmo o mais capacitado. Os últimos estudos revelam que o Hezbollah tem pelo menos 50 mil homens, um exército muito bem treinado e estima-se que tenha entre 120 a 200 mil rockets e mísseis com alcance a cobrir todo o território israelita.
E além disso, instalou várias bases militares perto da fronteira com Israel. O retrato do Hezbollah é traçado aqui pelo Vasco Maldonado Correia, numa altura em que Israel se pode estar a preparar para uma incursão terrestre no sul do Líbano.
A especialista em assuntos internacionais, Joana Ricardo, considera que o timing da ofensiva israelita não é inocente.
Sublinha que a Assembleia Geral da ONU estava marcada há muito tempo e Netanyahu não deixou de atacar, de qualquer maneira. Considera também que o primeiro-ministro israelita quer interferir nas eleições norte-americanas.
O comunicado, enfim, o que nós temos visto nos últimos tempos tem sido isso, e o que temos visto também é que a Casa Branca parece ter alguma incapacidade de pressionar os atores principais envolvidos nesse conflito, nomeadamente o seu grande parceiro, Israel. É também importante referir, parece haver por parte do governo de Israel uma tentativa de pressão regional e de aumento da belicosidade, que também pode interferir nas eleições norte-americanas. Agora, hoje é possível que esse assunto venha a um bom porto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde a própria França já anunciou uma proposta de 21 dias de tréguas.
Joana Ricardo, especialista em assuntos internacionais, ouvida esta manhã na Rádio Observador, a comentar o escalar de tensão no Médio Oriente.
E Luís Montenegro quer que o Conselho de Segurança das Nações Unidas seja reforçado.
O primeiro-ministro português entende que as guerras pediam uma maior intervenção por parte deste organismo. Montenegro defende alterações na forma de atuar do Conselho de Segurança da ONU.
Enquanto a guerra prossegue, com consequências terríveis dentro e fora da Ucrânia, o Conselho de Segurança tem estado muitas vezes em silêncio. Em relação a Gaza, pouco diz e sempre demasiado tarde
Esperemos que agora, na situação do Líbano, o Conselho de Segurança possa ser activo e consequente nos esforços de contenção que evitem uma escalada de violência. O direito de veto, à semelhança da assunção de um lugar à mesa do Conselho de Segurança, antes de constituir um privilégio, representa uma responsabilidade. E é assim que deve ser exercido. É também necessário reforçar a responsabilização deste órgão perante a Assembleia Geral e a comunidade internacional.
O chefe de Governo que está em Nova Iorque vai participar, está a participar na Assembleia Geral das Nações Unidas.
E na atualidade nacional, Carlos Moedas acusa o Partido Socialista de não saber assumir a derrota.
Tanto no país como em Lisboa. Com o aproximar das eleições autárquicas, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa continua sem revelar se vai ou não recandidatar-se. Em entrevista à Rádio Renascença, Carlos Moedas fala da dificuldade que tem tido em aprovar orçamentos municipais por não ter maioria e faz um paralelismo com a situação nacional. Acusa o PS de não saber perder, nem em Lisboa, nem no Governo.
Eu acho que o PS, ou melhor, este PS não consegue, de certa forma, perder. Ou seja, eu estou há três anos na Câmara e o PS Lisboa ainda não percebeu que perdeu as eleições em 2021. E eu penso que quando os partidos se instalam no poder durante tantos anos, no caso da Câmara Municipal, durante 14 anos, no caso do Governo Nacional, durante sete ou oito anos, o que acontece é que o PS não admite a derrota e, portanto, o PS está sempre na oposição, a pensar que está a governar. E isso não funciona. Eu penso que ainda há aqui algo que tem que acontecer no próprio Partido Socialista, neste Partido Socialista, que é assumir a derrota, ou seja, assumir que perdeu Lisboa, assumir que perdeu as eleições nacionais e deixar governar.
É o apelo deixado por Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, em entrevista à Renascença, sobre a aprovação do Orçamento do Estado, o autarca pede responsabilidade aos partidos do centro e acredita que os portugueses não querem ir a eleições novamente.
Entretanto, a Ministra do Trabalho quer que o entendimento com os parceiros sociais seja alcançado antes da proposta do Orçamento do Estado ser submetida ao Parlamento. O Governo propõe um aumento do salário mínimo para €870 já no próximo ano.
O objetivo é, a partir de 2025, uma subida de €50 por ano até chegar aos €1020 de ordenado mínimo nacional no fim da legislatura. Esta foi a proposta apresentada por Rosário Palma Ramalho, na reunião de concertação social. Um encontro onde a ministra ouviu também as preocupações das entidades patronais com as propostas do Governo para o crescimento económico. Maria João Braz.
Parceiros sociais e Governo ainda não chegaram a acordo, mas a Ministra do Trabalho garante que o vão fazer antes da proposta de Orçamento do Estado ser submetida no Parlamento.
Eu gostaria que fosse fechado antes do orçamento, até para ser útil, porque como já disse, há matérias que são objeto deste acordo, que têm que ser inscritas na lei do orçamento.
Em cima da mesa está o aumento do salário mínimo para €870. A UGT, na voz do secretário-geral Mário Mourão, admite que são boas notícias.
Acho que é um bom esforço que se fez. Aproxima-se mais daquilo que era a proposta da UGT.
Já o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, diz que não abdica da proposta do sindicato: um aumento do salário mínimo para €1000.
Temos denunciado desde o início. Não é com este programa do Governo que vamos conseguir romper com esta política de baixos salários.
Do lado dos patrões, valoriza-se a iniciativa do Governo em aumentar o rendimento mínimo. No entanto, João Vieira Lopes, da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, diz que a proposta do Governo não contempla medidas de crescimento económico.
Estamos ainda razoavelmente longe de podermos encontrar o conjunto de medidas que seja satisfatório para as empresas.
Armindo Monteiro, da Confederação Empresarial de Portugal, insiste na ideia de um 15º mês, mas exige que este não seja taxado.
Se nós, em vez de termos essa capacidade de transferir para o trabalhador, for sujeito a retenção de IRS e a pagamento de Segurança Social, mais uma vez, nós não estamos a entregar ao trabalhador, estamos a entregar a maioria aos cofres do Estado.
Na reunião também foi confirmado que o Governo já está a negociar um acordo para a legislatura. O presidente da Confederação do Turismo Português, Francisco Calheiros, destaca que esta negociação não pode ser feita num mês.
Fomos surpreendidos com este acordo de legislatura. Eu acho que isto tem que ser mais completo, como lhe digo, o que ali está são quatro anos, é uma exigência grande.
Já Álvaro Mendonça e Moura, da CAP, deixa a seguinte exigência para chegar a acordo.
A União Europeia envia apoios para os agricultores portugueses e o Estado português arrecada receita sobre isso. Isso é algo que tem que terminar.
Ainda não há data para parceiros sociais e Governo voltarem a reunir-se em sede de concertação social. Até lá, patrões e sindicatos vão continuar a negociar em reuniões bilaterais com o Governo.
Maria João Braz, com as reações a este encontro entre a Ministra do Trabalho e as confederações patronais e sindicais. O Governo propõe o aumento do salário mínimo nacional no próximo ano para os €870.
Este vai ser também o tema do Explicador desta manhã, logo a seguir ao Jornal das Nove. São nossos convidados Armindo Monteiro, presidente da CIP, e Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP.
Agora são 08h11, Carla, que outras notícias merecem destaque?
20 dias depois da fuga de Vale de Judeus, o caso vai hoje ao Parlamento. O diretor-geral de Reinserção Social e Serviços Prisionais, Rui Abrunhosa Gonçalves, entretanto demitido, é hoje ouvido pelos deputados. É chamado a explicar as falhas de segurança que permitiram a fuga de cinco reclusos. Também hoje vão ser ouvidas no Parlamento as ministras da Justiça dos governos PS, Francisca Van Dunem e Catarina Sarmento e Castro. Seis distritos do continente estão esta manhã sob aviso laranja devido à chuva. O IPMA prevê períodos de queda de água persistente, por vezes forte, em especial nas regiões montanhosas. Em Aveiro, Braga, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu, também sob aviso amarelo, mas devido à previsão de vento forte, estão Braga, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu. Volodymyr Zelensky é hoje recebido em Washington por Joe Biden. O presidente ucraniano vai apresentar o que chama de plano de vitória de Kiev para acabar com a guerra. O encontro acontece depois de o presidente ter discursado na Assembleia Geral das Nações Unidas, uma intervenção marcada por várias acusações à Rússia e também a Vladimir Putin. Mais logo vai ter lugar em Lisboa a segunda edição da Noite da Literatura Ibero-Americana. O mote para o evento é um verso de Sofia de Mello Breyner: "Emergimos da noite e do silêncio".
Inspirador, não é? E que mais atividades inclui este evento?
Leituras, música, debate. Vamos ter 35 autores de oito países em sete zonas da cidade. Entrada gratuita. O programa termina depois, às 21h30, no Capitólio.
Até termina cedinho.
Termina às 17h.
Quase que dá para nós.
Pois, quase que dá para nós. E vai estrear o "Jagada de Pedra", o espetáculo, uma obra de Teresa Salgueiro, a partir de poemas de Saramago, e não só. Também Sebastião da Gama, António Gala e António Machado.
É uma boa sugestão de final de dia.
Para assinalar os 50 anos do 25 de Abril e também os 35 anos da criação da Organização de Estados Ibero-Americanos.
Promete.
Parece-lhe bem? Promete.
Carla Jorge Carvalho com as principais notícias desta manhã. Quando forem 08h30 voltamos a olhar para a atualidade.