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São oito horas. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Começamos com as eleições norte-americanas marcadas para de amanhã há uma semana. O candidato republicano, Donald Trump, juntou cerca de 20 mil apoiantes num comício em Nova York. Apoiantes que começaram a chegar à Madison Square Garden cerca de nove horas antes do discurso de Trump. O candidato presidencial republicano prometeu um corte de impostos e o fim do que chama de invasão de imigrantes, acusou a candidata democrata de destruir o país e a economia.

Em menos de quatro anos, Kamala Harris destruiu a nossa classe média, provocou a maior inflação da nossa história. Ela custou à família média norte-americana mais de três mil dólares em pouco tempo, 30 mil dólares nos últimos três anos. Ela acabou com 50 mil postos de trabalho só este ano.

Donald Trump prometeu acabar com a inflação e anunciou que vai adicionar deduções fiscais ao plano econômico para pessoas que cuidam de familiares com necessidades especiais. A enviada especial do Observador aos Estados Unidos, Cátia Bruno, esteve atenta a este comício. E Cátia, do ponto de vista da campanha do Trump, correu bem?

O comício de Donald Trump no Madison Square Garden, em Nova York, correu bem para a campanha Trump, no sentido em que houve casa cheia e esse era o grande objetivo da campanha, era fazer uma demonstração de apoio muito visível ao candidato naquela que é a sua cidade natal, embora não seja o local onde ele é mais popular. Mas o evento político foi marcado por alguns momentos polêmicos, que não sabemos até que ponto podem vir a afetar algum eleitorado relativamente a Donald Trump. Tivemos antes de Trump subir ao palco alguns oradores, entre eles um comediante, Tony Hinchcliffe, que fez declarações que deram muito nas vistas, fazendo uma espécie de número cômico, mas onde usou, por exemplo, uma piada relativamente à comunidade latina, quando disse que há uma ilha de lixo que flutua no oceano e essa ilha chama-se Porto Rico. Ora, os eleitores que são de origem porto-riquenha e que são cidadãos norte-americanos, fazem parte de uma grande fatia do eleitorado latino, eleitorado esse que Trump tem tentado cortejar, de certa forma, por muitos deles serem de origem cristã, algo conservadores. E tendo em conta que a população porto-riquenha é muito relevante em vários estados, alguns deles swing states, não é certo como é que comentários deste tipo podem cair junto desta comunidade e podem afetar alguns votos no dia 5.

Cátia Bruno, editora de internacional do Observador e as ideias essenciais de Donald Trump no comício, que juntou cerca de 20 mil apoiantes em Nova York. E do lado democrata, Kamala Harris passou o domingo em Filadélfia, na Pensilvânia. Numa tentativa de alcançar eleitores negros e latinos, depois de três dias de grandes comícios e convidados famosos como o casal Obama, Bruce Springsteen e Beyoncé, Kamala Harris passou a maior parte do domingo numa igreja, uma barbearia, uma livraria e também um restaurante porto-riquenho. Fez apelos aos norte-americanos para que se envolvessem na campanha, a bater de porta a porta e em contactos com familiares e amigos para alertar sobre os riscos destas eleições. Kamala Harris mostrou-se mais confiante e no comício da noite deixou a ideia aos apoiantes de que vai vencer as eleições.

Desde o início que a nossa campanha foi sobre construir coligações e construir uma comunidade. Nos próximos nove dias vamos ganhar, é o nosso principal objetivo. Mas durante esse processo, para todos os amigos que aqui estão hoje presentes, peço-vos: vamos mesmo ter esta intenção de construir comunidades e coligações. Vamos mesmo tentar perceber que o que nos une é mais do que aquilo que nos separa.

A candidata do Partido Democrata, Kamala Harris, a apelar ao voto em Filadélfia, no estado da Pensilvânia. O historiador Bruno Cardoso Reis explica a importância desta mensagem num estado que vai ser importante para as contas finais.

Kamala Harris achou importante passar essa mensagem numa cidade que será potencialmente decisiva para decidir um estado decisivo, que é a Pensilvânia. Já falamos várias vezes por quê. É o mais populoso destes estados oscilantes, é aquele que tem mais votos no colégio eleitoral. Portanto, pareceu uma mensagem mais disciplinada da parte de Kamala Harris e muito também a insistir neste ponto, que é fundamental votar Que é fundamental participar nestas eleições e que estas eleições são potencialmente decisivas, mais uma vez, insisti neste ponto, na questão da economia, mas também na questão da democracia.

Análise de Bruno Cardoso Reis na América dividida desta manhã. As eleições norte-americanas estão marcadas para terça-feira da próxima semana. O Conselho de Segurança das Nações Unidas reúne-se hoje de urgência para debater a situação no Médio Oriente. A reunião foi pedida pelo Irão depois do ataque de Israel. É uma reunião apoiada pela Argélia, China e Rússia, surge depois do ataque de sábado levado a cabo pelas forças israelitas como retaliação a um bombardeamento de Teerão. Pelo menos quatro militares iranianos morreram. Há também danos a instalações militares no país. Neste pedido às Nações Unidas, o Irão pede a condenação dos ataques e acusa Israel de ser um regime criminoso. Entretanto, a rede social X suspendeu a conta que o líder supremo do Irão tinha aberto em hebraico no último sábado. A conta de Ali Khamenei aparece agora com aviso de suspensão por alegadamente ter violado as regras da rede social. E o presidente do Egito apresentou ontem à noite um plano de cessar-fogo de dois dias entre Israel e a Hamas. Com o objetivo de permitir uma troca de reféns israelitas e de prisioneiros palestinianos e abrir assim caminho para conversações com vista a um cessar-fogo permanente. A proposta do Egito prevê que depois desses dois dias de tréguas, os dois lados tenham 10 dias para negociar um cessar-fogo final e permitir também a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. Ainda não há uma reação nem de Tel Aviv, nem do Hamas. E numa altura em que se intensificam os ataques de Israel ao Líbano, a Rádio Observador falou com uma portuguesa que está a trabalhar como humanitária em Beirute. Filipa Coutinho explica que vê o fumo dos ataques da janela de casa, mas afirma que apesar da guerra, é possível fazer uma vida normal. Filipa Coutinho está no terreno desde o início do mês, a altura em que se intensificaram os ataques com bombardeamentos e incursões terrestres por parte de Israel. Esta trabalhadora humanitária de 32 anos pertence à organização Danish Refugee Council, tem o cargo de coordenadora de gestão de campo. Admite que tomar a decisão de ir para o Líbano foi assustadora, mas diz também que agora não voltava atrás. Rui Casanova.

Filipa Coutinho está no Líbano há vários dias e os ataques já quase se tornaram uma constante.

Eu vejo o fumo da janela porque estou num prédio mais ou menos alto, e os ataques são a um, dois quilômetros, mas é mais ou menos como estar no Parque das Nações e os ataques serem na Baixa de Lisboa, por exemplo.

Mas apesar da iminência do perigo, o dia a dia é relativamente normal.

Vou a pé pro trabalho, bebo um café depois do trabalho com os colegas, portanto, vida mais ou menos normal e civilizada em sociedade. Lá está, com contornos do que as pessoas à nossa volta estão a passar, mas de forma geral, não me sinto insegura, sequer.

Filipa Coutinho está baseada no centro de Beirute, também faz viagens a outras zonas do Líbano, desempenha um trabalho técnico de gestão de campos e revela que apesar da experiência noutros países, não tem sido fácil ajudar as famílias afetadas pelos ataques de Israel.

Acho que a sensação no geral é medo, desconfiança e muita tristeza pelo que está a acontecer, pelo patrimônio que está a perder, pelo estado do país em si.

A profissional humanitária admite que tem sido difícil estar tanto tempo longe de casa, mas garante não voltava atrás.

Adoro o que faço e têm sido umas aventuras atrás das outras e adoro trabalhar com as pessoas e com as equipes, etc.

Filipa Coutinho vai continuar no Líbano por mais seis meses ao serviço do Danish Refugee Council como coordenadora de gestão de campos.

Rui Casanova, que falou com esta trabalhadora humanitária portuguesa em Beirute. Filipa Coutinho também já esteve em Moçambique, Iêmen, na Somália, como profissional de emergência humanitária. A missão passa agora pelo Líbano, numa altura em que se intensificam os ataques de Israel, sobretudo ao sul e aos subúrbios de Beirute. E na atualidade nacional, uma semana depois da morte de Odair Moniz, no bairro da Cova da Moura, não há registro de distúrbios na Grande Lisboa esta madrugada. Foi uma noite que contrasta com o cenário que se desenvolveu nos últimos dias, com tumultos em várias zonas da área metropolitana de Lisboa. Esta é, para já, a informação obtida pelo Observador junto de fontes policiais. Ao longo da última semana, houve viaturas destruídas, caixotes do lixo incendiados. O funeral de Odair Moniz, baleado pela PSP, realizou-se ontem com centenas de pessoas que tentaram, desta forma, homenagear o morador do bairro do Zambujal, na Amadora. Foi um evento que decorreu também sem distúrbios. O bairro do Zambujal, que, Carla, foi o epicentro dos tumultos da semana passada. Foi onde começaram os protestos. No entanto, Mário Linhares, que é o presidente da associação Adjentes, diz que muitos moradores deste bairro estão também chocados com o que aconteceu. Fala de uma situação pontual e nega a insegurança do bairro no dia a dia.

O sentimento de insegurança diria que existe porque há uma ideia prévia sobre o assunto, mas nas condições certas, desaparece. Agora, este caso que aconteceu surpreende até os próprios moradores. Das pessoas com quem eu converso, toda gente está triste com o que aconteceu, toda gente está triste pela imagem que isto passa pra fora, mas também muito consciente de que isto só está a acontecer porque existem cicatrizes profundas que nunca ficaram bem saradas.

Mário Linhares abordou também a relação dos moradores do bairro do Zambujal com a polícia. Ele participa hoje na História do Dia, nega que o cotidiano deste bairro seja marcado pela tensão. E o episódio de hoje da História do Dia já está disponível no site e nas plataformas de podcast. São 08:11, Carla, antes do Três Toques, que outras notícias marcam esta manhã. Arranca hoje no Parlamento o debate da proposta do orçamento do Estado para 2025. O ministro das Finanças vai apresentar aos deputados os principais eixos desta proposta, que conta já com a viabilização por parte do Partido Socialista, através da abstenção. Amanhã vai ser ainda ouvida no Parlamento a ministra do Trabalho. A discussão, na generalidade, começa na quarta-feira, a votação na quinta e para 29 de novembro está marcado o debate na especialidade e a votação final global. A primeira reunião do Conselho Nacional para as Migrações e Asilo, presidida por António Vitorino, realiza-se hoje em Lisboa. Vai ter a presença do primeiro-ministro. Este novo Conselho Nacional tem como missão o debate estratégico e o aconselhamento ao governo em matérias de política de migrações e asilo. Os Estados Unidos juntam-se aos observadores internacionais e pedem que se investigue uma possível fraude nas eleições legislativas da Geórgia, ganhas pelo partido pró-russo, que está no poder. Este resultado é contestado pela oposição pró-europeia. O chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, diz que os Estados Unidos condenam todas as violações das normas internacionais e, através de um comunicado, pede uma investigação completa de todos os relatos de violações