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As notícias com Carla Jorge Carvalho. As últimas horas na Síria ficaram marcadas por festejos nas ruas, presos libertados e edifícios governamentais invadidos. Hoje o Conselho de Segurança da ONU reúne-se para analisar a situação no país após a queda do regime de Bashar al-Assad.

É um encontro que surge a pedido da Rússia, país para onde fugiu o antigo governante. Entretanto, a reunião da ONU mais logo à porta fechada em Nova York. Miguel Gato, as últimas horas foram de grandes movimentos nas ruas da Síria.

Este é o som da celebração de milhares nas ruas de Damasco após o fim de 53 anos sob o domínio da ditadura de Bashar al-Assad. Na capital síria, o palácio onde vivia o governante foi saqueado durante o dia de ontem e várias estátuas alusivas ao regime foram destruídas por populares. Os rebeldes sírios registraram e publicaram imagens online que mostram também a libertação de presos em várias cadeias sírias. Na fronteira com o Líbano, são mais de 1 milhão os refugiados sírios a regressar ao país após a queda deste regime.

E Miguel, a situação na Síria suscitou várias reações um pouco por todo o mundo.

Joe Biden mostra-se contente com a queda do regime de Bashar al-Assad, mas com cautela.

"Até que enfim o regime de Assad caiu. É um ato fundamental de justiça, é um momento de oportunidade histórica, mas também um momento de risco e incerteza. Vamos trabalhar com os nossos parceiros e as partes interessadas na Síria para os ajudar e aproveitar esta oportunidade e gerir os riscos para o país".

Também o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu fala num dia histórico para o Médio Oriente, num grande golpe para o eixo liderado pelo Irão. Alerta, tal como Joe Biden, para os perigos significativos desta situação. Por parte da União Europeia, Ursula von der Leyen destaca o colapso da ditadura cruel de Assad, garante contato com os líderes europeus e regionais. Já o governo português, através de uma publicação na rede social X do ministro dos Negócios Estrangeiros, pede uma transição pacífica e inclusiva na Síria.

Miguel Gato a acompanhar os mais recentes desenvolvimentos na Síria. Nas últimas horas, as Forças de Defesa de Israel lançaram ataques em direção ao sul do território sírio. O jornal "Times of Israel" adianta também esta manhã que o governo de Netanyahu ordenou o controle total da zona tampão com a Síria nos Montes Golã, um território ocupado há décadas por Israel.

E na análise, a investigadora Ana Cavalieri diz que o cenário na Síria pode ficar parecido à situação na Líbia.

Fala de uma situação instável no país, mas diz também que é difícil imaginar um regime pior do que o de Bashar al-Assad. É a análise da investigadora à Rádio Observador.

Vai haver uma tentativa de reconstrução que os Estados Unidos vão tentar apoiar. Israel vai tentar defender a sua fronteira. O que será provável que aconteça é uma grande instabilidade e principalmente, por exemplo, os cristãos que estão na Síria vão estar também em muito perigo. Porque o fato é que pior do que Assad, é difícil imaginar. Nós não podemos esquecer que ele matou cerca de 600 mil sírios, foi responsável por milhões de sírios saírem e irem pra Turquia ou pra Europa, pelo que neste momento é possível que uma situação parecida com a Líbia irá acontecer.

Ana Cavalieri, especialista em assuntos internacionais. Entretanto, o Irão admite que o eixo de resistência, aliança anti-Israel liderada por Teerão, vai ser afetada pela queda de Bashar al-Assad. Declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros numa entrevista ontem à noite.

Este vai ser também o tema do Explicador e do Contracorrente desta manhã. A Ministra da Justiça quer reconfigurar e mudar a liderança do Mecanismo Nacional Anticorrupção.

O anúncio é feito por Rita Alarcão Judice num artigo de opinião no Observador. A ministra adianta que vai apresentar em breve uma proposta em Conselho de Ministros. Rita Alarcão Judice quer acabar com o mandato único de seis anos do líder do MENAC e criar um de quatro anos com possibilidade de uma renovação. Quer também criar um quadro próprio de pessoal para dar mais eficácia à atuação deste mecanismo, que foi criado pelo governo de António Costa em 2021.

A Ministra da Justiça já tinha criticado o funcionamento deste mecanismo em entrevista ao Observador.

Sim, em junho, Rita Judice afirmou que o MENAC não estava a funcionar como pretendido e que era excessivamente centrado na figura do presidente. Ao que o Observador apurou, as mudanças passam também pela saída do conselheiro Pires de Graça, que tem sido alvo de muitas críticas internas pelo estilo de liderança que tem levado a cabo. No artigo de opinião da ministra, que serve para assinalar o Dia Internacional contra a Corrupção, fica também a intenção de se avançar com novas regras para a perda alargada de bens e a proposta de regulação do lobby, já apresentada no Parlamento.

O bem-estar e a saúde psicológica dos alunos em Portugal melhorou nos últimos dois anos, depois da pandemia, mas o tempo passado em frente aos ecrãs continua a ser um desafio.

É a conclusão de um estudo do Observatório da Saúde Psicológica e do Bem-Estar, que questionou os alunos em 2022 e que voltou a fazê-lo agora para perceber o que mudou. A conclusão é que a maioria dos alunos já virou a página da pandemia, mas há outros alertas sobre temas como bullying ou tempo passado em frente aos ecrãs. António José Soares.

O mal-estar entre alunos baixou de cerca de 33% em 2022 para cerca de 25% em 2024. É nesse sentido que apontam os resultados do estudo do Observatório da Saúde Psicológica e do Bem-Estar e que indica ainda que as relações interpessoais são o que mais pesa no bem-estar dos estudantes Quanto ao bullying, o pico verifica-se entre o quinto e o oitavo ano de escolaridade e diminui com a idade. Embora mais de metade dos alunos responda que nunca ou quase nunca foi vítima deste fenômeno, mais de um terço refere que já fizeram pouco de si e cerca de um quarto diz ter sido ameaçado por outros colegas. Tal como o bullying, também o envolvimento em lutas diminui com a idade. Já em relação ao tempo passado diariamente em frente a um ecrã, os resultados indicam que durante a semana os alunos dizem passar em média um pouco mais de quatro horas nesta atividade, um valor que sobe para mais de cinco horas e meia aos sábados e domingos. Nesta variável, quanto mais velhos são os estudantes, mais tempo passam diariamente ao ecrã. Outra variável analisada pelo estudo foi o impacto da Covid-19. Os estudantes mais novos tendem mais frequentemente a achar que a vida piorou e ainda não recuperaram da pandemia. Já os mais velhos mostram uma maior tendência para considerar que a vida pouco se alterou ou até melhorou.

António José Soares com algumas das conclusões deste estudo. Na análise, o psicólogo João Veloso explica que apesar de uma melhoria geral, há questões que permanecem por resolver, nomeadamente o bullying e o uso de ecrãs.

A construção de medidas públicas para intervir sobre estas situações, em particularmente no que diz respeito ao bullying ou no que diz respeito à utilização de ecrãs, tem impacto e tem resultados. Ou seja, estes estudos aquilo que fizeram foi que se criassem medidas de intervenção para determinadas problemáticas. Talvez, neste caso, faça sentido então que se desenvolvam mais estratégias e mais medidas em termos escolares, no caso do bullying, para que estas coisas diminuam.

O psicólogo clínico e psicoterapeuta do Observatório do Trauma da Universidade de Coimbra, João Veloso, numa reação a este estudo do Observatório da Saúde Psicológica e do Bem-Estar.

São 08h08, Carla. Já a seguir o Três Toques. Primeiro, que outras notícias estão a marcar esta manhã.

A PSP está a fazer buscas no bairro da Portela, em Oeiras, para deter suspeitos de envolvimento nos tumultos da Grande Lisboa. De acordo com a CNN Portugal, estão em curso sete buscas domiciliares. É uma informação que contamos desenvolver nos próximos jornais. O Sindicato Independente dos Médicos volta hoje a reunir-se com a ministra da Saúde à espera de uma proposta salarial melhor do que a apresentada na última reunião. O governo propôs um aumento salarial de 5%. Os médicos querem 15.