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Na Rádio Observador. Uma edição da jornalista Carla Jorge Carvalho. Henrique Gouveia e Melo acusa Luís Marques Mendes e Aníbal Cavaco Silva de alimentar intrigas para o atacarem. E volta a garantir que Marcelo Rebelo de Sousa não foi decisivo para se candidatar às eleições presidenciais. Marques Mendes afirmou que o almirante tem uma tendência para dizer disparates e entrar em contradições e o antigo chefe de Estado e de Governo, Aníbal Cavaco Silva, defendeu na semana passada, num artigo no Observador, que Gouveia e Melo não tem competência nem qualificações para liderar o país num quadro de incerteza. Ontem à noite, em entrevista à RTP Notícias, o candidato lamenta a decisão de entrar naquilo que descreve como a pequena política.
Vou preferir ignorar. Sabe por quê? Porque isso para mim é a pequena política, é a pequena intriga. E parece que o doutor Luís Marques Mendes tem uma fixação em mim e o protetor dele também tem uma fixação em mim, porque veio manifestar-
Estás a referir-te a Cavaco Silva?
Sim, veio manifestar um apoio envergonhado ao candidato, mas atirou diretamente ad hominem sobre mim, o que não é muito nobre para um ex-presidente da República.
E depois de ontem já ter criticado a Agência Lusa por ter publicado um artigo que dá a entender que Gouveia e Melo avançou para a corrida a Belém motivado pelas tentativas de Marcelo Rebelo de Sousa travar essa candidatura, agora o almirante volta a negar.
Ontem saiu uma notícia que alegava que o senhor presidente teve um papel decisivo na minha decisão. Isso não é verdade. Essa notícia é baseada num livro que foi escrito, um livro de entrevistas, e não há nada como verificar a entrevista. E nessa entrevista eu não digo isso e, portanto, é uma falsa alegação que me foi atribuída. Eu concorri ou concorro, porque acredito que devo servir a minha pátria e os portugueses neste momento de forma política e não continuando a servir na defesa como eu continuava antes.
Nova garantia de Henrique Gouveia e Melo ontem em entrevista à RTP Notícias. E Carla, a verdade é que o desentendimento entre Marcelo Rebelo de Sousa e Henrique Gouveia e Melo não é novo. A guerra fria já dura há quatro anos e voltou a aquecer nos últimos dias. O chefe de Estado gostou do trabalho do almirante em Pedrógão Grande, apoiou o nome de Gouveia e Melo para a task force da vacinação contra a Covid-19, mas entende que seria um erro a eleição para a Presidência da República. É o que lembra o editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, que indica que a preferência de Marcelo para Belém é outra.
Houve um determinado momento em que Marcelo Rebelo de Sousa percebeu que Gouveia e Melo podia ser o seu sucessor e a partir daí, eu acho que houve uma espécie de uma guerra fria que vai aquecendo e arrefecendo aqui e ali entre os dois. E, portanto, foram se cruzando nesse ponto. Marcelo Rebelo de Sousa, embora não o queira admitir, tem alguém que é mais da sua linha, que é o Luís Marques Mendes, e considera que seria um erro, mesmo que não o admita publicamente, o país escolher Henrique Gouveia e Melo.
E já sobre a polêmica em torno do livro da jornalista Valentina Marcelino, Rui Pedro Antunes entende que a frase proferida por Gouveia e Melo no excerto que foi divulgado não deixa margem para dúvidas.
Fica absolutamente claro nessa resposta que o almirante Gouveia e Melo considera que o governo e o presidente da República queriam mesmo dar-lhe aquele cargo apenas para o afastar de Belém, porque a expressão que ele usa é "amarrado", queriam que eu ficasse amarrado à Marinha. E, portanto, não há ali uma outra interpretação possível a não ser o próprio almirante Gouveia e Melo a dizer: "Eles queriam me colocar fora de Belém". E para mim, isso é muito relevante ele assumir isso.
Rui Pedro Antunes é o editor de política do Observador, está na edição de hoje da História do Dia. Uma edição que já pode ouvir na íntegra no site do Observador e em todas as plataformas de podcast. Os quatro helicópteros que o governo vai adquirir para missões de emergência médica só podem aterrar em um dos sete heliportos hospitalares certificados. Só o heliporto do Hospital de Braga cumpre as condições necessárias, ou seja, tem a pista com o comprimento suficiente para os helicópteros aterrarem. É uma informação confirmada pela Autoridade Nacional de Aviação Civil ao jornal Público. Portugal tem atualmente 37 hospitais públicos com heliportos, mas só sete estão certificados para o transporte aéreo de doentes e apenas um pode receber os Black Hawks. A compra destes helicópteros representa um custo total de € 32 milhões, financiados pelo PRR e devem ser entregues em agosto do próximo ano. Está concluída a investigação ao caso das cirurgias adicionais no Santa Maria e o relatório seguiu agora para o Ministério Público. Falamos do caso do dermatologista Miguel Alpalhão, que terá recebido mais de € 50 mil por um dia de trabalho, além de cerca de € 400 mil em 10 sábados. A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde concluiu que houve, de facto, uma violação das regras de funcionamento do sistema, que permite cirurgias fora do horário de trabalho para responder às listas de espera no SNS. De acordo com o que divulga a CNN Portugal, o relatório revela que terão sido feitas uma série de pequenas cirurgias como se fossem de ambulatório e que foi feita também uma codificação indevida destas operações. Destaca-se também nas conclusões do relatório a falta de mecanismos de controle deste sistema. E afinal, o sistema empresa na hora pode demorar quase um ano. A denúncia é da Ordem dos Advogados, que chama a atenção para a falta de funcionários no Instituto dos Registos e Notariado. Todos os agentes do setor falam numa rutura de serviços e o Jornal de Notícias traz hoje vários exemplos. Conta de processos que se arrastam por meses, de telefones que ficam por atender e ainda de quem faça 500 km para conseguir concluir um processo num local mais rápido. O bastonário da Ordem dos Advogados, João Massano, diz que a situação se tem agravado e que não há como agilizar. Cenário confirmado também pelos sindicatos. O presidente do Sindicato Nacional dos Registos diz ao JN que faltam 2 mil oficiais de registo e 250 conservadores. O jornal pediu esclarecimentos ao Ministério da Justiça, mas não obteve resposta. São 08h06, Carla. Antes dos Momentos de Glória, que outras notícias marcam esta terça-feira? O Estado gastou cerca de € 240 milhões em análises clínicas em 2024, mais 4,1% do que no ano anterior. É o que indica a Entidade Reguladora da Saúde, que assinala um aumento da procura para explicar esta subida. A área das análises clínicas representou no ano passado a segunda maior despesa do SNS com o setor convencionado. Angola celebra hoje os 50 anos da independência. Dez mil convidados participam em Luanda nas cerimônias oficiais, incluindo Marcelo Rebelo de Sousa e Paulo Rangel, o ministro dos Negócios Estrangeiros. Estão convidados chefes de Estado e de Governo, vice-presidentes e ministros dos Negócios Estrangeiros, num total de 45 delegações. A Ucrânia denuncia um ataque russo em larga escala na região de Odessa nas últimas horas. As forças de defesa aérea terão conseguido interceptar a maioria dos drones, mas ainda assim alguns atingiram infraestruturas de energia e transporte. Há registro de pelo menos um ferido. A Ucrânia denuncia ainda ataques na cidade de Kramatorsk, uma instituição de ensino e várias casas terão ficado danificadas.