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Carlos de Carvalho. Carla, começamos este Jornal das 8 com educação. Os professores classificadores dos exames nacionais do secundário vão receber €1 por cada resposta classificada e €12 por cada prova reapreciada.
A tabela de pagamento aos professores classificadores foi anunciada ontem à noite pelo Ministério da Educação, em comunicado. A nota adianta que os professores vão receber €10 por cada prova classificada em suporte físico, casos de geometria descritiva e desenho A, e €18 por cada exame classificado no âmbito de uma reclamação. A medida aplica-se aos exames nacionais da primeira e segunda fases, bem como à época especial que há de acontecer em setembro. Neste comunicado, o Ministério da Educação destaca o papel dos docentes no processo de avaliação. Lembra o contexto de particular exigência, que implicou trabalho à noite e aos fins de semana, pelo que entende compensar todos os professores classificadores.
Mas há já problemas no processo de correção dos exames da segunda fase, um processo que começou ontem. Em destaque está a falta de professores.
É uma denúncia feita pela Missão Escola Pública ao Observador. Ainda não foram convocados todos os professores classificadores e o processo depende de uma nova plataforma, Carlos Pedro.
Plataforma essa onde os diretores das escolas devem indicar que professores estão disponíveis para a classificação das provas e, em caso de indisponibilidade, a substituição pode ser feita de forma mais rápida e direta. No entanto, na véspera deste novo período de correção arrancar, nem todos tinham conseguido aceder à plataforma. Há mesmo escolas onde ainda nenhum professor foi convocado para a segunda fase, indica a Missão Escola Pública.
Carlos, sabemos também que a convocatória para classificar itens de exames nacionais não pode ser recusada, mas o mesmo não acontece quando falamos de pedidos de reapreciações. Estes podem ser recusados.
Sim, sendo formalmente convocado para classificar os exames da segunda fase, um professor é obrigado a classificar as provas. Se houver férias marcadas, os docentes podem mesmo ter de alterar os dias. Ao Observador, o grupo Metaprof mostra-se receoso que não haja professores classificadores disponíveis para todo o trabalho. Revela também que há diretores a convocar colegas por chamada, à semelhança do que se verificou na primeira fase.
E com um dia de classificação de exames, problemas antigos repetem-se.
Os mesmos problemas, mas em menor dimensão, alegam professores e diretores. A plataforma foi abaixo, há professores que não conseguiram aceder ou não tiveram folhas de continuação e ainda um professor que conta ter recebido itens para corrigir sem ter sido convocado para a segunda fase.
Carlos Pedro, com o balanço do primeiro dia de correção desta segunda fase dos exames nacionais. O Observador já pediu esclarecimentos ao Educa e ao Ministério da Educação para confirmar ou não os relatos que nos foram chegando, mas não obteve respostas. Ao todo, são pelo menos 105 mil provas para corrigir. É um número que pode vir a aumentar.
O Chega quer chamar António Costa à Comissão Parlamentar de Inquérito sobre os mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária. A lista ainda não está fechada, mas Luís Montenegro também deve ser chamado pelo partido de André Ventura.
O presidente do Chega garante que todos os envolvidos neste caso vão ser chamados a prestar esclarecimentos aos deputados no Parlamento. André Ventura lembra que na Operação Influencer, o Ministério Público prescindiu da cooperação com a Polícia Judiciária e preferiu a PSP. Por isso, em entrevista à CMTV, Ventura admite chamar tanto o atual primeiro-ministro como o anterior, António Costa, a prestar esclarecimentos.
O atual provavelmente poderá ser, o anterior com toda a certeza será, porque está em causa a Operação Influencer.
Diretores de serviço da Polícia Judiciária.
Pode vir a acontecer. Nós ainda queremos avaliar isso com detalhe.
O empreiteiro?
Mas todos os que estão envolvidos naquilo que é preciso esclarecimento, eu acho que podem ser chamados.
Então, mas não tem uma lista fechada ainda?
Não, depois a comissão de inquérito agora é enviada para o presidente do Parlamento. O presidente do Parlamento tem que dar autorização, porque ela é potestativa.
Sim, mas podia já ter uma ideia de quem é que quer chamar.
E temos, mas não quero antecipar isso, porque acho que isso é uma das questões também estratégicas de uma comissão de inquérito.
André Ventura, em entrevista à CMTV ontem à noite, acusa ainda o PS de evitar pressionar Luís Neves e sugere que os socialistas estão a proteger o ministro da Administração Interna. André Ventura fala em dois critérios face aos problemas na correção dos exames e ao ministro da Educação.
Mais um dado importante neste caso que envolve Luís Neves. A ex-diretora nacional adjunta da PJ diz que nunca foi informada sobre o desaparecimento do atrelado que acabou na empresa do empreiteiro e amigo do ministro.
Luísa Proença era o braço direito de Luís Neves. Acompanhou o atual ministro da Administração Interna na Judiciária entre 2018 e o início deste ano. Era responsável pela gestão dos bens apreendidos pela polícia. Questionada pela TVI, CNN Portugal e Nascer do Sol, diz que só tomou conhecimento do caso pela comunicação social e garante que nunca foi informada da saída do atrelado do parque de apreendidos do Seixal, nem de qualquer pedido urgente de remoção. Diz também que viu esta notícia com alguma surpresa.
A menor de 12 anos que terá sido vendida pelos pais para casar em França, foi levada para um centro de acolhimento para crianças e jovens vítimas de tráfico humano. Está bem e a interagir com outros menores.
A informação é avançada ao Observador pelo centro de acolhimento que recebeu a menor no sábado. Ela foi detectada no Aeroporto Lisboa, acompanhada por uma mulher que se fez passar pela mãe. Vinham do Senegal com destino a França. A PSP detectou irregularidades nos documentos. Confrontadas, a própria criança denunciou que estava a ser levada para França para casar com um homem, depois de ter sido vendida pela própria família para saldar uma dívida. A editora adjunta de sociedade do Observador, Leonor Riso, explica que a menina está agora ao abrigo desta instituição, onde está a interagir com crianças vítimas do mesmo crime.
Neste momento, já está a interagir com as outras crianças.
O que é um bom sinal.
O que é um bom sinal. E quando há essa interação, aquilo que sabemos é que Há uma abordagem feita pelas próprias crianças em dizer: "Olha, eu também passei por isso, eu também estive no aeroporto como tu". E, por exemplo, há quem diga: "Olha, tu agora não tens telemóvel aqui". Ou seja, há essa abordagem.
É incluí-la naquela comunidade de crianças que passaram pela mesma experiência altamente traumática.
E também é importante ressalvar que tanto estas pessoas da organização Acto, como a equipe multidisciplinar, como a PSP e a Frontex tiveram e têm formações e têm uma abordagem especial para lidar com crianças vítimas de tráfico de pessoas.
A editora adjunta de sociedade do Observador, Leonor Riso, na história do dia. Este caso vai ser acompanhado por um tribunal. A criança vai ficar com uma medida de proteção de menores. Leonor Riso explica os próximos passos.
Há aqui três possibilidades: ou ficará em Portugal e será integrada no sistema de resposta a crianças neste tipo de situações, ou vai para o país de origem, se se perceber que ela há familiares que a possam receber e que tenham condições para tal, ou então irá para reagrupamento familiar. Imaginemos que se descobre que há familiares na Europa que possam ficar com ela. Então, por exemplo, esta associação, que tem a guarda da menina, pode comunicar com o Serviço Social Europeu, como se chama, e tentar definir se há realmente uma resposta de familiares na Europa, por exemplo, para onde ela possa ir.
A criança é cidadã da República Democrática do Congo. Já a mulher que se fez passar pela mãe é francesa, tem 45 anos, ficou em prisão preventiva e está a ser investigada pela Polícia Judiciária por tráfico de pessoas.
É uma notícia em destaque no nosso site a esta hora e também disponível na história do dia desta terça-feira. Viramos atenções para os incêndios. Está dominado o fogo em Penafiel, na localidade de Duas Igrejas. Entrou em fase de resolução ao início da manhã.
Pouco antes das 7h, é o que indica a Proteção Civil. No terreno continuam 200 operacionais apoiados por 70 viaturas. Já o incêndio na Guarda, na localidade de Rochoso, continua ativo e a mobilizar 300 operacionais e 90 viaturas. O incêndio começou ontem à hora de almoço, na localidade de Rochoso, perto do Sabugal. Cinco bombeiros ficaram com ferimentos ligeiros. Outros dois operacionais ficaram feridos num outro incêndio em Vila Verde, que também está dominado. Hoje quase todos os distritos do continente voltam a estar sob aviso amarelo por causa do calor. Faro é a única exceção, é o que indica o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
A descida das temperaturas durante a noite ajudou no combate aos incêndios em Espanha, sobretudo o de Ávila, o maior alguma vez registrado no país vizinho.
É o que dão conta esta manhã as autoridades espanholas. O combate está a decorrer de forma mais favorável. O governo de Pedro Sánchez vai hoje declarar como zonas de catástrofe os territórios atingidos pelos fogos. O objetivo é dar início ao processo de reconstrução e recuperação das áreas afetadas o mais rapidamente possível. Isto numa altura em que se espera uma nova subida das temperaturas, pelo que as autoridades espanholas avisam que o dia de hoje é crítico.
Situação semelhante em França. Espera-se uma nova onda de calor e por isso as autoridades falam numa corrida contra o tempo.
A França está também a tentar dominar os incêndios que afetam sobretudo a região de Bordéus. As autoridades adiantam que o fogo está estabilizado depois de uma noite mais calma. As chamas já obrigaram a retirar de casa mais de 200 mil pessoas. Cerca de 3 mil portugueses e lusodescendentes foram transferidos para centros de acolhimento devido a este fogo perto de Bordéus. O governo confirmou ontem que não há registro de vítimas portuguesas na sequência destes incêndios.
Mais de um mês depois dos sismos que atingiram a Venezuela, neste momento a prioridade continua a ser garantir o acesso a bens essenciais como água e também prestar apoio psicológico aos sobreviventes.
Os dois sismos atingiram a Venezuela no dia 24 de junho, particularmente o estado de La Guáira, perto da capital, Caracas. O balanço mais recente dá conta de mais de 5500 mortos, quase 17 mil feridos. A Rádio Observador falou com o diretor nacional da Ajuda em Ação Portugal. É uma ONG com presença na Venezuela desde 2019. Mário Rui sublinha que o trabalho humanitário continua de forma a dar apoio aos sobreviventes.
O que nós já conseguimos fazer foi fazer uma distribuição numa primeira fase, uma distribuição de emergência humanitária, ou seja, em conjunto com outros parceiros, avaliar quais seriam as necessidades, não duplicar ajuda, mas de uma forma muito coordenada, ajudar naquilo que era mais necessário e, nomeadamente, o que nós tivemos a fazer foi uma distribuição de kits alimentares também e uma distribuição de abrigos e peças de conforto, ou seja, cobertores, colchões também, para as pessoas que ficaram sem as habitações.
O diretor nacional da Ajuda em Ação explica ainda que um mês depois começa uma outra fase, que incide na ajuda psicológica e também na planificação de intervenções para garantir o acesso à água.
Há uma segunda fase de trabalhar sobre a distribuição da água e também uma fase posterior, também ainda um apoio também psicológico, posterior, mas ainda dentro desta fase, um apoio psicológico a estas comunidades. Sabemos que hoje em dia é claro e evidente que o apoio psicológico às pessoas que sofreram mais dentro destas tragédias, direta ou indiretamente, tem muita importância para que as pessoas consigam continuar e manter a ideia de futuro e manter a ideia daquilo que é o seu futuro dentro das comunidades.
Mário Rui é o diretor nacional da Ajuda em Ação Portugal. Em declarações à Rádio Observador, revela ainda que a própria ONG vai começar a oferecer emprego às populações para ajudarem no trabalho que a Ajuda em Ação tem feito na região de La Guaria, uma das mais afetadas pelos sismos na Venezuela. Entre as vítimas mortais, há 134 portugueses e lusodescendentes e ainda 12 desaparecidos.
Daqui a pouco há momentos de glória na Rádio Observador. Para já, outras notícias que também estão a marcar a atualidade.
Cerca de 300 pessoas tiveram de ser retiradas de casa esta madrugada em Setúbal, isto por causa de um incêndio num estacionamento subterrâneo. Sete veículos arderam. Não há feridos, é o que avança a Proteção Civil. A agência adianta que este fogo começou numa das viaturas e propagou-se às outras. O alerta foi dado perto das 2h, a situação foi dada como resolvida uma hora depois, cerca das 3h. Nos primeiros seis meses do ano, nasceram em Portugal 43 mil bebés. São mais 900 do que no mesmo período do ano passado. Os dados são do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, que coordena o Programa Nacional de Rastreio Neonatal. Os distritos com mais nascimentos neste primeiro semestre foram Lisboa, Porto, Setúbal e Braga. Em sentido contrário, os números mais baixos foram registados em Bragança, Portalegre, Guarda e Vila Real. Donald Trump recebe hoje Volodymyr Zelensky e Benjamin Netanyahu na Casa Branca. Os conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia serão os temas em cima da mesa. A Casa Branca confirma, entretanto, uma nova ronda de negociações entre Israel e o Líbano. Vai decorrer a 4 de agosto, em Roma, Itália. O espião português que vendia segredos à Rússia está no centro do novo podcast Plus do Observador. O caso remonta a 2016, altura em que Frederico Carvalhão Gil foi detido em Roma, quando passava documentos classificados a um agente russo. Em causa estavam segredos da NATO.
Esta operação para identificar o suspeito envolveu os serviços secretos de vários países, entre eles os americanos da CIA.
Quando chega a confirmação da CIA, o espião está colocado como analista no departamento de contraterrorismo das secretas. Foi-lhe atribuída, há mais de uma década, a pasta dos Balcãs e da Ásia Central. Só que paralelamente, ele também é o representante do SIS nos exercícios de gestão de crises da NATO. E isso garante-lhe acesso direto a informação sensível sobre como os vários membros da organização militar respondem a eventos críticos. Se as suspeitas se confirmarem, o espião português conseguiu ter acesso a estes documentos secretos da NATO e entregou-os a uma potência estrangeira.
Este é um excerto do primeiro episódio de "A Vida Dupla do Espião Traidor", que já está disponível.
É uma série narrada pelo ator Ivo Canelas, música original de Bruno Pernadas, investigação e guiões do jornalista Pedro Raínho. De resto, o Pedro Raínho e o Ivo Canelas vão estar conosco esta manhã, depois das 9h30. Damos destaque aqui na Rádio Observador a este novo podcast Plus do Observador.