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As notícias com Carla Jorge Carvalho. Na Alemanha, o partido de extrema-direita, AfD, venceu com 44% dos votos as eleições regionais no estado da Saxônia-Anhalt. Fica apenas a três assentos da maioria absoluta no Parlamento regional.
E, por isso, a AfD está aberta a coligações, apesar dos democratas cristãos da CDU já terem garantido que não farão parte de um eventual acordo de governação com a extrema-direita. O certo é que a CDU viu o resultado eleitoral reduzido para metade. Foi o segundo partido mais votado, mas com apenas 17%. Os sociais-democratas do SPD ficaram com 9,3% dos votos, os Verdes conseguiram 8,9% e o Die Linke arrecadou 8,6% dos votos. Esta vitória da extrema-direita alemã já está a provocar um tremor político, Carlos Pedro.
É notícia na Alemanha, na Europa, mas não só, naturalmente. Nos Estados Unidos, é destaque no New York Times o resultado da CDU, o partido do chanceler alemão Friedrich Merz, que é considerado como o grande derrotado da noite. Na Europa, os maiores destaques vão para o partido vencedor, a AfD, e para as políticas anti-imigração, mas é também destacado o resultado do partido de Merz. O The Times diz mesmo que o resultado é uma humilhação pessoal para Friedrich Merz. Já o La Stampa, de Itália, realça o melhor resultado de sempre da AfD e diz que está aberto o caminho para o primeiro governo de extrema-direita na Alemanha desde 1945. Aqui ao lado, em Espanha, a ideia é a mesma: a vitória da AfD veio abalar o cenário político alemão.
Não tendo a maioria absoluta, o partido precisa de três deputados. Precisa, portanto, Carlos, de uma coligação.
E o partido da esquerda nacionalista já admitiu viabilizar precisamente a governação da extrema-direita. O líder da direita radical na Saxônia-Anhalt, Ulrich Siegmund, avisa que com coligação ou não, o partido AfD não vai abdicar dos seus princípios. A imigração e as questões sociais são as linhas vermelhas para um entendimento. Entretanto, a presidente do partido da AfD já pediu a convocação de eleições federais antecipadas e já disse que o chanceler Friedrich Merz não chega ao Natal. Referiu também, em entrevista à CNN Internacional, que pretende deportar todos os criminosos, controlar as fronteiras e abrir um canal diplomático entre Berlim e Moscovo.
Carlos Pedro, com o resumo da vitória da AfD nas eleições no estado da Saxônia-Anhalt e as primeiras reações. Já na análise, o especialista em relações internacionais, Miguel Baumgartner, avisa que a vitória da AfD representa uma grande derrota para o bloco europeu. Fala de uma desunião entre os 27.
A Rússia não precisa de estar efetivamente em guerra direta com a Europa, nem precisa de vir por aí abaixo com os tanques para criar esta desunião, para criar esta tensão entre os países e este problema interno, que é esse, efetivamente, o seu grande objetivo.
O especialista em relações internacionais, Miguel Baumgartner, ouvido no Gabinete de Guerra desta manhã, considera ainda que o Executivo liderado por Friedrich Merz não vai chegar ao final da legislatura.
Este é o tema em destaque a esta hora no site do Observador. Um homem de 70 anos passou 36 horas nas urgências do Hospital Amadora-Sintra. O utente sentiu-se mal no sábado e havia suspeitas de AVC. Foi para o hospital nessa tarde e só voltou a casa na madrugada de segunda-feira.
O Observador apurou que este caso aconteceu no final de agosto, num dia em que só haveria dois médicos nas urgências do Amadora-Sintra. O homem, doente crónico, sentiu-se mal em casa, apresentava sintomas de AVC. A mulher ligou para a linha SNS 24 e depois de 40 minutos à espera, foi levado para o Hospital Amadora-Sintra, onde a hipótese de AVC foi entretanto afastada.
O homem de 70 anos passou depois 23 horas sentado numa cadeira de rodas à espera para ser visto, apesar de ter pulseira amarela.
Ou seja, uma pulseira que indica que tem que ser observado no prazo máximo de uma hora. O jornalista Tiago Caeiro explica que depois a espera prolongou-se ainda mais.
Esperaram várias horas, até à madrugada de segunda-feira. E foi já aí, por volta das duas e meia da manhã, que a mulher deste senhor decidiu ir ao gabinete onde estava o médico que o viu pela primeira vez, para perceber o que é que se passava.
E o que se passava?
O que se passou, neste caso, foi que o médico tinha esquecido de chamar esse senhor para lhe dar alta e para lhe dar o diagnóstico.
Nós sabemos o que é que aconteceu, já agora, qual foi o diagnóstico claro desse senhor? Ficou claro o que é que ele teve?
Ele teve uma infeção que não foi determinada a origem dessa infeção. Portanto, o diagnóstico foi esse. Foi para casa sem medicação, ao fim de 36 horas no hospital.
Ao todo, foram 36 horas de espera, explicação do jornalista Tiago Caeiro na história do dia de hoje. De recordar que o Hospital Amadora-Sintra está sem diretor de urgência desde abril. A Ministra da Saúde já avisou que a pressão sobre as urgências do SNS pode aumentar ainda mais nas próximas semanas.
Esta é a notícia que faz manchete a esta hora no site do Observador e é também o tema da história do dia. São 08h05, daqui a pouco há Momentos de Glória. Primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque a esta hora?
A taxa de conclusão do ensino secundário é mais baixa nas regiões de Lisboa, Setúbal e Algarve. É o que indica um estudo da Pordata, que destaca que, em sentido contrário, a região Norte regista uma taxa de maior sucesso. A Pordata alerta que persistem fortes diferenças territoriais, mudanças na composição da população escolar e desafios na transição entre níveis de ensino. Os Estados Unidos pretendem uma paz duradoura na Ucrânia, e não apenas o fim da guerra. A posição é assumida pelos enviados especiais de Donald Trump, que estiveram ontem em Kiev. Já Volodymyr Zelensky voltou a pedir que seja feito um esforço para sentar a Rússia à mesa das negociações. O governo de Cabo Verde anunciou a abertura de uma investigação ao acidente com o autocarro na Ilha do Fogo, que fez 25 mortos e 14 feridos. O Executivo cabo-verdiano quer uma análise séria e profunda. O primeiro-ministro destaca que neste momento a prioridade é prestar solidariedade às famílias das vítimas e assegurar o apoio às pessoas afetadas. A Assembleia da República vai ter amanhã uma maratona dedicada ao caso Luís Neves, devido à moção de censura apresentada pelo Chega. As maratonas parlamentares não são assim tão raras e uma das mais longas está relacionada com a queda do Banco Espírito Santo.
E na comissão de inquérito à queda do BES, os deputados quiseram ouvir dois dos principais protagonistas no mesmo dia, Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi.
Ricardo Salgado começou às 9h e a audição demorou nove horas.
O leopardo quando morre deixa a sua pele e um homem quando morre o que deixa é a sua reputação.
Esta frase ficou para a história. O antigo homem forte do Banco Espírito Santo, que esteve ao mesmo tempo que José Maria Ricciardi no Parlamento, mas sem nunca se cruzarem.
Sendo que, Carla, a audição de Ricciardi estava marcada para às 15h, mas só arrancou ao início da noite, com José Maria Ricciardi a entrar ao ataque.
Foram sete horas de José Maria Ricciardi, que se somaram às nove de Ricardo Salgado. Foram 16 horas de audições, com Ricciardi a tentar distanciar-se do primo Salgado.
O Grupo Espírito Santo e o Banco Espírito Santo tinham uma liderança absolutamente centralizadora. Portanto, fico muito surpreendido agora de saber que não, que ninguém sabia de nada, que a culpa era só do contabilista.
As lutas dos primos na queda do Banco Espírito Santo, numa comissão de inquérito que teve ainda outros protagonistas, como Zeinal Bava ou Pedro Queiroz Pereira, num total de, atenção, 240 horas de audições.
Amanhã também se espera uma maratona na Assembleia da República com a audição de Luís Neves. Pode acompanhar tudo numa emissão especial do Observador, que arranca às 9h.