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Jornal das 8, com Carla Jorge Carvalho. E começamos com uma notícia Observador. O orçamento apresentado à Polícia Judiciária para destruir produtos químicos incluía centenas de bidões e não só o material do atrelado que foi enviado para a Constrobarcelos. Confirma-se, portanto, que a Polícia Judiciária informou mal a ministra da Justiça.

Tal como, de resto, deu a entender ontem Rita Alarcão Jorge no Parlamento. O Observador sabe que o gabinete da ministra recebeu informações erradas da Polícia Judiciária. Os mais de 60 bidões que continham químicos usados para a produção de droga representam apenas uma parte muito pequena de todo o material apreendido nesse inquérito. E, Carlos Pedro, esse erro só foi detectado esta semana.

Falamos de um orçamento de €144 mil apresentado à PJ e destinado precisamente à destruição de centenas de bidões apreendidos no âmbito da Operação Pacoba. E atenção, centenas de bidões. Isto porque o Observador apurou que os €144 mil eram destinados a bem mais do que os 62 bidões guardados no atrelado que foi parar às instalações da Constrobarcelos, a empresa do empreiteiro e amigo de Luís Neves. Ontem, no Parlamento, a ministra da Justiça deu a entender que tinha recebido informações incorretas por parte da PJ e que foi por isso que respondeu erradamente às perguntas enviadas pelo Chega. Declarações que motivaram, entretanto, um pedido de audição do diretor nacional da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro, um pedido que foi feito pelo partido de André Ventura.

E já avançou esse requerimento. Ainda que a versão da ministra Rita Alarcão Jorge bata certo com estas novas informações, os €144 mil eram mesmo para a destruição exclusiva de produtos químicos nessa operação, Carlos.

Sim, e a ministra garantiu ontem que não mentiu ao grupo parlamentar do Chega quando disse que o orçamento em questão envolvia apenas material da Operação Pacoba e não vários processos. Afinal, esse dado confirma-se. Mas a ministra revelou, no entanto, que havia mais materiais químicos apreendidos nesse único processo do que os que estavam no atrelado que seguiu para as instalações da Constrobarcelos. Pode ter sido esse o facto que gerou confusão e acabou por estar na origem da informação errada que recebeu da parte da Polícia Judiciária. A PJ que, de resto, só deu conta desta imprecisão esta semana e entretanto retificou os dados junto do gabinete da Ministra da Justiça.

Carlos Pedro, com estes novos dados apurados pelo Observador e que mostram que a Polícia Judiciária informou mal a ministra Rita Alarcão Jorge no caso do atrelado.

O Banco Central Europeu deve decidir hoje uma nova subida das taxas diretoras. Vai ser o segundo este ano e, Carla, pode não ser o último.

Pois não. Christine Lagarde já tinha alertado em julho para a probabilidade das taxas de juros terem de voltar a subir. A decisão do Conselho de Governadores de hoje deve ser confirmada pelo contexto internacional, com a guerra no Médio Oriente e o aumento dos preços globais provocado pela crescente instabilidade. A taxa de juros de referência deve subir dos atuais 2,25% para os 2,5. E Paulo Ferreira, o aumento não deve ficar por aqui este ano.

Não, os mercados estão a apostar em mais uma subida em dezembro, no final deste ano, eventualmente uma ou outra ainda na primavera. E por que houve esta mudança de sentimento dos mercados em relação àquilo que se pensava no início do ano? Porque de facto, os sinais que chegam do mercado das matérias-primas, nomeadamente do petróleo, continuam a dever-nos inflação mais à frente. Temos o petróleo neste momento novamente acima dos $100, o que significa que a correia de transmissão, que depois se opera do petróleo para outros produtos e serviços, que isso provoca subida de inflação e necessariamente provoca a reação dos bancos centrais a uma subida de juros, precisamente para tentar conter essa inflação, vai continuar a produzir-se.

E este número dos 2% de inflação continua a ser sagrado, digamos assim, para o BCE.

É sagrado. Está naquilo que é o estatuto do BCE, manter como seu principal objetivo, manter um crescimento dos preços à volta dos 2%. Era mais rigoroso no início da formação do BCE, dizia mesmo 2%, mas agora considera-se uma margem, uma amplitude de algumas décimas para isso. Nós temos a inflação da zona euro nos 3,3%, portanto, claramente acima dos 2%, e com efeito ainda por conhecer e que se prevê que vá continuar. Em relação aos juros, os mercados neste momento já antecipam, a Euribor a 12 meses já está acima dos 3%, já está na casa dos 3,1%, e isso é aquilo que as pessoas realmente pagam neste momento pelo crédito. Mas os mercados estão a antecipar que rapidamente as taxas Euribor cheguem aos 3,5%, antecipando já aquilo que vão ser as subidas futuras do BCE. Hoje vai para os 2,5%. Eventuais subidas em dezembro e na primavera vão colocar as taxas claramente na casa dos 3%. Ou seja, aquilo que era, no início, em fevereiro, um percalço motivado pela subida do petróleo, e que se pensava momentânea por semanas, está se a tornar, de facto, numa nova circunstância de mercado com impacto no bolso de toda a gente.

Com muito impacto. Paulo Ferreira, obrigada aqui pela tua análise. Esta decisão há de ter, de facto, um aumento grande na pressão dos orçamentos das famílias, das empresas e, naturalmente, dos Estados da zona euro.

O ministro da Educação admite que vários alunos da Grande Lisboa podem começar as aulas sem todos os professores. Fernando Alexandre garante, no entanto, que o problema não se estende ao resto do país.

Foi numa entrevista ao Público e à Rádio Renascença. O ministro explica que nesta altura está a haver ciclos semanais de colocação de professores, mas que a partir do dia 18 o processo passa a ser diário. Nesta entrevista, o ministro anuncia também que no próximo ano letivo deve ser testada a fusão do primeiro com os segundos ciclos no ensino básico, sem dizer ainda em quantas escolas vai funcionar este projeto-piloto, assume que gostava de o fazer de uma forma bastante alargada e promete diminuir a carga letiva dos professores do primeiro ciclo. Já sobre os pedidos de esclarecimento que o ministro fez aos diretores escolares durante os problemas com os exames nacionais, Fernando Alexandre revela que há seis casos em que estão a ser feitos inquéritos adicionais para averiguar eventuais responsabilidades dos diretores escolares. Depois saberá se se avança ou não para processos disciplinares.

São agora 08h07, Carla, que outras notícias marcam a atualidade?

Donald Trump garante que a guerra no Médio Oriente vai acabar depois das eleições intercalares nos Estados Unidos. O presidente norte-americano está na estrada em campanha pelos candidatos republicanos. Num discurso na última madrugada, comparou o Partido Democrata ao comunismo e pediu aos norte-americanos que votem como se fosse ele próprio o candidato no boletim. A Câmara Municipal de Lisboa foi condenada a pagar mais de €460 mil pelo caso Russiagate. É o que avança o Diário de Notícias. O processo está relacionado com o envio de e-mails que incluíam dados pessoais de ativistas anti-Putin para a Embaixada Russa e outras entidades entre 2013 e 2021, durante os mandatos de António Costa e de Fernando Medina. O último mês de agosto foi o mais quente desde que há registro no planeta. É o que revelam dados divulgados pelo Serviço Europeu Copernicus. As temperaturas globais voltaram a ser empurradas para mais de 1,5 graus acima dos níveis pré-industriais. O mês passado registou também a média mensal de temperatura da superfície do mar mais elevada já observada nos oceanos extra polares.