Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Muito bom dia. Jornal das nove com Carla Jorge Carvalho. Em dia de manifestação da PSP e da GNR em Lisboa, o protesto junto ao Parlamento, que começou há mais de duas semanas, continua.
Todos os dias há pelo menos um agente a dormir junto às escadarias da Assembleia da República. Este é o lugar onde, mais logo, vai terminar a manifestação que está marcada para começar no Largo do Carmo, às 17h30. Junto ao Parlamento, esta manhã, Mário Silva da Costa, o cenário de protesto repetiu-se.
Exatamente, Carla. Bom dia. Um homem dormiu aqui junto ao Parlamento, dormiu no chão, num saco de cama, ao fundo da escadaria da Assembleia da República. São já quase 20 dias em que esta forma simbólica de protesto se tem repetido. Esta noite foi mais uma dessas noites em que se repetiu esta forma de protesto, um protesto das forças de segurança, a PSP e a GNR, que exigem um subsídio de risco que seja equiparado àquele que foi atribuído à PJ, mas não só, querem também uma melhoria das condições de trabalho e, acima de tudo, a recuperação do poder de compra. Esta tarde, por volta das 17h30, como dizias, Carla, esta zona da cidade de Lisboa vai ser palco de uma contestação mais acentuada por parte das forças de segurança. Está marcado um protesto com início no Largo do Carmo e que vai terminar aqui junto à Casa da Democracia, junto à Assembleia da República. O Sindicato Nacional da Polícia antecipa uma participação superior às 10 mil pessoas. Vamos aguardar para ver se se confirmam estes números antecipados pelo SINAPOL, neste protesto que prometem que vai ser pacífico e ordeiro. Por agora, este espaço aqui junto ao Parlamento está vazio. A pessoa que aqui dormiu já foi entretanto embora, mas prevê-se uma forte presença de elementos das forças de segurança aqui, mais ao final da tarde, junto à Assembleia da República.
Mário Silva da Costa está em direto já do Parlamento. É lá que vai terminar a manifestação da PSP e da GNR. As forças de segurança querem melhores condições salariais e pedem um subsídio idêntico ao que foi aprovado para a Polícia Judiciária.
E no PS, depois de negociações tensas, a Comissão Política Nacional aprovou as listas de deputados. José Luís Carneiro é cabeça de lista por Braga.
Pedro Nuno Santos aproveita praticamente metade daqueles que foram os cabeças de lista de António Costa em 2022 e mantém 18 governantes ainda em funções. Entre eles está o ministro da Administração Interna, adversário de Pedro Nuno Santos nas diretas, que volta a estar à frente em Braga. Já Daniel Adrião chegou a estar na lista por Coimbra, acabou retirado à última hora. Álvaro Beleza também deixou de ser cabeça de lista. No final da noite, Pedro Nuno Santos reconheceu algumas dificuldades para acertar todos os nomes, embora tenha afastado um cenário de falta de unidade, preferindo antes destacar a renovação e a experiência.
Nós temos e aprovamos listas que conseguem conciliar a renovação com a experiência. 50% dos cabeças de lista são novos cabeças de lista, alguns continuam, alguns são membros do governo. O Partido Socialista é um partido com quadros qualificados, com quadros com experiência governativa. Nós temos uma legislatura que foi interrompida. Há muitos membros do governo que têm feito um excelente trabalho, que nós queremos que continue. Nós conciliamos a defesa do legado desta governação com a necessidade de darmos um novo impulso.
Pedro Nuno Santos, o secretário-geral do PS no final da reunião da Comissão Política Nacional, que aprovou as listas de deputados e aprovou também um compromisso ético para os que vão ser candidatos pelo partido.
E ainda sobre as eleições de março, Rui Tavares, porta-voz do Livres, é o convidado do "Sobre Escuta" depois deste Jornal das Nove. Aníbal Cavaco Silva classifica como anormal a forma como o presidente da República, Mário Soares, fez oposição ao então primeiro-ministro. É na segunda parte do ensaio que publica no Observador.
Na semana passada, o antigo primeiro-ministro fez o autoelogio aos últimos tempos em que governou e à obra realizada. Comparou-os com todos os anos do Executivo de António Costa. Agora, João Filipe Cruz fala da oposição que sentiu por parte de Mário Soares.
Aníbal Cavaco Silva começa por recordar os últimos anos como primeiro-ministro, muito marcados, como escreve, pela oposição aguerrida do PS de António Guterres, mas sempre dentro das regras do combate político democrático. O mesmo não terá acontecido com o presidente da República. Nesta segunda parte de memórias de governo cansado e arrogante, Cavaco Silva lembra os ataques desferidos por Mário Soares ao governo, com três à cabeça. As presidências abertas de 2000 e o Congresso Portugal, que futuro de maio de 94, que o antigo líder social-democrata recorda que serviram de amplificador de críticas ao governo e um conjunto de notícias que, no verão de 1993, davam conta da hipótese de demitir o Executivo e convocar eleições antecipadas. Cavaco Silva assegura que os ataques não impediram o governo de trabalhar e lembra que a OCDE reconheceu, num relatório de 95, que Portugal tinha feito progressos notáveis em 10 anos. Mas na parte final do tempo em que ocupou São Bento, Cavaco admite ter desferido uma afirmação que irritou Soares. Na tentativa de acalmar os críticos do presidente dentro do PSD, Cavaco Silva disse que tinham de ajudá-lo a acabar o mandato com dignidade. Trinta anos depois, reconhece que não o devia ter feito e, na última parte deste texto, o antigo primeiro-ministro reassume-se como não político no poder, alguém que priorizava a obra feita aos índices de popularidade do governo e aos ataques violentos do Palácio de Belém, garante que, apesar de todos eles, os ministros que chefiava mantiveram-se coesos e dinâmicos até ao último dia e, por fim, a bicada aos que governam nos dias de hoje. Garante Cavaco Silva que o trabalho dos últimos dois anos de mandato não se comparam aos oito do ainda poder socialista.
João Filipe Cruz, com esta segunda parte do ensaio que Aníbal Cavaco Silva publica no Observador, com o título "Memórias de um Governo Cansado e Arrogante".
O artigo está em destaque a esta hora no site do Observador. A Provedoria de Justiça quer que a PSP coloque um fim imediato às fracas condições do acolhimento temporário do Aeroporto de Lisboa. Denuncia uma situação indigna e intolerável.
Só no mês, 80 requerentes de asilo foram obrigados a dormir no chão, na zona internacional do Aeroporto Humberto Delgado. São números confirmados pelo coordenador do Mecanismo Nacional de Prevenção, que está na dependência da Provedoria, fornecidos ao jornal Público. Miguel Feldman visitou o aeroporto em novembro. Diz ter falado com pessoas que estavam à espera há cinco dias. A recomendação a pedir o fim imediato desta situação foi entregue à polícia no dia 08 de janeiro. Com a extinção do SEF, a PSP assumiu a responsabilidade do controle da fronteira aeroportuária, mas, para já, a Polícia de Segurança Pública recusa confirmar o número de requerentes de asilo que ficaram a dormir no chão, na zona internacional do aeroporto.
E a denúncia é partilhada pela Ordem dos Advogados. As queixas dos imigrantes estão a aumentar.
A Bastonária Fernanda Almeida Pinheiro confirma que não existem condições no Aeroporto de Lisboa para acolher os requerentes de asilo, principalmente em alturas como o Natal.
Os espaços que existem para acolhimento temporário dessas pessoas, os denominados ESID, são muito exíguos, além de estarem longe do espaço internacional, o que obriga a uma logística muito grande por parte dos senhores agentes, que têm que deslocar aquelas pessoas para que elas possam, por exemplo, usar os sanitários. Temos também a realidade de não serem suficientes para albergar o número de pessoas que pode ser necessário albergar quando existe, como é, por exemplo, o caso do Natal, picos de entradas no país. Se os espaços estão sobrelotados, continuamos a correr o risco de as pessoas poderem permanecer ali e mesmo que tenham, por exemplo, uma cama e terem os biombos para poderem estar protegidos, não deixam de estar no meio do espaço internacional do aeroporto, o que é absolutamente e totalmente inadmissível.
As críticas da Bastonária da Ordem dos Advogados, Fernanda Almeida Pinheiro, denuncia ainda que há advogados que chegam a ter de pagar para se encontrar com os clientes que estão nestas situações. No espaço de um mês, a Comissão dos Direitos Humanos da Ordem assegura que recebeu quatro queixas formais.
E depois dos ataques desta madrugada, o Iraque acusa os Estados Unidos de agressão e de violação da soberania.
O gabinete do primeiro-ministro iraquiano diz que os ataques levaram a um escalar irresponsável da tensão na região. O exército norte-americano anunciou ataques no Iraque contra bases utilizadas por grupos militares ligados ao Irão, como o Hezbollah. Pelo menos duas pessoas morreram, de acordo com as autoridades iraquianas. Os Estados Unidos realizaram estes ataques no Iraque contra bases utilizadas por grupos como o Hezbollah, na mesma madrugada em que o exército norte-americano voltou também a atacar posições dos houthis no Iémen. Atingiram dois mísseis antinavio, face ao que consideraram uma ameaça iminente. Esta manhã, no gabinete de guerra da Rádio Observador, o especialista em assuntos internacionais, José Filipe Pinto, descreveu a situação no mar Vermelho como muito complexa. Explica a lógica por detrás destes ataques.
Fica mais barato e é preferível tentar evitar que os houthis disponham da capacidade de lançar os drones e os mísseis do que proceder à sua intercepção. Mas há um elemento diferente: é que o Irão, que vê nos Estados Unidos o grande Satã, o grande Diabo, evidentemente que apoia todos estes grupos e por isso mesmo, há sempre fenômenos de ação e retaliação que têm por base, portanto, estas bases militares dos Estados Unidos em território estrangeiro.
Análise de José Filipe Pinto, politólogo, a descrever as dificuldades no terreno e apontar o Irão como um elemento desestabilizador.
E numa altura em que os Estados Unidos voltam a atacar posições dos houthis no Iémen, Israel e o Hamas dão passos na direção de um cessar-fogo.
Fontes próximas das negociações asseguram à agência de notícias Reuters que um acordo para garantir a libertação de reféns e o cessar-fogo de um mês em Gaza está cada vez mais próximo. O Qatar, Estados Unidos e Egito têm estado ativos na frente destas negociações. Ainda ontem, as autoridades do Qatar revelaram que tinham apresentado propostas aos dois lados do conflito e o Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos descreveu as conversas em curso sobre uma proposta para um acordo como sóbrias e sérias.
E nos Estados Unidos, a noite foi de primárias. Donald Trump venceu as eleições republicanas em New Hampshire e está mais perto de conseguir a nomeação presidencial do partido.
Depois de ter vencido também no primeiro estado do Iowa, esta é a segunda vitória consecutiva do antigo presidente nas primárias republicanas. Com, nesta altura, perto de 90% dos resultados apurados, Donald Trump está a conseguir mais de 54% dos votos, e isto contra os 43% conseguidos por Nikki Haley, que é a segunda candidata mais votada. Apesar da derrota, Nikki Haley, a antiga embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, já veio garantir que se mantém na corrida, sendo, no entanto, cada vez mais provável que a nomeação de Donald Trump parece ser o caminho que se segue. À Rádio Observador, Nuno Gouveia, especialista em política norte-americana, sublinha que dificilmente teremos surpresas daqui para frente.
Será quase impossível Donald Trump perder estas primárias. O próprio Joe Biden, como afirmou, já o considera o presumível nomeado do Partido Republicano. E mesmo ontem à noite, depois da vitória de Donald Trump, alguns republicanos, nomeadamente alguns senadores e alguns congressistas, que ainda não tinham declarado apoio a nenhum candidato, declararam que o partido Que deviam unir em redor de Donald Trump. Nas próximas semanas vamos assistir a uma grande pressão dentro do Partido Republicano para que Nikki Haley desista. A questão aqui é que Nikki Haley não quer desistir, parece ter apoio dos seus principais doadores para continuar na corrida e eu penso que ela provavelmente irá continuar a competir talvez até à Super Terça-feira, que se realiza no dia 5 de março.
Análise de Nuno Gouveia, especialista em política norte-americana, em declarações esta manhã à Rádio Observador. Afirma que Donald Trump está agora numa posição muito forte para ser nomeado candidato republicano. As próximas eleições primárias estão marcadas para daqui a uma semana, na Carolina do Sul. Ontem, os democratas também tiveram primárias no estado de New Hampshire e deram a vitória ao atual presidente, que é também recandidato, Joe Biden.
As três edições raras d'Os Lusíadas estão em exibição a partir de hoje na Câmara do Porto. A exposição assinala os 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões.
Embora não haja certezas históricas sobre a data e o ano, foi ontem que se assinalou o nascimento do poeta. Até sábado vai ser possível ver de perto edições raras da obra maior de Camões, incluindo a primeira de 1572, que agora pertence ao Ateneu Comercial do Porto. Inês Cortez.
Atualmente existem apenas 34 exemplares da primeira edição d'Os Lusíadas em todo o mundo e uma delas vai estar na Câmara do Porto até sábado. Rogério Gomes, vice-presidente do Ateneu Comercial do Porto, descreve o livro.
Tem umas belas ilustrações do início, na capa e no frontispício da obra. Depois, tem um tipo de letra um bocadinho gongórico, o que também torna interessante e às vezes difícil a leitura.
Os outros dois exemplares em exibição são edições antigas que pertencem à Biblioteca Pública Municipal. Jorge Sobrado, diretor do Museu e Bibliotecas Municipais do Porto, fala do legado que o poeta deixou na língua portuguesa.
Muitos dos diversos sonetos de Camões, nomeadamente os sonetos, não tanto d'Os Lusíadas, mas da obra de Camões, transformaram-se em lugares-comuns que hoje nós pronunciamos. Por exemplo: todo o mundo é composto de mudança, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Amor é fogo que arde sem se ver. Bem, a verdade é que a obra de Camões foi se plasmando na fala dos portugueses.
Durante a cerimónia, Gonçalo M. Tavares apresentou o projeto Camões na cidade do Porto. O escritor quer gravar pessoas de todas as idades a lerem versos d'Os Lusíadas para, a partir de 10 de junho, serem reproduzidos nas ruas do Porto através de QR codes. O projeto arrancou esta terça-feira com o objetivo de aproximar pessoas de diferentes gerações da obra e da cidade.
Inês Cortez, a espreitar a exposição que está a partir de hoje e até sábado na Câmara Municipal do Porto, das 09:00 às 17:00, com entrada livre.
São agora 09h15. Já vamos à entrevista a Rui Tavares no Sobre Escuta, mas antes, Carla, que outras notícias estão em destaque?
Um morto e quatro feridos, resultado de um acidente entre um pesado e dois ligeiros na autoestrada 25. O acidente deu-se no sentido Albergaria a Aveiro. O alerta foi dado antes das 07h. Fonte do Comando Sub-regional da região de Aveiro diz que um dos feridos ficou em estado grave. A atividade económica pode ter crescido entre 0,3 e 0,5% no último trimestre do ano passado, mas a produção industrial continuou em queda. Os dados são divulgados pela Confederação Empresarial de Portugal. Revela ainda que, pela negativa, destacaram-se a degradação do indicador de confiança das empresas industriais, assim como o decréscimo da produção industrial. Nas últimas 24 horas, a Rússia bombardeou 28 vezes cinco localidades no distrito de Sumy, na Ucrânia. A informação é avançada pelo The Kyiv Independent. Sumy tem sido uma das cidades mais atingidas pelas forças russas. Ontem, as autoridades ucranianas davam conta de ataques em quase uma dezena de comunidades. Com a Ucrânia a aproximar-se do segundo aniversário da invasão, o Canadá anunciou, entretanto, um novo pacote de ajuda militar. São perto de 18 milhões de euros.