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As notícias na Rádio Observador com Carla Jorge Carvalho. André Ventura reúne-se hoje com Miguel Arruda depois da polêmica em torno do alegado furto de malas no aeroporto. O deputado pode ter o lugar em risco na Assembleia da República.
Miguel Arruda foi constituído arguido esta semana, o que levou Ventura a anunciar que iria defender o levantamento da imunidade parlamentar do deputado. O presidente do Chega avisou que, caso não existisse uma explicação suficiente, o mandato de Miguel Arruda não teria condições para continuar. O deputado, eleito pelo círculo eleitoral dos Açores, tem mantido o silêncio e, Miguel Gato, dentro do grupo parlamentar do Chega, há relatos de comportamentos estranhos do deputado que parecem estar relacionados com este caso.
Sim, Miguel Arruda foi visto várias vezes a passar pelos corredores da Assembleia da República com malas de viagem de grande porte, sendo que foram também avistados vários trolleys dentro do gabinete do deputado. Fonte do Chega diz ao Observador que Miguel Arruda costuma andar com estas malas regularmente e noutros grupos parlamentares diz-se também que é recorrente ouvir o barulho das malas a subirem pela escada do Parlamento.
Entre os políticos que conhecem Miguel Arruda, é praticamente consensual que o deputado não tem problemas financeiros.
E que dificilmente será essa a motivação principal dos alegados furtos de malas no aeroporto. Esta é uma versão apresentada por políticos que conhecem o deputado nos Açores e acompanhada por fontes do grupo parlamentar do Chega. Há conhecimentos nos dois lados de que Miguel Arruda terá recebido heranças que, a somar ao atual salário do deputado, lhe permitem viver sem quaisquer tipo de dificuldades. Apesar disto, a declaração única de rendimentos do deputado, citada pela revista Sábado, dá conta de que o deputado tem créditos em vários bancos no valor de aproximadamente €50 mil.
Importa também, Miguel, dar conta do perfil deste deputado, que é agora do Chega, mas que começou a vida política na JS.
Sendo que chegou a subir também ao PS, mas acabou por se desvincular por não concordar com o modus operandi do partido nos Açores. Acabou por ingressar no Chega e hoje em dia é descrito como um fanático pelo partido de André Ventura. Miguel Arruda demonstra simpatia pelo Estado Novo, cita Salazar na conta na rede social X e já saiu em defesa de vários ativistas neonazis nessa mesma rede social. O deputado do Chega tem o mesmo advogado do ativista Mário Machado, do grupo nacionalista 1143.
Miguel Gato e o caso do alegado furto de malas que envolve o deputado do Chega. André Ventura vai reunir-se hoje com Miguel Arruda. Em discussão deverá estar a continuidade do mandato no Parlamento. A defesa do deputado nega que Miguel Arruda tenha confessado o crime, como noticiaram vários órgãos de comunicação social.
E este é o artigo em manchete no site do Observador. Vai ser também o tema do Explicador, logo a seguir a este jornal, com a análise do advogado Rogério Alves e a presidente da Comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados, Ofélia Ramos. Na corrida às presidenciais, há novas movimentações de alguns protocandidatos. António José Seguro criou uma associação cívica com o objetivo de reforçar a participação democrática.
Chama-se UP Portugal. O jornal Público explica que é um trocadilho com a palavra inglesa up e está a ser vista como uma rampa de lançamento para a candidatura a Belém. A ata de constituição revela que o objetivo é contribuir para o reforço da participação dos cidadãos e para a promoção de uma sociedade livre, justa e plural.
Já Henrique Gouveia e Melo cancelou a presença num jantar-tertúlia em Alcochete marcado para amanhã. Não gostou que o encontro se tivesse transformado num evento com dezenas de pessoas e com cobrança de bilhete.
O jantar terá sido inicialmente organizado para um pequeno grupo de pessoas, onde Gouveia e Melo iria falar sobre o vírus antidemocrático, era o tema da intervenção, mas o Correio da Manhã conta que já havia mais de 100 inscritos e que estava a ser pedido o pagamento de uma entrada. O jantar vai realizar-se, mas sem o ex-chefe do Estado Maior da Armada, que afirmou mesmo ao jornal que o seu nome não é para andar a vender bilhetes.
Já os apoiantes de Paulo Portas, ouvidos pelo Observador, ainda acreditam que o antigo líder centrista pode avançar como uma via alternativa à direita.
E neste círculo tem-se insistido muito na ideia de que as eleições presidenciais não são partidárias, dependem muito mais do carisma da figura do que do peso do partido que está por trás. Neste momento, também Paulo Portas está em ponderação.
E quem vive e trabalha na zona da Avenida de Ceuta, em Lisboa, não tem dúvidas: houve um aumento do consumo e tráfico de droga a céu aberto nos últimos anos. A Câmara de Carlos Moedas reconhece que é uma situação delicada. A PSP garante que está a dar uma atenção especial ao caso.
O problema da droga na Avenida de Ceuta é antigo, mas os presidentes das Juntas de Freguesia de Alcântara e de Campo de Ourique alertam que tem vindo a agravar-se. Há acampamentos improvisados à beira da estrada, ocupados por toxicodependentes, e é possível observar o tráfico e o consumo a céu aberto, mesmo em zonas residenciais. A PSP garante que as operações de combate ao tráfico têm tido sucesso. Dá conta de 145 suspeitos detidos no ano passado na Avenida de Ceuta e no Casal Ventoso. Está a fazer um ano que a Câmara de Lisboa tomou uma série de medidas no terreno para tentar combater o problema. Medidas como a instalação de grades nos viadutos pedonais para evitar o consumo à beira da estrada. Este é o tema do Onde Para o Caso, da Rádio Observador, desta semana. O jornalista Rui Casanova foi ao bairro da Quinta do Loureiro perceber se estas medidas tiveram impacto.
Aqui, este sítio que está fechado era onde existia, mesmo aqui por baixo. Como é mais abrigado, eles consumiam muito aí, então fecharam isto para tentar diminuir um bocadinho o consumo aqui na avenida.
Estamos no centro da Avenida de Ceuta e, aos poucos, o balde de resíduos médicos que Carolina Pedroso e Madalena Silva carregam vai ficando cheio de seringas. Quantas seringas, mais ou menos, é que é normal apanhar por dia?
Por dia, quer dizer, em uma hora. Uma hora a apanhar, nós calmas. Normalmente, entre 200 a 300.
Trabalho na Associação Ares do Pinhal, um centro que fica no bairro da Quinta do Loureiro e que dá apoio a toxicodependentes, como José.
Neste momento, terminei dar a heroína. Só posso dar heroína. Ainda consumo drogas. Comecei no início, com 16 anos.
Ou Ricardo.
Estou nisto desde os 18 anos. Tenho 55. Comecei a usar há muito tempo Gasto muito dinheiro.
Gasta quanto dinheiro?
150 € por dia.
Conhecem bem a realidade da Avenida de Ceuta, com tráfico e consumo a céu aberto. Tal levou a uma intervenção da Câmara de Lisboa no terreno, há um ano. Roberta Reis, coordenadora da Associação Ares do Pinhal, lamenta que, no entanto, não teve o efeito esperado.
A nível visual, vemos menos pessoas, mas a verdade é que as equipes não conseguem chegar até as pessoas.
Ou seja, apenas se mudou o problema de sítio.
Mudou o problema de lugar, exatamente.
O mesmo diz o presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, Hugo Vieira da Silva, do PS, alerta que se nada for feito, estaremos perante um novo Casal Ventoso.
Acho que se não atuarmos agora, muito rapidamente vamos voltar a uma situação dessa.
À Rádio Observador, a Câmara de Lisboa admite preocupação e revela que pode adotar mais medidas no futuro. A PSP também afirma que está a dar uma atenção especial a esta zona e garante que as operações que tem feito no terreno têm tido efeitos positivos no combate ao tráfico, com mais de uma centena de detidos só em 2024.
É um trabalho do jornalista Rui Casanova, com um excerto do episódio de ontem para "O Caso" desta semana. Alguns nomes utilizados nesta reportagem foram alterados para proteger a identidade dos visados, a pedido dos próprios. Também o ICAD, o Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências, fala numa zona sensível há muitos anos e que exige uma resposta concertada entre as várias autoridades envolvidas no combate ao tráfico e consumo de droga. O "Onde Parou o Caso", programa de investigação da Rádio Observador, vai pro ar mais logo depois do jornal das 17h, na Tarde Política. 9:08. Hoje o explicador é sobre o caso do deputado do CHEGA suspeito de furtar malas, mas primeiro, Carla, tempo ainda para outras notícias que marcam a atualidade. É o mau tempo. Mantém-se em todo o território de Portugal continental e nas ilhas. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera colocou vários distritos sob aviso amarelo amanhã, devido à previsão de chuva forte e agitação marítima. Porto, Aveiro, Viana do Castelo e Braga são alguns dos distritos em que a chuva vai sentir-se mais. Também as ilhas do Corvo e Flores, nos Açores, e Ilha da Madeira e Porto Santo estão sob aviso amarelo por causa da agitação marítima. Donald Trump volta hoje aos grandes eventos internacionais como presidente dos Estados Unidos. Vai participar no Fórum Econômico Mundial de Davos, que está a decorrer na Suíça. Participa por videoconferência. Já na primeira entrevista como presidente norte-americano, a Fox News critica os indultos concedidos por Joe Biden e repete que, se não tivesse saído da Casa Branca, não haveria guerra na Ucrânia nem no Médio Oriente. Ainda nos Estados Unidos, a Califórnia está novamente a ser afetada por incêndios de grandes dimensões. De acordo com o New York Times, as chamas já consumiram 2 mil hectares de floresta. Cerca de 19 mil pessoas foram retiradas de casa nas últimas horas. E agora uma história insólita que aconteceu no Reino Unido com uma influencer que gastou €300 mil num Smart. Bolas! Mas a pensar que era um Ferrari. Isso é menos como confundir uma zebra com uma girafa, não é?
A pensar que era um Ferrari?
Sim. Como é que isso aconteceu? Tinha o logotipo à frente e atrás do carro e também nos pneus, mas na verdade, era um Smart desportivo de quatro lugares. Ela não percebeu a diferença entre os dois carros, nem eu. É, pois, não se nota mesmo. E então, foi a um stand de automóveis da marca que lhe confirmaram. Não era um Ferrari. Isto é nota. Se calhar, há quem questione que possa ser ou não. Ela, e fazendo as contas, comprou um carro por €300 mil, quando aquele modelo não ultrapassa os 30 mil. Depois fez um vídeo nas redes sociais muito indignada a dizer que foi vítima de uma burla.
Chatice.
A questão é se foi vítima do cérebro.
Acontece a qualquer um, isto.