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São 9:01. As notícias das 9:00 na Rádio Observador, uma edição da jornalista Carla Jorge Carvalho. Arranca daqui a meia hora o debate das rádios, é o último frente a frente entre os líderes dos partidos com assento parlamentar antes das eleições legislativas antecipadas. E que vai marcar este segundo dia oficial da campanha eleitoral para as eleições marcadas para 18 de maio. Vai decorrer nas instalações da RTP, em Lisboa, onde está o Miguel Vítor Dias. E Miguel, a esta hora, alguns dos líderes partidários já chegaram.

Sim, já temos cerca de metade do contingente para este debate e com uma estreia. André Ventura vai marcar presença no debate das rádios. Não é habitual, ele costuma abdicar deste debate, mas desta vez vai mesmo marcar presença. A proximidade com o debate televisivo de ontem à noite acabou por facilitar a agenda do presidente do CHEGA e, por isso, será uma estreia de André Ventura neste debate das rádios. Por aqui já estão Inês Sousa Real, foi aliás a primeira a chegar, também Rui Tavares e Paulo Raimundo. E nos últimos minutos chegaram Mariana Mortágua e Rui Rocha, o presidente da Iniciativa Liberal. Faltam, portanto, os líderes dos três partidos mais votados: André Ventura, Pedro Nuno Santos e também Luís Montenegro. Recordo que este debate tem arranque marcado para as 9:30 da manhã, duração de duas horas e é o último debate entre os candidatos às legislativas antes do arranque da campanha. A campanha já arrancou oficialmente, mas este é o último encontro entre todos os candidatos, que depois seguem pra estrada durante os próximos 15 dias. Por isso, por aqui pelos estúdios da RTP, já só faltam chegar três dos protagonistas. Também já estão por cá os quatro moderadores das quatro rádios e está quase tudo pronto para o arranque deste debate das rádios.

E que, claro, a Rádio Observador é uma das que participa neste debate e que vamos acompanhar em direto a partir das 9:30 em ponto. E a menos de meia hora de começar esse debate, Duarte Marques e Edson Ataíde acreditam que o confronto entre os oito líderes partidários será uma continuação do debate de ontem na televisão. É a análise dos dois especialistas em marketing político, ex-diretores de várias campanhas ao longo da história da democracia portuguesa. No explicador desta manhã, Duarte Marques, que é diretor de campanha de Marques Mendes, diz esperar que o debate de hoje seja mais calmo do que o de ontem na RTP.

Houve muita tensão, parecia um saco de gatos, e isso também espelha bem aquilo que é a realidade que temos no debate político hoje e dos seus protagonistas. Eu diria que o debate de rádio, como não tem a questão da imagem, pode favorecer, desse ponto de vista, aquilo que são as interrupções, não se vão ver a cara dos protagonistas, tudo que é a linguagem corporal não será tão evidente, então a irritação será menor, mas, por outro lado, também a confusão na rádio em termos de discurso pode dar um mau espetáculo. Eu espero que todos tenham visto o debate de ontem e que se perceba que a confusão não ajuda ao esclarecimento.

Já Edson Ataíde, que foi diretor de campanha de António Guterres, considera que os temas que dominaram o debate de ontem vão continuar a ser discutidos esta manhã.

Nenhum debate é igual ao outro. Porque muda o meio, muda o dia, muda as questões paralelas ao que está a acontecer. Cada debate é ele mesmo e as suas circunstâncias. Então a preparação nunca poderá ser igual. Há sempre que se rever aquilo que é, ao momento, o tema quente do dia e também o posicionamento. Todos os políticos tiveram já acesso ao vídeo do que aconteceu, já tiveram que conversar com os seus assessores e com certeza vão tentar corrigir falhas, melhorar coisas que correram bem e já agora tentar ver se há algum outro ângulo estratégico para tentar abater o seu rival.

Edson Ataíde e Duarte Marques foram os convidados do Explicador desta manhã. O debate das rádios começa às 9:30 e pode acompanhar em direto aqui na sua Rádio Observador. Ontem, os temas da habitação e imigração e também o caso da empresa familiar de Luís Montenegro marcaram o debate na RTP. Com a esquerda a acusar Luís Montenegro de fazer campanha à custa dos imigrantes, isto depois do governo ter anunciado a expulsão de 4500 imigrantes ilegais no país. O secretário-geral do PS diz que Montenegro está a querer apropriar-se daquilo que é o trabalho normal da AIMA.

A lei é óbvio que é pra cumprir e no que diz respeito à notificação para abandono voluntário, não há nenhuma novidade naquilo que foi apresentado. Nos últimos anos, a AIMA tem feito notificações para abandono voluntário. Houve anos em que foram notificados mais do que desta vez. Onde é que há uma diferença? Há uma diferença na forma como um primeiro-ministro quer, de forma propagandística, apropriar-se do trabalho normal e natural da entidade competente, neste caso a AIMA, para fazer campanha política na sua disputa direta com o CHEGA.

Na resposta a Pedro Nuno Santos, Luís Montenegro acusa o líder socialista de andar aos ziguezagues em matéria de imigração. O primeiro-ministro diz que o governo veio normalizar o que classificou de balbúrdia provocada pelo PS.

O Partido Socialista deixou-nos 400 mil processos pendentes, uma situação de balbúrdia efetiva. O Partido Socialista não sabia quem é que estava efetivamente no país, quem é que estava a cumprir o seu desejo de legalizar a sua situação e o que é que estava a fazer. E o que está a acontecer hoje é o desenvolvimento de um processo de normalização.

Esta foi a resposta de Luís Montenegro a Pedro Nuno Santos no debate de ontem à noite, numa altura em que estamos a cerca de 20 minutos do debate nas rádios e Miguel Vítor Dias com o primeiro-ministro a chegar às instalações da RTP. Pensamos que estávamos aqui em condições de, com o repórter do Observador, Miguel Viterbo Dias, sinalizar a chegada de Luís Montenegro às instalações da RTP, onde vai decorrer o debate das rádios. Fica ainda assim assinalado que é mais um dos líderes políticos que já está no local para o debate que vai ter início às 9h30 da manhã. Ainda sobre o debate de ontem nas televisões, André Ventura apontou responsabilidades tanto ao Partido Socialista como ao Partido Social-Democrata, no que respeita ao tema da imigração.

O que sabemos é que estão quase 2 milhões cá num país de 11 milhões de pessoas. Estes dois senhores que aqui estão são os responsáveis por isto. Nós propusemos cotas pra imigração. O PSD votou contra. Nós propusemos um referendo para controlar a imigração e que as pessoas se pronunciassem. O PSD votou contra. Nós propusemos que fossem expulsos do país, uma coisa que acho que é óbvia. Quem vem pra Portugal e aqui comete um crime, tem que ser expulso. Não é o que os senhores querem fazer, que é achar que está tudo bem. Quem comete um crime, cumpre pena e vai embora.

À esquerda, a coordenadora do bloco, Mariana Mortágua, criticou os partidos da direita, a quem apontou duas modas.

A primeira é a vitimização. Já vimos aqui um bom exemplo dessa primeira moda. A segunda é atacar imigrantes, que de repente se tornou um bode expiatório, uma forma fácil de sair de qualquer debate. Há um problema na habitação, não temos que debater soluções, atacamos imigrantes. Há um problema na saúde, não temos que debater soluções, atacamos imigrantes. Há um problema em qualquer que seja o problema, não é preciso debater soluções, atacamos imigrantes.

Já pelo lado da CDI, o Paulo Raimundo diz que o anúncio das deportações foi mais uma ação de campanha eleitoral do governo. Do lado do PAN, Inês Sousa Real defende que a maior fonte de insegurança no país é a violência de gênero e não a imigração.

Já ouvimos falar de centros de detenção temporária. Já ouvimos falar da expulsão de imigrantes. E já ouvimos falar de pôr a PSP tratar as pessoas que procuram o nosso país pra trabalhar, como bandidos. E quando nós estivermos perto de terminarmos este debate, vamos ter pelo menos mais de três vítimas por violência doméstica a terem apresentado queixa. E nenhum destes senhores vem aqui falar da violência doméstica.

Já Rui Rocha, líder da Iniciativa Liberal, desvaloriza a polêmica em torno da imigração.

Eu creio que o timing e o eleitoralismo são próprios destas situações. O PS já o fez, a AD fá-lo, teve o Conselho de Ministros no Bolhão, teve o Tony Carreira em São Bento.

E tudo é justificável. Inacreditável.

Podemos passar o tempo todo a criticar o eleitoralismo. Mas o que é essencial, se me permitem, é ter uma posição clara. E a Iniciativa Liberal tem uma posição clara sobre a imigração. Nós queremos uma imigração com regras e uma imigração com dignidade. E eu traduzo isso na seguinte afirmação: quem tem trabalho, entra, e quem cumpre a lei, fica.

Ideia defendida pelo líder da Iniciativa Liberal no debate de ontem à noite nas televisões. Um debate em que o caso da empresa familiar do Luís Montenegro também esteve no centro da discussão. O primeiro-ministro não esclarece se mudava alguma coisa na conduta que teve. Mas garante que agiu sempre de boa fé. Montenegro assegura que cumpriu sempre as obrigações declarativas.

É da conduta de todos aqueles que têm responsabilidades políticas. Todos nós estamos sujeitos a pedidos de esclarecimento complementares das informações que são disponibilizadas às autoridades, no caso concreto, à entidade para a transparência e ao tribunal constitucional.

Faria tudo igual, não mudava nada na forma como tratou este assunto?

Eu fiz tudo de boa fé. Fiz tudo dentro daquilo que são os parâmetros da lei, dos parâmetros do comportamento ético. Eu nunca tive nenhum comportamento ilegal.

Opinião contrária tem o secretário-geral do PS, que diz que não tem muito a acrescentar, mas vinca a falta de vontade de Montenegro em revelar informação.

O que pra mim fica ainda mais claro é que Luís Montenegro fez mesmo tudo que estava ao seu alcance para que aquela informação não fosse conhecida durante as eleições. Isso pra mim é que é absolutamente inaceitável.

Já André Ventura recorda o início da polêmica com a Spinonviva para concluir que Luís Montenegro não é vítima de nenhuma conspiração parlamentar. Do lado da CDI, o Paulo Raimundo considera que Montenegro devia ter anunciado a demissão logo após o início da polêmica com a Spinonviva.

Luís Montenegro não tinha condições pra continuar como primeiro-ministro, devia-se ter demitido, era um grande contributo que tinha dado à democracia e à república, como foi aqui referido. Não o fez, empurrou com a barriga pra frente, mas não parou. Esse empurrar com a barriga pra frente não parou. Aquilo que temos ouvido nos últimos dias é sempre fuga pra frente.

Quanto ao LIVRE, Rui Tavares acusa Luís Montenegro de ter ocultado e de continuar a ocultar informação sobre os negócios da empresa.

Na moção de censura do Chega, tal como a Mariana Mortágua, eu ouvi as explicações sobre a Quinta no Douro e as fazendas em Trás-os-Montes e votei contra essa moção de censura. Eu senti-me enganado. Talvez outras pessoas no Parlamento se tenham sentido enganadas e senti-me por uma boa razão. É porque nos ocultou informação. E continua a ocultar informação.

Ainda à esquerda, Mariana Mortágua considera que Luís Montenegro é vítima das escolhas que fez. À direita, Rui Rocha responsabiliza todos os partidos, menos a Iniciativa Liberal, pela crise política. E Cavaco Silva diz que o primeiro-ministro tem sido alvo de uma campanha de insinuações por parte da oposição, num artigo de opinião no Observador. O antigo primeiro-ministro e presidente da República vem defender Luís Montenegro em toda a linha. Escreve que Montenegro tem qualidade superior aos restantes candidatos, tendo em conta três critérios: a capacidade política e técnica, as propostas de política geral do governo e também a dimensão ética na vida política. Referindo-se concretamente ao caso Spinonviva, Cavaco Silva admite que Montenegro cometeu inicialmente um erro de avaliação, mas que acabou por corrigir de forma superlativa e aprovar a boa fé. Já na última sexta-feira, o histórico social-democrata tinha saído em defesa do primeiro-ministro, em declarações à Rádio Renascença. Neste artigo no Observador, aprofunda essa reflexão para concluir que Montenegro não violou quaisquer princípios éticos, nem cometeu qualquer ilegalidade. São agora 9:13. Carla Antes do "O Vencedor é de Antevisão", do debate das rádios, que outras notícias merecem destaque? O presidente norte-americano diz que manteve boas conversas sobre a guerra na Ucrânia durante o fim de semana. Aos jornalistas, quando chegava da Flórida, Donald Trump notou que existe muito ódio entre as duas partes, mas assinala que teve boas conversas nos últimos dias. O jornal "New York Times" assinala que Trump admite o envio de um sistema de defesa aérea Patriot para a Ucrânia. No Médio Oriente, ministros israelitas concordaram em intensificar a guerra contra o Hamas em Gaza. Em causa, um plano que inclui conquistar mais território no enclave palestiniano e convocar dezenas de milhares de soldados na reserva. A agência Associated Press avança que o plano pode marcar uma escalada significativa nos combates em Gaza, que foram retomados em meados de março, depois de Israel e o Hamas não terem conseguido chegar a acordo sobre uma eventual extensão da trégua por oito semanas. A quantidade de água armazenada nas bacias do sul de Portugal continental voltou a aumentar em abril. Só uma viu baixar a água retida. Os dados do Sistema Nacional de Informação dos Recursos Hídricos mostram que a quantidade de água armazenada subiu em 11 bacias hidrográficas e desceu na do Tejo, mas apenas de forma ligeira. Cinquenta e uma das 60 albufeiras monitorizadas apresentam disponibilidades hídricas superiores a 80% do volume total. Já refletiram sobre as eleições? Já sabem onde é que vão pôr a cruzinha no dia 10 de maio? O voto é secreto, nós somos muito misteriosos. Eu não quero saber mais do que aquilo a que tenho direito. O voto é secreto, mas é para o caso de terem dúvidas. Podem sempre fazer o Votómetro. Eu faço, mesmo que não tenha dúvida. Também eu. Está no nosso site. Eu também já fiz. São perguntinhas, é muito rápido.

Aliás, devia ser proibido. Alguém exercer o direito de voto sem fazer o Votómetro primeiro.

Sem fazer, porque depois tem no final várias respostas, não muitas, creio que 19. Mostra-nos qual o partido ou os partidos com que mais nos identificamos. Vamos fazer e depois mandamos os resultados uns aos outros.

Podemos ponderar os pesos diferentes de cada tema.

Exato. E esse aspeto é importante. É porque há pessoas que podem concordar em muitas coisas, mas- E depois valorizam muito um aspeto em particular. É ir ao nosso site, está lá o Votómetro.