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Edição das 9 com a Carla Jorge Carvalho. Enquanto as negociações de paz continuam entre Washington e Kiev, a Ucrânia voltou a ser atingida por ataques russos esta madrugada. Carla, morreram quatro pessoas.
E ficaram feridas 17 em Kharkiv, num ataque aéreo. A informação é do Kyiv Independent, que cita dados das autoridades regionais ucranianas. De acordo com o governador da região, há crianças entre os feridos. Já os serviços de emergência relatam a destruição de dois edifícios, sendo que outros três prédios ficaram em chamas. No total, a Rússia atacou infraestruturas civis em três regiões com 160 drones. São números do exército ucraniano.
Ontem, a Suíça recebeu uma delegação norte-americana, liderada por Marco Rubio, para negociar com a diplomacia ucraniana. O plano acabou por ser alterado, Carla, e o secretário de Estado norte-americano diz que se chegou a um progresso enorme nas negociações.
Marco Rubio deixa a reunião otimista, mas com um aviso também: é preciso chegar a um acordo de paz o mais rapidamente possível.
"Estou muito otimista quanto à possibilidade de conseguirmos fazer alguma coisa, porque fizemos imenso progresso. Mas, em última análise, o que importa hoje é o facto de termos feito progressos substanciais. Avançamos muito, por isso estou muito otimista quanto à possibilidade de chegarmos lá num período de tempo muito razoável e muito em breve, quer seja quinta, sexta, quarta ou segunda-feira da semana seguinte. Queremos que seja em breve".
A agência Reuters diz que ainda esta semana é esperada uma visita do presidente ucraniano a Washington. Depois de várias horas de negociações, os Estados Unidos alteraram a proposta inicial. Fala-se agora de um quadro de paz atualizado e aperfeiçoado. João Costa Campos, uma das principais alterações do plano é a questão das trocas territoriais. Como é que fica essa questão?
Se o plano inicial, Carla, propunha reconhecer já certas regiões como russas, este segundo— agora sim, estamos em condições de continuar.
Agora sim, vamos a isso, João.
Se o plano inicial, como dizia a Carla, propunha reconhecer já certas regiões como russas, este segundo já defende que qualquer negociação territorial começa na linha da frente e só depois de um cessar-fogo. A Ucrânia compromete-se também a não tentar recuperar território ocupado e a Rússia a não voltar a atacar a Ucrânia.
E João, há também grandes alterações no papel da comunidade internacional.
E começamos pela NATO. O plano inicial queria proibir a entrada da Ucrânia na Aliança Atlântica. Agora essa adesão poderá acontecer se os aliados chegarem a um consenso. A Ucrânia tem ainda direito a garantias de segurança asseguradas pelos Estados Unidos e fica com o exército reduzido a 800 mil efetivos, mais 200 mil do que a proposta inicial. Há também novidades no processo de adesão à União Europeia. A Ucrânia tem luz verde para a adesão à comunidade dos 27 e terá acesso preferencial ao mercado europeu.
Sendo que Moscovo também recebe várias garantias com este plano.
Não se tem de preocupar, em primeiro lugar, com os caças da NATO, que não podem passar da Polónia. Está também previsto um alívio progressivo nas sanções contra a Rússia, a reintegração na economia global, inclusive o regresso russo ao G8.
João Costa Campos, com os principais destaques do plano de paz para a Ucrânia, que foi atualizado depois das negociações de ontem, que decorreram na Suíça. Junta-se agora a este jornal das 9, Paulo Santos, é especialista em assuntos europeus. Paulo Santos, bom dia, obrigada por estar conosco.
Olá, bom dia.
Estas alterações tornam, de facto, este plano um pouco mais equilibrado, Paulo?
Um pouco mais equilibrado é uma espécie de exagero, no sentido em que o outro não era de todo equilibrado. Nós estamos aqui perante uma coisa que na psicologia cognitiva se costuma chamar a tática da âncora alta, isto é, apresenta-se um plano completamente disparatado, ou seja, apresenta-se uma proposta completamente disparatada, que imediatamente cria nas pessoas a percepção de que as possibilidades partem dali e não há ali hipótese de um equilíbrio. A resposta europeia de ontem foi muito importante. A resposta antes da conclusão das conversas ontem em Genebra. E de alguma forma permitiu este reequilíbrio, ou permite este reequilíbrio, que naturalmente é muito mais, diria eu, favorável aos interesses da Ucrânia, não sendo totalmente, porque os interesses da Ucrânia, como sabemos, em primeiro lugar, seria uma saída completa das tropas russas do seu território.
Sim, e a manutenção das fronteiras, o que claramente não vai acontecer.
Exatamente.
Como é que a Europa fica depois deste plano e destas negociações?
Pois, eu gosto sempre de chamar a atenção para as coisas boas e para as coisas positivas, para aquilo que é positivo neste processo, porque há sempre a tendência de desvalorizar completamente a posição europeia. Resta-me dizer, talvez neste caso o mais importante de tudo, é que foi a reação europeia, em particular, numa altura em que Zelensky estava pressionado por todos os lados e havia um ultimato por parte da administração norte-americana, por parte de Donald Trump, foi a reação europeia, sobretudo europeia, que permitiu, no fundo, ao apresentar aquele plano alternativo, que punha praticamente em questão todos os pontos do plano inicial, que permitiu que essas negociações se fizessem nesses termos. Portanto, acho que a primeira coisa a salientar é a importância da intervenção europeia, que normalmente é desvalorizada, também não percebo muito bem por quê. Em todo caso, nesta situação, ela é absolutamente essencial. Naturalmente, para Zelensky, havia a relação com os Estados Unidos e a manutenção dessa relação é, eu diria, quase que uma condição deSobrevivência da Ucrânia.
E que papel é que ganha a Europa se este plano for aprovado, mais ou menos nos moldes em que está agora negociado, que papel é que a Europa pode ter na relação com a Ucrânia, na reconstrução da Ucrânia e também na abertura ao espaço comum, ao espaço da União Europeia? Há uma responsabilidade acrescida por parte da União Europeia.
Há aqui muitos pontos que têm que ser esclarecidos, nomeadamente a questão da reconstrução da Ucrânia, em que termos é que se vai fazer. Nós estamos sempre a falar das últimas novidades e as últimas novidades são sempre enganadoras, depois vamos a ver aquilo que efetivamente foi negociado, aquilo que está no papel, aquilo que fica definido e às vezes não é bem assim. Portanto, temos aqui muitos pontos por esclarecer, nomeadamente, justamente a questão da NATO, depois as condições de segurança da Ucrânia no futuro. Isso é talvez o ponto principal. Até que ponto é que a Europa vai participar nesse processo e nesse esforço e que esforço é esse. E depois, como é que se usarão os ativos congelados, já não são dados aos americanos para fazer a construção, serão ou não serão partilhados e em que forma é que essa reconstrução se faz. Há aqui muitos pontos, portanto, é muito difícil dizer. Repito, a posição europeia tem sido, sem dúvida nenhuma, nos últimos anos, desde o início da guerra, os últimos três anos e meio, uma condição indiscutível da sobrevivência da Ucrânia.
Paulo Santos, muito obrigada pela análise esta manhã com aquilo que se sabe do plano, que ainda está em processo de negociações. Para já, ficamos com esta ideia de que Volodymyr Zelensky poderá ainda esta semana ir a Washington acertar mais alguns detalhes.
O debate de ontem entre Henrique Gouveia e Melo e Catarina Martins ficou marcado por um oceano de diferenças. O almirante acusou a eurodeputada de ser uma declinação sofisticada do marxismo e Catarina Martins lembrou o almoço de Gouveia e Melo com André Ventura.
Mas o primeiro ataque partiu mesmo do almirante quando questionado sobre as alterações à lei laboral. O almirante preferiu vincar as diferenças entre os dois candidatos.
Parece-me que vem a estas eleições numa lógica partidária. Tem um pé aqui e outro em Bruxelas, eventualmente o seu pé de recuo. Olha para a Constituição da República Portuguesa de forma assimétrica, porque disse que se o Chega ganhasse as eleições, tentaria evitar a todo o custo que fizesse governo. E é uma declinação sofisticada, nesta opinião, do marxismo-leninismo. Eu, pelo contrário, minha candidatura é superpartidária, independente, quero unir os portugueses. Tenho os dois pés aqui sem recuo nenhum. E posso nenhuma. Há 45 anos que defendo a Constituição e vou continuar a defendê-la.
Já a Catarina Martins lembrou o almoço entre Henrique Gouveia e Melo e André Ventura, que aconteceu em agosto, para devolver a acusação de falta de independência.
Eu não vou passar esta campanha a falar de dar posse a um governo da extrema-direita. Era o que mais faltava. Até porque eu sei que se eu for eleita presidente, quer dizer que há uma maioria que é contra a extrema-direita, a extrema-direita nunca vai ser governo. Gouveia e Melo decidiu ir almoçar com André Ventura a convite do magnata. Eu acho que isto sim, é falta de independência. Acho que fez mal em ir almoçar com a extrema-direita e acho que fez mal em aceitar um convite com o magnata, porque nós temos que decidir quem é que defendemos, se são os magnatas ou se quem constrói o país com o seu trabalho.
Outros temas abordados na Justiça, Gouveia e Melo foi crítico das escutas ao antigo primeiro-ministro António Costa, ao acusar o Ministério Público de estar a condicionar o poder político. Catarina Martins invocou Jorge Sampaio e Mário Soares como exemplos a seguir no Palácio de Belém. Os debates presidenciais vão continuar hoje, mais uma vez com Henrique Gouveia e Melo, que hoje vai estar frente a frente a Jorge Pinto, na TVI.
E precisamente o explicador já a seguir é sobre este debate entre Henrique Gouveia e Melo e Catarina Martins. Para já, Carla, que outras notícias estão em destaque a esta hora?
O exército de Israel realiza hoje exercícios militares no norte do país, numa altura em que as tensões com o Líbano voltam a escalar. No fim de semana, Tel Aviv lançou um ataque contra Beirute. O objetivo era eliminar o chefe militar e número dois do Hezbollah. Na resposta, o grupo libanês admitiu estar a ponderar retaliar este ataque. Três pessoas morreram num ataque suicida contra as forças de segurança no Paquistão. O ataque deu-se perto da fronteira com o Afeganistão, junto ao quartel-general da Polícia Fronteiriça. A agência de notícias France Press adianta que outras quatro pessoas ficaram feridas. Os dois atacantes foram neutralizados. Hong Kong ordenou o corte imediato das relações oficiais com o Consulado-Geral do Japão no território e cancelou também um programa de intercâmbio entre estudantes. Em causa está o agravamento da luta diplomática entre China e o Japão, devido a Taiwan. A medida entrou em vigor ontem, surge na sequência das declarações da primeira-ministra japonesa, que assumiu recorrer à força se Pequim tentasse ocupar ou bloquear Taiwan. O governo chinês fala numa interferência intolerável.