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Começamos precisamente com os protestos pró-Irão em frente ao consulado dos Estados Unidos, em Karachi, no Paquistão.
Há pelo menos nove mortos e 20 feridos, de acordo com o balanço da última meia hora da Agência France-Presse. Os manifestantes já tentaram invadir o consulado, conseguiram partir até algumas janelas. A polícia lançou gás lacrimogêneo.
Protestos no Paquistão contra os ataques dos Estados Unidos e de Israel em território iraniano. Ainda estão em curso estas manifestações e também a repressão policial. Ao longo das últimas horas, o Irão tem estado a atacar vários países no Médio Oriente. Agora, Israel, Vanessa, atacou a capital iraniana.
Um ataque confirmado pelas Forças Armadas israelitas, através de um comunicado no Telegram. Israel revela que os alvos deste ataque foram instalações governamentais de Teerão, capital iraniana. Chegam relatos de colunas de fumo. A agência de notícias estatal do país também já confirmou este ataque, João, fala em explosões terríveis.
Este ataque de Israel a Teerão acontece pouco depois de o Irão ter atacado Tel Aviv.
Sim, na capital israelita, pelo menos 40 edifícios foram atingidos, mais de 200 moradores retirados de casa. Para além de Israel, vários países do Golfo estão nesta altura a ser atacados. O Dubai, por exemplo, foi atingido, também Doha, a capital do Catar, e ainda o Bahrein, o Kuwait e o Iraque. Pelo menos no Dubai, duas pessoas ficaram feridas, é o que está a avançar a Al Jazeera. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irão já confirmou, entretanto, que lançou uma nova vaga de ataques, faz parte da retaliação em curso de que estávamos a falar. Seguem-se à confirmação destes ataques, da morte do líder supremo do Irão. Ontem à noite chegou essa confirmação. Ali Khamenei foi morto no gabinete enquanto trabalhava nas primeiras horas da manhã de sábado. Estaria reunido com a equipa mais próxima. A filha e o neto do líder supremo do Irão também morreram. Esta manhã, o regime iraniano já confirmou também a morte do ministro da Defesa e do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.
E precisamente a morte do líder supremo, Ali Khamenei, por causa disso, Vanessa, o Irão decretou 40 dias de luto nacional.
O Iraque, entretanto, anunciou há pouco três dias de luto nacional em memória do aiatolá. Nesta altura, neste preciso momento, 88 clérigos seniores têm em mãos a tarefa de escolher o sucessor pra liderança do Irão, é o chamado Conselho de Peritos. Até ser tomada uma decisão, o presidente iraniano e o presidente do Supremo Tribunal lideram, de forma temporária, este conselho interino que vai governar o país juntamente com um líder religioso do Conselho de Guardiões.
E para suceder a Ali Khamenei, sabemos, Vanessa, que há vários nomes em cima da mesa.
De acordo com o plano do aiatolá, entre os possíveis sucessores estão o líder do departamento jurídico iraniano ou o chefe de gabinete, também o neto do líder supremo surge como uma hipótese, para além do próprio filho de Ali Khamenei. Embora, João, algumas fontes indiquem que o aiatolá não queria que o cargo tivesse este cariz hereditário.
Em reação à morte do líder supremo, o autoproclamado príncipe herdeiro diz que Ali Khamenei foi apagado das páginas da história.
Foi nas redes sociais que o filho do último xá do Irão escreveu estas palavras: "O assassino de dezenas de milhares dos filhos e filhas mais corajosos do Irão foi apagado das páginas da história". Reza Pahlevi diz que, com a morte de Ali Khamenei, a República Islâmica chegou efetivamente ao fim e rapidamente fará parte do caixote do lixo da história. Pahlevi diz ainda que a morte de Khamenei marca o início da grande celebração nacional, mas não é o fim do caminho e apela que o exército e as forças de segurança se juntem à população.
E prevendo já a forte retaliação por parte do Irão, Donald Trump deixou um aviso, Vanessa.
O presidente norte-americano diz que é melhor que parem os ataques ou os Estados Unidos vão atacar com uma força nunca antes vista. Numa publicação na rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos diz que o Irão declarou que vai atacar com mais força do que alguma vez atacou. Ora, Trump avisa que é melhor que não o faça ou vai sofrer as consequências. Já numa entrevista à CBS, Trump diz que a diplomacia está agora mais fácil depois de ter atacado o Irão, porque considera que Teerão está a levar, e vou citar, João, "uma grande tareia".
Palavras de Donald Trump. Na análise aos recentes ataques, o coordenador do Observatório de Relações Exteriores considera que uma eventual queda do regime iraniano pode ter o efeito inverso ao pretendido pelos Estados Unidos e também por Israel.
Até porque o sucessor pode trazer uma linha ainda mais endurecida ao regime iraniano. Entrevistado pela Rádio Observador, o professor catedrático Luís Tomé avisa que o Irão já estava preparado para a morte do líder supremo e que o futuro pode não ser tão risonho quanto Donald Trump e Benjamin Netanyahu imaginavam.
O regime está há muito tempo preparado para a eventualidade de, quer Khamenei, quer outros altos dirigentes políticos, militares e do corpo da Guarda Revolucionária, serem mortos em situações como esta. Portanto, não me parece que a morte de Khamenei, a confirmar-se, por si só, signifique o fim do regime ou uma mudança dentro do regime no sentido daquilo que Donald Trump e Netanyahu pretendem. Eu não acredito que a queda de Khamenei torne o regime mais dócil, o torne mais predisposto a uma solução diplomática. Pelo contrário, podemos ter uma linha dura com o regime mais endurecido nos próximos tempos, porque é a existência do regime que também está em causa. E, portanto, isso torna mais perigoso, pode até ser mais imprevisível naquilo que se possa antever do controle de escalada.
Mais imprevisível é o risco, na análise do professor catedrático Luís Tomé, à situação no Irão e a quem vai suceder a Ali Khamenei, o líder supremo iraniano que foi morto ontem.
Vamos ainda à atualidade nacional, Vanessa. Pedro Passos Coelho não exclui o regresso à política, mas avisa que se acontecer, não será pelas melhores razões.
O antigo primeiro-ministro diz que se tal acontecesse significaria que o PSD desiludiu. Ainda assim, Passos Coelho reforça que os social-democratas estão no poder nesta altura, por isso acredita que só faria falta ao país caso a governação corresse mal.
Não há de ser seguramente pelas melhores das razões, porque se tudo correr bem e as coisas correrem de modo a que o país esteja satisfeito e o PSD, que está no governo, está satisfeito com o seu desempenho, por que razão é que agora hão de ir ao baú da história apanhar um tipo? Não percebo por quê. Não sei se algum dia voltarei a ser preciso ou não.
Não sabe, é o que diz Pedro Passos Coelho. Esteve ontem à noite no Museu do Oriente, em Lisboa. Ora, um dia antes, na sexta-feira, Pedro Passos Coelho dizia que não estava de regresso à política. Agora não exclui esse regresso.
Edição das nove com a Vanessa Cruz, em que fazemos um ponto de situação também da situação que se vive neste momento no Irão, ataque dos Estados Unidos e Israel. Já a seguir temos uma edição extra dos Cinco Continentes com o historiador Bruno Cardoso Reis para analisar tudo isto