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São 9 horas. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Governo e Presidente da República saúdam o acordo alcançado entre Estados Unidos e Irão para o fim do conflito no Médio Oriente. Portugal espera que seja apenas o ponto de partida para uma paz duradoura na região e no mundo.

António José Segures escreve, numa nota publicada há poucos minutos, que Portugal está sempre do lado da diplomacia e agradece o esforço de todas as partes para que se tenha chegado a um acordo. A reação do governo surge através de uma publicação na rede social X, do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Na nota, o ministério de Paulo Rangel agradece igualmente a incansável mediação do Paquistão e os importantes contributos do Qatar, da Arábia Saudita e da Turquia. Além da reação portuguesa, vários líderes mundiais têm reagido nas últimas horas ao acordo, com a União Europeia a admitir envolver-se agora na próxima fase das negociações, Carlos Pedro.

É o que prevê a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas. A diplomata admite que a União Europeia está pronta para contribuir para uma resolução sustentável, desde a influência económica até aos conhecimentos especializados em matéria nuclear. Esta é uma das prioridades deste acordo, mas já lá vamos. Também Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, já reagiu a este acordo. Aponta para a necessidade de o acordo ser implementado o mais rápido possível, sobretudo no que diz respeito à reabertura de Ormuz. Antes disso, António Costa, o presidente do Conselho Europeu, também saudou o acordo entre Washington e Teerão. É uma boa notícia também para a presidente do Banco Central Europeu. Christine Lagarde mostra-se satisfeita com este passo dado no conflito.

A assinatura deste memorando de entendimento está marcada para sexta-feira, na Suíça. Recordamos as principais linhas deste acordo, sabendo de antemão que já se vão notar alívios na economia mundial com, Carlos Pedro, a reabertura do Estreito de Ormuz.

O primeiro passo do acordo, e até ver o mais importante, reaberto o Estreito de Ormuz e levantado o bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos iranianos, seguem-se depois cerca de dois meses de negociações, sobretudo devido à questão do nuclear. Teerão aceita não desenvolver armas nucleares e manter o atual estado do programa nuclear, ou seja, sem enriquecer mais urânio. Quanto ao que já está enriquecido, é um processo para ser decidido ao longo dos tais 60 dias de negociações. Do lado norte-americano, Washington prepara-se para levantar as sanções ao petróleo e libertar US$25 bilhões em ativos iranianos que estavam bloqueados.

E estamos aqui a falar do primeiro passo até um acordo de paz, porque seguem-se 60 dias de negociações e Donald Trump já voltou às ameaças.

Em declarações ao New York Times, o presidente norte-americano avisa que pode retomar os ataques caso não seja alcançado um acordo final e diz que os Estados Unidos podem mesmo tornar-se no guardião do Médio Oriente. São palavras de Trump, que por esta altura, se não estiver a dormir, estará no mínimo preocupado, porque o primeiro-ministro israelita da Defesa já garantiu que vai desafiar este acordo ao dizer que os ataques contra o Líbano podem continuar. Os israelitas colocam-se, por isso, fora deste entendimento. E isso é importante porque o Irão já ameaçou por diversas vezes romper qualquer processo negocial devido aos ataques contra Beirute. Também Donald Trump já se mostrou descontente com Netanyahu devido a este tema.

Carlos Pedro, com as reações e também os termos do acordo de cessar-fogo, com esta nota, Israel põe-se de lado deste entendimento. Na análise, o especialista em relações internacionais, Miguel Baumgartner, explica que este é precisamente o maior desafio para Donald Trump: controlar o aliado Tel Aviv.

O maior desafio de Donald Trump vai ser como é que os Estados Unidos vão controlar o seu parceiro na região, que é Israel, e como é que Israel vai se comportar relativamente à questão deste acordo. Parece-me que vai ser difícil, parece-me que nós vamos talvez voltar outra vez a este ponto da situação em que o Irão volte a dizer que o Estreito está encerrado ou que se vai retirar da mesa das negociações, porque, como dizia ontem o líder do Parlamento iraniano, o cão raivoso, que era assim que ele identificava Israel, põe em causa, efetivamente, o acordo entre os Estados Unidos e o Irão.

Miguel Baumgartner no Gabinete de Guerra desta manhã, diz ainda que o acordo, em relação às questões nucleares, deve ser parecido ao que foi acertado durante a presidência de Barack Obama.

Perante o acordo alcançado no Médio Oriente, há boas notícias para os bolsos dos portugueses, Carla.

Aqui na Rádio Observador, Pedro Lino, analista de mercados, antecipa uma descida acentuada do preço dos combustíveis na próxima semana. Isto porque o preço do barril de petróleo deve agora estabilizar.

O preço do petróleo não deve baixar muito mais do que o investimento a US$80, deve baixar até US$75, muito muito. Corta-cantos do conflito trouxe à volta dos US$65. Mas pelo menos vamos ter um alívio muito substancial e já não é aquela pressão do preço acima de US$100. Por isso, para a semana, finalmente vamos ter um grande alívio no preço dos combustíveis.

O preço do barril de Brent caiu cerca de 4% desde que foi anunciado este acordo. O petróleo, que serve de referência para o mercado português, está a ser negociado a esta hora cerca de US$83 o barril. Trata-se do valor mais baixo desde o início de março, dias após o início dos ataques dos Estados Unidos ao Irão.

Quatro mortes em Kiev e cinco em Kharkiv. É este o resultado de um ataque maciço da Rússia contra a Ucrânia nas últimas horas.

Há ainda 30 feridos em todo o território ucraniano depois deste ataque com drones e mísseis. Entre os alvos atingidos esta madrugada está um dos mais importantes locais religiosos da Ucrânia, o Mosteiro das Cavernas, em Kiev, que é também património mundial reconhecido pela UNESCO. As forças russas atingiram ainda várias zonas residenciais, não só na capital ucraniana, mas também em outras cidades como Kharkiv e Sumy. Vamos ainda ao Campeonato do Mundo. A Seleção Nacional de Futebol volta esta tarde aos treinos no relvado, depois de ontem ter sido obrigada a recolher a um abrigo por causa de um aviso de tempestade. O treino de Portugal em Palm Beach foi cancelado. A equipe portuguesa foi obrigada a recolher para um local seguro por causa de um aviso de tempestade com condições adversas, chuva intensa, trovoada e a possibilidade de queda de raios. Um momento testemunhado pelo enviado especial do Observador ao Mundial, Miguel Cordeiro.

Os jornalistas começaram a perceber isto um pouco cedo, porque houve muitos jornalistas que chegaram cedo à conferência de imprensa. A Federação Portuguesa de Futebol pediu para que fossem para os carros porque estava a começar a ser ativado esse protocolo de segurança para tempestades. Os jornalistas recuaram depois de receberam a informação que a conferência de imprensa não se iria realizar. O treino ainda estava condicionado, iam esperar para perceber se era possível treinar. E depois, já passado alguns minutos da hora prevista para o treino, recebemos essa informação de que não houve treino, os jogadores fizeram apenas ativação num pavilhão.

Os jogadores tiveram então de fazer exercícios num pavilhão, o relato do jornalista Miguel Cordeiro no Diário do Mundial desta manhã. A sessão de trabalho da equipe de Roberto Martínez de hoje também teve alterações. A equipe volta a treinar por volta das 15h, hora de Lisboa. E para hoje estão marcados quatro jogos do Campeonato Mundial de Futebol, são eles: Espanha, Cabo Verde, Bélgica, Egito, Arábia Saudita, Uruguai e também Irão, Nova Zelândia. 9:08. Antes do Explicador, Carla, que outras notícias há a destacar? 22 concelhos dos distritos de Faro, Santarém, Leiria, Coimbra, Castelo Branco e Bragança apresentam hoje perigo muito elevado de incêndio rural. Este perigo determinado pelo IPMA tem cinco níveis, sendo que muito elevado é o quarto, e vai agravar-se a partir de quarta-feira, mantendo-se elevado pelo menos até ao fim de semana. Por outro lado, nos distritos de Bragança, Viseu, Guarda, Vila Real e Castelo Branco, há previsão de aguaceiros, por vezes fortes, e trovoadas frequentes e dispersas. O aviso amarelo do IPMA vai estar em vigor entre o 12h e as 21h. Hoje, para esta tarde, está marcado no Tribunal de Sintra a leitura do acórdão do caso Odair Moniz. Na última sessão do julgamento, o Ministério Público pediu a condenação do agente Bruno Pinto por considerar que não agiu em legítima defesa ao ter atingido a tiro o cidadão cabo-verdiano na Cova da Moura. A decisão da Justiça vai ser anunciada hoje, a partir das 15:30.