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Ana 92. Começamos com a pressão sobre as urgências do SNS. Um homem de 70 anos passou 36 horas no Hospital Amadora-Sintra. O utente tinha suspeitas de AVC e recebeu pulseira amarela. Mesmo assim, passou um dia e meio na urgência.

O caso é relatado esta manhã pelo Observador. Aconteceu no final de agosto, num dia em que as urgências do Amadora-Sintra teriam apenas dois médicos, algo que não é raro. O homem, doente crónico, sentiu-se mal em casa, em Massamá, apresentava sintomas de AVC. A mulher ligou para a linha SNS 24. O processo começou logo aí a correr mal, como explica o jornalista Tiago Caeiro.

Estamos a falar de um homem de 70 anos que se sentiu mal em casa, em Massamá, no dia 29 de agosto. Foi um sábado. Este homem tinha um quadro de falta de força numa das pernas, tinha tonturas, não se conseguia suster em pé, tinha também vômitos e, portanto, sinais que poderiam indicar que podia estar a ter um AVC. A mulher, Maria do Céu, com quem falámos, ligou para a linha SNS 24.

E como é que isso correu?

Começou logo a correr mal neste momento, porque ficou 40 minutos à espera.

Só para que lhe atendessem o telefone.

Só para que atendessem a chamada na linha SNS 24. Ela depois descreveu os sintomas e a chamada foi transferida para o INEM, o que indicava logo que seria uma situação de maior gravidade. O INEM acionou depois os bombeiros de Queluz, que transportaram este homem para o Hospital Amadora-Sintra.

A hipótese de AVC foi, entretanto, descartada e seguiu-se a espera. O homem passou quase 23 horas sentado numa cadeira de rodas a aguardar uma primeira observação, apesar de ter pulseira amarela. O jornalista Tiago Caeiro explica que depois a espera prolongou-se ainda mais, devido a uma falha de comunicação por parte da equipe médica.

Esperaram várias horas, até à madrugada de segunda-feira. E foi já aí, por volta das 2h30 da manhã, que a mulher deste senhor decidiu ir ao gabinete onde estava o médico que o viu pela primeira vez, para perceber o que se passava.

E o que se passava?

O que se passou, neste caso, foi que o médico se tinha esquecido de chamar esse senhor para lhe dar alta e para lhe dar o diagnóstico.

Nós sabemos o que aconteceu, qual foi o diagnóstico claro desse senhor? Ficou claro o que é que ele teve?

Ele teve uma infeção que não foi determinada a origem dessa infeção. Portanto, o diagnóstico foi esse. Foi para casa sem medicação, ao fim de 36 horas no hospital.

O jornalista Tiago Caeiro, na história do dia, com este caso de um homem de 70 anos que passou um dia e meio nas urgências do Amadora-Sintra. Em resposta ao Observador, a ULS explica que só entre 31 de agosto e 1 de setembro foram registadas 650 admissões nas urgências e que a grande maioria foram pulseiras amarelas ou laranja. De recordar que o Hospital Amadora-Sintra está sem diretor de urgência desde abril e a ministra da Saúde já avisou que esta pressão sobre as urgências pode aumentar ainda mais nas próximas semanas.

Esta é a notícia que faz manchete a esta hora no site do Observador e é também o tema da história do dia. A extrema-direita alemã pode estar de volta à governação de um estado. A AFD venceu com 44% dos votos as eleições regionais na Saxônia-Anhalt e precisa de três deputados para alcançar a maioria absoluta no Parlamento regional.

É o que separa, para já, o partido da liderança na Saxônia-Anhalt. Desde a Segunda Guerra Mundial que a extrema-direita não liderava um Estado na Alemanha. O partido mostra-se aberto a coligações e até a esquerda nacionalista já se mostrou disponível para viabilizar a governação. Entretanto, os democratas cristãos da CDU, que não foram além dos 17% e do segundo lugar nas eleições de ontem, já garantiram que não vão fazer qualquer acordo com a AFD. Por isso, Carlos Pedro, o partido procura agora um aliado para governar outra vez desde 1945.

Só será possível com uma coligação, sendo que há aqui uma porta aberta pelo partido BSW, a esquerda nacionalista alemã. Ainda assim, o líder da direita radical na Saxônia-Anhalt, Ulrich Siegmund, avisa que com coligação ou não, o partido não vai abdicar dos seus princípios. Diz mesmo que uma coligação com este partido de esquerda seria uma confusão e admite a ideia de que se tiver que haver novas eleições regionais, haverá, e aí prevê que a AFD alcance os 50 ou 55% dos votos. Há linhas vermelhas definidas, a imigração e as questões sociais, e há também promessas feitas pela presidente do partido, Alice Weidel, controlar as fronteiras, deportar todos os criminosos e abrir um canal diplomático entre Berlim e Moscovo. Eufórica, Alice Weidel disse ontem também que Merz, o chanceler alemão, não chega ao Natal.

E esta vitória histórica, Carlos, é destaque também nos principais jornais do mundo.

Sim, nos Estados Unidos é destaque no New York Times o resultado da CDU, o partido do chanceler alemão, que é considerado o grande derrotado da noite. Na Europa, os maiores destaques vão para o partido vencedor, a AFD, para as políticas anti-imigração, mas é também destacado o resultado do partido de Merz. O The Times diz mesmo que o resultado é uma humilhação pessoal. Já o La Stampa, da Itália, realça o melhor resultado de sempre da AFD e diz que está aberto o caminho para o primeiro governo de extrema-direita na Alemanha desde 1945. Aqui ao lado, em Espanha, a ideia é a mesma, a vitória da AFD veio abalar o cenário político alemão.

Carlos Pedro, com as reações e os destaques desta vitória da extrema-direita alemã nas eleições regionais para o Parlamento da Saxônia-Anhalt. Na análise, o especialista em Relações Internacionais, Miguel Baumgartner, considera que esta vitória da AFD representa uma grande derrota para a Europa. Fala em falta de união por parte dos 27.

A Rússia não precisa de estar efetivamente em guerra

Direta com a Europa, nem precisa de vir por aí abaixo com os tanques para criar esta desunião, para criar esta tensão entre os países e este problema interno, que é esse, efetivamente, o seu grande objetivo.

O especialista em Relações Internacionais, Miguel Baumgartner, ouvido no Gabinete de Guerra, considera ainda que o executivo liderado por Frederick Merz não chega ao final da legislatura.

Este vai ser o tema do Contracorrente para ouvir, como sempre, depois do jornal das 10. E continuamos na atualidade internacional e com destaque para a guerra na Ucrânia. Donald Trump deve falar hoje ao telefone com Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky.

A notícia é avançada pelo jornal ucraniano Kyiv Independent. Este contacto surge depois de os enviados norte-americanos terem estado em Moscou e Kiev para discutir o fim da guerra. Jared Kushner e Steve Witkoff sublinham que pretendem uma paz duradoura na Ucrânia e não apenas o fim da guerra. O especialista em Relações Internacionais, Miguel Baumgartner, faz um balanço negativo destes encontros. Considera que os enviados norte-americanos não conseguiram nada de novo.

Há esta necessidade de Donald Trump fazer duas coisas: de tentar mostrar internamente que se consegue marcar a agenda internacional, que o presidente norte-americano tem influência nos vários focos internacionais, não só na questão do Médio Oriente, mas nomeadamente naquilo que ele prometeu de terminar a guerra em 24 horas, se bem te lembras, na questão da Ucrânia, e então voltar a mostrar ao povo americano de que ele está em controle.

A análise de Miguel Baumgartner esta manhã no Gabinete de Guerra. Miguel Baumgartner considera que Trump precisa de uma vitória internacional para relançar o Partido Republicano nas eleições intercalares dos Estados Unidos.

São 09h10. A seguir, o Explicador sobre o aumento do preço dos combustíveis. remarcar, Carla, que outras notícias marcam esta manhã?

Quase 90% da população espanhola responsabiliza Marrocos pela crise migratória em Ceuta. É o que indica um inquérito apresentado esta manhã pelo El País e pela Rádio Cadena SER. Também cerca de 63% da sociedade espanhola consideram que o governo liderado por Pedro Sánchez esteve mal ou muito mal na gestão da crise. No Nepal, voltou a aumentar o número de mortes na sequência das cheias repentinas. São agora 1344. É o balanço mais recente. As equipes de resgate continuam a tentar encontrar sobreviventes. Sete distritos estão hoje sob aviso amarelo devido ao calor. Beja, Castelo Branco, Évora, Faro, Lisboa, Setúbal e Portalegre. É o que indica o Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Além do calor, o IPMA colocou 19 conselhos de cinco distritos sob alerta máximo para incêndios rurais. E temos estado esta manhã a recordar algumas maratonas parlamentares. A boleia do dia de amanhã, o dia em que a Assembleia vai ouvir Luís Neves de manhã e discutir uma moção de censura à tarde. Mas há também episódios inversos. Numa comissão parlamentar de inquérito sobre as ajudas do Estado a negócios com a Sonae, o presidente, Belmiro de Azevedo, impôs aos deputados que a audição decorresse logo às 08h00, alegando que teria depois de ir para o Porto trabalhar.

Os deputados acederam, mas a questão levantou polêmica com os deputados a serem acusados de subserviência ao poder econômico.

Sendo que este episódio envolve também o ex-presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Esta comissão de inquérito irritou Belmiro, que chegou a insultar Marcelo Rebelo de Sousa.

Estou desengado porque, sobretudo, um cidadão candidato às funções que ele pretende, não pode ter esse tipo de comportamento. Ele tem que ser erradicado da sociedade portuguesa desse ponto de vista. Ele não pode ser um chefe político neste país.

Belmiro de Azevedo, 18 anos antes de Marcelo Rebelo de Sousa ser eleito presidente da República, aqui numa entrevista à RTP.

E ainda que não seja para já uma comissão de inquérito, amanhã Luís Neves vai ser ouvido na Assembleia da República, a partir das 10h00, e o debate da moção de censura começa às 15h30. Pode acompanhar tudo numa emissão especial do Observador, que arranca logo às 09h00.