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É uma notícia Observador: a Polícia Judiciária informou mal a Ministra da Justiça. Afinal, o orçamento apresentado à PJ era mesmo para a destruição exclusiva de produtos químicos na Operação Pacoba, entre os quais centenas de bidões. É uma informação que vem confirmar a veracidade das declarações de ontem da ministra Rita Alarcão Júdice, no Parlamento. O Observador sabe que o gabinete recebeu informações erradas da Judiciária. Os mais de 60 bidões que continham químicos usados para a produção de droga representam apenas uma parte muito pequena de todo o material apreendido no inquérito da Operação Pacoba.

Exato, isto porque o orçamento apresentado à PJ, no valor de €144 mil, era destinado à destruição de bem mais do que os 62 bidões guardados no atrelado, que foi depois parar às instalações da Constrobarcelos, a empresa do empreiteiro e amigo de Luís Neves. Na verdade, eram centenas de bidões. Ontem, no Parlamento, a Ministra da Justiça deu a entender que tinha recebido informações incorretas por parte da PJ e que foi por isso que respondeu erradamente às perguntas enviadas pelo CHEGA. André Ventura contestou, horas depois, essas mesmas declarações da ministra e nesse sentido o CHEGA já deu entrada com pedido de audição do diretor nacional da PJ.

É um requerimento que deu entrada no Parlamento antes de serem conhecidas estas novas informações, que, Carlos Pedro, confirmam duas coisas. Quais são?

Confirmam que o orçamento em questão envolvia apenas material da Operação Pacoba e confirma-se também que havia ao todo mais materiais químicos apreendidos nesse inquérito que os que estavam no atrelado que seguiu depois para as instalações da Constrobarcelos. Aliás, pode ter sido este segundo ponto que gerou, de facto, confusão e acabou por estar na origem da informação errada passada pela Polícia Judiciária ao Ministério da Justiça. A PJ, que entretanto já corrigiu os dados junto do gabinete de Rita Alarcão Júdice.

Carlos Pedro, com estes novos dados apurados pelo Observador e que mostram que a Polícia Judiciária informou mal a ministra Rita Alarcão Júdice neste caso do atrelado. José Sócrates volta esta manhã ao tribunal no âmbito da Operação Marquês, depois de ter pedido uma pausa de 10 dias. Sendo que o antigo primeiro-ministro está neste momento a falar à chegada ao Campus da Justiça, em Lisboa. Vamos ouvir José Sócrates.

A culpa das pessoas. São as pessoas que têm que se defender. Não, não é isso que estamos a dizer, porque eu vim aqui durante cerca de dois meses e como vocês todos viram, todas as acusações de corrupção, a expressão que eu usei na altura foi: "Não restou pedra sobre pedra". No seu entender. Mas a verdade- Não dos juízes que ainda não decidiram. Não, no meu entender. Mas já houve um juiz que decidiu. Esse juiz chamou-se Ivo Rosa, que depois de ter feito a decisão que me absolveu de todos os crimes, foi alvo de uma perseguição do Ministério Público, alvo de uma investigação.

Estamos em julgamento e há várias questões por abordar.

Com certeza, mas eu vou abordar todas as questões. Mas quero sublinhar este ponto: é que já ninguém fala de corrupção. E ninguém fala de corrupção, nem os senhores jornalistas que acompanham o processo Marquês. Este processo, na fase em que reentrou, começou no dia 1 de setembro. Estamos no dia 10. Já houve sessões, não houve uma única notícia. E sabem por que não houve uma única notícia? Foi porque as notícias lá dentro eram a favor do Ministério Público contra mim? Não, é porque eram a meu favor. Nestes últimos três dias, vieram aqui três testemunhas do júri do TGV. As três testemunhas foram unânimes. Afirmaram que todas as decisões do júri foram tomadas em inteira liberdade, sem nenhuma pressão, fosse de quem fosse. Isso não foi noticiado por nenhum jornalista. Nenhum jornalista noticiou isso, isso é da maior importância. São muitas sessões. Sabe por quê? É porque nesse momento, isso não convinha ao Ministério Público, portanto, os senhores não cobriram.

Está pronto a dar autorização hoje.

Permito formalizar o doutor Filipe Batista como seu oficioso? Oficioso, o doutor Filipe Batista? Desculpe, eu não sei. Como meu advogado, sim, está bem. Eu já nomeei o doutor Filipe Batista. O doutor Filipe Batista veio aqui dizer: "Olhe, eu tenho aqui uma procuração passada por José Sócrates e eu estou disponível para aceitar esta incumbência, desde que me dê 10 dias de preparação da defesa". Eu fiz isso para ir ao encontro do tribunal. A senhora juíza não quer dar tempo nenhum a ninguém. As férias judiciais não serviriam para isso? Que eu saiba, férias judiciais são férias judiciais, aproveitam todos, não faço ideia. São 30 dias. Está bem, mas não são aproveitadas pelas pessoas para estudarem processos, que eu saiba. Eu não faço ideia, aliás. Eu sei que o tribunal recusou 10 dias ao doutor Filipe Batista, recusou dar-lhes sem nenhuma-

Sem esses dias, o doutor não o vai representar, é isso? Ou seja, vai entrar aqui na condição de não ter advogado, no seu entendimento?

Sim, vou entrar como estou desde o dia 4 de novembro. Eu sei que para vocês isto é tudo igual. Eu sei que o jornalismo português já normalizou tudo isto, mas isto são princípios que têm a ver com direitos fundamentais, estão inscritos na nossa Constituição. Um cidadão tem direito a ter o advogado que ele escolhe e tem direito a tempo de preparação de defesa. TPD, tempo de preparação de defesa. É isso que o tribunal não tem dado. E os senhores acham que eu devo abdicar dos meus direitos. Desculpem, eu não abdico dos meus direitos. E se a senhora juíza ou se os senhores jornalistas acham que eu ajoelho perante isso, perante o arbítrio, não faço isso. Há 12 anos que não faço isso. E já agora, se vocês não se importam, deixem-me só ler-vos um parágrafo que é muito interessante. Sinceramente, acho que o jornalismo devia refletir sobre isto. Isto foi assinado por uma juíza e foi uma sentença recente de um tribunal. Diz assim: "As violações do segredo de justiça representaram uma clara diminuição das garantias de defesa, atentaram contra o princípio constitucional da presunção da inocência, do direito a beneficiar de um processo equitativo, constituíram uma afronta à reserva da vida privada do autor, ao seu bom nome, à sua honra, à sua reputação pública enquanto antigo chefe do Governo português". Isto foi escrito por uma juíza com coragem. Isto era uma coisa em que vocês todos deviam pensar. O que vocês fizeram ao longo destes 12 anos foi isto, foi atentarem contra o bom nome, foi pôr em causa-

A responsabilidade é perante o Ministério Público, é aquilo que a juíza diz, não é? José Sócrates a falar aos jornalistas à entrada de uma sessão do julgamento da Operação Marquês, junto ao campus de justiça em Lisboa, quando continua a existir a questão do advogado que há de representar o antigo primeiro-ministro. Ele está a regressar à sala de audiências depois de sucessivas recusas de advogados e também depois de ter apresentado uma queixa-crime contra o procurador Rosário Teixeira, que liderou as investigações da Operação Marquês. Nesta longa intervenção, em que vai respondendo às perguntas dos jornalistas, o antigo primeiro-ministro já abordou temas como os negócios de Vale do Lobo, as decisões na Portugal Telecom ou as relações com o grupo Lena, Armando Vara ou Ricardo Salgado. Não quis, ainda assim, responder às questões que lhe foram colocadas, relacionadas com as entregas de dinheiro vivo. Esta sessão do julgamento deve começar às 9h30. O Banco Central Europeu deve decidir hoje uma nova subida das taxas diretoras. Vai ser o segundo deste ano e pode não ser o último, Carla. Christine Lagarde já tinha alertado em julho para a probabilidade das taxas de juro terem de voltar a subir. A decisão do Conselho de Governadores deve ser confirmada pelo contexto internacional, com a guerra no Médio Oriente e com o aumento dos preços globais provocados pela crescente instabilidade. A taxa de juro de referência deve subir dos atuais 2,25% para os 2,5%. A decisão vai aumentar a pressão sobre os orçamentos das famílias, empresas e também dos estados da zona euro. São 9h09, Carla, antes do Explicador, que outras notícias destacas a esta hora? O Ministro da Educação admite que vários alunos da Grande Lisboa podem começar as aulas sem todos os professores. Fernando Alexandre garante, no entanto, que o problema não se estende ao resto do país. A entrevista ao Público e à Rádio Renascença explica que nesta altura está a haver ciclos semanais de colocação de professores, mas que a partir do dia 18 o processo passa a ser diário. Nesta entrevista, o ministro anuncia também que no próximo ano letivo deve ser testada a fusão do primeiro com os segundos ciclos do ensino básico. Os conselhos de Loulé, Sombra de Alportel e Tavira, no distrito de Faro, estão hoje em perigo máximo de incêndio rural. É uma informação do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, que coloca ainda mais de uma centena de conselhos de Portugal continental em perigo elevado ou muito elevado de incêndio. De acordo com o IPMA, este perigo de incêndio em algumas regiões vai manter-se muito alto, pelo menos até à próxima segunda-feira. A Câmara de Lisboa foi condenada a pagar mais de €460 mil pelo caso Russia Gate. É o que avança o Diário de Notícias esta manhã. Este processo está relacionado com o envio de e-mails que incluíam dados pessoais de ativistas anti-Putin para a Embaixada russa e para outras entidades entre 2013 e 2021, isto durante os mandatos de António Costa e de Fernando Medina. E vamos continuar a falar de filmes, neste caso, mais um que tem Lisboa como cenário. Saiu ontem o trailer de "Love of Your Life", que é um novo romance na Amazon Prime. Mais um filme internacional a passar pela capital. É, exatamente. Mas não só. O trailer já nos mostra os elétricos, o Tejo, as ruas de Lisboa, a ponte 25 de Abril e até filmagens nos centros populares, mas há também imagens do Algarve. A protagonista deste romance acaba mesmo por decidir viver para Portugal. Olha! É um belo cenário, mas é uma má ideia, porque isso depois traz outros.

Pois.

Depois há os demais. Não será a única.

O que é que queres?

É a Margaret Qualley, a atriz de A Substância.

De A Substância. É filha da Andie MacDowell.

Ora, muito bem. Mas não é só o filho de Arnold Schwarzenegger, também parece. Só filhos. Nepo babies. Pois é. E mais? É isso mesmo. Mais, temos como produtor Ryan Gosling. Ele deve ser filho de alguém. Não sei se é.

Provavelmente.

Em princípio, podemos ter uma alguma certeza. Com quase toda a certeza. Quando é que estreia, Carla? 14 de outubro, na Prime Video e depois, quem sabe, nas salas de cinema. Porque é que estás a olhar para mim assim? Nada, porque me dá vontade.

As pessoas não conhecem Lisboa, pelo que conhecem Lisboa.

Exatamente. Ir ao cinema.