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As notícias na Rádio Observador com Carla Jorge de Carvalho. Está prevista para hoje a montagem do mercado Natal, no Rossio, em Lisboa, mas Carla, os manifestantes avisam que não vão sair da praça. Ainda não se sabe qual vai ser a decisão da Câmara Municipal. Pois não, o movimento acampada já chegou a sugerir a Carlos Moedas mudar a localização do mercado Natal, que todos os anos acontece no Rossio. O próprio autarca já reconheceu que não é possível ter a feira e as manifestações a decorrerem no mesmo local, mas não se sabe qual vai ser a decisão. Certo é que os protestos continuam e apesar da noite ter sido mais calma, os manifestantes prometem voltar hoje ao Rossio para pernoitar. A repórter Teresa Freire está em direto do Rossio. Teresa, neste momento, nem sinal de manifestantes, nem das operações de montagem do mercado.

Exatamente. Na última hora são mesmo sinais da equipe de higiene urbana da Câmara. Na última hora continuaram os trabalhos de limpeza aqui na praça, foram retirados alguns dos cartazes que estavam no chão, outros que estavam encostados à coluna de Dom Pedro IV não foram removidos, continuam onde estavam. Recordar que apesar da decisão do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa ter autorizado Renata Câmara a pernoitar na Praça do Rossio, a ativista não o fez esta noite, ao contrário de um outro manifestante que pernoitou na única tenda que está ainda montada a esta hora aqui no Rossio, que tem do lado de fora um autocolante muito pequenino onde está escrito: "Esta tenda pertence a Renata Câmara". Uma tenda que está montada entre a coluna e o teatro Dona Maria II, é, portanto, a única neste momento. Quanto ao mercado de Natal do município, tal como disseste, Carla, o início das montagens estão previstas para hoje, mas a esta hora não há sinais disso. Não vemos nem essas montagens, nem sequer carrinhas com materiais a chegar ou alguém de uma equipe da Câmara Municipal. Dar conta que a decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa considera justificada a limitação do direito de manifestação de Renata Câmara, que terá de ser articulada com o mercado. Ou seja, isso significa que se a permanência colidir com a instalação e o funcionamento do mercado, terá de ser disponibilizada uma alternativa à ativista Renata Câmara para que consiga ter visibilidade pública do protesto. Por esta hora, tal como dizia, a praça está, de facto, muito calma e vazia. Fica-se, portanto, nessa expectativa. Carlos Moedas tinha dito que o mercado começava a ser hoje montado. Temos que aguardar para ver se tal vai acontecer. O que é certo é que de um lado o presidente quer que o mercado se realize, já os manifestantes prometem voltar a pernoitar na Praça do Rossio esta noite.

Teresa Freire a descrever-nos o ambiente no Rossio. Tudo calmo agora, passam cinco minutos da manhã. Vamos perceber se é hoje, se é de facto esta manhã que começa a montagem das tendas do mercado de Natal. No Porto a noite também foi calma. Foram montadas pouco mais de dez tendas, com alguns manifestantes a passar a madrugada na Praça Dom João I. O movimento saudou ainda a disponibilidade do presidente da Câmara, Pedro Duarte, para uma reunião pública, mas considera que não estão ainda reunidas condições para um encontro. Cavaco Silva defende o governo na gestão política dos protestos pela habitação. O antigo presidente da República defende que a PSP tem legitimidade para intervir e acusa a extrema-esquerda de estar a instrumentalizar as manifestações. A posição foi assumida na reunião do Conselho de Estado de ontem, numa intervenção descrita pelos presentes como muito forte. O Observador sabe que o ex-presidente da República está em total sintonia com a linha que tem sido seguida pelo Executivo. Miguel Gato.

Cavaco Silva está ao lado de Luís Montenegro e Luís Neves, na forma como ambos estão a gerir os movimentos das acampadas. O antigo presidente da República alerta para casos flagrantes de falta de respeito pelas autoridades, que têm acontecido nestas manifestações e diz que sem uma gestão eficaz do espaço público, é a própria autoridade do Estado que fica em causa. Na prática, Cavaco valida as intervenções policiais das últimas duas semanas no Rossio e na Praça Dom João I. O antigo chefe de Estado sustenta dizendo que os protestos pela habitação estão a ser instrumentalizados pela extrema-esquerda com intuitos políticos. Ainda assim, o Observador sabe que o foco dos conselheiros de Estado nesta reunião do Conselho de Estado foi contribuir para encontrar soluções pra crise na habitação, e o foco não foram as cargas policiais.

Do lado do governo, Miguel, o sentimento é de que o tempo vai acabar por dar razão à atuação do Executivo e da PSP.

É essa a expectativa da AD, é que o arrastar das concentrações acabe por desgastar a atenção da opinião pública e também da comunicação social, ou que os próprios organizadores percam o controle dos protestos. Além disso, a fonte do Executivo vê na recente decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa a oportunidade pra uma saída airosa. No governo, recusa-se a ideia de uma vitória dos manifestantes. Um alto dirigente da AD sublinha mesmo ao Observador que a sentença é clara, o espaço público não pode ser simplesmente ocupado, apesar de ter dado essa permissão a Renata Câmara para que monte a tenda no Rossio depois da meia-noite e meia.

Miguel Gato, com a estratégia do Executivo perante a contestação social e também com os bastidores do Conselho de Estado. De resto, o Observador apurou que a reunião de ontem decorreu sem qualquer ambiente de mal-estar entre o presidente da República e o primeiro-ministro. Marcelo Rebelo de Sousa e Luís Montenegro cumpriram O habitual almoço semanal, não Marcelo Rebelo de Sousa, mas António Costa Seguro, como é evidente. Almoçaram, antecipando assim a viagem que o chefe de Estado vai ter hoje a Madrid para participar na Cimeira Ibero-Americana. Toda a informação para acompanhar em pormenor na manchete do site do Observador, num artigo assinado pelo editor adjunto de política, o Miguel Santos Carrapatoso. A poucas horas das eleições intercalares, os Estados Unidos voltaram a bombardear o Irão. As tropas norte-americanas atingiram uma ilha no sul do país. Falamos da ilha de Kharm. Há mais de dois meses que não havia ataques diretos, mas o Wall Street Journal cita fontes do governo e avança que este foi apenas o mais recente de vários ataques que têm ocorrido em segredo nas últimas semanas. Hoje, como dizia a João, são as eleições intercalares nos Estados Unidos. Mais de 200 milhões de norte-americanos decidem os 435 lugares na Câmara de Representantes e cerca de um terço do Senado. E na antecâmara da saída às urnas, o especialista em Direito Internacional, Francisco Pereira Coutinho, alerta para uma possível vingança de Donald Trump contra os próprios eleitores, em caso de uma derrota significativa dos republicanos. Francisco Pereira Coutinho antevê uma vitória dos democratas na Câmara Baixa do Congresso, mas admite que o cenário para a Câmara Alta pode ser diferente. Ainda assim, as perspectivas não são boas para o partido de Trump e por isso deve ser motivo de alerta para todos.

A dimensão da derrota pode ser problemática para toda a gente, porque pode deixar um Donald Trump com vontade novamente de se vingar agora do seu próprio eleitorado. E o problema é que o Congresso americano não tem qualquer tipo de intervenção em política externa, com uma pequena exceção, que é o poder da carteira. Ou seja, a única coisa que pode fazer é limitar a ação do presidente, não financiando esse tipo de expedições militares que ele tem tido nos últimos anos. E eu acho que por aí poderemos ter algumas limitações. Agora, de resto, não. O presidente americano tem o poder constitucional de dirigir a política externa sem qualquer tipo de entrave.

Francisco Pereira Coutinho, que esteve esta manhã no gabinete de guerra, a antever as eleições de mais logo. A Rádio Observador tem, claro, uma emissão especial preparada pra si pra acompanhar as eleições intercalares nos Estados Unidos. Começa às 22h30 e dura toda a madrugada. Já a seguir, o Explicador sobre a decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa relativamente ao movimento Acampada, mas antes, Carla, são nove e 10, que outras notícias marcam esta manhã? A Rússia lançou mais um ataque de grandes dimensões contra a Ucrânia. Atingiram esta madrugada instalações energéticas e portuárias em vários pontos do país. O Kremlin lançou também um ataque que atingiu uma unidade de saúde em Kharkiv. Sessenta e duas pessoas ficaram feridas. Cerca de 200 doentes estão a ser transferidos para outros hospitais. Fernando Araújo, antigo diretor executivo do SNS, acusa o governo de adiar a resolução dos problemas na saúde. Acusa também o Executivo de não cumprir as promessas feitas aos portugueses. Num artigo de opinião no Público, Fernando Araújo critica, sobretudo, o desempenho do plano de emergência na saúde. Alerta que nem o reforço orçamental evitou o agravamento dos tempos de espera para consultas e cirurgias. O governo assinou hoje com a Lufthansa o contrato de venda parcial da TAP. A proposta do grupo alemão foi a escolhida pelo Executivo para a compra de uma participação minoritária na empresa. Na cerimónia vão estar o primeiro-ministro, os ministros das Finanças e das Infraestruturas e também o presidente executivo do grupo Lufthansa. As Sombras de Duarte Lima é o novo podcast Plus do Observador e é a história de uma herdeira milionária, de um assassinato violento no Brasil e de um suspeito chamado Duarte Lima. Um homem enigmático que nasceu pobre, tornou-se um político poderoso e construiu uma fortuna difícil de explicar.

Faltam agora cinco dias para o tão ansiado regresso. Até quando lhe ligam a oferecer serviços, Rosalina Ribeiro faz questão de dizer que está prestes a voltar ao país dela. Esta chamada foi encontrada no gravador da portuguesa já depois do crime.

Alô, sou sim. Alô, boa tarde. Boa tarde. Por favor, senhora Rosalina? É própria. Boa tarde, senhora Rosalina. Aqui quem fala é Rejane, da Net Rio. Tudo bem? Donde? Da Net Rio. Ah, sim. Tudo bem? Tudo bem. Alguma novidade? Não entendi. Se há alguma novidade. Sim, com certeza. A senhora já possui alguns serviços Net? Não, eu vou para Portugal. Não posso agora tratar de nada. Tá bom? Entendi. Peço desculpa. Não, sem problemas. Obrigada. Tchau, abraço.

As 45 Horas Antes do Crime é o título do terceiro episódio do novo podcast Plus do Observador, que já está disponível. O ator João Reis é o narrador desta série, que conta com música original de Filipe Raposo. A investigação e os guiões são do jornalista Carlos Diogo Santos.